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sábado, 29 de janeiro de 2011

Sporting afia faca na Taça da Liga


Depois da fantástica vitória na deslocação ao Funchal, o Sporting visita o Estoril Praia com o objectivo de confirmar a presença nas meias-finais da Taça da Liga.

É tempo de gerir o plantel?

A visita ao Campo da Amoreira é o sexto jogo deste mês de Janeiro para o plantel sportinguista, que marcou uma posição frente ao Marítimo, vencendo por três golos numa deslocação tradicionalmente complicada. O ambiente em Alvalade não está famoso, já que depois da demissão de José Eduardo Bettencourt e da marcação de novas eleições, todos os dias se fala de candidatos a candidatos, cada um deles anunciando medidas um tanto intempestivas. Tem sido esse um dos problemas do clube verde e branco, a constante troca, em praça pública, de projectos e declarações de intenções que, chegados o momento da verdade, acabam sempre por ficar na gaveta. Até Março, é isso que o plantel terá que aguentar. E o melhor será que Couceiro, Costinha e Paulo Sérgio façam todos os esforços para isolar o grupo da contagem de armas que já começou a ser feita.

Não por acaso, o dia de hoje trouxe à baila ofertas para uma série de jogadores importantes no plantel, dos quais dificilmente o clube poderá abdicar se quiser manter-se na competição pela Taça da Liga e Liga Europa. O trabalho da estrutura do futebol profissional sportinguista vê-se assim perante uma situação que, não sendo nova, acaba por desviar o foco da concentração dos jogadores. Estamos perante uma situação de gestão dupla: por um lado, a gestão anímica perante a situação do clube, por outro, a gestão física de jogadores que têm sido obrigados a esforços suplementares.

Quem é certo que ficará de fora na deslocação ao Estoril é Maniche. O jogador voltou a apresentar queixas na perna esquerda e está a ser reavaliado, sendo pouco provável que recupere. Outro dos ausentes é Yannick Djaló, que vai trabalhando entre o ginásio e o relvado, mas que ainda não está dado como apto para a competição. Quem poderá voltar a dar o seu contributo à equipa é Hélder Postiga, bem como os sul-americanos Grimi e Matías Fernandez. É muito provável que os dois primeiros possam até entrar directamente no onze, sendo que no caso do internacional chileno, tendo tido uma paragem prolongada, se aconselha uma dose reduzida de minutos.

De resto, esperam-se alterações na baliza, onde Tiago se afigura como principal candidato à titularidade, na lateral-direita, onde Abel pode entrar no lugar de João Pereira, bem como no centro da defesa, onde Torsiglieri poderá ter oportunidade de confirmar a boa prestação realizada na Madeira. No meio-campo, Zapater, Pedro Mendes e André Santos poderão ser obrigados a trabalho extra, dada a escassez de opções, com Diogo Salomão a espreitar a possibilidade ocupar o lado esquerdo do ataque. Vukcevic poderá ser quem mantém a titularidade entre os avançados utilizados na passada segunda-feira.

Para acabar fora desta competição, o Sporting teria que ser goleado pelo Estoril Praia e ver o Penafiel golear a Naval, duas situações totalmente inesperadas. A equipa da Linha, que joga a sua última partida nesta competição, aproveitará a oportunidade para mostrar os seus jogadores na transmissão televisiva, sendo assim de esperar que Vinicius Eutrópio apresente o seu melhor onze.

Qual será o próximo negócio?

Com a gestão entregue à Trafic, a equipa do Estoril tem sido porta de entrada para uma série de jogadores brasileiros à procura de sucesso na Europa. O melhor exemplo desse trabalho é Jardel, jogador que poderá estrear-se este fim-de-semana com a camisola do Benfica.  Entre os jogadores brasileiros mais jovens, os laterais Anderson Luís e Jefferson parecem ser os melhores colocados para seguir as passadas de Jardel. De resto, o plantel tem alguns jogadores mais experientes, como são o caso de Luciano Bebé, Alex Afonso ou o português Lameirão, na tentativa de conseguir alcançar uma promoção à Liga Zon Sagres, tarefa que se adivinha complicada, dado os estorilistas ocuparem um lugar no fundo da tabela.

Espera-se que a chuva desta semana não tenha transformado o relvado do Campo António Coimbra da Mota num lamaçal, permitindo que o jogo seja agradável de seguir para quem queira ver o Sporting confirmar o seu lugar na próxima fase da Taça da Liga.

Equipas prováveis:

Estoril Praia: Cléber; Anderson Luís, Lameirão, Steven Vitória e Jefferson; Luciano Bebé, João Coimbra, Da Cunha e Erick; Luís Leal e Alex Afonso.

Sporting: Tiago; Abel, Daniel Carriço, Torsiglieri e Grimi; Pedro Mendes, Zapater e André Santos; Vukcevic, Hélder Postiga e Diogo Salomão.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sporting com cabeça

Um Sporting maduro e a tomar as decisões certas venceu, sem deixar dúvidas, uma equipa do Marítimo que dignificou o resultado. Rui Patrício foi o homem da noite.

Uma primeira parte apática de ambas as equipas, que entraram em campo decididas a esperar por erros do adversário e não arriscaram durante quarenta e cinco minutos de jogo. Muito equilíbrio e poucas oportunidades, pode resumir-se assim o que foi acontecendo no Estádio dos Barreiros, onde as obras de renovação impedem o melhor cenário para um jogo da Liga Zon Sagres. No entanto, a primeira parte tinha reservado um grande momento de futebol  para os seus últimos minutos. Liedson, com um toque subtil, lançou Vukcevic pela direita, o montenegrino trabalhou bem a bola até perto da linha final e colocou o esférico na zona da grande penalidade, onde o espanhol Zapater, sozinho e em estilo, cabeceou para o fundo das redes, sem dar hipóteses ao guardião Marcelo Boeck.

Chegava-se ao intervalo com um golo em apenas um lance de perigo criado pelas duas equipas. Felizmente, a segunda parte trouxe um filme completamente diferente. Para começar, Pedro Martins pediu maior agressividade aos seus jogadores, com Baba e Roberto Sousa a rematar, com perigo, à baliza sportinguista. Aos 55 minutos, mexeu mesmo na equipa, fazendo entrar Héldon e Kléber, apresentando dois avançados que passaram a ser servidos pelo cabo-verdiano na direita e pelo angolano Djalma na esquerda. Durante cerca de dez minutos, o Marítimo dominou o jogo. Kléber por duas vezes, Baba e Héldon tiveram o golo nos pés mas, em todas as ocasiões, Rui Patrício impediu o sucesso madeirense.

Rui Patrício foi mesmo o homem da noite. Aguentando o desnorte defensivo dos seus companheiros, o jovem guarda-redes foi uma autêntica parede perante o fluxo ofensivo verde e rubro. O próprio treinador Paulo Sérgio pareceu surpreendido, tendo demorado a decidir-se pela melhor opção para parar o domínio dos madeirenses. Acabou por escolher lançar Torsiglieri, tirando Vukcevic, o que fazia adivinhar um Sporting defensivo para o resto do encontro.

No entanto, o reforço da defensiva permitiu soltar os laterais (e, na verdade, vivem em Alvalade dois dos defesas mais ofensivos da Liga). João Pereira aproveitou o novo desenho táctico da sua equipa, subiu sozinho pela linha e centrou para a área onde, devido à pressão de Liédson, a defesa não conseguiu afastar a bola, acabando Zapater por ficar com o domínio da mesma. O espanhol provou estar em momento de inspiração, fintou João Guilherme e disparou para o fundo das redes. O Sporting dava por terminada a reacção do Marítimo e acabava com o jogo, perante a incredulidade dos adeptos que adivinhavam o golo nas redes contrárias.

A partir daqui o Sporting fez o que quis. Os madeirenses não mais se aproximaram da baliza de Rui Patrício e os leões conseguiram até aumentar a vantagem. Numa bela jogada de Valdés, este ofereceu o golo a Liédson, que só precisou de empurrar para a baliza deserta. O Marítimo não tinha agora o mesmo ânimo que apresentara nos primeiros minutos da segunda parte, sendo a equipa que mais se terá arrependido da fraca primeira parte que ofereceu aos seus adeptos.

No final do encontro, Pedro Martins apresentou queixas da arbitragem de Artur Soares Dias. No entanto, nos dois lances em que os madeirenses reclamaram grande penalidade, o árbitro decidiu sempre bem. O mesmo não terá acontecido no minuto 77 quando mostrou amarelo a Valdés por simulação. O defesa João Guilherme afastou a bola para canto tendo tocado no criativo chileno. Ao mostrar o cartão e ao assinalar pontapé de baliza, o árbitro acabou por errar duas vezes. Ainda assim, a sua actuação não teve qualquer influência no resultado.

As figuras

Rui Patrício – como já foi dito, Rui Patrício salvou o Sporting no momento em que a equipa perdeu o controlo da situação. Quatro intervenções de grande gabarito, evitando um golo que significaria o empate e, talvez, o descalabro dos leões na pérola do Atlântico. Rui Patrício mostrou, uma vez mais, que é o melhor guarda-redes português da actualidade.

Zapater – onde andou este espanhol durante toda a temporada? Em poucos dias, Zapater marcou quatro golos. E desta vez, o espanhol decidiu o jogo. No primeiro golo, apareceu muito bem a finalizar de cabeça (primeiro golo de cabeça do Sporting neste campeonato). No segundo, fez uma finta digna de craque. Confirmou o bom momento e a titularidade merecida.

Valdés – encostado à posição de extremo, o chileno parece um leão preso na jaula. Ainda assim, Valdés soube sempre encontrar forma de aparecer no jogo. Muito diferente foi a sua acção quando Paulo Sérgio lhe entregou toda a zona ofensiva para se entender com Liédson. Valdés assistiu para um golo, rematou à baliza e ganhou muitos duelos com a defesa madeirense. Por isso foi aplaudido no momento em que foi substituído por Saleiro. 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Presidente fora, casa arrumada

A saída de José Eduardo Bettencourt funcionou como uma chamada à realidade da estrutura do futebol sportinguista. No entanto, para que a casa possa ser arrumada em condições, é preciso vencer no Funchal.

Nos últimos dez anos, o Estádio dos Barreiros passou a ser um local de onde o Sporting costuma sair a sorrir, com sete vitórias em dez encontros disputados para a principal liga do futebol português. Nesses dez encontros, só em 2004/05 o Sporting não marcou golos, o que também demonstra que os avançados dos leões se dão bem com os ares da cidade do Funchal. No entanto, o tema da semana em Alvalade tem sido a forma como José Eduardo Bettencourt tem preparado a sua saída de cena. Congelando a contratação que estava a ser negociada (Paulo Sérgio do Olhanense), o presidente demissionário deu ordens para que se estabeleça um acordo com Izmailov, de forma a poder contar com o russo para o resto da temporada. Ao mesmo tempo, Zézinho foi incluído no lote dos convocados, mostrando inequivocamente que o Sporting conta com a pérola guineense para o futuro, tentando afastar as notícias que dão como certa uma fuga para Inglaterra do jovem jogador.

José Couceiro estará assim a mostrar serviço, sendo que tudo indica que Caneira possa ver a sua situação resolvida antes do fecho do mercado. Com todas as situações sanadas a nível disciplinar e contratual (o caso de Hélder Postiga foi resolvido nos últimos dias, com o exercício da opção por mais um ano e Jorge Mendes acertou uma pausa nas negociações dos contratos de Rui Patrício e Daniel Carriço), a nova direcção, a ser eleita a 26 de Março, terá todas as condições para encerrar o ano em paz e preparar o assalto à nova temporada. Certo é que alguns objectivos se mantém: garantir, no mínimo, o terceiro lugar na Liga (evitando mais pré-eliminatórias na Liga Europa) e lutar para vencer a Taça da Liga, exigindo-se à equipa uma presença dignificante no que toca à competição europeia onde ainda permanece. Para enfrentar esses objectivos, Paulo Sérgio parece ser o homem de confiança da estrutura que se manterá em funções até final de Março, não sendo certo que essa confiança se mantenha para lá das eleições.

Esses são os rumores que se vão escutando da parte da candidatura de Rogério Alves. Mas num momento em que é tudo menos claro quem avançará para eleições, muito menos quem poderá sair vitorioso delas, Paulo Sérgio mantém o discurso e enfrenta um adversário que não será fácil de ultrapassar. A equipa madeirense vem de uma gorda vitória em Setúbal (2-4 frente ao Vitória) e, a meio da semana, apresentou uma equipa de recurso frente ao Desportivo das Aves (dado estar praticamente eliminado da Taça da Liga). Assim, Pedro Martins terá um conjunto mais fresco à sua disposição, sendo Ricardo Esteves o único habitual titular que não estará à sua disposição, devido a castigo. O ponto forte da equipa treinada pelo antigo médio sportinguista é a frente de ataque onde Babá terá a companhia de Kléber, o que colocará à prova o último reduto verde e branco.

Já no Sporting, depois dos dois golos marcados frente ao Penafiel, Zapater poderá ser premiado com um lugar no onze de Paulo Sérgio. Sendo que André Santos tem lugar garantido no meio-campo dos leões, a dúvida está apenas em quem lhe fará companhia. De resto, com os lugares da defesa entregues, Vukcevic, Valdés, Pedro Mendes e Liedson ocuparão os restantes postos de titular. Prevendo-se um encontro equilibrado, o Sporting quererá vencer para se manter isolado na terceira posição. Já o Marítimo mantém esperanças na luta por um lugar europeu, mas para se manter em posição de o conquistar, terá mesmo que vencer o jogo frente aos leões.


domingo, 16 de janeiro de 2011

Nada Catita, a táctica de Paulo Sérgio


O Sporting perdeu em casa contra o Paços de Ferreira (2-3), numa noite em que o desacerto do árbitro Luís Catita destruiu aquilo que Paulo Sérgio já tinha fragilizado.

Como compreender um treinador que, por duas vezes, faz a substituição errada no momento errado? Como aceitar que, na altura em que o Sporting dava sinais de voltar a pegar no jogo, Paulo Sérgio abriu uma avenida no seu meio-campo e, mais tarde, quando os homens de Alvalade precisavam de procurar o golo, o técnico abdicasse de uma das suas unidades mais criativas? É certo que o Sporting, hoje, tinha poucas opções no banco. Mas, na verdade, era Paulo Sérgio quem estava a mais. Tivesse ele mais parcimónia nas alterações tácticas promovidas durante o jogo, talvez o Sporting tivesse conquistado uma vitória neste jogo.

O Paços de Ferreira, por seu lado, conseguiu uma das suas melhores exibições da época. Com uma equipa muito bem organizada, os pacenses conseguiram chegar muitas vezes à área adversária, sendo que, se exceptuarmos os primeiros 25 minutos, o jogo foi dominado pelos homens de Rui Vitória.

O Sporting entrou muito melhor, confirmando as boas exibições conseguidas este mês. No entanto, assim que o Paços acertou com as suas marcações, foram os nortenhos a criar perigo e a inaugurar o marcador, aos 28 minutos, num remate de Samuel realizado bem perto do meio-campo, aproveitando todo o espaço que lhe foi oferecido por um Sporting sem agressividade. O golo acordou o chileno Valdés, pois até final da primeira parte, o antigo jogador do Atalanta de Itália, teve três oportunidades flagrantes e fez o remate que originou o golo do empate, numa oportuna recarga de Liedson.

A primeira parte não terminaria sem a primeira aparição de Luís Catita. Depois de Carriço perder a bola na zona intermediária, Rondon galgou metros até dentro da área onde caiu aos pés de Polga. Grande penalidade assinalada pelo árbitro eborense, no seu primeiro grande erro da noite. Manuel José não desperdiçou e o Paços foi para o descanso em vantagem.

No início da segunda parte, era notória a pouca força física de Maniche, mas o Paços também passava por um momento de menor brilho, com os sportinguistas a pressionar o adversário e a conseguir algum ascendente na partida. Valdés, mais uma vez ele, apareceu solto no meio-campo e fez um passe de morte, com a bola a passar por cima da defensiva pacense e a encontrar Diogo Salomão, que finalizou com estilo. O Sporting parecia partir para  a recuperação, mas Paulo Sérgio não resistiu a meter o dedo. Fez entrar Saleiro e destruiu o seu meio-campo, algo que o Paços de Ferreira aproveitou para ganhar, de novo, a domínio do jogo.

O Sporting voltou a ter razões de queixa de Luís Catita quando, aos 67 minutos, Saleiro foi agarrado na área. Rui Vitória, por seu lado, refrescou a sua equipa com a entrada de Nélson Oliveira para o lugar de Rondon, voltando a criar perigo perto da baliza de Rui Patrício. Num desses lances, ao minuto 81, Baiano bateu em velocidade um Evaldo que esteve muito apagado e centrou para a entrada da área, onde David Simão deixou a bola passar-lhe entre as pernas para que Pizzi tomasse o esférico do lado esquerdo e finalizasse em força, sem hipóteses para Rui Patrício.

O público de Alvalade, que já há muito ensaiava o assobio, quase deitou o estádio abaixo com a opção de Paulo Sérgio para os minutos finais. Numa jogada conhecida como kamikaze invertido, Paulo Sérgio abdicou de Diogo Salomão e fez entrar um médio defensivo (Zapater) e um defesa sem qualquer minuto nas pernas (Grimi). Resultados práticos? Um passeio do Paços de Ferreira até ao final do jogo, sem que o Sporting ensaiasse qualquer tentativa de recuperar, pelo menos, um ponto dos três que estavam em disputa.

Numa noite em que os jogadores do Sporting provaram ter qualidade para enfrentar a segunda volta do campeonato, a reformulação exige-se no comando técnico. O Paços de Ferreira mostrou ser uma equipa mais forte do que a classificação deixa entender, confirmando os verde e brancos como seus adversários preferidos – na Liga Zon Sagres deste ano, os jogos contra o Sporting valem seis pontos na contabilidade da equipa da capital do móvel.

As Figuras

Valdés – rematou, lutou, assistiu. Ao chileno, faltou o golo, para confirmar uma exibição de grande qualidade. É verdade que o resultado mancha a noite magnífica do internacional sul-americano, mas a jogar a dez, está provado, Valdés é um dos melhores do nosso campeonato.

Cássio – o grande inimigo de Valdés. Onde o chileno brilhou, o guardião brasileiro soube sempre evitar o golo. Apenas por interposta pessoa foi possível Valdés encontrar a felicidade no confronto com Cássio, uma das figuras da vitória pacense em Alvalade.

David Simão – o jovem jogador dos quadros do Benfica foi a surpresa de Rui Vitória e fez por merecê-la. Foi ele o condutor de todo o jogo ofensivo, para além de um grande colaborador da estratégia defensiva dos pacenses. A culminar a fantástica exibição, a simulação que permitiu o terceiro golo da sua equipa. Onde outro jogador teria optado pelo remate egoísta, Simão teve a sabedoria de permitir a glória ao seu companheiro. Atenção, porque há aqui craque.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Confiança total


Com uma entrada em grande em 2011, o Sporting recebe o Paços de Ferreira pronto a realizar uma segunda volta em alta rotação, tentando aproximar-se dos lugares que dão acesso à Liga dos Campeões.

A tarefa não será fácil, já que Porto e Benfica mostram, neste momento, capacidade para garantir os três pontos na maioria dos jogos a realizar. Para além das forças disponíveis nos respectivos plantéis, ambos se apresentam com maior capacidade para intervir no mercado. O Sporting acaba de perder para o Benfica um dos seus alvos, o defesa Jardel. O equilíbrio lógico acabou por ser respeitado com este desfecho. O Porto teve o melhor Jardel (o Mário de 96 a 2000), o Sporting teve o melhor (2001/02) e o pior Jardel (2002/03), restando ao Benfica ficar com o pior Jardel (o Vieira – é mesmo esse o apelido dele - a partir da próxima segunda-feira). Por muito bom que seja Jardel Vieira, será sempre um dos piores Jardel, visto que não marcará meia centena de golos, nem garantirá campeonatos à sua equipa. Aliás, ver um Jardel defesa-central é tão bizarro quanto encontrar um Maradona guarda-redes, um Pelé defesa-direito ou mesmo um Sócrates primeiro-ministro.

Regressando a Alvalade, e depois da perseguição ao grego Samaras, parece que a opção passa por adquirir um “pinheirinho” para completar o plantel. Vieirinha, Bruno Gama e Paulo Sérgio foram os nomes anunciados nos jornais, sendo que se algo eles têm em comum, é o facto de todos já terem passado, sem sucesso, pelos plantéis dos “grandes” portugueses. No entanto, e até que surjam confirmações, resta ao treinador vilafranquense trabalhar com o grupo que tem disponível. Os resultados mais recentes não deixam de ser animadores.

Os verde e brancos estão moralizados pela vitória e pela exibição frente ao Braga, mas com a recuperação de Pedro Mendes e Maniche, anunciam-se alterações ao esquema táctico que surpreendeu os bracarenses. Com Rui Patrício de pedra e cal na baliza (Hildebrand só serviu mesmo para que o jovem português parecesse ainda melhor), a defesa manter-se-á estável com João Pereira, Daniel Carriço, Polga e Evaldo. Desta linha para a frente, é seguro que André Santos será titular, quase certo que Pedro Mendes o acompanhará na zona intermediária, sendo que Vukcevic e Valdés também terão os seus lugares assegurados. A dúvida será perceber se Paulo Sérgio opta por manter Diogo Salomão numa opção mais ofensiva ou, em sentido contrário, aposta na experiência de Maniche e regressa ao 4-3-3.

Tendo em conta que o treinador leonino costuma optar, quase sempre, pela experiência, não será de espantar um Sporting transfigurado tacticamente na noite de sábado. No banco continuará Diogo Salomão, um favorito dos adeptos, acompanhando Saleiro, que nem com Hélder Postiga e Yannick lesionados consegue entrar nas cogitações do técnico. Matias Fernandez já saiu do boletim médico, podendo assim voltar a uma convocatória que não apresentará surpresas. Independentemente das opções do seu técnico, a expectativa é que os jogadores escolhidos para entrar em campo possam garantir uma vitória frente a um adversário complicado, mas que já perdeu em Alvalade esta época, em jogo a contar para a Taça de Portugal.

Os pacenses empataram nas suas duas últimas deslocações (a Guimarães e a Coimbra) mas Rui Vitória terá que afinar os seus argumentos se quiser conquistar semelhante resultado na visita ao Sporting. A sua estratégia passará por uma intermediária muito povoada, espreitando a possibilidade de rápidos contra-ataques, lançando Pizzi e Mário Rondón como flechas sobre a defensiva adversária. A resguardar o seu último reduto, Rui Vitória (outro treinador com ligações ao Vilafranquense) terá uma dupla de centrais muito fortes (Samuel e Cohene têm agora a concorrência de Ozeia, que se poderá estrear), fechando as laterais com dois brasileiros que se têm destacado no nosso campeonato, Baiano e Maykon.

Na ementa estará assim a possibilidade de um bom espectáculo, entre duas equipas com valores muito diferentes, mas com capacidade para proporcionar um jogo disputado. No entanto, é ao Sporting que caberá aproveitar o entusiasmo gerado pelos últimos resultados, garantindo mais uma semana vitoriosa neste mês de Janeiro.

Equipas prováveis

Sporting – Rui Patrício; João Pereira, Daniel Carriço, Anderson Polga, Evaldo; Pedro Mendes, André Santos, Maniche; Vukcevic, Liedson, Valdés.

Paços de Ferreira – Cássio; Baiano, Ozeia, Cohene, Maykon; Filipe Anunciação; David Simão, Leonel Olímpio, Manuel José; Mário Rondon e Pizzi.


domingo, 9 de janeiro de 2011

Abram alas para o Rei Salomão


O jovem leão saiu do banco aos oito minutos para marcar o golo que mudou o jogo, permitindo uma grande vitória ao Sporting (2-1).

Afinal, bastava pedir! O Sporting, não o idealizado pelo treinador Paulo Sérgio, mas aquele que, por força das circunstancias, esteve em campo a partir do minuto oito desta partida, deu espectáculo no relvado de Alvalade, marcando dois golos plenos de oportunidade, jogando de uma forma fluida e entusiasmante, defendendo com acerto sempre que o Braga a isso o  obrigou. Um grande jogo, a fazer-nos pensar que os ingredientes necessários para termos um grande Sporting existem, precisam apenas de ser misturados nas quantidades certas para que se atinjam os resultados desejados.

Hélder Postiga tinha tido queixas durante a semana e durou pouco mais de três minutos em campo, até sair devido a um problema muscular. Com a equipa montada para jogar em 4-4-2, mas sem opções no banco para ocupar o lugar do avançado das Caxinas (para Paulo Sérgio, Saleiro é homem de um minuto só), a entrada de Diogo Salomão ditou o regresso dos leões ao 4-2-3-1 que tão bons resultados tem dado à equipa de Alvalade. Não foi preciso esperar muito para que se percebesse a vantagem de ter em campo três criativos a municiar o ponta-de-lança. Numa troca de bola pela direita, entre João Pereira e Vukcevic, Zapater surgiu sozinho no canto direito da área e centrou para que o recém entrado Salomão, num movimento digno de um Karaté Kid, tocasse de calcanhar para o fundo das redes.

O Braga, que até tinha tido mais bola nos primeiros dez minutos, parecia afundar-se nas movimentações rápidas dos sportinguistas. Aos doze minutos, Liedson arrancou em direcção aos centrais bracarenses, encontrou Valdés sozinho a entrar pela esquerda e passou para que o chileno escolhesse a melhor forma de bater Artur. Dois – zero no marcador e os cerca de vinte e três mil espectadores em jubilo. Mas os jogadores pareciam decididos a não deixar respirar quem assistia ao encontro. Alan aproveitou uma descompensação no lado esquerdo da defesa do Sporting, encontrou-se liberto para esperar o melhor momento para colocar a bola no meio da área onde Paulo César, aparecido milagrosamente entre Carriço e João Pereira, empurrou para o golo.

Foram vinte minutos de enorme qualidade. O jogo estava dividido e ninguém parecia abdicar do direito a ser feliz. O Sporting continuava a ter em Vukcevic, Valdés e Diogo Salomão, três setas apontadas à defesa bracarense, com Liedson a ser um lutador incansável frente a Paulão e Moisés. Do lado dos minhotos, Alan e Paulo César eram os mais activos de uma equipa que voltou a ter a bola mas que, durante a primeira parte, só conseguiu assustar por uma vez o último reduto verde e branco, numa jogada onde André Santos foi magistral no corte.

Saber defender

O reatar da partida trouxe um Braga decidido a encontrar o empate. Alan, logo no primeiro minuto, rematou com perigo para excelente defesa de Rui Patrício.  O guarda-redes internacional esteve em destaque na segunda metade já que, por mais duas vezes, evitou com grande categoria o golo dos arsenalistas.

Por seu lado, Paulo Sérgio esperou até ao minuto 80 para mexer numa equipa que dava sinais de conseguir aguentar o impacto das iniciativas bracarenses. A opção tomada enervou os adeptos da casa, não tanto pela escolha de Nuno André Coelho para fortalecer o meio-campo, mas sobretudo por retirar do terreno de jogo Diogo Salomão. O jovem extremo-esquerdo é, indubitavelmente, o futuro grande craque deste plantel. Durante toda a época não desiludiu em nenhum dos minutos que esteve em campo. Para mais, hoje, foi autor de um golo decisivo e pegou na bola sempre com faro apurado para criar perigo. Não o deixar dar mostras da sua qualidade durante mais tempo é, nesta fase da época, uma afronta para os adeptos do clube de Alvalade.

O jogo não acabaria, ainda assim, sem que Nuno André Coelho encontrasse entre os centrais bracarenses, respondendo a um livre marcado por Simon Vukcevic, oportunidade para levar o perigo à área adversária, onde Artur também brilhou. Excelente vitória para o Sporting num jogo onde todos os seus jogadores foram capazes de mostrar o seu melhor, conseguindo dominar um Braga que, esta época, acumula derrotas fora de casa, mesmo que a sua exibição tenha sido de bom nível.

As figuras

Diogo Salomão – entrou a frio, mas trouxe fogo para incendiar Alvalade. Um salto acrobático para um golo memorável, a rebeldia da juventude sempre pronta para criar perigo nas oportunidades em que teve bola. Foi uma grande noite para o Sporting, mas foi, sem dúvida, uma das noites maiores na ainda curta estadia de Salomão entre os leões.

Vukcevic  e Liedson – dois lutadores na linha ofensiva do Sporting. O montenegrino volta a mostrar porque é uma das pérolas de Alvalade, desta vez com uma atitude e um pensamento colectivo que nem sempre lhe podem ser identificados. O levezinho continua sem marcar, mas ninguém pode dizer que não é dos jogadores que mais se entrega na procura da vitória. Merecido destaque, no jogo de hoje.

Paulo César – é o mais inspirado dos operários bracarenses e o mais trabalhador dos artistas. Talvez seja por isso que poucas vezes tem direito a destaque de primeira página. No entanto, o brasileiro é figura incontornável no Braga de Domingos Paciência. Em Alvalade marcou um golo, esteve em duas das mais perigosas oportunidades criadas pela sua equipa, correu quilómetros e desgastou, como pôde, a defesa sportinguista. Sai derrotado, mas com a satisfação de ter cumprido o seu dever.  

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O proscrito favorito


Mantém-se a relação de amor/ódio com o montenegrino Vukcevic que, na semana em que voltou a ser dado como dispensável, foi decisivo na vitória frente à Naval em jogo da Bwin Cup (2-0).

Podem apontar-lhe o facto de ser excessivamente individualista, duvidar da sua entrega em alguns jogos, dizer que não gera bom ambiente no balneário de Alvalade. No entanto, a verdade é que Vukcevic mostra, sempre que lhe permitem, a sua utilidade dentro de campo. Foi isso mesmo que aconteceu na noite fria de segunda-feira, quando o internacional do Montenegro entrou aos 53 minutos de jogo. O que até aí tinha sido uma partida amorfa, sem momentos de interesse, nem situações que dessem por bem empregue a deslocação até ao estádio, acabou virada do avesso por um jogador que soube tomar a iniciativa do jogo, arriscou dar maior velocidade e soube rematar para conquistar a vantagem no marcador.

Foram preciso apenas 15 minutos em campo para que Simon Vukcevic mostrasse o caminho para as redes. Num livre bem distante da área adversária, soltou um remate poderoso que acabaria por ressaltar em Carlitos e dar o primeiro golo para o Sporting. Quebrou-se finalmente o gelo entre os 11200 espectadores que resistiam nas bancadas, assobiando a sua equipa durante longos períodos da primeira parte. Entre os leões, ultrapassou-se também um certo bloqueio que prendia os movimentos da equipa. Três minutos depois, Hélder Postiga apareceu liberto do lado direito do ataque leonino, centrou com peso e medida para o interior da área e o levezinho deu espectáculo. Penteou o esférico com um pé, rodopiou sobre o defesa e rematou sem hipóteses para Salin. Em apenas alguns minutos o jogo ficou decidido. O tempo suficiente para termos a possibilidade de fazer um resumo em que tudo seria qualidade (podíamos juntar-lhe as duas bolas que os sportinguistas atiraram à barra e ficaria lindo). Sim, porque os restantes oitenta e sete minutos de jogo, fizeram sofrer quem viu este encontro.

Não se poderia esperar muito de uma Naval em transição para o terceiro treinador da época, com apenas uma vitória em jogos oficiais na temporada corrente. Fernando Mira recorreu aos elementos que têm mais tempo de casa para tentar que o seu barco não afundasse, uma vez mais, em Alvalade. Com uma defesa de quatro elementos, os franceses Godeméche e Alex Hauw compunham uma primeira barreira defensiva na intermediária, onde Hugo Machado tentava organizar um ataque que tinha Marinho do lado direito e Camora do lado esquerdo. Fábio Júnior era pau para toda a obra na frente desta equipa que aproveitava qualquer aberta para tentar o remate.

No entanto, o pouco discernimento provocado pelo nervosismo de uma equipa muito insegura e a fragilidade das jogadas (quase nunca organizadas) gizadas pelos navalistas, fizeram com que não conseguissem obrigar Rui Patrício a uma única defesa. Foi uma noite sossegada para o último reduto sportinguista. O jogo esteve quase sempre nas mãos de André Santos e Maniche, que tinham a responsabilidade de empurrar o Sporting para o ataque. No entanto, a velocidade de procedimentos não é uma qualidade da equipa de Paulo Sérgio. Nem João Pereira, do lado direito, nem Yannick, pela esquerda, conseguiram servir os dois avançados que iam ficando perdidos na apertada rede formada pelos centrais e trincos figueirenses.  A primeira parte passou sem história e foi mesmo preciso recorrer ao banco para vermos futebol em Alvalade.

No fim das contas, vitória justíssima para o Sporting que receberá o Penafiel na segunda jornada da Bwin Cup, em jogo que oporá os dois líderes do grupo. Caminho aberto para uma presença verde e branca nas meias-finais desta competição.

As figuras

Vukcevic – Já tudo foi dito sobre a importância de Vukcevic na vitória do Sporting. Um jogador destes nunca pode ser visto como um caso perdido. Há que fazer um esforço para conseguir que ele renda sempre a este nível. Se isso for conseguido, Vuk será um activo de valor no plantel de Alvalade.

Liedson – Ultrapassado um período negro em que não conseguiu contribuir com golos, o levezinho está cada vez mais perto da sua melhor forma. Mesmo que a idade não perdoe em termos de disponibilidade física, o internacional português continua a ser um dos melhores avançados a marcar presença nos nossos relvados. O golo que marcou neste jogo é apenas a confirmação disso mesmo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sporting só pensa em ganhar


O novo ano começa em Alvalade com uma equipa confiante nas suas capacidades, querendo demonstrar frente ao Naval que 2011 marcará o regresso do Sporting ao caminho dos títulos.

Para isso, nada melhor de que a primeira jornada da Bwin Cup, onde os verde e brancos recebem uma Naval que está a passar uma das épocas mais negras da sua história. Paulo Sérgio conta com quase todos os elementos do plantel, excepção feita a Matías Fernandez, que ficará de fora devido a problemas físicos, para além de já muito badalado Izmailov. O treinador vilafranquense terá assim que fazer opções, tendo em conta que há mais do que onze candidatos a entrarem em campo como titulares no jogo de segunda-feira.

Para começar, em Alvalade todos concordam que a Bwin Cup é para ganhar. Afastados da Taça de Portugal e com uma posição bastante delicada na Liga Zon Sagres, esta é a única competição nacional onde o Sporting mantém intactas as suas aspirações. Para além disso, o sorteio não poderia ter sido mais benéfico para o clube presidido por José Eduardo Bettencourt. Para além da recepção ao Naval 1º de Maio, os jogos referentes ao Grupo D incluem uma visita do Penafiel a Alvalade e uma pequena deslocação até à Amoreira, para defrontar o Estoril. Em resumo, o Sporting luta pelas meias-finais contra o último classificado da Liga principal e dois opositores da Liga Orangina.

A primeira dúvida de Paulo Sérgio reside na baliza. Timo Hildebrand foi falado como hipótese para algumas equipas alemãs, mas a verdade é que nenhuma proposta chegou a Alvalade. Ainda assim, o cotado guarda-redes ficou de fora da convocatória, o que poderá abrir as portas da titularidade a Tiago, relegando Rui Patrício para o banco. Na defesa, Evaldo tem o lugar mais do que assegurado, visto que Grimi ainda não foi utilizado esta temporada, tal como se adivinha  muito provável a manutenção de Daniel Carriço e Anderson Polga na zona central da defesa, confirmando-se como a dupla preferida de Paulo Sérgio. Do lado direito, sim, restarão algumas dúvidas, já que Abel tem correspondido muito bem sempre que chamado. É por isso aceitável pensar que João Pereira possa ser excluído do primeiro jogo de 2011.

No meio-campo, Pedro Mendes ficou de fora e poderá ter Zapater a ocupar o seu lugar. Com André Santos e Maniche no grupo dos mais utilizados, espera-se que se mantenha a aposta nos dois portugueses para o miolo da equipa. Daqui para a frente, começam as dores de cabeça de Paulo Sérgio, esta semana positivas, dada a quantidade de opções disponíveis ao serviço do treinador verde e branco. Yannick Djaló recuperou da mialgia que o deixou fora dos treinos no início da semana, podendo assim manter-se num onze onde assumiu papel de destaque no último jogo do ano passado. Com Hélder Postiga de regresso depois de cumprir castigo, é provável que os dois internacionais possam assumir as alas de um ataque que manterá em Liedson a sua principal referência no centro da área. Esta tripla ofensiva garante uma movimentação intensa e uma troca entre os vários elementos, deixando Valdés, Diogo Salomão e Saleiro como opções para o decorrer da partida.

Da Figueira da Foz chega uma equipa totalmente esfrangalhada pelos acontecimentos. A época começou com o francês Victor Zvunka no comando,  técnico que acabaria por ser substituído por Rogério Gonçalves, outro que não se demorou no comando do Naval. Aprígio Santos demorou a escolher o sucessor, sendo que Carlos Mozer foi apresentado há apenas dois dias atrás. Com tudo isto, a equipa será orientada nesta jornada pelo “bombeiro” Fernando Mira, que ao longo de vários anos tem assumido interinamente, em diversas ocasiões, o comando da equipa.

As boas notícias são os regressos de Fábio Júnior e Bolívia para o ataque figueirense. Os dois brasileiros recuperaram das mazelas que os afastaram de alguns treinos durante a semana. Em sentido contrário, Daniel Cruz deverá ser baixa no onze de Fernando Mira, apontando-se Camora como substituto mais provável. Com apenas 5 pontos na Liga Zon Sagres, a equipa da Naval tentará aproveitar este jogo para recuperar algum ânimo e, sobretudo, mostrar-se ao novo treinador, que assistirá ao jogo da bancada. O objectivo para 2011 é apenas um: somar os pontos necessários para evitar a queda na Liga Orangina. 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Esperança nas mudanças


O ano de 2010 não deixa saudades entre os adeptos sportinguistas. O Relvado faz o balanço do que se passou em Alvalade.

Há pouco menos de um ano, Carlos Carvalhal era o técnico da equipa leonina que vencia o Sporting de Braga em jogo a contar para a Taça da Liga. Carlos Saleiro e Miguel Veloso assinaram os golos de um jogo que, à altura, todos esperavam que marcasse uma viragem na sorte do clube. O Braga brilhava no campeonato mas os leõezinhos mostraram uma garra que os havia de levar a uma série de seis vitórias que fizeram de Janeiro um dos melhores meses do ano. Para ser perfeito, apenas faltou um resultado positivo no dia 29, quando frente ao mesmo Braga, mas na capital minhota, o Sporting perdeu pela primeira vez em 2010.

Fevereiro foi um mês negro. Derrotas com Porto, Académica, Benfica e Everton, empate em Paços de Ferreira, e o caso Sá Pinto, que levou à saída do ex-internacional português de Alvalade. O que fora construído em Janeiro parecia agora perdido, com o Presidente José Eduardo Bettencourt a encontrar a solução em Costinha, que de um dia para o outro passou de jogador não utilizado no Atalanta, a homem-forte do futebol verde e branco. O seu primeiro dia na casa marcou também o regresso às vitórias, e logo na Liga Europa, o que garantiu ao Sporting a continuidade na prova.

Entre Março e Maio, o Sporting não mais voltou a vencer dois jogos consecutivos, acabando eliminado na Liga Europa e terminando a Liga em 4º lugar, pior classificação desde o início do século. A instabilidade da equipa de futebol levou a uma pequena revolução no plantel. Primeiro, deu-se a contratação do novo treinador, Paulo Sérgio, chegado de um frustrante afastamento da Liga Europa na última jornada em Guimarães. Durante a pré-temporada, assistiu-se ainda à saída de Miguel Veloso para Itália e à novela que terminou com João Moutinho no FC Porto.

A verdadeira história da transferência do ano em Portugal talvez nunca venha a ser pública. Mas aquele que, nas últimas épocas, havia sido a principal figura do conjunto de Alvalade, quer pela constância das suas exibições, quer pela braçadeira que transportava, saiu pela porta pequena, enxovalhado por José Eduardo Bettencourt numa conferência de imprensa onde apelidou o algarvio de “maçã podre” da árvore de Alvalade. Os milhões recebidos pelas duas vendas acabaram por ser investidos em jogadores como Evaldo, Valdés, Torsiglieri e Nuno André Coelho, sendo que apenas o defesa-esquerdo vindo de Braga garantiu um lugar constante no onze leonino.

A pré-temporada foi auspiciosa, com a vitória no New York Challenge, mas, após uma eliminatória fácil na Europa frente ao Nordsjelland, o Sporting entrou a perder na Liga, em Paços de Ferreira, repetindo a derrota, na mesma semana, em jogo contra o Brondby, o que quase o deixou de fora das competições europeias. Nova convulsão em Alvalade, minimizada por um Setembro e Outubro positivos, com uma única derrota, frente ao Benfica, em jogo da quinta jornada da Liga Zon Sagres, e uma campanha vitoriosa nas competições da Uefa.

Mas as duas derrotas no início de Novembro (frente ao Gent e ao Vitória de Guimarães), a incapacidade da equipa mostrar um nível de exibições satisfatório e o afastamento da Taça de Portugal às mãos do Vitória de Setúbal, deixaram Alvalade à beira de novo ataque de nervos. À equipa faltam reforços que foram exigidos pelo treinador Paulo Sérgio, faltam confirmações entre os actuais membros do plantel e faltará pulso na direcção dos destinos do clube. Por isso mesmo, o final do ano ficou marcado pelo anúncio de um novo director-geral no Sporting, José Couceiro.

Em jeito de balanço, foram 67 jogos disputados, com 34 vitórias para o Sporting, 13 empates e 17 derrotas. Números curtos, para quem se quer grande. Mas a esperança, em 2011, voltará a ser verde… e branca.