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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um português na NCAA

Rui Carmo

Pouco ou nada conhecido em Portugal, um luso-descendente atingiu na época passada grande destaque na Divisão 3 dos Campeonatos de Basquetebol Universitário Norte-Americano(NCAA). O seu nome é Rui Carmo e, representando o Green Moutain College, foi o jogador com a maior média de pontos por jogo na sua divisão.

Rui nasceu no dia 2 de Junho de 1984 em Bridgeport, Connecticut, onde durante a sua juventude praticou vários desportos até escolher o basquetebol. Enquanto estudou no ensino secundário já jogava em equipas de séniores, com vista a melhorar as suas características e tentando medir as suas qualidades com jogadores mais evoluídos, abdicando de uma carreira no basquetebol liceal norte-americano. Isso não fez com que o jovem filho de portugueses passasse despercebido ao treinador do College of St. Joseph, onde ele iniciou a sua carreira universitária, “por ter alguns amigos que jogavam por lá e também por saber que estavam a preparar uma equipa competitiva para a época seguinte”, diz-nos o basquetebolista. O impacto de Rui Carmo na sua equipa foi imediato. Logo na época de rookie, superou os 18 pontos e 11 ressaltos por jogo, o que o fez ser nomeado como o rookie do ano da sua Conferência, para além de ter sido escolhido para o cinco ideal da mesma. Na segunda época, Rui melhorou as suas médias (21 ppj, 11 rpj) e, repetindo a escolha no cinco ideal, liderou a sua equipa até à vitória na Conferência e à participação no Campeonato Nacional da Divisão 3.

Green Moutain College 2009-10
Alcançado este feito na Sunrise Conference, Rui Carmo aproveitou a mudança de treinador na sua escola para, também ele, experimentar a transferência para uma equipa mais competitiva nos dois anos que lhe restavam na Universidade. Na época de 2007-08, devido a essa mesma transferência, só jogou um semestre, o que foi suficiente para ser referido como uma das revelações da Conferência North Atlantic e ter levado a sua nova equipa, Green Mountain College, à Final Four do Campeonato com médias de 23 ppj e 13 rpj.  A sua última época no basquetebol universitário haveria de ser aquela onde conseguiu maior destaque. Em 2009-10, Rui Carmo acumulou o título de jogador com mais pontos por jogo (25), ficou classificado como o nono jogador com mais ressaltos na NCAA Div.3, jogador do ano da Conferência North Atlantic, nomeado para o All Star Game da NCAA Div.3 e nomeado na terceira equipa do campeonato pela revista The Sporting News. Tal currículo faz com que Rui Carmo seja um jogador com grandes hipóteses de seguir para uma carreira profissional.

Em acção
Rui Carmo tem 1m97 de altura e revela-nos, em discurso directo, as suas características de jogador. “Posso jogar em diferentes posições, desde base lançador a extremo-poste, e como conjugo altura e agilidade, também apresento bons resultados defensivos contra diferentes tipos de jogador. Tenho vindo a melhorar a minha capacidade de lutar pelos ressaltos e consigo afundar com facilidade, por isso sou um jogador que consegue dar espectáculo”. Rui Carmo não detém ainda nacionalidade portuguesa, mas tem como sonho poder vir a jogar numa das ligas profissionais portuguesas. Um grande admirador do basquetebol do Rui Carmo é o seu último treinador, Todd Montana, que teve oportunidade de nos revelar que considera o Rui como “o lançador mais versátil de toda a história do Green Mountain College”.

A partir de Dezembro, data em que terminará o seu curso, Rui Carmo mostra-se muito animado com a possibilidade de viajar para Portugal  à procura de equipa. “Até agora não tive nenhum contacto com o basquetebol português, mas sempre foi algo que fez parte dos meus objectivos”. Esperemos que consiga encontrar, em breve, essa oportunidade.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Uma visita à Islândia

Sporting 1986/87
Em dia de jogo de Portugal na Islândia, vou ao baú das memórias relembrar uma célebre visita de uma equipa portuguesa a território islandês. Ocorreu no dia 17 de Setembro de 1986, na cidade de Reiqueiavique, o jogo Akranes - Sporting, a contar para a Taça Uefa.
A equipa orientada por Manuel José fez uma época sofrível, terminando em 4º lugar, mas deixou no currículo duas goleadas históricas. Os 7-1 ao Benfica, em Alvalade, e os 0-9 na Islândia, resultado que ainda hoje está no livro dos recordes da Uefa por ser a mais dilatada vitória fora.
Numa equipa onde se destacavam alguns jogadores históricos dos leões, como Venâncio, Oceano ou Manuel Fernandes, foi o inglês McDonald quem brilhou, marcando três dos golos da equipa (quase toda a sua produção durante os anos que passou em Alvalade). Os restantes golos ficaram à conta de Meade e Manuel Fernandes (dois cada), Zinho e Negrete.
A diferença de valores entre as equipas não será, esta noite, tão grande como a daquela noite há vinte e quatro anos atrás. Ainda assim, que a memória seja inspiradora e que a nossa selecção possa voltar da gélida Islândia com um resultado que nos orgulhe a todos.

(fonte)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

The Braga Experience


A Liga dos Campeões chegou à cidade de Braga e a cidade tenta corresponder a tão ilustre visita. Na tarde de 28 de Setembro, o centro da capital minhota estava cheio de gente e a conversa não podia ser outra, senão o jogo que se iria disputar daí a umas horas. Decidi fazer o caminho entre o centro e o estádio a pé, para conhecer o trajecto e saborear um pouco dessa aventura que é reconhecer como se constroem cidades nos dias de hoje. A caminhada levou-me até à freguesia de Dume onde, por detrás de um aglomerado de árvores, se começou a desenhar o fantástico Estádio Municipal de Braga.


A realidade é mesmo essa, Braga tem o mais belo estádio construído em Portugal. Enquanto os primeiros adeptos iam entrando, as barracas de bifanas concentravam a azáfama de gente que se preparava para o grande jogo. Já dentro do estádio, tomado pelo efeito da dupla bancada com pedreira ao fundo, deu para perceber como se pode transformar uma coisa banal como um lugar para disputar competições desportivas num recinto que é um ex-libris da cidade. Para além da fantástica obra de arquitectura, o estádio funciona também como um enorme miradouro para a freguesia de Dume, dona de características típicas da região do Minho.

A ansiedade tomava toda a gente que esperava nas bancadas o apito inicial do árbitro. A acústica do estádio funciona às mil maravilhas, sendo que tudo estava preparado para o espectáculo. O pior foi o facto do recital ter sido dado pela equipa do Shaktar. Com uma frente de ataque onde sobressaíam três craques brasileiros (Douglas, Luiz Adriano e Wiliam), a equipa baseava o seu jogo na solidez do seu meio-campo e na expectativa. Jogando com os nervos bracarenses, os ucranianos iam trocando a bola e esperando que os caminhos para a baliza se abrissem. Do lado do Braga, toda a táctica de Domingos se concentrava na expectativa de encontrar Salino em todos os lados do campo. O médio brasileiro apoiava a atacar e a defender, escondendo as fragilidades de Matheus na disputa entre os centrais adversários e compensando a lentidão dos médios Vandinho e Luís Aguiar.

A estatística explica uma grande parte do problema do Sporting de Braga nesta 2ª jornada da Liga dos Campeões.  Com dez remates à baliza, alguns deles sem qualquer adversário na frente, o Braga não conseguiu marcar golo algum. Do lado ucraniano, bastaram quatro remates para marcar três golos. O Braga teve azar, mas o Shaktar foi claramente mais forte, saindo do encontro como justíssimo vencedor e grande candidato a seguir em frente na Liga. Quanto ao Braga, como diziam os seus adeptos à saída do Estádio, tem agora a obrigação de vencer o Partizan de Belgrado nas próximas jornadas, de forma a garantir, primeiro, a qualificação para a Liga Europa e tentar, nas últimas jornadas, limpar a sua imagem e disputar o segundo lugar.

Uma cidade não recebe um jogo de futebol apenas no seu Estádio. Pensar isso seria esquecer a essência do espectáculo que rodeia este desporto. E a verdade é que quem não esteve no Café Botafogo,  na Praça Conde de Agrolongo, bem no centro de Braga. Ali, meia dúzia de adeptos bracarenses discutiam as opções do treinador, as simpatias do Presidente, o património do clube e a vida afecto-clubística de cada um deles. Um evento dentro do próprio evento. O empregado do café desculpava-se a cada minuto pelo tom de voz elevado que aquele grupo de habituais utilizada para falar da bola. Mal sabia ele que, assim, garantia um lugar na posteridade, ficando escrito que, em Braga, o futebol discute-se até de madrugada…

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Lourinhanense, o satélite do Sporting

Lourinhanense 96/97
 O Sporting Clube Lourinhanense não é dos clubes com maior historial no futebol português. No entanto, foi na Lourinhã que se juntaram algumas das esperanças do panorama nacional quando  a equipa da pequena vila do Oeste se tornou o clube-satélite do Sporting Clube de Portugal. Corria o ano de 1996.


Perto do final da época de 95/96, começaram a correr rumores de que o Lourinhanense poderia ser o destino de uma série de jovens craques do Sporting. “Era um plantel composto maioritariamente por jogadores com mais de trinta anos”, conta-nos Luís Esteves, o que terá feito com que a generalidade dos jogadores percebesse que teriam que procurar novo clube. “Foi um processo mal gerido”, mas não terá sido essa a razão da descida de divisão nessa época, já que todos mantiveram uma postura “muito profissional”. Luís Esteves, na altura com vinte e três anos, foi um dos poucos jogadores da casa que ficou para jogar entre os craques. “Eu era um jogador que necessitava de trabalhar para limar algumas limitações, nada melhor que fazer isso num projecto que dava prioridade à formação”.

Da parte dos jogadores que faziam parte dos quadros do Sporting, a situação foi aceite com normalidade. Tendo sido comunicada pelos dirigentes,  os jogadores sentiram que “tudo foi feito” para que se sentissem em casa, como confirma Marco Almeida. O treinador Jean Paul era uma figura conhecida para aquele grupo de jovens que, para além do central, reunia jogadores com Bruno Patacas, Luís Boa Morte, Carlos Fernandes, Márcio Santos e, mais tarde, Hélder Rosário, Caneira, Alhandra, Paulo Costa, Nuno Santos e Nuno Assis.

A vila da Lourinhã tornou-se num dos lugares de atracção do nosso futebol. Confidencia-nos Esteves que “havia uma constante presença de jornalistas, quer nos treinos, quer nos jogos”, que também arrastavam muito mais público do que era normal para ver o Lourinhanense. “O ambiente foi sempre muito bom”, reforça Marco Almeida, confirmando que foi um projecto de grande importância para “o clube e para as gentes da Lourinhã”. A verdade é que a equipa conseguiu grandes resultados desportivos. Logo na época de 96/97 assegurou a subida à 2ª Divisão B, perdendo o título da 3ª Divisão apenas no desempate por grandes penalidades com o Dragões Sandinenses. E nas épocas seguintes assegurou lugares cimeiros na Zona Centro, apesar de nunca ter sido exigido à equipa a subida de divisão. Aliás, tal nem seria preciso, pois, como nos confirma o jogador de Torres Vedras, “aquele grupo entrava em campo sempre para ganhar”.

O regresso à Lourinhã, anos depois
O projecto viria a terminar em 1999 com a criação da equipa B do Sporting. No entanto, quer Luís Esteves, quer Marco Almeida, estão de acordo na ideia de que a passagem pelo Lourinhanense foi fundamental para as suas carreiras. Esteves fez-se jogador na Lourinhã, apesar de ter cumprido a formação em Torres Vedras, e adquiriu uma série de conhecimentos e experiências que lhe foram muito valiosas numa carreira que continuou pelas divisões secundárias no Torreense, Fátima e Barreirense, vindo a terminar a sua carreira na Distrital de Lisboa, com a camisola do Ponterrolense. Já Marco Almeida percorreu todas as divisões do futebol português (Sporting, Campomaiorense, Alverca, Maia e Lourosa), para além de experiências internacionais em Inglaterra (Southampton), Espanha (Ciudad Múrcia) e Chipre, onde joga actualmente. O experiente central não esquece os bons momentos que passou na Lourinhã, fazendo questão de lembrar todos os jogadores que conviveram naquele ano e dando também destaque a pessoas como José Canastra, Vítor Damas e João Cardoso pelos ensinamentos que lhe transmitiram.

O balanço não poderia ser mais positivo. Apesar de novas experiências se encontrarem, nos nossos dias, dependentes das condições financeiras dos clubes grandes, a experiência levada a cabo na Lourinhã (e que o Benfica tenta experimentar, noutros moldes, no Fátima, este ano), acabou por dar  resultados,  preparando jovens jogadores para carreiras ao mais alto nível. 

sábado, 18 de setembro de 2010

Ir à Luz

Em véspera de Benfica-Sporting, relembro a minha ida à Luz, corria a época de 1999/2000. No dia 26 de Janeiro, fui de manhã para a faculdade e, ao chegar de autocarro ao Campo Grande, deparei-me com as filas para comprar bilhetes em Alvalade. Deve ter-se acendido uma luzinha dentro da minha cabeça, pois tomei uma das mais felizes opções da minha vida, no género "ir ao estádios", sub-género "ir à Luz".
Foi um jogo a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal, e o Sporting vivia uma época de alguma euforia, com a chegada de César Prates, André Cruz e Mbo Mpenza para reforçar a sua equipa. Então, valia bem a pena a viagem a território "inimigo". Logo à entrada, confusão na revista aos adeptos do Sporting e o começo do aguaceiro que haveria de acompanhar todo o jogo.
Fiquei sentado na Bancada Norte, com o meu pai e o meu irmão. Eram os tempos do velhinho Estádio da Luz, repleto de adeptos ansiosos por um bom resultado entre duas equipas que, já há algum tempo, nada ganhavam. O jogo não podia ter começado melhor, com um golo de Beto Acosta aos 11m. Canto da esquerda e Acosta de cabeça ao primeiro poste. Explodiu de entusiasmo a bancada sportinguista, a sentir que aguentar aquela chuva toda que caía na capital valeria a pena. Ainda assim, aos 33 minutos, Uribe, de livre, fez o empate para os benfiquistas. O Sporting continuou a atacar e depois de um lance confuso na área, André Cruz desvia à boca da baliza para o 1-2. Estava cada mais lindo o quadro daquela noite molhada de Janeiro.
Na segunda parte, apesar da reacção dos encarnados, foi o Sporting que voltou a marcar. Acosta corre para a área com Machairidis e é derrubado por este. Penalti para o argentino cobrar ao seu estilo de matador, 1-3, já ninguém ficava sentado na Bancada Sul, tal era a festa, tal era a sensação de promessa de felicidade nesse mesmo ano, quando o Sporting quebrou o jejum de títulos nacionais.

Para a história deste jogo, ficam as formações iniciais de Benfica e Sporting:
Benfica: Enke - Andrade, Paulo Madeira, Machairidis, Rojas - Chano, Calado, Kandaurov, Uribe - João Pinto, Nuno Gomes. Suplente utilizado: Bruno Basto.
Sporting: Schmeichel - César Prates, André Cruz, Beto, Rui Jorge - Vidigal, Delfim - Pedro Barbosa, Mpenza, De Francheschi - Acosta. Suplentes utilizados: Quiroga, Toñito e Fumo.


(Fontes: aqui e aqui)