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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Guidetti conquista Glasgow

| Andy McDougall



Tem a camisola nove e já marcou dez golos em onze jogos; o avançado sueco John Guidetti, emprestado do Man City, está a brilhar em Glasgow e os adeptos dos Bhoys já sonham com a possibilidade de que a transferência torne-se permanente, seja em Janeiro ou no verão a custo zero.
Entre os dez golos há três livres e um penalti. Este jovem pode fazer qualquer tipo de golo mas o seu jogo tem mais do que apenas os golos. Recebe e proteja bem a bola, é forte fisicamente, combina bem com os colegas e tem capacidade de criar espaço para ele mesmo.

Não é exagerar dizer que o Celtic não teve um avançado de tal qualidade desde há muito tempo. Nos últimos anos haviam alguns bons goleadores, como McDonald e Hooper mas eles foram jogadores um pouco limitados; no fundo, dentro da grande área foram muito uteis mas ofereceram pouco mais e não deram para jogar como o único ponta-de-lança, como pode ser necessário frente às equipas com mais recursos na Liga dos Campeões.   

Também haviam outros que ofereceram outras coisas, mas que também faltava algo chave. Kenny Miller foi muito trabalhador mas nunca marcou golos com regularidade. Jan Vennegoor of Hesselink foi muito bom no ar e marcou bastantes golos mas teve uma mobilidade muito limitada. Giorgios Samaras foi capaz de fazer grandes coisas mas poucas vezes fê-las e não foi grande goleador. 

Jogadores atuais Anthony Stokes e Leigh Griffiths podem fazer golos na Escócia mas simplesmente não tem a qualidade para marcar a diferença nos jogos mais difíceis, e também não parecem, especialmente no caso do primeiro, serem capazes de jogar como o “9” sozinho.    

Guidetti por outro lado parece ter golos e é um jogador mais completo. Tem todas as condições para ser um herói no Celtic se o clube conseguir segurá-lo ao longo prazo. Tendo em conta que o seu contrato com o City acaba no verão que vem, isto não é impossível.

Para dar algum contexto à importância de Guidetti ao este Celtic, alguns já fizeram comparações ao mítico Henrik Larsson, ou seja, dizem que Guidetti pode ser o melhor avançado no Celtic desde o seu compatriota que ainda é celebrado pelos adeptos dos Hoops. Talvez se esqueçam de Craig Bellamy e Robbie Keane, ou talvez não. Além disso, alguns já questionam se o Celtic depender demasiado em Guidetti e os seus golos.

Provavelmente ainda é cedo para falar assim, mas não há dúvidas em relação à sua habilidade. Já começou muito bem a sua carreira no Celtic e impressionou com o seu atitude, a sua dedicação e a sua confiança.

A grande pena para o Celtic é que Guidetti não pode jogar na Liga Europa devido a um atraso no seu registo. Por isso será necessário alguma rotatividade no onze na liga para quê outro jogador seja pronto para jogar na Liga Europa. Ao momento tudo aponta a que será Stefan Scepovic, que não convenceu no início da época mas agora tem dois golos nos seus últimos dois jogos, que vai substituir Guidetti naquelas batalhas.

Outra coisa que os adeptos do Celtic agradecem é a paixão com que joga Guidetti – algo que não surpreenderá quem o viu jogar no Feyenoord. Não se pode queixar com o seu desempenho e parece que já realmente tem muito carinho para o clube.


Resta saber se vai mesmo ficar em Glasgow após o fim da época, e logo bastante tempo para ser conhecido como uma lenda no Celtic, mas a ideia doutro avançado sueco a marcar golos com tal facilidade naquela camisola verde-e-branca tem um certo romanticismo. Se o inimitável Henrik Larsson fosse o “rei dos reis”, talvez Guidetti possa ser o príncipe… 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

PepsiDeild - De brincalhões a campeões na Terra do Fogo e Gelo

| António Valente Cardoso



Não, não se trata de falar de George RR Martin e da sua épica senda literária que tanto sucesso televisivo tem tido, fala-se de futebol, de um arquipélago árctico que contradiz tantas estatísticas e lugares comuns da sociedade ocidental, de uma equipa que ninguém conhecia e se fez campeã.
Começando pelo fim. O Stjarnan sagrou-se campeão islandês em 2014, primeiro título masculino, seguindo o que as meninas do clube já haviam conseguido antes e mantiveram neste ano. O título não podia ter sido mais dramático, última jornada, dois pontos atrás do líder, que visitava, primeira vantagem, empate e o golo vencedor já perto do final da partida, para celebrações… por todo o mundo.

Choveram parabéns ao clube da Holanda, da Polónia, da Roménia, de Portugal, da República Checa, da Costa Rica, do Brasil, da Argentina, de Itália, da Turquia, da Alemanha, da Noruega, do Vietname, da Escócia, de El Salvador, de Inglaterra, das Filipinas, da Eslováquia, da Hungria.
O que faz do Stjarnan algo tão especial? Pois claro, os únicos, incomparáveis e globalmente famosos festejos da equipa em 2010, uma situação que na altura foi criticada pelos dirigentes locais, levando mesmo a jogos à porta fechada para o clube, pelo medo do ridículo. A verdade é que não apenas se catapultaram jogadores, que tinham qualidade, se divertiam e se mostraram ao mundo, que não ficou indiferente. Afinal, era – como é – uma equipa divertida!

Depois da globalização do pequeno clube dos arredores de Reykjavik, de Gardabaer, com cerca de 13 mil habitantes e conhecida por deter a única Ikea do arquipélago, um dos melhores estúdios de televisão e, agora, os campeões e campeãs de futebol na Islândia. O Stjarnan também se revela pelo bonito futebol praticado, ganhando fãs em Motherwell, em Poznan, em Milão, após os desempenhos europeus frente a adversários daí.

Quando um arquipélago de pouco mais de 300 mil habitantes se consegue afirmar no contexto futebolístico, depois de já o ter feito no panorama andebolístico, tal relativiza toda a autocomiseração portuguesa, não? Situação que se estende igualmente à forma como declararam falência, julgaram e prenderam políticos e banqueiros e logo se reergueram, fazendo frente ao todo poderoso FMI, não parecendo tão difícil quanto se apregoa noutras paragens. Talvez não tenham, naturalmente, tantos ‘Velhos do Restelo’…

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Ryan Gauld: um projeto a longo-prazo para a seleção escocesa

|Andy McDougall



A maior surpresa do mais recente plantel de Gordon Strachan foi a inclusão pela primeira vez de Ryan Gauld, médio-atacante do Sporting.

Após ter começado a sua carreira profissional com o Dundee United, o nome de Gauld é bem conhecido na Escócia e a sua transferência ao Sporting gerou bastante interesse.

Não é comum que um jogador escocês vá para fora da Grã-Bretanha para jogar, mas Gauld não é um jogador comum. Há muita esperança de que chegará a ser uma peça chave na seleção e já vimos na seleção sub-21 o que pode fazer. O miúdo de 18 anos é longe de ser um jogador tipicamente escocês e isso entusiasma os adeptos escoceses que frequentemente perguntam-me como correm as coisas para ele em Portugal.

O facto de não ter jogado nem um minuto na equipa principal do Sporting não é razão para estarmos preocupados – é entendido que Gauld é jovem e que ganhar ritmo na equipa B vai-lhe servir bem – mas é por isso que muitos ficaram surpreendidos de ler o nome dele na lista de Strachan para os jogos de qualificação frente à Geórgia e à Polónia.

No entanto, se olharmos com outra perspectiva, talvez não seja tão surpreendente. Seria uma verdadeira surpresa se Gauld participar nestes duelos; o plantel é grande (uns 27 jogadores) e não seria a primeira vez que Strachan incluiu um jovem apenas para lhe dar experiência com a seleção A e trabalhar com eles nos treinos.

Strachan sempre tem sido um treinador mais do que um seleccionador e segue assim; chamando tantos jogadores dá-lhe a oportunidade de trabalhar com um grupo maior e incluir uns jovens para conhecê-los.

Isto passou mais recentemente com Callum McGregor, médio-atacante de 21 anos do Celtic que começou a época atual de maneira ótima. Ele foi chamado para o jogo diante da Alemanha mas nem sequer foi incluído no banco de suplentes. Outros jovens chamados e não utilizados por Strachan no passado incluem Tony Watt (naquela altura do Celtic mas agora do Standard Liège) e Stuart Armstrong (do Dundee United). Há outros exemplos mas estes dois ainda não fizeram um jogo com a seleção A, embora seja esperado que serão jogadores internacionais no futuro.

Também no plantel atual fica Stevie May, avançado de 21 anos do Sheffield Wednesday (e ex-St Johnstone), que, como Gauld, está a marcar a sua primeira presença com os seniores e Strachan já falou na possibilidade de chamar um terceiro jovem se alguém baixar do plantel.

No fundo, todo isto quer dizer que é bom ver Gauld no plantel mas é importante mantermos realistas e não mal-interpretar a chamada dele. E se ficar fora do próximo plantel, não deveríamos pensar que decepcionou ou que baixou o seu nível ou a sua reputação.

Para Gauld, este é o primeiro passo do que esperamos será uma longe associação com a seleção, mas temos de estarmos pacientes e ter em conta que com apenas 18 anos ainda poderá jogar nos sub-21 para uns anos mais.

Strachan, pela sua parte, já se mostrou disposto a incluir jovens no grupo da seleção mas não tanto para apostar neles nos jogos. Porém, para já, é encorajador a ver que tem interesse em jovens promissores e a política de introduzi-los cedo ao plantel – antes que estejam prontos de jogar – poderia constituir um processo muito sábio. Com certeza tem sentido que se já conheçam os seus companheiros e como é a vida com a seleção A, será mais fácil para novos jogadores integrar-se quando é preciso que joguem, pois já estarão cómodos e saberão as tácticas e o que o treinador espera deles. Vamos ver como evoluirá a equipa, mas o pensamento de longo prazo de Strachan poderia trazer bons resultados para a seleção escocesa.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Futebol no Feminino, um preconceito que custa a desaparecer

| António Valente Cardoso



A ideia de macho latino assenta na perfeição que se observa a dimensão aos desportos colectivos femininos no eixo mediterrânico, particularmente em Portugal e com ainda maior foco naqueles que são determinados como sendo masculinos, um pouco como determinadas profissões.

Se existem dificuldades nas modalidades amadoras portuguesas, que lutam pela sobrevivência num país que continua a não possuir uma política desportiva, académico-desportiva, sustentada, continuada, que permitiria uma poupança nos gastos de saúde imensamente superior a um investimento bem desenhado, projectado, desenvolvido e aplicado, tal ainda se acentua no desporto colectivo feminino. Nas modalidades de pavilhão como o andebol, o voleibol ou o basquetebol, valem os colégios privados, algumas escolas avulsas com uma boa ideia da importância do desenvolvimento e prática desportiva na própria resposta académica mais positiva, e alguns clubes, sensíveis e preocupados com essa problemática ou meramente agarrados à importância histórica, aos títulos que o feminino lhes granjeou e assegura.

É notável o esforço das atletas, muitas ainda a lutarem contra os preconceitos dentro da própria casa, por parte dos amigos e afins, numa retrógrada visão de que o futebol é para homens, situação extensível ao futsal. Muitas deslocam-se 50, 100 km duas ou três vezes por semana para irem treinar, um enorme desgaste, uma perda na ‘diversão’ ou no descanso pela dedicação, pelo amor pelo ‘Beautiful Game’.

Hoje, o futebol feminino em Portugal, após avanços e recuos nas últimas três décadas, parece finalmente focado num crescimento sem marcha atrás, sem magriços acoplados, com excelentes resultados, ainda maiores face a tão escasso investimento. Quer na variante de cinco, futsal, quer na variante de relvado, num instante se viram dezenas de atletas a emigrarem, uma prova – se necessário fosse – da inata qualidade da desportista portuguesa, como nos masculinos, sem os bacocos conceitos do ‘somos pequeninos’, não há ‘profundidade’.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Nani, bênção ou maldição?

| António Valente Cardoso

Um dos grandes focos do defeso para a liga portuguesa foi o regresso de Nani, visto pela massa adepta leonina e pelos especialistas que escrevem e falam sobre futebol em Portugal como uma enorme mais-valia para o Sporting CP.



Nani tem sido um dos mais bem-aventurados da crítica portuguesa. Apesar de caído em desgraça no seio do Manchester United, ainda de Sir Alex Ferguson, perdendo gradualmente espaço na primeira equipa, gozou de condição privilegiada na selecção de Paulo Bento quase até ao limite e sempre foi e é defendido por quase todos como peça essencial, na eterna confusão entre ser e estar.

A crítica continua a elogiar cada jogo do extremo de 27 anos, cada conjunto de fintas que termina, quase consequentemente, de forma insípida, sem um resultado, um fim colectivo. Nota-se que o jogador sente uma necessidade de provar mais-valia, de dar razão à escolha, pretende estar no centro decisório, mas as suas escolhas e movimentações assemelham-se a um miúdo de rua, correndo para onde está a bola, numa aglomeração tão normal na aprendizagem mas pouco recomendável e compreensível num futebolista feito, carregado de jogos em todas as competições de topo na modalidade e com tantos anos de Premier League.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Futebol...

| Luís Cristóvão



Foi preciso o André Martins desaparecer completamente durante 45 minutos, uma vez mais, para que João Mário tivesse uma oportunidade. Talvez tenha sido preciso que Naby Sarr e Maurício tenham deitado para o lixo dois pontos e uns quantos milhares de euros para que Paulo Oliveira seja chamado a jogo. Pelo meio, um futebol feito da criatividade de Nani e de muitos cruzamentos para a área não nos diz mesmo nada. Relembrando um mestre, quem só sabe de futebol, não sabe nada de futebol...

BATE Borisov em busca do milagre...

|Francisco Sousa



Participante na fase de grupos da Champions League pela quarta vez em apenas seis anos, o campeão bielorusso BATE Borisov procura, uma vez mais, dignificar o futebol daquele país, fazendo uma participação honrosa e esforçada na maior competição de clubes do Mundo. Tendo como melhor resultado da sua História europeia o triunfo sobre o Bayern (que viria a ser campeão europeu), há tão somente dois anos, o BATE tem, em teoria, uma tarefa complicada, estando incorporado num grupo bastante equilibrado entre os três principais antagonistas (FC Porto, Shakhtar e Athletic). No fundo, o objectivo da equipa orientada por Aleksandr Yermakovich passa por dificultar ao máximo a tarefa aos restantes concorrentes, ao mesmo tempo que tentará, nos jogos em casa, dar a surpresa...

Habitualmente disposta numa espécie de 4-3-2-1, com os extremos mais metidos por dentro, a equipa do BATE tem acusado, do ponto de vista ofensivo, a saída do principal craque Krivets para o futebol francês (Metz), ele que foi autor de dezena e meia de golos e assistências nos jogos oficiais disputados até aqui neste ano de 2014. Em teoria, o emblema bielorusso irá viajar até ao Dragão para jogar num bloco baixo/médio-baixo, que muitas vezes se coloca numa espécie de 4-4-1-1 em fase defensiva. Equipa organizada e disciplinada a defender, resta saber como irá lidar com a mais-valia técnica do ataque dos "dragões"...

Maribor: a armada "violeta" quer surpreender no regresso à Europa dos milhões

| Francisco Sousa

14 de Setembro de 1999. No velhinho Estádio Lobanovsky de Kiev, o Maribor, modesta equipa proveniente do campeonato esloveno, fazia a sua estreia na fase de grupos da Liga dos Campeões, depois de ter surpreendido a Europa ao afastar os franceses do Lyon na 3ª pré-eliminatória (3-0 no total das duas mãos). Foi, então, na capital ucraniana, que os eslovenos escreveram mais uma bonita página na sua história, ao vencerem o todo-poderoso Dinamo por 0-1, com um golo de Ante Simundza, avançado destro, corpulento e trabalhador. O Maribor, porém, acabaria essa fase de grupos na última posição, tendo somado apenas mais um ponto, na deslocação à BayArena de Leverkusen.



15 anos passaram e o Maribor, depois de várias tentativas, finalmente, conseguiu o regresso ao convívio com os "grandes". E não é que o herói daquela noite em Kiev volta a ser protagonista? É verdade, década e meia depois, Simundza foi o técnico responsável pelo heróico apuramento para a maior (e melhor) competição de clubes do planeta. Em Glasgow, perante o histórico Celtic, os campeões da Eslovénia puxaram dos galões e conseguiram rubricar uma vitória notável. Quis o destino que o regresso dos violetas a esta competição os colocasse, de novo, no caminho de uma equipa verde-e-branca, no caso o Sporting. Enquanto que para o Maribor este será o sétimo jogo da temporada na Champions, para os leões será um regresso às lides europeias. Apesar de tudo, é previsível que a equipa portuguesa até venha a assumir o jogo, estratégia que até poderá ter o consentimento dos eslovenos, mais interessados em pontuar do que em brilhar, neste caso...

Formatada para jogar entre um 4x4x2 e um 4x2x3x1, a equipa do Maribor vai alternando de esquema táctico, consoante os jogos e os momentos destes mesmos. Em fase defensiva, costuma organizar-se, geralmente, em 4x4x2. Quando assim é, a dupla de avançados fica adiantada, pressionando sem grande eficácia na frente, enquanto que as linhas defensiva e de meio-campo recuam um pouco mais. Porém, se quiser assumir o jogo, o Maribor faz subir um pouco mais o bloco, sendo que aí se soltam habitualmente 4 elementos: o trinco Filipovic (principal distribuidor de jogo numa primeira fase de construção) e os três homens do meio-campo ofensivo/ataque. Em Glasgow, contra o Celtic, a equipa assumiu a posse e jogou com muito atrevimento no meio-campo contrário, fazendo adiantar os alas (Vrsic e Ibrahimi) e usando bem a mobilidade e largura dos possantes Mendy e Tavares na frente do ataque. Já nos jogos caseiros (Maccabi e Celtic, por exemplo), o Maribor partiu de uma base em 4x2x3x1, apresentando um duplo-pivote mais conservador (Dervisevic-Filipovic) mas com uma segunda linha de autênticas setas (Bohar-Ibraimi-Vrsic) e só com uma referência na frente do ataque.

No fundo, é notória a tendência desta equipa do Maribor em variar entre estes dois registos. Ofensivamente, a equipa mostra uma tendência a explorar os espaços interiores, dado que tanto Vrsic como Bohar (ou até Ibraimi) gostam de fazer a diagonal em direcção à área. Apesar de tudo, a profundidade pode ser encontrada em algumas subidas destes alas e, sobretudo, na projecção que o lateral-esquerdo Viler dá em termos ofensivos. Já a defender, o Maribor exibe algumas dificuldades na protecção do espaço nas costas dos laterais (sobretudo Stojanovic) e a falta de flexibilidade e velocidade dos centrais (são rijos e defendem relativamente bem na área, apesar de tudo), algo inaptos para fazer as dobras. Nos momentos em que a equipa joga mais recuada, é necessária solidariedade, entreajuda e consistência/solidez táctica, algo que nem sempre acontece, porém...

Outro apontamento vai para as bolas paradas. Nas ofensivas, o Maribor costuma atacar, habitualmente, o primeiro poste, podendo depois haver a sequência na zona central ou no segundo poste. Há, de facto, jogadores com capacidade para criar perigo no jogo aéreo (Suler, Mendy ou Filipovic, por exemplo). Porém, nas bolas paradas defensivas, são notórias os problemas do campeão esloveno em defender à zona, algo que pode ser efectivamente explorado pelos melhores cabeceadores da equipa sportinguista.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O Guia da Liga dos Campeões

| João Gonçalves

Vai começar a melhor prova de clubes do mundo. São trinta e duas equipas a sonhar com grandes feitos europeus e a lutar para continuarem na prova em 2015 após o fecho da fase de grupos.



Antes da Champions League, a principal prova da UEFA era a Taça dos Clubes Campeões Europeus jogada em formato de eliminatórias directas até à final em cidade previamente indicada e onde os finalistas não podiam usar publicidade nas camisolas, imagine-se!
Havia um sistema de cabeças de série para evitar o confronto precoce dos mais cotados mas era possível vermos algumas surpresas. Equipas lendárias conseguiram vencer a prova, como o Nottingham Forest de Brian Clough, o Hamburgo de Ernst Happel, o PSV de Guus Hiddink, o Marselha de Raymond Goethals, o Aston Villa de Tony Barton, entre muitos outros. Mas também houve grandes surpresas em inesperadas caminhadas até à final, Steaua de Bucareste, Malmö, Club Brugge, Sampdoria, Saint-Étienne, Leeds United, Panathinaikos, tudo clubes que dificilmente voltarão a estar em tão alto nível.

Isto para dizer que a prova foi crescendo e a UEFA transformou a competição numa espécie de campeonato europeu com protecção total aos clubes dos países mais poderosos. Banalizaram-se os jogos entre gigantes europeus com uma fase de grupos que é uma autêntica orgia de futebol entre Setembro e Dezembro onde só por milagre os mais fortes não seguem em frente.
Uma surpresa pode acontecer em duas noites más de um favorito, como sempre aconteceu até este século em eliminatórias directas mas poucos clubes de topo têm seis noites más que os ponham fora de prova neste modelo de campeonato.
Mesmo assim têm acontecido surpresas que empolgam a Europa do futebol, recordemos os casos do APOEL de Chipre ou do Málaga de Espanha, por exemplo.

Olhando para os grupos sorteados salta à vista que só o A é composto por campeões nacionais, passou a ser normal ver clubes que não conquistam o título do seu país a lutar pelo título maior europeu. O Liverpool já não vence em Inglaterra há mais de duas décadas mas festejou mais um título europeu em 2005. E este ano está de regresso à elite europeia.
Em sentido contrário, a Europa esta época não passará por Old Traford nem por Milão, Manchester United falha as Champions pela primeira vez em 18 anos e a dupla Inter / AC Milan também ficará no sofá a ver jogar.

Como já vem sendo hábito, cada grupo apresenta dois fortes candidatos a seguir para a fase decisiva da prova e doisoutsiders, havendo algumas excepções quando a sorte dita grupos mais equilibrados com todas as equipas a lutarem pelo apuramento.

O objectivo da UEFA está cumprido, a Champions League é uma fonte de receitas incrível e proporciona grandes jogos duas vezes por semana.
Este ano Portugal tem três representantes que lutarão para passar à fase das eliminatórias ou então para um lugar na Liga Europa que é o mal menor no fim das contas no fecho de cada grupo.

Zenit: uma imponente barreira vinda do frio mas com um toque do sangue latino

| Francisco Sousa

Autor de um início de temporada pujante e afirmativo, o Zenit de André Villas-Boas chega ao Estádio da Luz claramente disposto a complicar a vida aos actuais campeões nacionais. Líder destacado do campeonato russo após sete jornadas, a formação de São Petersburgo procura, além do regresso aos títulos a nível local, realizar uma boa campanha europeia, pese embora esteja colocado naquele que é considerado, em teoria, o grupo mais equilibrado e competitivo desta Liga dos Campeões. As expectativas para um dos clubes com maior orçamento desta competição são elevadas e o técnico luso sabe bem que a administração do Zenit não admite insucessos numa temporada que se quer de festa...



Depois de uma derrota (injusta, diga-se) a abrir a época oficial, no Chipre, frente ao AEL Limassol (1-0), o Zenit partiu para uma série avassaladora de dez triunfos consecutivos. A base do sucesso tem assentado no estilo de jogo posto em prática por André Villas-Boas esta temporada e que visa que a equipa possa dominar mais os jogos, embora aproveitando de igual maneira a velocidade dos seus melhores atacantes nas transições. No fundo, este Zenit representa uma mistura de características diferentes, mas que para já vai resultando bastante bem. Tacticamente formatada para jogar entre um 4x3x3 com os extremos a tenderem a fazer movimentos interiores e um 4x2x3x1 um pouco mais aberto, a equipa de São Petersburgo ataca com critério e ordem quando tem bola, usando para isso a inteligência de jogadores como Fayzulin (castigado para este encontro), Witsel ou Shatov com bola e a técnica em progressão de elementos como Hulk ou Danny. Aliás, estes dois homens revelam-se igualmente argutos a explorar situações de contra-ofensiva, visto que aliam velocidade e técnica a uma notável capacidade de remate e boa visão de jogo.

Movendo-se bem entre esses dois registos, o Zenit apresenta-se agora também um pouco mais consistente e organizado na maneira como defende. Em várias situações, organiza-se quase numa espécie de 4x4x2 com Hulk junto a Rondón numa primeira linha e com Shatov e Danny praticamente na mesma linha do duplo-pivote do meio-campo. Vai alternando entre momentos de uma pressão mais intensa e outras situações de organização defensiva mais recuada, sobretudo contra equipas que possuam criativos ao meio e gostem de assumir a posse de bola (por exemplo, o último jogo frente ao Dinamo de Moscovo). Quando recuperam a bola ou procuram sair de forma organizada, a tendência é fazê-lo pelas laterais, com o aparecimento constante de apoios interiores, extremamente úteis para ajudar a desequilibrar as estruturas adversárias. No fundo, esta é uma equipa que gosta de controlar os jogos, com e sem bola, e cuja proposta pode ser adaptável também às diferentes características dos adversários que lhe vão aparecendo pela frente...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Escócia - A Derrota Gloriosa

| Andy McDougall

Foi mais uma derrota gloriosa. Sim, a seleção escocesa é especialista nesta arte de valor questionável. O jogo em Dortmund foi outro exemplo daquela sensação agridoce de ter chegado tão perto a alcançar algo especial com trabalho duro, superando as expectativas, às vezes com um pouco dum sentido de injustiça, e encontrar alguma honra no fracasso, que já não é nada estranho para os adeptos escoceses. O que deixa é uma mistura de orgulho e frustração. Assim é a vida para o Tartan Army


  
A Escócia nunca esperou conseguir algo do jogo contra os campeões do mundo mas quando chegas tão perto até é mais frustrante do que perder por uma margem maior. Além disso, não foi por sorte que os alemães não venceram por mais golos; a Escócia defendeu bem e até mostrou perigo no contra-ataque.

O golo da Escócia, marcado por Ikechi Anya, extremo do Watford, e bem assistido por Steven Fletcher do Sunderland, provou que a Escócia é capaz de marcar contra equipas melhores com a bola rolando, mas já sabíamos isso. Mais difícil é deixar o campo com um ponto ou três como prémio pelos esforços dentro das quatro linhas.

O jogo do domingo fez lembrar da derrota por 3-2 em Wembley há um ano contra o rival mais antigo, a Inglaterra. A Escócia jogou bem e por duas vezes teve a vantagem, voltando para o norte orgulhoso mas com o sabor familiar de “quase, quase…”

sábado, 6 de setembro de 2014

Albânia: a imperial águia de duas cabeças procura fazer História

| Francisco Sousa




País que fez parte do Império Otomano durante mais de 400 anos e que só em 1992 abandonou em definitivo o comunismo, a Albânia procura impor-se aos poucos e poucos na realidade da nova Europa, mais ocidentalizada e moderna. Também no futebol, o país se vai procurando afirmar, tendo vindo a ganhar preponderância ao longo dos últimos anos, fazendo um brilhante aproveitamento dos recursos que vão brotando por países para onde muitos albaneses emigraram nas décadas de 80 e 90 (sobretudo Suíça e Alemanha...). Misto de jogadores locais e descendentes de emigrantes, já nascidos em países economicamente mais poderosos, a nova selecção albanesa tem vindo a crescer de forma bastante palpável e sustentável ao longo dos últimos três anos. Sem somar qualquer participação numa grande prova internacional de selecções, a equipa orientada pelo experiente técnico italiano Gianni De Biasi procura agora dar a surpresa, numa fase de qualificação que, em teoria, dará mais possibilidades a alguns países com potencial mas mais periféricos e não tão habituados aos eventos grandes...

Amanhã, em Aveiro, a formação balcânica começa um trajecto que se espera difícil, mas que todos os locais esperam que seja de sucesso final, pela primeira vez na sua História. O Euro 2016 ainda não pode ser encarado como um objectivo, mas antes um sonho, uma possibilidade futura, sempre dependente das surpresas dadas nos encontros de qualificação. Na última fase de apuramento, a Albânia chegou a sonhar com os dois primeiros lugares, tendo quebrado na fase mais competitiva, prova de que ainda não estava preparada para assumir os grandes palcos. Apesar da possibilidade de recrutamento de descendentes de albaneses, ex-internacionais por selecções ditas maiores, falta ainda tarimba a uma equipa que, apesar das boas intenções, não possui um registo de jogo lá muito atractivo...

Habitualmente formatada para jogar entre um 4x5x1 e um 4x2x3x1, a Albânia pode ainda apresentar-se em variantes tácticas como o 4x1x4x1 ou o 4x4x2 (recurso utilizado do quando há necessidade de ir em busca de um resultado, juntando dois pontas-de-lança). Gianni De Biasi é um italiano puro na forma de trabalhar a sua equipa, privilegiando a organização defensiva, a solidez táctica e um jogo ofensivo mais directo. Apesar de a equipa saber preencher as zonas mais interiores quando defende, nota-se, por vezes, uma certa falta de contundência em alguns momentos da marcação, além dos espaços entre a linha defensiva e os médios mais defensivos e nas costas dos laterais. Equipa que mistura elementos experientes e outros mais imberbes, esta selecção albanesa irá procurar, certamente, aguentar os ímpetos ofensivos da selecção das Quinas, visando depois o contragolpe.

Em termos ofensivos, a Albânia é, de facto, uma equipa de contra-ataque, podendo explorar a velocidade de elementos como Gashi ou Vajushi ou de um jogo mais directo, visando a referência da frente de ataque (Kapllani, Salihi ou Cikalleshi). Sem grandes desequilibradores na zona de construção, são notórias as dificuldades desta equipa em momentos de posse e organização ofensiva. Falta um "10" mais puro, se bem que os alas até procurem explorar muitas vezes os espaços mais interiores. No fundo, esta é uma equipa talhada para jogar num registo de bloco médio-baixo, esperando a oportunidade para fazer dano através de contra-ofensivas ou de um jogo mais directo para os seus avançados. Tem as suas debilidades, mostrando-se algo vulnerável nas laterais e deixando alguns espaços entre-linhas. Porém, a solidez e experiência de jogadores como Cana ou Mavraj, aliadas à imprevisibilidade de Vajushi e ao critério de Gashi, Abrashi ou Taulant Xhaka (sim, é mesmo o irmão do internacional suíço Granit Xhaka!), podem ser trazer dissabores para a equipa de todos nós.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Um Guia para a Fase de Apuramento da CAN 2015

| António Valente Cardoso



A qualificação final para a Taça Africana das Nações (CAN) 2015 será realizada de forma compacta, com seis encontros em cerca de dois meses, num modelo qualificativo que poderia ter outro formato, permitindo que todos, ou a maioria, tivessem mais do que apenas dois encontros para lutar pela presença na fase final em Marrocos. Pelo próprio hiato temporal que ‘obrigou’ a uma fase final de grupos tão concentrada, seria mais interessante e justo um acréscimo de 14 selecções à fase grupos, a seis, com 10 partidas, que poderia ter arrancado em Abril/Maio, ou até a passagem a seis grupos de seis, com apuramento dos dois primeiros de cada e um play-off entre terceiros para as restantes três vagas.

Esta é apenas uma entre muitas questões que envolvem o futebol africano, como o continente, com uma forte necessidade de desenvolvimento e actualização.

Ao contrário da Europa, os grupos de apuramento africanos são muito voláteis, o peso dos jogos em casa é enorme, as grandes deslocações, as sequentes e ressurgidas crises, conflitos, complicam as viagens, quase sempre um pesadelo logístico. As convocatórias têm, em bastas ocasiões, de ser refeitas face à recusa de futebolistas em saírem dos seus clubes, países, ligas para defenderem a sua selecção, o seu país. Os erros burocráticos, as desistências de eliminatórias, são normais nestes apuramentos, algo a que a Europa está pouco habituada.

Uma situação que caracteriza o futebol africano correntemente é a inversão de uma tendência. Durante anos, décadas, foram as ‘metrópoles’ europeias a tirar partido dos talentos africanos nas suas equipas nacionais. Hoje em dia, são muitas as equipas nacionais africanas a recorrer aos formandos europeus, filhos da diáspora dessas nações, muitos já nascidos e criados em território europeu, para reforçarem as selecções ‘ancestrais’.

Nas três rondas preliminares três apuramentos por desistência de adversário e duas passagens na secretaria por alinhamento de atletas inelegíveis.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

2016, o início de uma nova era

| António Valente Cardoso



Arranca a campanha rumo ao Euro 2016, o último de país ‘fixo’, o primeiro a 24, aquele que fechará o ciclo ‘XX’ e iniciará a nova vaga – que sucederá ao Mundial 2018 – com a Liga das Nações, algo semelhante ao que já sucede há anos com outras modalidades através de ligas europeias e ligas mundiais, cada qual encontrando um modelo próprio para procurar dar mais dimensão mediática e retorno financeiro ao seu desporto (hóquei em campo, voleibol, râguebi, por exemplo).

Desde o arranque do Europeu, a quatro na primeira fase, em 1960, já 30 países estiveram presentes em fases finais, três do quais inexistentes hoje em dia – URSS, Jugoslávia e Checoslováquia – além da Alemanha, hoje unida, que se estreou em 1972 ainda como República Federal da Alemanha.
Demasiado se fala em renovação por Portugal. Demasiado porque não há o hábito de convocar os que estão melhor, antes o vício de chamar os que se ‘acha’ serem melhores, dois conceitos que se confundem no âmbito das equipas técnicas e dos media. Existe uma enorme diferença entre ser e estar, sendo que o segundo verbo deveria ter muito mais preponderância face ao primeiro, importa mais que se esteja melhor do que se seja o melhor, até porque aguardar que, num dado momento, o que se entende como sendo melhor faça a diferença relaciona-se mais com confiar na sorte, no individual e indivíduo, ao passo que aquele que está melhor vai mais naturalmente, fruto do trabalho e da competência provada em campo recentemente, criar mais-valia, fortalecer o colectivo, pois falamos de uma modalidade colectiva.

O que também é certo é a necessidade de uma espinha dorsal, para melhor englobar cada novidade, encaixá-la no âmbito de um grupo, que se deve pretender aberto. Uma espinha dorsal é isso mesmo, é uma parte vital do corpo mas uma entre várias, ou seja, não é todo um corpo, onde se incluem os membros, o aparelho neurológico, o coração e todos os restantes elementos que compõem um ser vivo. Assim sendo, definir a espinha dorsal como um núcleo de 19 ou 20 elementos numa convocatória de 22, 23, 24 é um claro exagero e esta é outra diferença fundamental das habituais convocatórias lusas para as de outras selecções de primeira linha.

A renovação deve ser uma constante e não razão de tanto alarido mediático face à sua escassez. É igualmente certo que, chamando os que estão melhor, aqueles que são considerados melhores passarão a trabalhar mais no seio dos seus clubes para agarrar lugar e, dessa forma, regressar meritoriamente à selecção. Este género de atitude por um seleccionador funcionará de forma muito mais eficaz do que através da noção do lugar cativo.

Quando não se fica agarrado a um grupo, se vai chamando que demonstra bons desempenhos nos clubes durante a campanha, utilizando os particulares com esse especial foco, de observar jogadores não habituados à selecção mas que se salientam nos respectivos clubes, torna-se muito mais simples, criteriosa e ampla a escolha para uma fase final, obrigando as ‘primeiras escolhas’ a trabalharem mais a partir do momento em que percebem que não têm um lugar assegurado.

O fracasso do Celtic

| Andy McDougall

O fracasso do Celtic nas fases de qualificação para a Liga dos Campeões pode ser indicativo de várias coisas. A inexperiência de Ronny Deila, a falta de ambição da direção do clube, o estado geral do futebol escocês, ou simplesmente que é o que sempre passa com os novos treinadores no Celtic. Por agora, é difícil identificar qual é o mais acertado, mas vale a pena examinar as opções.

Talvez seja que o novo treinador, Ronny Deila que veio do Stromgodset, campeões da Noruega, não tenha a experiência nem o perfil para treinar um clube tão grande e com expectativas tão altas.
Há adeptos dos verde-e-brancos de Glasgow que já estão a perder paciência com ele. No entanto, uma conclusão assim parece um pouco prematura já que estamos no início de Setembro.



Também há-de ter em conta como começaram Neil Lennon e Gordon Strachan as suas carreiras como treinador dos Bhoys: a equipa de Gordon Strachan foi eliminada das competições europeias pelo Artmedia Bratislava após perder 5-0 na Eslováquia, e na primeira época inteira em que Neil Lennon foi treinador, o Celtic também ficou fora da Europa antes de Setembro.
Recorde-se que esta época o Celtic está nos grupos da Liga Europa, visto assim Deila começou melhor do que Strachan e Lennon, dois treinadores que tiveram muito sucesso em Glasgow. Sem dúvida é cedo demais para julgar o norueguês.

sábado, 30 de agosto de 2014

O derby de Lisboa

| Carolina Neto



No próximo domingo, joga-se, no Estádio da Luz, o primeiro derby da época 2014-2015. E logo na terceira jornada. A emoção de um Benfica x Sporting no início do campeonato, e onde ainda é impossível fazer previsões sobre como será esta época, ou sobre quem será o vencedor. E sim, isto é um derby. Não mais do que um jogo entre duas equipas de futebol da mesma cidade, mas ironia das ironias é um clássico do futebol português.

Um clássico lisboeta, e também de Portugal, que teve o seu primeiro episódio em 1907. As primeiras páginas da rivalidade entre Benfica e Sporting começaram a ser escritas nesse ano. Sobre a luta entre estes dois clubes há muito para contar, histórias que os jornais mais antigos nos contam e que hoje em dia fazem parte da história e da identidade destes dois clubes. Os maiores de Lisboa, e dois dos três grandes de Portugal.


Se não vais fazer falta, corre em linha reta

| Luís Cristóvão



Com toda a equipa balanceada para o ataque, o Manchester City é surpreendido por um corte de bola, sendo esta recolhida por Mame Diouf na entrada da área do Stoke. O senegalês teve um daqueles momentos únicos que permitem que um jogador marque um golo memorável. No entanto, a defesa do Manchester City ofereceu-lhe uma sucessão de más tomadas de decisão para lhe facilitar a vida. A saída do primeiro defesa à saída de bola foi deficiente - e devia ter provocado a falta logo ali. Para o deixar sair a correr, mais valia ter-se posicionado no apoio ao segundo defesa, que quando chegou a sua altura de abordar a jogada, já nem arriscou amarelo ou vermelho, deixou Mame Diouf passar. Para finalizar a oferta com um enorme laço, só mesmo Joe Hart, também, a facilitar.

Foi assim:
http://www.tvgolo.com/pt/resumo-jogo-1409408318---40

Superlig 2014/15 - O Guia

| António Valente Cardoso 



Entre a global metrópole de Istambul e as grutas primitivas do planalto da Anatólia, entre a Europa e Ásia, que aqui se unem, entre as grandes civilizações clássicas e a religião, entre o capital e a tradição, entre o desejo europeu e a herança otomana, aqui se ergue um extenso país, pleno de contrastes, a Turquia.

Depois de décadas na obscuridade, também a Turquia soube tirar partido dos combustíveis fósseis e outras matérias-primas para assumir crescente preponderância no mundo, aliada estratégica dos EUA numa zona nevrálgica do globo, é uma potência regional, elo de ligação entre a Europa de Leste, o Médio Oriente e o Ocidente.

O crescimento económico do país, o desenvolvimento de infra-estruturas, aproxima a Turquia do que é considerado ‘aceite’ no Ocidente, ainda que a Turquia profunda seja uma história totalmente diferente e a zona fronteiriça e curda um problema latente ainda não resolvido.

Esta capacidade económica transformou a Turquia de uma inexistência desportiva num pólo, a vários níveis. Sendo o futebol o principal foco de interesse desportivo dos turcos, com vários derbies escaldantes, o país desenvolveu ligas – masculinas e femininas – de basquetebol e voleibol capazes de coroar equipas nas provas europeias, trouxeram talentos do Corno de África para o atletismo e foram a leste recrutar elementos para o halterofilismo, as lutas livre e greco-romana. A aposta turística é igualmente forte e, num instante, a Turquia passou a ser sede invernal para dezenas de equipas de futebol, desde a Rússia até à Alemanha, país que tem a maior diáspora e que, também aí, tem valido o crescimento e desenvolvimento do futebol. O ténis, por exemplo, encontrou aqui um palco ‘final’ durante alguns anos e as condições são esplêndidas, como os e as jogadoras fazem questão de partilhar.

1959 é o ano de fundação da liga turca, não muito diferente da lusa, com títulos exclusivos de Fenerbahce (19), Galatasaray (19), Besiktas (13) e Trabzonspor (6) até à entrada no clube dos ‘Crocodilos Verdes’, o Bursaspor, que investiu para o título de 2010.

Naturalmente, o futebol e a liga de Istambul remontam ao início do século XX, contudo apenas após a II Guerra Mundial se cria uma verdadeira liga nacional.

Tem sido uma liga flagelada por polémicas, corrupção, viciação de resultados, que resultou na retirada de títulos, impedimento de participação europeia, mas tal não abala o contínuo crescimento da liga turca, apenas batida por Inglaterra, Espanha e Alemanha em capital, rivalizando com a russa, a ucraniana ou a italiana na capacidade financeira e de captar futebolistas, por muito que se veja ainda com preconceito.

Apesar da recente viragem na tendência, em contraciclo com o resto da Europa, a liga turca será, provavelmente, a liga no mundo com mais técnicos estrangeiros campeões. Em 56 edições de prova 34 títulos foram obtidos por técnicos de outras nações, contudo os últimos sete ficaram em ‘casa’, contrabalançando um pouco esse diferencial.

18 formações compõem a Super Lig, sendo totalistas Besiktas, Fenerbahce e Galatasaray num total de 68 participantes na história da prova até ao momento. Além das cinco formações na euro-asiática Istambul, nenhuma outra cidade congrega mais do que um clube na divisão máxima turca.

Na competição das marcas, interessante num quadro de grande fanatismo e num país com uma população a aproximar-se dos 80 milhões, a Adidas equipa Besiktas, Fenerbahce, Karabukspor, Kasimpasa, Kayseri Erciyesspor e Sivasspor, um terço das agremiações. Com a Nike vestem Eskisehirspor, Galatasaray, Gaziantepspor e Trabzonspor. A Lotto fornece o Rizespor, o Mersin e o Gençlerbirligi, a Hummel acompanha o Konyaspor, a Legea possui o Istanbul BB, a Puma veste o Bursaspor e o Belediyespor, enquanto a Lescon Balikesirspor.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

De Giggs a Grigg vai um Van Gaal de Distância

| João Gonçalves



No passado dia 5 de Julho William Grigg seria a apenas só mais um espectador atento do jogo Holanda - Costa Rica que produziu um dos momentos mais falados do Mundial do Brasil. Louis Van Gaal antes de terminar o prolongamento troca de guarda redes a pensar nos penaltis e o resto já se sabe como acabou.

Grigg, 23 anos, é um avançado internacional pelo seu país, Irlanda do Norte, fez carreira no Walsall onde deu nas vistas com 19 golos em 2012/13 valendo-lhe uma transferência para o Brentford. Aí só fez 5 golos em 34 jogos e transferiu-se para o MK Dons. Estamos a falar, portanto, de uma carreira na League One, terceiro escalão inglês.

O Milton Keynes Dons é um dos clubes que menos simpatia tem em Inglaterra devido à sua origem. Foi fundado em 2004 quando a direcção do Wimbledon FC renegou 113 anos de tradição e decidiu mudar-se do distrito de Wimbledon, na Grande Londres, para Milton Keynes, na região de Buckingham, a 90 km. Para herdar o lugar do Wimbledon FC na 3ª divisão, o novo clube teve de trocar de nome e deixar para trás toda a sua história. Insatisfeitos com a mudança de sede e de nome, os adeptos do histórico Wimbledon FC, que fez furor nos anos 80 chegando a vencer uma Taça de Inglaterra,  uniram-se e fundaram o AFC Wimbledon apenas seis semanas depois. Começaram no 9º escalão e entretanto já contam com 5 subidas de divisão. É uma história que merece ser aprofundada mas aqui serve só para enquadrar melhor o contexto.

Rio Ave: 10% de inspiração

| Luís Cristóvão



Tu pensas, planeias, organizas, dedicas-te a um objetivo, marcar sem sofrer golos. Segunda mão do playoff de acesso à Liga dos Campeões. O adversário mexe, ligeiramente, na sua arrumação em campo e consegue tapar-te os caminhos para a baliza. O tempo passa, o desespero aumenta, e o tique-taque do relógio impele-te para um jogo mais direto, ainda que os suecos sejam, fisicamente, mais aptos a defender-se de bolas altas. Já passaram os 90 minutos. O teu guarda-redes corre para impedir que uma bola saia pela linha de fundo, mesmo que a posse fosse para a tua equipa. Procura o melhor ponto para a pontapear, parece hesitar, a bola sai longa. O teu avançado falha o cabeceamento e o defesa é surpreendido, toca-a para lá da linha de fora-de-jogo que o adversário preparava. Estava lá Esmael. O árbitro auxiliar lê bem a situação, deixa prosseguir a jogada. Tudo acontece muito rápido. O teu avançado não consegue bater a bola em condições, dir-se-ia que falhou o remate. Mas a bola passa pelo guarda-redes e cada segundo parecem horas. Sim, vai mesmo em direção à baliza. Golo. E tu, treinador, agradeces aquele espaço que fica sempre no plano para os 10% de inspiração.