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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Notas de scouting – Sérvia e Dinamarca

|Luís F. Cristóvão

Acompanhada a segunda fase e as finais do Campeonato Europeu Sub-16 Feminino – Divisão B, seguem-se algumas notas sobre as equipas que subiram de divisão, para além de Portugal, já referido num artigo anterior.

Sérvia 

Jovana Nogic
A vencedora do torneio foi, no final de contas, a equipa mais equilibrada de todo o torneio, focando-se, sobretudo, no momento defensivo, onde se constituiu como o conjunto que melhor fechava a área restritiva de todo o torneio. Esse facto permitiu à Sérvia vencer por distâncias confortáveis frente a Inglaterra, Finlândia e Dinamarca, tendo também ultrapassado Portugal por minimizar os efeitos do jogo interior luso. A equipa de Zoran Tir vale muito mais pelo seu coletivo do que pelas peças individuais. Snezana Bogicevic ganhou um lugar na All-Tournament Team por ser a melhor marcadora da equipa, mas isso deve-se, sobretudo, a ser a jogadora com mais minutos em campo. Bogicevic terminou o torneio com uma percentagem fraquíssima (1 em 9) no tiro exterior e, apesar de ser uma jogadora elegante e com bom posicionamento, não tem características ainda muito definidas.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Só se tem 16 anos uma vez

|Luís F. Cristóvão

7 de agosto, 20h40, Matosinhos – cheguei ao início da tarde ao Pavilhão do Centro de Desportos e Congressos da cidade e estava, agora, perante um pavilhão praticamente cheio, emocionado, a aplaudir uma equipa feminina de sub-16. Durante onze dias viveu-se assim, o basquetebol, no feminino, em Portugal.



Começando do início, talvez devêssemos destacar o facto de 2013 marcar o momento em que várias grandes promessas do basquetebol português completam dezasseis anos. Carolina Bernardeco, a mais jovem de três irmãs que marcam referência no nosso basquetebol (Joana e Filipa estiveram presentes na final da Liga Feminina desta temporada, uma conquistando o título, outra fazendo parte da equipa vice-campeã), e Maria Kostourkova, herdeira de uma dupla de jogadores e treinadores búlgaros que vêm enriquecendo o basquetebol português com o seu trabalho, poderão constituir uma das mais brilhantes duplas que o nosso basquetebol terá o prazer de ver nos próximos anos.

terça-feira, 30 de julho de 2013

É preciso maior exigência

Entrevista a André Martins, treinador da Seleção Nacional de Sub-20 Masculinos

|Luís F. Cristóvão

Em jeito de balanço à participação de Portugal no Campeonato Europeu de Sub-20 Masculinos – Divisão B, conversamos com André Martins sobre o percurso desta equipa e a análise às diferenças entre Portugal e os seus adversários. Da entrevista, fica clara a necessidade de uma maior exigência e experiência competitiva, de maneira a apurar as capacidades dos jogadores nacionais.

André Martins no estágio de preparação

Portugal terminou em 5º lugar na Divisão B do Europeu Sub-20, em termos absolutos o 25º a nível europeu. Que diferenças são notórias em comparação com as equipas que terminaram acima de nós na classificação?
A grande diferença que se continua a sentir são os aspetos morfológicos e físicos. Esta diferença é evidente nas diferentes posições dos atletas. Outra diferença notória para as melhores seleções é o facto de todas elas apresentarem 2 ou 3 jogadores que competem nos melhores campeonatos da Europa em seniores, demonstrando uma maturidade competitiva superior a nossa.

O que destacas da preparação para uma competição deste nível? Quantos jogos de preparação foram realizados? O que falta ainda, à estrutura das equipas da nossa federação, para estarmos, no que toca à preparação, ao nível dos nossos concorrentes?
Os jogos de preparação internacionais são determinantes para a melhoria dos resultados. Realizamos 5 jogos de preparação, o que é excelente para a nossa realidade e revela um grande esforço por parte da federação. As melhores seleções, aquelas que partem para o Europeu com a ambição de subir de divisão, realizam 7 a 9 jogos internacionais de preparação. Para estarmos, no que diz respeito a preparação, ao nível dos melhores, necessitamos acima de tudo que os nossos Sub-20 treinem e joguem com regularidade nas competições que são mais adequadas ao seu desenvolvimento (Proliga/Liga).

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Clube de Combate revisitado

Entrevista a Eugénio Rodrigues, treinador da Seleção Nacional Sub-20 Femininos

|Luís F. Cristóvão

Depois de mais uma prestação internacional de relevo, levando Portugal a classificar-se na quarta posição do Campeonato da Europa de Sub-20 Femininos – Divisão B, Eugénio Rodrigues falou para a Gazeta dos Desportos, analisando o percurso entre Europeus, a preparação da equipa para a competição e os desafios encontrados nesta competição, que teve lugar na Bulgária.

Um depoimento sincero e contundente sobre o trabalho de um selecionador nacional, perante as dificuldades que vão surgindo no caminho de quem tenta modificar a face do basquetebol feminino em Portugal.

Eugénio Rodrigues em ação!

1-Depois do que aconteceu com a Seleção Sub-20 Feminina no ano passado, com a descida nas condições que todos conhecemos, este ano havia alguma “sede de vingança” no grupo? Como foram geridos esses sentimentos ao nível da preparação psicológica e de motivação para a competição deste ano?
Esta Seleção tinha no seu seio 4 atletas que transitavam do ano passado, sendo que todas elas jogavam no 5 inicial e uma delas era inclusivamente capitã de equipa. Era por isso uma memória ainda muito presente e que deveria ser aproveitada para servir de mola motivacional para o restante grupo. Por um lado, elevar os níveis, já por si muito exigentes, de sacrifício pois se no ano transato tínhamos "sobrevivido" com honra e distinção naquelas circunstâncias, este ano importava manter a fasquia. Por outro, fazer passar a todo o grupo que a injustiça a que tínhamos sido votados exigia uma "vingança" e um tributo ao grupo de 2012. Era também por elas que iríamos a jogo. Infelizmente, ficamos a um cesto sofrido a sete décimos do final do jogo com a Letónia de o conseguir. No entanto, o meritório 4.º lugar não deixou ser a justa homenagem a essa Seleção e o tempo há-de trazer-nos de novo à ribalta.

2-O que destaca da preparação para uma competição deste nível? Quantos jogos de preparação foram realizados? O que falta ainda, à estrutura das equipas da nossa federação, para estarmos, no que toca à preparação, ao nível dos nossos concorrentes?
Pela positiva há que destacar o bom número de jogos de preparação que tivemos até porque todos eles foram fruto de convites das Federações Francesa, Checa e Búlgara. É sinónimo do reconhecimento internacional da nossa qualidade. De menos positivo, a crise financeira que se alastra também à FPB, que levou a cortes sucessivos na preparação e a estágios desta Seleção. Isso aliado à enorme dificuldade em conjugar a nossa preparação com os exames escolares, foram claramente fatores menos conseguidos neste trabalho e cujas consequências foram sensíveis. Para que conste realizamos até ao campeonato europeu, apenas 32 treinos e nem todos eles com a totalidade do grupo. Quanto ao mais, onde temos muito a melhorar é no dia-a-dia da época desportiva, nos clubes e nas competições nacionais. É aí que muito se joga, indiretamente, na preparação de uma geração que irá servir de base à Seleção Nacional.

sábado, 13 de julho de 2013

Entender o contexto

|Luís F. Cristóvão



Início aqui uma série de artigos onde tentarei analisar situações relativas ao basquetebol e à forma de trabalhar nesta modalidade. Começando pelo início, discuto o tópico do contexto. É óbvio que cada um de nós vai construindo uma ideia daquilo que pretende fazer perante uma oportunidade de trabalhar numa equipa, seja como jogador, técnico ou dirigente. Mas será sempre o contexto a definir, no concreto, como é que as nossas ideias se poderão ligar à realidade que encontramos.

Por muito boas ideias que possas ter, o essencial é que comeces por ouvir. Ouvir as pessoas que estão já no clube, entender os seus objetivos, compreender as implicações desses objetivos com as linhas que tens traçadas para ti. A chave do aproveitamento do teu trabalho estará aí. Ao ouvir e compreender os outros, poderás desde logo começar a adaptar as tuas ações ao cumprimento do objetivo primordial: o sucesso coletivo.

Para além de ouvir, é preciso saber ver o contexto onde te inseres. Qual o passado do clube, algo que mexe sempre com as expetativas de quem trabalhará contigo e de quem acompanhará esse trabalho, os adeptos e os amigos que estarão à volta da equipa. Ver implica olhar bem todos os pormenores que compõem um pavilhão, o ambiente à sua volta, as suas paredes. Haverá também que compreender a história desse lugar. A vida de um clube dá muitas voltas, mas saber das suas referências essenciais é sempre um excelente modo de adquirires trunfos que façam o seu trabalho ser melhor aceite.

Finalmente, não deixes de tentar, sempre, conhecer o que acontece à tua volta. Seja nas pessoas ou na instituição, tenta conhecer cada pormenor, cada decisão, cada dúvida, cada evento. Ao conhecer bem quem te rodeia (e o quê), estarás preparado por antecipação para resolver problemas e dificuldades. Esse conhecimento dar-te-á também a possibilidade de somares desafios à equipa, de maneira a que a ambição e a vontade do grupo possam estar, constantemente, em crescimento.

Talvez pareça que escrevi muito pouco sobre basquetebol para um texto que se quer sobre este desporto. Mas o fenómeno desportivo tem essa mesma ambivalência, constitui-se de um encontro de gente que adora o que faz e que procura forma de o fazer resultar coletivamente. Espero, por isso, que estas chaves sirvam bem para abrir portas nas vossas experiências.

Deixem os vossos comentários, dúvidas e desafios, para que a conversa possa continuar.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Onze do Europeu Sub-21

|Luís F. Cristóvão

Isco, o melhor jogador do Europeu Sub-21


Terminado o Europeu Sub-21, com inequívoca vitória para a Espanha, elegemos o nosso onze da competição.

Guarda-redes
De Gea (Espanha)
Chegou até à final sem sofrer golos. Ter uma das melhores equipas à sua frente ajudou, mas é uma das figuras do torneio pela tranquilidade oferecida à sua equipa.

Defesa
Montoya (Espanha), Caldirola (Itália), Bartra (Espanha), A. Moreno (Espanha)
Inevitável domínio espanhol. Na direita, Montoya deu claros sinais de merecer mais confiança no Barcelona, enquanto, do lado esquerdo, Alberto Moreno comprovou aquilo que já começou a demonstrar no Sevilha. Dois laterais muito seguros e com forte capacidade ofensiva. Na linha central, escolhemos os dois jogadores que demonstraram maior experiência e capacidade de controlo de situações. O espanhol Iñigo Martínez e o noruegês Semb Berge merecem menções honrosas.

Meio-campo
Illarramendi (Espanha), Thiago Alcântara (Espanha), van Ginkel (Holanda)
O basco comprovou na La Rojita aquilo que deixara já claro na Real Sociedad. É um jogador pronto para assumir o equilíbrio da sua equipa, deixando sobrar muito pouco para surpreender na sua defesa. Ganha, na corrida pela posição mais fixa, sobre o italiano Verratti. Van Ginkel chega a este onze como representante de uma seleção holandesa que esteve muito forte nos dois primeiros encontros – e van Ginkel foi peça chave na ligação dos setores -, mas perdeu algum gás na segunda metade da sua participação. Sobrepôs-se, ainda assim, a Koke, que teve um papel invisível, mas fundamental, na vitória espanhola. A posição mais ofensiva do meio-campo fica para Thiago Alcântara. Andou como que apagado pelo brilho dos seus colegas durante boa parte do torneio, mas na final, não deixou a sua participação neste torneio passar despercebida, fazendo uma exibição que, por si só, mereceu mais um título europeu.

Ataque
Isco (Espanha), Morata (Espanha), Insigne (Itália)
Não existem muitas palavras para definir Isco. O melhor jogador deste torneio poderia, muito bem, estar no onze da seleção principal espanhola na Taça das Confederações. Tendo em conta o valor de La Roja, isso é já dizer muito. Neste nosso onze, surgiria mais lançado pela direita, porque o flanco esquerdo vai para o baixinho Insigne, um fabuloso extremo esquerdo que não desiste de nenhuma bola e mantém a defensiva contrária sempre de prevenção. Na frente, Morata, com quatro golos, foi o melhor marcador da competição, mas demonstrou também ser o ponta-de-lança mais perigoso pelo torneio, podendo deixar marca de cabeça ou em progressão. Um suplente de luxo para esta equipa seria o norueguês Pedersen, uma excelente surpresa pela mobilidade e oportunidade demonstradas.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Antevisão da Taça das Confederações

|Luís F. Cristóvão



Começa este sábado a Taça das Confederações, que se disputará no Brasil, com a presença dos campeões continentais de seleções.

Para conhecer a antevisão do Grupo A, composto por Brasil, Itália, Japão e México, clique aqui.

Para conhecer a antevisão do Grupo B, composto por Espanha, Nigéria, Taiti e Uruguai, clique aqui.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O que aprendemos sobre Jorge Jesus?

|Luís Filipe Cristóvão



Terminou a quarta temporada de Jorge Jesus à frente do SL Benfica e, logo, com uma carga dramática brutal, concentrada nas derradeiras semanas de uma época que podia ter sido de interminável festa para os benfiquistas. Mas, ao contrário do que a lógica indicava (alguma destas competições a equipa haveria de ganhar!), o pesadelo foi-se estendendo desde a receção ao Estoril, no Estádio da Luz, até ao Jamor, com passagens pelo Dragão e por Amesterdão.

O que aprendemos nós sobre Jorge Jesus nestes quatro anos?

A primeira coisa que julgo ser de destacar é termos aprendido que um treinador com uma carreira sólida nas equipas que lutam pelas competições europeias em Portugal é um bom treinador para uma equipa grande. Jorge Jesus não beneficiou nunca de ser moda ou de ser considerado a última Coca-Cola no deserto. Duvidaram dele até que chegou à Luz e colocou o Benfica a jogar o futebol mais estimulante que me lembro de ver com camisolas encarnadas em muitos anos. Mas, a verdade é que Jesus tinha (e tem) lugar numa grande equipa.

A segunda coisa que aprendemos é que estamos sempre a aprender. O Jorge Jesus da primeira temporada  não é o Jorge Jesus desta semana. O técnico português soube rodear-se de especialistas que elevaram o potencial das suas equipas. Compreendeu que o risco se deve fazer em prol da equipa e não em prol doutros interesses (Emerson vs Melgarejo, capice?). Aceitou que as coisas se medem com resultados e não com emoções. E, no fim de tudo isto, terminou mais uma temporada sem nada ganhar. Ou seja, mesmo na desgraça, terá aprendido que na compreensão da derrota está, mais das vezes, a semente da vitória.

O que nos leva a outro ponto. Com Jorge Jesus aprendemos que ter um ego inflado é fodido. A dúvida deve ser sistemática e, por isso mesmo, a cada jogo um treinador deve buscar as razões e caminhos de cada jogo, não apostando em opções cristalizadas. Modelo e filosofia de jogo não significa jogar sempre da mesma forma. Significa estar equipado, consciente e filosoficamente, para os desafios que cada adversário nos coloca a cada momento. O ego de Jorge Jesus foi uma barreira que ele demorou a transpor. Talvez hoje, um dia depois da final da Taça de Portugal perdida para o Vitória de Guimarães, ele compreenda.

Chegados aqui, o que terá aprendido Jorge Jesus?

Estou certo que aprendeu que podem existir diferentes formas de acreditar em si mesmo. Jorge Jesus é, hoje, um muito melhor treinador do que quando chegou ao Benfica, podendo aproveitar isso mesmo para começar um novo ciclo na sua carreira. Para o fazer na Luz, precisa mais do que a confiança de Luís Filipe Vieira. Precisa que os jogadores, no balneário, estejam incondicionalmente com ele (os sinais de Enzo Pérez e Óscar Cardozo parecem comprometer a lealdade de todo o plantel), precisa de adeptos que compreendam que no futebol, qualquer que seja o caminho para a vitória não se faz nunca de facilidades. Se a luta do Benfica for derrotar o FC Porto, Jorge Jesus talvez não seja a pessoa certa. Se a luta for ser uma grande equipa de futebol, então Jesus merece mais uma oportunidade.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O dia que nunca havíamos imaginado


|Luís F. Cristóvão



Chegou finalmente o dia que nunca havíamos imaginado. Alex Ferguson anunciou que vai deixar de ser o treinador do Manchester United. Para muitos de nós, os Red Devils estiveram sempre ligados a este escocês duro e mal-humorado, a quem fomos reconhecendo o sorriso pela quantidade de títulos que somou à frente da equipa de Manchester.

Quando comecei a acompanhar o futebol inglês, no início dos anos 90, Alex Ferguson era sinónimo de sonhos por alcançar. Lembro-me bem de seguir a época em que os Red Devils alcançaram o seu primeiro título depois de anos e anos de “seca”. 1992/93. Durante boa parte dessa temporada, o Norwich ameaçou chegar ao título, mas com a chegada,  a meio da época, de Éric Cantona, as coisas foram mudando de figura. Nesse grupo cruzavam-se o passado e o futuro do United. Jim Leighton, Steve Bruce, Bryan Robson, Mark Hughues, eram a velha guarda que abria espaço para jogadores como Schmeichel, Kanchelskis e o louco francês. À espreita andavam já Gary Neville, David Beckham e Ryan Giggs, figuras centrais da equipa que em 1999 voltou a levar uma Taça dos Campeões para o norte de Inglaterra.

terça-feira, 26 de março de 2013

Só Angola mantém esperança no Mundial

|Luís F. Cristóvão


As três seleções da África Lusófona que jogaram, no passado fim-de-semana, mais uma jornada da fase de qualificação para o Mundial 2014, tiveram sortes diferentes, mas apenas Angola se mantém na corrida por uma presença no Brasil. Moçambique, sem vitórias, e Cabo Verde, só com derrotas, ficaram demasiado longe do apuramento.



sábado, 16 de março de 2013

500 jogos depois – Manuel Cajuda


|Luís F. Cristóvão


Hoje é um dia histórico para o futebol português, com Manuel Cajuda a completar 500 jogos na principal divisão nacional como técnico principal, sendo apenas o sétimo treinador a atingir esta marca – Fernando Vaz, com 646 jogos, é ainda o detentor do recorde. Na mesma semana em que Jorge Jesus fez uma muito comentada intervenção na FMH-UTL, cabe-me sublinhar alguns pontos que considero muito interessantes da entrevista dada pelo técnico algarvio ao jornal A Bola. Não querendo, com isso, fazer uma defesa do treinador, mas sim tentar perceber melhor alguns traços que o tornam uma singular personagem do nosso futebol.

domingo, 10 de março de 2013

Um onze igual à procura de resultados diferentes


|Luís F. Cristóvão


Jesualdo Ferreira apresentou no Municipal de Coimbra um onze semelhante ao utilizado frente ao FC Porto, na jornada anterior, esperando que a equipa desse respostas diferentes. No encontro frente aos campeões nacionais, o objetivo passava por ocupar espaços, recorrendo a um trio de jogadores com capacidades defensivas na intermediária, aguentando assim o ímpeto ofensivo do adversário. Frente à Académica, esse mesmo trio, teria que fazer a equipa avançar no terreno, com posse de bola, de forma a procurar o desejado golo.

Obviamente, não resultou.

segunda-feira, 4 de março de 2013

O medo vai ter tudo?


|Luís F. Cristóvão


A jornada 21 da Liga Zon Sagres apresentou-nos os dois candidatos com uma cara que nos era, até aqui, desconhecida. As exibições de FC Porto e SL Benfica foram dominadas pelo medo de perder pontos, mais do que pela vontade de ganhar. Será assim que se vai decidir o campeonato?

Vítor Pereira sabia das dificuldades que iria encontrar em Alvalade, mas talvez não contasse com esquema defensivo tão bem executado pelos “meninos” de Jesualdo Ferreira. A ocupação de espaços promovida pelo trio Rinaudo + Eric Dier e Adrien dificultou a vida a um conjunto que sentiu, em demasia, a ausência de João Moutinho. De qualquer forma, Vítor Pereira foi-se limitando a fazer troca por troca nos extremos, esperando pelo minuto 81, depois da expulsão de Rojo, para fazer entrar Liedson para o lugar de Defour. É certo que, com o luso-brasileiro muito longe do nível que lhe era reconhecido aquando da sua passagem pelo Sporting, as opções ofensivas no banco de Pereira não lhe permitiam maiores aventuras. Mas, se o objetivo fosse procurar a vitória, talvez Izmaylov e James Rodríguez devessem ter convivido no relvado de Alvalade.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Uma Liga em Angola

|Luís F. Cristóvão




Na semana que marca o início do Girabola 2013, levantam-se vozes que pedem a criação de uma Liga de Futebol no país. Boas notícias, se isso significar uma maior organização e promoção do espetáculo, não só dentro como para fora do país. Se o conseguirem, e existem todos os meios para que isso aconteça, será um avanço para o futebol angolano e para todo o futebol africano.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Barcelona e Real Madrid: presente e futuro (imediato)


|Luís F. Cristóvão



É impossível escapar à força de um Barcelona – Real Madrid nos dias de hoje, para mais quando ambas as instituições se prepararam tão bem para dominar o espetro comunicacional do desporto mundial. Com estratégias bem diferentes, os dois colossos espanhóis souberam colocar-se nas bocas do mundo e transformar as suas disputas em algo que ninguém pode perder.

A estratégia catalã, que passou por exacerbar o sentimento regionalista dos seus adeptos, através de um técnico que dominava na perfeição essa linguagem e com uma equipa de jogadores formados na “casa”, tem que lidar agora com a fragilidade da falta de um líder, não tanto ao nível desportivo, onde Tito Vilanova, perto ou longe, consegue manter o desenho tático, mas ao nível mental, onde a ausência de um líder que esteja ao lado dos jogadores se faz sentir na forma como o Barcelona se parece apagar em momentos de sobressalto.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Petro de Luanda vence primeiro título da temporada

|Luís F. Cristóvão




Depois de vencer por 1-0 em casa, o Petro de Luanda alcançou um empate no Calulo, frente ao Rec. Libolo, a uma bola, assegurando assim a conquista da Supertaça de Angola. Liderada pelo técnico angolano Miller Gomes, a equipa petrolífera apresentou credenciais para se lançar na luta pela conquista do Girabola 2013, que se inicia esta semana.

O destaque da equipa do Petro vai para o seu meio-campo, área do jogo onde se superiorizou ao Libolo na primeira mão, de uma forma bem dominadora, e onde esteve a chave da reação que lhe valeu o empate fora. Osório não está na sua melhor forma física, mas é um jogador de enormes qualidades, que ocupa bem o terreno e tem, sobretudo a nível ofensivo, uma elevada preponderância na sua equipa. A bola costuma sair direita do seus pés, permitindo que Chará, Dany e, sobretudo, Job, que ocupa o corredor esquerdo, utilizem a sua velocidade sobre os adversários.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O que perdeu o Sporting no Estoril?


|Luís F. Cristóvão


O Sporting perdeu por 1-3 no Estoril, na abertura da jornada 20 da Liga Zon Sagres, mas a derrota no jogo será a menor das preocupações para os sportinguistas. Na verdade, ao perder este encontro, perde-se definitivamente a esperança de que as últimas medidas tomadas por Godinho Lopes antes da sua demissão possam ter algum resultado positivo no campo desportivo.

Jesualdo Ferreira pode ser a pessoa certa para aguentar o barco até ao final da época, mas como manda a história, fragiliza em demasia a sua posição para que possa ser algo no Sporting do futuro. Não que o problema passe pelo Professor – pelo contrário. No entanto, Jesualdo é hoje alguém que se vai fragilizando a cada derrota, a cada reação, já que nada parece ser castigo suficiente sério para um conjunto de jogadores que já perdeu tudo – entre objetivos para a temporada, salários em atraso e total ausência de alternativas.

Mercado fecha sem grande movimento

|Luís F. Cristóvão



O dia 21 de fevereiro estava marcado na agenda de todos os seguidores da NBA como o dia em que grandes coisas poderiam acontecer. No entanto, o último dia de mercado de trocas entre equipas acabou sem que nenhum movimento significativo tivesse acontecido. Dwight Howard, o nome que andava nas bocas do mundo, irá terminar a sua temporada em LA, com a camisola dos Lakers, entrando para a lista de agentes livres (onde também figura Chris Paul) que irão animar o verão.

Olhando para a lista de trocas deste último dia, J.J. Redick parece ser o nome mais sonante a mudar de cidade. Junto de Ish Smith e Gustava Ayón, Redick vai vestir a camisola dos Milwaukee Bucks, aumentando as suas esperanças (e a da sua nova equipa) de assegurar um lugar nos playoff, algo que seria impossível em Orlando. Os Magic continuam a mexer as peças do seu plantel, recebendo agora Beno Udrih, Tobias Harris e Doron Lamb. Redick será um agente livre no próximo verão, e os Magic optam por assegurar mais dois jovens para um grupo que procurará uma estrela no Draft 2013.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Derrota do Barcelona é surpresa na Champions


|Luís F. Cristóvão


Podemos apontar o caso do apostador inglês que acertou em todos os resultados da primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, mas falhou num dos vencedores. A verdade é que a derrota do Barcelona é a grande surpresa desta fase da prova.

Frente a um AC Milan surpreendente, quer pelo seu acerto defensivo, quer pela forma como foi progressivamente perdendo o medo de atacar os catalães, o plano de jogo do Barcelona, centrado na paciência, saiu derrotado. Não haverá uma explicação fácil para que os catalães tenham registado apenas um remate à baliza adversária durante todo o jogo. Lionel Messi esteve ausente e nem a entrada de Alexis Sanchéz alterou minimamente o que estava a acontecer em San Siro.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Terá o Rec. Libolo estofo para o tri?

|Luís F. Cristóvão


Depois de se sagrar campeão em 2011 e 2012, o Recreativo do Libolo não hesitou em reforçar-se com vista à temporada de 2013, onde para além do título no Girabola, se apresenta com aspirações na Liga dos Campeões Africanos, onde no ano passado não conseguiu ir além da primeira ronda.

A primeira grande mudança é no comando técnico, com Zeca Amaral a dar o seu lugar a Henrique Calisto. É a primeira vez que o técnico de Matosinhos treina em Angola, depois de uma longa carreira em Portugal e no Vietname. O técnico português estreou-se com uma vitória frente ao Simba, da Tanzânia, por 1-0, na ronda preliminar da Champions, seguido de uma derrota pelo mesmo resultado na primeira mão da Supertaça, no campo do Petro de Luanda.