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domingo, 2 de novembro de 2014

Semana 9: Onde aplicar o esforço

| Luís Cristóvão



Esta semana estive presente em apenas um treino, devido a uma viagem. Na sessão de treino, a aposta tem sido tentar cativar os jogadores com exercícios onde consigam encontrar maior satisfação, “facilitando” o acesso para sucessos intermédios, de forma a motivar o grupo para tentar subir de nível mais lentamente. Se bem que alguns dos jogadores aproveitam o facto para conquistarem o seu espaço na equipa, a generalidade segue apenas por divertimento.

Logo, no jogo, o preço paga-se de forma intensa. Num momento competitivo em que os adversários começam a ser acessíveis, fica muito mais claro aquilo que conseguimos fazer bem e aquilo que não conseguimos atingir. Em determinados momentos, a equipa compete a bom nível, dedica-se defensivamente, encontra formas para finalizar as jogadas de ataque. Nos momentos seguintes, desconcentra-se, distrai-se, sobretudo, desiste.

Mas desiste porquê? Na minha opinião, desiste no momento em que o esforço que tem que aplicar precisa de ser um pouco maior, para ser efetivo. Tal como na passada semana, esta semana a equipa também esteve à beira de ganhar o jogo. Poderia tê-lo feito. No entanto, quando no início do quarto período se encontrava a apenas seis pontos do adversário, preferiu não perseguir a vitória. Desistiu para não se sentir derrotada ao tentar vencer.

Estranho? Nada. Vejo pessoas a fazer isso todos os dias. Acomodarem-se nos seus hábitos e/ou lugares, deixarem-se ficar, abandonar a possibilidade de ter mais para não perder perante as suas ambições. A verdade é que, quem não joga, raramente perde. É isso o que se vive quando se passa o jogo sentado, apenas a olhar, lá de cima, da bancada.

É por isso que se deve, sempre, repensar, onde se aplica o esforço. Porque não aplicar o esforço máximo, não deveria ser opcional.

Amanhã há treino.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Semana 8: O desafio torna-se individual

| Luís Cristóvão



Ao fim de oito semanas a filosofar sobre os problemas motivacionais dos jogadores enquanto equipa, atingimos um momento da época, com a mudança de fase no campeonato, em que o desafio começa, também, a ser individual. Ou seja, se para a equipa o processo segue a sua evolução normal, tendo em conta que depois de adversários de maior exigência começamos, agora, a encontrar equipas com quem podemos realmente competir, para cada um dos indivíduos assumimos a problemática de entender até onde eles podem (e querem) evoluir.

Uma coisa é certa: não podemos transformar em jogadores de basquetebol aqueles que não o querem ser. Logo, a primeira etapa do desafio é exatamente essa, perceber se cada um dos jovens já tem em si concretizada a ideia de que quer ser (ou não) um jogador. A segunda etapa passa por tentarmos aproximarmo-nos, enquanto treinadores, das ambições de cada um deles. No nosso grupo de trabalho, existem uns poucos que estão motivados e têm a capacidades físicas para subir de nível de exigência, enquanto outros ora têm problemas de motivação ora precisam de afinar o seu momento físico. Para cada um deles experimentam-se adaptações do processo de treino, de modo a tornar o seu percurso individualmente mais rico. Finalmente, podemos falar de um outro grupo de jogadores que sente dificuldades nos dois âmbitos e, para esses, o elemento de divertimento do processo - seja no treino, seja no jogo - precisa de ganhar maior peso.

A pergunta acaba por ser, no final, como conjugar na equipa os diferentes desafios individuais que nos são apresentados. Sim, porque o desafio individual tem, no basquetebol, como é óbvio, uma materialização colectiva para a qual caminhamos. Indivíduo a indivíduo, plano de vida a plano de vida, conjugamos situações para manter unido um grupo de vinte crianças. E é essa a dificuldade que nos faz andar.

Hoje há treino!

sábado, 18 de outubro de 2014

Semana 7: Fazer o que há a fazer

|Luís Cristóvão



Esta semana decidi não esperar pelo jogo, deixando claro que, por agora, o jogo será aquilo que menos importa. Se não conseguimos treinar como queremos jogar, o momento competitivo é um vazio. Daí que a contínua chamada de atenção é feita, agora, em tom de exigência: quem quer fazer o que há fazer, segue connosco. Quem não quer, ficará pelo caminho.

A chamada de atenção resulta. Aqueles que são, neste momento, os elementos mais importantes da equipa entendem a situação em que se encontram. Dão mais de si no treino, exigem mais aos outros, começam a compreender quais são os momentos em que brincamos e quais são os que estamos a sério. Esses foram eleitos líderes pelo próprio grupo e farão com que a maioria dos colegas o siga.

Por outro lado, entre os miúdos mais novos ou com menos anos de basquetebol, há claramente aqueles que aceitam o repto. Querem perceber o que podem fazer melhor. Querem descobrir o que está para lá da sua realidade atual. Esforçam-se mais. Dão mais. Testam-se e crescem. Esses ganharão o seu lugar dentro do grupo e rapidamente passarão de ser os rapazes “encolhidos” que apareceram no início da época para se assumirem perante os obstáculos.

Pelo meio, há quem demore mais tempo a entender a chamada ou quem esteja no processo de descobrir que esta não é a sua modalidade. É um processo natural que o treinador deve entender e acompanhar, não desistindo de o formar enquanto desportista e homem, apesar das dificuldades claras para o tornar um basquetebolista.

O acumular do trabalho durante as semanas cria também, nos treinadores, os primeiros sinais de fadiga. Chegamos ao final da prática mais cansados, durante os exercícios queremos mais, as desculpas vão-se desvalorizando, conhecemos agora perfeitamente todos aqueles que partilham o espaço de treino connosco. Entender tudo isto continuamente é um desafio cada vez mais elevado, mas que vai sendo processado com a naturalidade do respirar, do viver, com prazer, aquilo que se faz.

Amanhã há jogo!

domingo, 12 de outubro de 2014

Semana 6: Uma filosofia para a viagem

| Luís Cristóvão



Passado um mês desde o início da temporada e iniciado o período competitivo, a equipa começa a encontrar-se nas suas responsabilidades e capacidades. O teste não está tanto nos jogos oficiais, dado que o início de época nos reservou um calendário de encontros com equipas mais velhas e evoluídas em termos físicos, mas sim naquilo que cada um de nós consegue demonstrar em treino.

No intervalo dos 11-13 anos, o brincar é algo sempre muito presente. Educar os jovens atletas para a integração da ideia de trabalho é uma missão exigente, que nos obriga a uma atenção permanente a tudo o que se passa - a qualquer momento pode surgir uma oportunidade para se delinear de forma mais concreta as barreiras entre uma e outra coisa.

Esta semana, a cada dia procurou-se ativar esse sentido de responsabilidade. Primeiro, para o treino em si, elevando o grau de exigência, obrigando cada atleta a assumir os sacrifícios necessários para acompanhar o grupo. Segundo, para a união da equipa, transformando um incidente disciplinar numa ocasião para sublinhar os deveres e direitos de cada um. Finalmente, no momento competitivo, sublinhando as atitudes que nos permitem obter melhores resultados, como ficou claro num dos períodos do jogo.

Foi uma semana cansativa e exigente para todos. No regresso a casa, já de noite e com chuva intensa, a música corria ao gosto dos miúdos que se entretinham nas suas brincadeiras nos bancos detrás. Enquanto conduzia, ao meu lado, um deles dormitava. Não se entra numa família só porque se quer. Este grupo vem já junto há dois anos e vai assimilando a ideia de ter mais um elemento na cadeira hierárquica da equipa. Só sendo, sempre, um adulto que compreende e que se tem lugar. Será essa a filosofia para a viagem.

Amanhã há treino!

domingo, 5 de outubro de 2014

Semana 5: Para onde vamos?

| Luís Cristóvão



Uma coisa podemos ter certa: formar demora o seu tempo. Formar uma pessoa, formar um atleta, formar uma equipa. Começar a temporada oficial é dar de caras com isso mesmo. Com o tempo que tudo demora. Porque se, para formar uma pessoa, sabemos que trabalhar todos os dias é o único caminho, para o fazer com um atleta ou uma equipa não será muito diferente. Tem tudo que ver com o tempo que nos faz medir as coisas.

O primeiro lugar onde queremos chegar é a ter uma equipa. Um conjunto de jovens que sejam solidários entre eles e com os objetivos delineados, possa ser uma vitória, um número de pontos marcados, alguns gestos técnicos conseguidos. E a equipa existe, apesar de numa idade em que a individualidade está muito marcada, a consciência da necessidade que temos uns dos outros está lá.

Para termos atletas, vai demorar um pouco mais. A disponibilidade física é, ainda, a grande parte do que cada um deles pode dar, sendo que aqui e ali começamos a perceber os sinais da inteligência de jogo e, sobretudo, de inteligência emocional. O jogador que apoia os outros, aconteça o que acontecer, o jogador que sabe ler as situações, por complexas que elas ainda lhe possam parecer.

Vai demorar mais tempo até termos pessoas. Mas, em última análise, é para aí que queremos ir. Ter pessoas conscientes do trabalho que é preciso desenvolver para o seu futuro e, se tivermos sorte, para o futuro do basquetebol. Chegar a formar uma pessoa que seja que consiga, daqui a uns anos, perceber o que é certo e errado de se fazer com um grupo de outros jovens que ambicionem, também eles, a jogar basquetebol.

Porque, uma vez mais, a disponibilidade física pode selecionar-se. Mas é preciso alimentá-la de gestos técnicos corretos, consciência da importância de testar os seus limites e aumentá-los, jogo a jogo, treino a treino, em todas as ocasiões. Se nós não formos capazes de formar pessoas assim - e talvez uma boa explicação para o ponto em que se encontra o nosso basquetebol esteja aí mesmo -, então não conseguiremos inverter um destino de mediocridade. E essa é a guerra que estamos aqui a combater.

Amanhã há treino!

domingo, 28 de setembro de 2014

Semana 4: Ganhar jogadores

| Luís Cristóvão

A semana começou carregada, com a equipa a tentar digerir um encontro difícil, de resultado pesado e de reações um pouco divididas, consoante o grau de conhecimento de jogo dos atletas. Também por isso, o primeiro treino da semana passou por tentar procurar reconhecer esforços e alimentar leituras do primeiro encontro, de maneira a passarmos rapidamente para o objetivo seguinte.



A mensagem passou, mesmo que as dificuldades possam assustar alguns ou a fazê-los refugiar no lado de divertimento, mais do que na questão competitiva. Aos treinadores cabe entender esses equilíbrios, nem sempre fáceis, entre o facto de o grupo ser constituído por crianças e a ambição formadora passar por vários testes em competição. Essa dualidade foi sendo dada a provar ao grupo durante o resto da semana de treinos, onde se começam a sentir progressos.

Com novo desafio frente a uma equipa mais evoluída a marcar o fim dos jogos de preparação - a primeira fase será contra adversários desta monta e pretende-se elevar o ritmo dos nossos atletas -, tememos, durante os minutos iniciais, que a desorientação marcasse todo o jogo. No entanto, foi no espaço competitivo que a equipa se encontrou e que começamos a ganhar jogadores.

O momento em que os jovens atletas começam a dar sinais de capacidade para assumir responsabilidades e conseguem passar para o jogo aquilo que lhes vai sendo pedido em treino só pode, mesmo, ser uma enorme satisfação para o treinador. Quando isso acontece com os jogadores que estão em fases de desenvolvimento mais evoluídas, quase podemos dizer que o conseguimos adivinhar. Agora, quando o jogo torna um miúdo num atleta que consegue demarcar-se nos momentos de leitura e tomada de decisão, a importância do treino sai muito valorizada.

A pré-temporada acabou e na próxima semana começa o Campeonato.

Amanhã há treino!

domingo, 21 de setembro de 2014

Semana 3: Começaram as aulas… e os jogos!

| Luís Cristóvão

A terceira semana de treinos fica marcada pelo início das aulas e, com isso, o início daquelas que serão as rotinas dos nossos atletas durante a maior parte do resto da temporada. Com o início das aulas, a excitação da escola nova, para alguns, dos novos colegas e das muitas atividades em que estão envolvidos, os treinos do basquetebol começam a ter os primeiros desafios. A partir daqui, começa uma espécie de seleção natural, com as desculpas “estava cansado”, “não consegui chegar a horas porque estava na escola”, “este treino é à mesma hora da aula de x” a surgirem para justificar faltas. De certa forma, os treinadores são colocados à prova, sentindo que há alguma competição com as outras atividades. O basquetebol, para vingar, tem que ser mais divertido do que as outras opções.



Mas nem só de divertimento fica marcada a semana de treinos. Com a aproximação do início de temporada oficial, o nível de exigência começa a subir e nem todos os atletas estão disponíveis para o aguentar. Ora porque se sentem já demasiado bons para a repetição, ora porque sentirão que não pretendem tanto sacrifício para estar equipa. No final, é a própria equipa que exige a todos a dedicação total. Porque sentem perfeitamente a falta que fazem uns aos outros, porque entendem que é no coletivo que acabarão por resolver os problemas que terão de enfrentar.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Futebol...

| Luís Cristóvão



Foi preciso o André Martins desaparecer completamente durante 45 minutos, uma vez mais, para que João Mário tivesse uma oportunidade. Talvez tenha sido preciso que Naby Sarr e Maurício tenham deitado para o lixo dois pontos e uns quantos milhares de euros para que Paulo Oliveira seja chamado a jogo. Pelo meio, um futebol feito da criatividade de Nani e de muitos cruzamentos para a área não nos diz mesmo nada. Relembrando um mestre, quem só sabe de futebol, não sabe nada de futebol...

domingo, 14 de setembro de 2014

Semana 2: Dedicação e Confiança

| Luís Cristóvão




A segunda semana de treinos fica marcada pelas mazelas que uma parte dos atletas sofreram  com as primeiras cargas físicas. Depois das chamadas férias grandes, onde a generalidade deles se dedicou às suas brincadeiras, o choque com a intensidade do treino levou a dores musculares e bolhas nos pés que o tempo se encarregará de os fazer ultrapassar. No entanto, como nestas duas semanas ainda não havia aulas, na sua mente eles continuam de férias. E isso é mais difícil de ultrapassar do que as pequenas dores. Sem os jogos no horizonte, falta aos miúdos a percepção do tipo de ganhos que estes treinos poderão oferecer mais à frente na temporada, simplesmente, é algo que eles ainda não experienciaram. Sendo assim, ganha importância o trabalho mental.

domingo, 7 de setembro de 2014

Semana 1: Vida de treinador

| Luís Cristóvão

Durante a presente temporada vou tentar, a cada semana, fazer uma reflexão sobre o trabalho de treinador numa equipa de basquetebol. Os comentários, as ideias e as sugestões são desejadas, para que se alimente uma saudável discussão sobre os vários caminhos que podemos seguir. 




O início da temporada é uma espécie de regresso às aulas para os rapazes de uma equipa de Sub-14. Os primeiros dias vão servindo para trocar as experiências de verão e recuperar o convívio entre amigos a fazer algo que adoram fazer: jogar basquetebol. Sendo este um grupo que já estava formado da temporada anterior, as opções de treino visam, sobretudo, reativar os princípios daquilo que pretendemos para a nossa equipa. A generalidade dos exercícios desta primeira semana são já conhecidos dos jogadores que percebem, intuitivamente, o transporte dessa realidade para jogo.

domingo, 31 de agosto de 2014

A importância de sonhar

| Luís Cristóvão



Podes ser baixo, podes ser menos talentoso, podes tomar piores decisões, podes jogar num campeonato de menor importância. Mas uma coisa que podes fazer é sonhar. Sonhar nunca desistir, mesmo quando todos os prognósticos estão contra ti. As Filipinas, ontem, demonstraram isso mesmo na primeira jornada do Mundial de Basquetebol e levaram a favorita Croácia a prolongamento. É basquetebol. Tudo é possível.


sábado, 30 de agosto de 2014

Se não vais fazer falta, corre em linha reta

| Luís Cristóvão



Com toda a equipa balanceada para o ataque, o Manchester City é surpreendido por um corte de bola, sendo esta recolhida por Mame Diouf na entrada da área do Stoke. O senegalês teve um daqueles momentos únicos que permitem que um jogador marque um golo memorável. No entanto, a defesa do Manchester City ofereceu-lhe uma sucessão de más tomadas de decisão para lhe facilitar a vida. A saída do primeiro defesa à saída de bola foi deficiente - e devia ter provocado a falta logo ali. Para o deixar sair a correr, mais valia ter-se posicionado no apoio ao segundo defesa, que quando chegou a sua altura de abordar a jogada, já nem arriscou amarelo ou vermelho, deixou Mame Diouf passar. Para finalizar a oferta com um enorme laço, só mesmo Joe Hart, também, a facilitar.

Foi assim:
http://www.tvgolo.com/pt/resumo-jogo-1409408318---40

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Rio Ave: 10% de inspiração

| Luís Cristóvão



Tu pensas, planeias, organizas, dedicas-te a um objetivo, marcar sem sofrer golos. Segunda mão do playoff de acesso à Liga dos Campeões. O adversário mexe, ligeiramente, na sua arrumação em campo e consegue tapar-te os caminhos para a baliza. O tempo passa, o desespero aumenta, e o tique-taque do relógio impele-te para um jogo mais direto, ainda que os suecos sejam, fisicamente, mais aptos a defender-se de bolas altas. Já passaram os 90 minutos. O teu guarda-redes corre para impedir que uma bola saia pela linha de fundo, mesmo que a posse fosse para a tua equipa. Procura o melhor ponto para a pontapear, parece hesitar, a bola sai longa. O teu avançado falha o cabeceamento e o defesa é surpreendido, toca-a para lá da linha de fora-de-jogo que o adversário preparava. Estava lá Esmael. O árbitro auxiliar lê bem a situação, deixa prosseguir a jogada. Tudo acontece muito rápido. O teu avançado não consegue bater a bola em condições, dir-se-ia que falhou o remate. Mas a bola passa pelo guarda-redes e cada segundo parecem horas. Sim, vai mesmo em direção à baliza. Golo. E tu, treinador, agradeces aquele espaço que fica sempre no plano para os 10% de inspiração.

 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Moti é Mito

|Luís Cristóvão



A Liga dos Campeões como, na nossa memória, ainda sobrevive a velha Taça dos Campeões Europeus. Agora já não pelos canais encontrados nas eternas buscas de satélites com a antena parabólica lá de casa, mas pelos jogos que se podem ir encontrando disponíveis na internet - o detentor dos direitos de transmissão para Portugal não poderia adivinhar que se iria escrever uma das páginas mais bizarras da história desta competição.

Depois de terminados os jogos “grandes” da noite, partimos, uns quantos apaixonados e uns quantos loucos, em busca do prolongamento do Ludogorets - Steaua de Bucareste. Uns e outros fomo-nos sentindo sonolentos como o decorrer daquela partida, talvez um pouco encantados pelo cenário meio dantesco de um velho estádio cheio de gente na bancada central, talvez um pouco esperançosos do que poderia sair da marcação de grandes penalidades. Aos 119 minutos, no entanto, a história largou o seu script e começou a viver por si só.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

De que falamos quando falamos de formação

| Luís Cristóvão



Vários são os desafios que se colocam a quem pretende, nos nossos dias, discutir a formação de jogadores. Para começar, porque a medição do sucesso desta formação não é capaz de assentar unanimidade entre os vários intervenientes. Normalmente, os dirigentes dos clubes procuram medir o sucesso através dos resultados, enquanto os treinadores, sobretudo os mais envolvidos nos escalões jovens, compreendem que o sucesso passa por dotar o jogador de ferramentas que o ajudem a compreender o jogo e a executar dentro dessa compreensão ao mais alto nível possível. No entanto, o jogador também entra nesta equação e, pelo que se vai compreendendo pelos movimentos de jogadores em equipas que disputam os Nacionais de formação, a necessidade de exposição destes jovens - considerados, desde cedo, como ativos pelos respetivos agentes - acaba por introduzir mais um dado viciado.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O que não deveria ser a formação

|Luís Cristóvão



Dar mais atenção à formação aumentando o raio da ação do Selecionador dos Seniores, resulta, normalmente, em menor atenção à formação.

O que a formação precisa é de um conjunto de técnicos qualificados que tenham diretrizes claras do trabalho a realizar num médio prazo de 5 a 10 anos. Precisa-se de uma Coordenação dos trabalhos das diferentes equipas de formação para dar resposta ao que se planeiam vir a ser as necessidades da equipa de Seniores. É errado colocar o Selecionador Nacional "a cavalo" na Formação, como se uma pessoa tivesse o tempo e a disponibilidade mental para fazer tudo ao mesmo tempo, esperando resultados melhores dessa opção.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Uma questão de espaço no Boavista - Benfica

|Luís Cristóvão

Ao domínio do Benfica na primeira parte, respondeu o Boavista com uma segunda parte de muita qualidade ofensiva. No entanto, foi no processo defensivo que se diferenciaram os dois conjuntos (para lá da questão da qualidade individual dos jogadores). Enquanto o Boavista demonstrou dificuldades em conseguir constranger o ataque encarnado, o Benfica, apesar de alguns sinais preocupantes, foi sempre mais eficaz a anular a ofensiva das panteras. No final, podemos até entender que o jogo, decidido em pormenores, nos deu um bom exemplo para comparar onde é que um lado teve sucesso e o outro falhou. O momento do golo do Benfica teve um lance equiparado já perto do final da segunda parte, na mesma baliza, agora defendida por Artur, e o que aconteceu é claro.

 No golo encarnado, Eliseu beneficia de imenso espaço, surgindo desmarcado para rematar à baliza de Monllor.

Na baliza contrária, os dois elementos dos boavisteiros que estavam em posição de rematar à baliza, surgiam cobertos pelos defesas encarnados.

Uma questão de espaço, de pormenor, a definir no plano de jogo de cada um dos técnicos o resultado final da partida.

domingo, 24 de agosto de 2014

Sporting - Arouca: Análise rápida

|Luís Cristóvão



Ter uma estrutura em 2-3-1 dá muito mais apoio à presença na área. Se saírem William e Slimani, será essa a melhor opção. No entanto, sem um avançado finalizador (Slimani ou outro), o Sporting fica sempre nas mãos de equipas ultra-defensivas. Das muitas opções para as faixas,Nani é o único que poderá garantir um rendimento fiável. Mas também é ele que pode ser o melhor segundo avançado.

domingo, 17 de agosto de 2014

Carrillo em Coimbra

|Luís Cristóvão



Com boas tomadas de decisão vences, com más tomadas de decisão perdes. André Carrillo continua a dar uma no cravo outra na ferradura.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os fundos e Bruno de Carvalho

|Luís Cristóvão



Depois dos agentes e dos bancos, Bruno de Carvalho continua a "limpeza" com os fundos. Algumas considerações:
1.Alguns dos contratos feitos entre clubes e fundos pareciam lesar enormemente os primeiros. Em tempos de desespero, assinava-se tudo.
2.Se os clubes têm capacidade para valorizar muito os jogadores, a história passa. Ambos os lados acabam por ganhar bem e ficar contentes
3.Para um clube como o Sporting, esta seria sempre uma situação de largo risco - nem é um clube que valoriza jogadores por aí além, nem tem sido capaz de oferecer condições desportivas atrativas para jogadores mais promissores.
4.Ao atacar os fundos, Bruno de Carvalho diz que vai à guerra com as armas que tiver à mão.Parcas, como se vê pelas contratações deste ano
5.Ou seja, recupera Rojo (para já), mas não pode esperar voltar a ver internacionais argentinos a vestir a camisola do Sporting.
6.O Sporting viverá dentro das suas possibilidades.O que me parece uma coisa boa. Até chegar o dia em que os resultados voltarão a importar