terça-feira, 5 de outubro de 2010

Algarvios em campo

Foto Mário Rolla/ Jornal do Algarve
Iniciou-se este fim-de-semana o Campeonato Distrital de Futebol do Algarve, 1ª Divisão, uma competição disputada por vários históricos do sul do país. Cerca de metade das equipas participantes jogaram, no passado, nos Nacionais, e terão como objectivo um desejado regresso a esse nível. No entanto, durante esta época, encherão os relvados algarvios de grandes rivalidades, cultivadas ao longo dos anos.

Na primeira jornada, o duelo de gigantes disputou-se no Municipal da Quarteira, com o Quarteirense a receber e a vencer, por 2-0, o Imortal de Albufeira. No plantel da equipa da casa ainda joga Idalécio, um dos ícones do futebol algarvio, gigante defesa que brilhou com a camisola do Sp. Braga e Rio Ave, entre outras. Do lado da equipa de Albufeira, a figura é o avançado Pintassilgo, que andou na 1ª Divisão com a camisola do Farense e deixou registo em vários clubes algarvios ao longo da sua carreira.

Outro dos históricos deste campeonato é o Lusitano de Vila Real de Santo António. No primeiro jogo, não poderia ter feito melhor, já que marcou cinco golos sem resposta ao Odeáxere. No plantel do Lusitano mantém-se Marco Nuno, agora com 36 anos, outro dos jogadores que viveu momentos altos com a camisola do Farense.

Quem também não deixou os seus créditos em mãos alheias foi o Silves Futebol Clube, ao visitar Almancil deixando também cinco golos no cartão de visita. Na equipa branca e negra jogam dois Moutinhos, Nélson e David, nenhum deles capaz de atingir o nível do seu familiar João, que brilha agora com a camisola do FC Porto. Nesta divisão será ainda bom prestar atenção às carreiras de Campinense e Castromarinense, duas equipas que conseguem, habitualmente, andar nos primeiros lugares do campeonato.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Física entra a vencer no Nacional de Hóquei em Patins

No primeiro jogo a contar para o Nacional de Hóquei em Patins, a equipa da Física de Torres confirmou a excelente campanha da época passada. Recebendo no seu pavilhão o histórico Óquei de Barcelos, os torreenses mostraram-se sempre superiores e souberam controlar a vantagem adquirida na primeira parte da partida.

A Física entrou a dominar e marcou primeiro num excelente remate de Carlos Godinho. Os homens de Barcelos não encontravam forma de contrariar a troca de bola e a pressão dos homens da casa, sendo que também demonstraram grandes dificuldades para entender as novas regras, o que originou uma série de faltas, numa das quais a Física conseguiu aumentar o marcador, em recarga de Alan Fernandes, depois de falhar a concretização de uma grande penalidade. A Física carregava e, com dois cartões azuis a serem mostrados a Nuno Almeida e ao banco, o Barcelos terminou a primeira parte em défice, perdendo já por uma diferença de três golos.

O intervalo fez bem à equipa do Óquei, que entrou mais concentrada e diminui a desvantagem. No entanto, a Física reagiu bem, mesmo com Fortunato e Alan no banco, e aumentou para 5-1. Com a vitória na mão, a equipa da casa relaxou e permitiu ao Barcelos a reacção, que marcou dois golos consecutivos. No entanto, as faltas na área barcelense continuavam e a Física conseguiu dilatar a vantagem, assegurando a vitória ainda com mais de dez minutos para serem disputados.

Os minutos finais foram de claro domínio da equipa da Física, que nunca deixou de  tentar aumentar a vantagem, conseguindo-o por mais duas vezes. A equipa de Barcelos reconheceu o ascendente do adversário, não deixando de lutar para perder por uma diferença mínima. Quem se deslocou ao Pavilhão José Maria Antunes pôde assistir a uma excelente partida de Hóquei em Patins, com duas equipas experientes que lutarão por um lugar na primeira metade da tabela classificativa. Na próxima semana, a Física viajará até Oliveira de Azeméis, com o desejo que continuar a mostrar porque é que é uma das representantes nacionais nas competições europeias desta modalidade.

A invisibilidade


Michael Keshi era um rapaz como milhares de outros rapazes nascidos na cidade de Akure, no Sudoeste da Nigéria. A ocupação, praticamente nenhuma. Os estudos não se prolongam por aí além, em toda a Nigéria, e se há coisa rara de encontrar por ali são empregos. Assim, desde muito cedo Michael andava pelas ruas, fazendo biscates, inventado formas de passar o tempo, de encontrar algo para levar para casa que pudesse ajudar à refeição diária da família. Pouco mais. Era um rapaz normal.
Todos os rapazes normais de Akure queriam ser jogadores de futebol. E Michael, claro, não era excepção. Começara a jogar pelas ruas até ser convidado para jogar no Sunshine Stars, um dos clubes da cidade. Michael não tinha uma posição definida, corria pelo campo e aparecia, quase sempre, nos espaços  vazios, tanto para cortar os lances adversários como para finalizar os lances da sua equipa. O seu treinador dizia que ele era um jogador invisível e com a evolução da sua carreira, Michael Keshi foi fazendo por merecer tal epíteto.
Dividia a sua vida entre as ruas e os campos de futebol. Ser jogador do Sunshine Stars, mesmo como sénior, não lhe valia de muito em termos monetários, mas Michael tinha esperança e entregava-se aos treinos e aos jogos com grande fervor. O problema era, mesmo, essa sua característica diferenciadora, a invisibilidade. Quanto mais tempo passava em campo, menos visível era a sua acção. No entanto, e apesar disso, Michael era também cada vez mais imprescindível na sua equipa, porque só com ele em campo a equipa conseguia ganhar jogos.
Michael Keshi brilhou durante quatro épocas com a camisola dos Sunshine Stars, na primeira divisão nigeriana, acabando por ser contratado para jogar na Europa. Pouca gente tinha dado por ele, mas o mito à volta da sua qualidade era superior ao que se podia ver em campo. E já se sabe, para olheiros e agentes, conta o mito. Assim Keshi assinou por uma equipa belga que também vestia camisola amarela, o KV Oostende. Esta sua nova equipa, apesar de centenária, passou grande parte dos últimos anos na segunda divisão e foi aí que Keshi começou a fazer história na Bélgica.
Durante o primeiro mês de treinos, passou muito despercebido a colegas e treinadores. Diziam que talvez fosse o facto de não falar a mesma língua dos companheiros, a adaptação a um novo país. Apareceu algumas vezes nas reservas até conquistar lugar na equipa principal. E assim se passou em Oostende o mesmo que se passava no Sunshine Stars. Com Michael Keshi em campo, a equipa ganhava jogos e começava até a sentir-se capaz de lutar pela subida à divisão principal. Mesmo que nenhum adepto sequer o reconhecesse na rua. Mesmo que nenhum jornalista o destacasse nos resumos semanais dos jogos.
Foi o próprio seleccionador nigeriano quem se deslocou até ao Albertparkstadion para observar esse jogador de que tanto se falava. E foi com o caderno de notas vazio,  que o chamou-o para o compromisso seguinte da selecção,  Keshi foi pré-convocado para a Taça das Nações Africanas de 1996. O problema é que tanta invisibilidade não era já fruto do acaso, mas uma particularidade que Michael Keshi carregava como uma ameaça.
Apesar de ter ficado para a história que a Nigéria desistiu de participar nessa competição por razões políticas, a verdade é que muitos dos que conheciam Michael Keshi preferiram acreditar que a invisibilidade de Keshi não sobreviveria à transmissão televisiva dos jogos. E por isso, não houve Nigéria, nem Keshi, esse ano, na África do Sul. Tanto esse novo boato se foi espalhando pelos campos do futebol, que Keshi deixou o KV Oostende e voltou à Nigéria, não ao seu clube, mas às ruas de Akure, onde dizem que ainda anda, de um lado para o outro, à procura de um rumo. Dizem, sim, apenas. Porque não há quem o tenha visto. 

domingo, 3 de outubro de 2010

Como se inventa um dérbi

Sexta-feira à noite no Pavilhão do Externato de Penafirme, cerca de cinquenta pessoas juntam-se para assistir ao confronto entre as duas equipas do concelho de Torres Vedras que disputam a 1ª Divisão Distrital de Lisboa em Futsal, o ADCR Santa Cruz e o Atlético Barroense. A equipa de Santa Cruz disputa os seus encontros nesta localidade a cerca de 2 km da sua sede, devido à inexistência de pavilhão na localidade. Quanto à equipa do Barro faz-se acompanhar de vários adeptos, acreditando numa possível promoção à divisão maior do futsal distrital.

Denotam-se acentuadas diferenças entre os dois clubes. Do lado do Santa Cruz, a aposta centra-se numa mistura entre atletas da casa, já com vários anos de experiência nestas divisões, e atletas de fora, sendo de destacar a dupla brasileira Beto e Marcos, para além de vários atletas contratados no início desta época. Quanto ao Atlético Barroense, a aposta de há alguns anos atrás foi na formação, não sendo de espantar que, apesar de ter uma média de idades muito mais baixa, os seus atletas apresentem uma maturidade competitiva e uma eficácia que lhe valeram o triunfo neste dérbi torreense.

A equipa do Barro foi quase sempre superior aos homens da casa. Espalhando melhor as suas peças pelo terreno de jogo, apostou quase sempre no erro do adversário, pressionando-o a campo inteiro. Tendo chegado a estar a vencer por 3-1, os homens de verde e branco acabaram por ser surpreendidos pela entrada em campo dos quase gémeos Beto e Marcos, dois atletas que revolucionam a atitude da equipa de amarelo, com uma capacidade de pressão e de execução bastante superior aos seus colegas de equipa. Ao intervalo, o resultado era um empate a três, fiel ao equilíbrio que os santacruzenses souberam impor na fase final da primeira parte.
No segundo tempo, o Santa Cruz entrou melhor, devendo a Carlitos e ao guarda-redes Gonçalo, para além dos jogadores já referidos, a capacidade de se bater de igual para igual com o Barroense. No entanto, o Barroense soube aproveitar melhor as oportunidades de que beneficiou, chegando à vantagem a meio do segundo tempo. A partir daí, veio ao de cima a superior capacidade da equipa do Barro, que encontrou na sua experiência uma forma de enervar os homens de Santa Cruz, sendo através de faltas e entradas mais duras ou de paragens de jogo para pedir a limpeza do terreno de jogo.

O Barroense acabou por ser um vencedor justo, chegando a marcar mais dois golos para terminar o encontro com um resultado de 3-6. O Santa Cruz mostrou evolução em relação aos jogos da época passada, mas precisará de mais maturidade competitiva para se manter na disputa por uma boa classificação. Nota ainda para o ambiente vivido no Pavilhão de Penafirme. A grande vantagem das competições distritais é a paixão e as “bocas” que acompanham os eventos dentro de campo. Mais uma vez, foi possível ver um árbitro a manter diálogo com a assistência, algo que não deixa de ser sempre uma surpresa e, seguramente, não se pode experimentar a casa. 

sábado, 2 de outubro de 2010

Há festa no ringue

Foto de Pedro Alves (mundook)
Inicia-se hoje o Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins, competição em que, mais uma vez, todos estarão a jogar contra o FC Porto. A equipa azul e branca soma nove títulos consecutivos e entra na nova época como principal candidato a mais um título. Na linha da frente para quebrar a hegemonia portista estará o SL Benfica, que este ano se reforçou com o objectivo de lutar pela vitória até à última jornada.

Na equipa do FC Porto praticamente não houve alterações, registando-se apenas a saída de Jorge Silva, tendo sido compensada pela entrada de Gonçalo Suissas, ex-Juventude de Viana. O SL Benfica reforçou-se em Itália, fazendo vir de Bassano o argentino Abalos e o brasileiro Cacau, para além de ter pescado em Viana do Castelo o internacional português Luís Viana. Em ambas as equipas podemos encontrar internacionais portugueses (para além da dupla de espanhóis e do argentino do Porto), estando o campeonato condenado a ser disputado pelos dois grandes do Hóquei em Patins português.

No entanto, num ano em que a 1ª Divisão foi alargada para dezasseis equipas, poderemos encontrar muitos mais motivos de interesse. Desde logo, três equipas estão na linha da frente para dificultar a vida aos grandes. O Candelária, que se reforçou  com João Miguel (ex- Porto Santo), Montivero (ex- Viareggio, Ita) e Jorge Silva (ex- FC Porto), participará na Liga Europeia e mantém a ilusão de levar o primeiro título nacional para as Ilhas dos Açores. Por outro lado, Oliveirense, que mantém a aposta na experiência, e Juventude de Viana, que passou por um rejuvenescimento do seu plantel, darão grande competitividade à primeira metade da tabela.

Os restantes candidatos a um lugar na Taça Cers são o Óquei de Barcelos (com a contratação de Paulo Matos e de Nuno Almeida, jogadores de larga experiência no campeonato), Porto Santo (que depois de um ano negro volta a apostar forte nas contratações, onde se destacam vários jovens como Luís Querido, Márcio Fonseca e Daniel Coelho), Gulpilhares, Física e Ac. Espinho (que mantiveram, quase sem alterações os seus plantéis da época passada). Neste grupo, a Física de Torres foi quem conseguiu o objectivo na época passada, sendo que poderá provar, pela primeira vez, na presente época, o sabor das competições europeias.

Num campeonato onde descerão quatro equipas, seis delas disputarão os dois lugares que darão direito à continuidade na divisão maior do Hóquei em Patins português. Entre elas, a equipa do HC Braga é a que detém maior experiência. No seu plantel encontramos nomes como Guilherme Silva, Rodrigo Sousa, Tiago Barbosa e Pedro Alves, que disputarão, em Novembro, a pré-eliminatória da Taça Cers. Outra das equipas que deverá evitar a relegação é o Valongo, principalmente por ser uma equipa dificílima de bater no seu pavilhão. Cambra, Sporting de Tomar, Dramático de Cascais e Limianos darão tudo por tudo para escapar ao destino provável de uma descida de divisão. A equipa de Cambra é quem apresenta mais experiência no seu plantel, mas o equilíbrio do meio da tabela, neste campeonato, faz-nos prever grandes dificuldades ao cinco liderado por Ricardo Geitoeira.

A bola começa a rolar às cinco da tarde de hoje. Na primeira semana de Junho de 2011, saberemos se as nossas previsões se cumprem ou não. Até lá, temos divertimento dentro do ringue.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A selecção de Paulo Bento

Paulo Bento anunciou hoje a sua primeira convocatória enquanto seleccionador nacional. E, o melhor que se pode dizer desta convocatória, é que não houve surpresas. Com as lesões de Bosingwa e Quaresma, acrescidas dos diversos abandonos, os vinte e três chamados por Bento são mais do que naturais para quem tem acompanhado o futebol português.
Na baliza, a continuidade de Eduardo é mais do que óbvia, ainda quê Rui Patrício venha a fazer uma série de excelentes exibições, o que pressionará o agora genovês. Beto é uma terceira opção com qualidade, apesar da pouca rodagem.
Na defesa, a minha aposta será num quarteto formado por João Pereira, Ricardo Carvalho, Pepe e Fábio Coentrão. Apesar de ter aceite a possibilidade de Pepe jogar a médio, é mais do que previsível que se beneficie do facto de termos os nossos melhores centrais a jogar juntos no mesmo clube. Coentrão, que é hoje em dia um muito melhor lateral do que extremo, continuará por certo na esquerda e João Pereira deixa a quilómetros a possibilidade de Sílvio lhe fazer frente. Bruno Alves e Rolando completam as opções, para o que der e vier.
No meio-campo, aproxima-se a possibilidade de ver Moutinho, Meireles e Martins (ou Veloso, que também poderá dar uma perninha na lateral esquerda) ocuparem os lugares de titulares. Paulo Machado (que na origem era um volante, mas no Toulouse joga muitas vezes quase como um falso extremo) e Tiago completam as opções na linha média.
Já quanto ao ataque, aceitam-se sugestões. O normal será pensar num trio composto por Cristiano Ronaldo, Nani e Hugo Almeida. No entanto, Paulo Bento poderá apostar em Liedson, que ele conhece como ninguém, ou até surpreender com o inspirado Postiga, que em 4x3x3 poderá ser uma melhor opção para criar movimentações com os dois extremos. Danny será sempre um excelente suplente e Hugo Almeida continuará a ser um excelente ponta-de-lança que, simplesmente, tem dificuldades de se integrar no estilo de jogo português - que gosta muito de "pinheiros" mas depois não tem um estilo de jogo que os saiba utilizar. Ainda assim, antes tê-lo connosco que no nosso adversário.
Venha o dia 8 de Outubro.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Um desporto fantástico

Falta já menos de um mês para o início da maior liga de basquetebol do mundo, a NBA. As equipas já iniciaram os seus programas de treino na semana passada e, muito em breve, começarão também os jogos de preparação.
Este será, talvez, um dos inícios de época mais esperados de sempre. Depois de um Verão cheio de transferências, com as mudanças de equipa de Lebron James e Chris Bosh para Miami, Amar'e Stoudemire para Nova Iorque, Carlos Boozer para Chicago, e Shaquille O'Neill para Boston, contam-se, com ansiedade, os dias para se chegar à noite em que a bola será lançada ao ar pela primeira vez esta época, e logo com um  Boston Celtics - Miami Heat a abrir.
Por minha parte, já recebi em casa a nova edição do anuário do The Sporting News com todas as análises às equipas, e já se tornou indispensável uma consulta diária aos sites que acompanham as novidades da liga.
Mas como as grandes ligas não se medem, apenas, pela quantidade de pessoas que a acompanham, para grande surpresa minha, e após um contacto com o "front office" da liga, foi-me explicado como contactar os intervenientes do jogo. Assim, nas próximas semanas, vou trazer algumas novidades sobre a NBA, contando com algumas entrevistas e notícias sobre o que vai acontecendo no basquetebol do outro lado do Atlântico.
É, de facto, fantástico!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Lourinhanense, o satélite do Sporting

Lourinhanense 96/97
 O Sporting Clube Lourinhanense não é dos clubes com maior historial no futebol português. No entanto, foi na Lourinhã que se juntaram algumas das esperanças do panorama nacional quando  a equipa da pequena vila do Oeste se tornou o clube-satélite do Sporting Clube de Portugal. Corria o ano de 1996.


Perto do final da época de 95/96, começaram a correr rumores de que o Lourinhanense poderia ser o destino de uma série de jovens craques do Sporting. “Era um plantel composto maioritariamente por jogadores com mais de trinta anos”, conta-nos Luís Esteves, o que terá feito com que a generalidade dos jogadores percebesse que teriam que procurar novo clube. “Foi um processo mal gerido”, mas não terá sido essa a razão da descida de divisão nessa época, já que todos mantiveram uma postura “muito profissional”. Luís Esteves, na altura com vinte e três anos, foi um dos poucos jogadores da casa que ficou para jogar entre os craques. “Eu era um jogador que necessitava de trabalhar para limar algumas limitações, nada melhor que fazer isso num projecto que dava prioridade à formação”.

Da parte dos jogadores que faziam parte dos quadros do Sporting, a situação foi aceite com normalidade. Tendo sido comunicada pelos dirigentes,  os jogadores sentiram que “tudo foi feito” para que se sentissem em casa, como confirma Marco Almeida. O treinador Jean Paul era uma figura conhecida para aquele grupo de jovens que, para além do central, reunia jogadores com Bruno Patacas, Luís Boa Morte, Carlos Fernandes, Márcio Santos e, mais tarde, Hélder Rosário, Caneira, Alhandra, Paulo Costa, Nuno Santos e Nuno Assis.

A vila da Lourinhã tornou-se num dos lugares de atracção do nosso futebol. Confidencia-nos Esteves que “havia uma constante presença de jornalistas, quer nos treinos, quer nos jogos”, que também arrastavam muito mais público do que era normal para ver o Lourinhanense. “O ambiente foi sempre muito bom”, reforça Marco Almeida, confirmando que foi um projecto de grande importância para “o clube e para as gentes da Lourinhã”. A verdade é que a equipa conseguiu grandes resultados desportivos. Logo na época de 96/97 assegurou a subida à 2ª Divisão B, perdendo o título da 3ª Divisão apenas no desempate por grandes penalidades com o Dragões Sandinenses. E nas épocas seguintes assegurou lugares cimeiros na Zona Centro, apesar de nunca ter sido exigido à equipa a subida de divisão. Aliás, tal nem seria preciso, pois, como nos confirma o jogador de Torres Vedras, “aquele grupo entrava em campo sempre para ganhar”.

O regresso à Lourinhã, anos depois
O projecto viria a terminar em 1999 com a criação da equipa B do Sporting. No entanto, quer Luís Esteves, quer Marco Almeida, estão de acordo na ideia de que a passagem pelo Lourinhanense foi fundamental para as suas carreiras. Esteves fez-se jogador na Lourinhã, apesar de ter cumprido a formação em Torres Vedras, e adquiriu uma série de conhecimentos e experiências que lhe foram muito valiosas numa carreira que continuou pelas divisões secundárias no Torreense, Fátima e Barreirense, vindo a terminar a sua carreira na Distrital de Lisboa, com a camisola do Ponterrolense. Já Marco Almeida percorreu todas as divisões do futebol português (Sporting, Campomaiorense, Alverca, Maia e Lourosa), para além de experiências internacionais em Inglaterra (Southampton), Espanha (Ciudad Múrcia) e Chipre, onde joga actualmente. O experiente central não esquece os bons momentos que passou na Lourinhã, fazendo questão de lembrar todos os jogadores que conviveram naquele ano e dando também destaque a pessoas como José Canastra, Vítor Damas e João Cardoso pelos ensinamentos que lhe transmitiram.

O balanço não poderia ser mais positivo. Apesar de novas experiências se encontrarem, nos nossos dias, dependentes das condições financeiras dos clubes grandes, a experiência levada a cabo na Lourinhã (e que o Benfica tenta experimentar, noutros moldes, no Fátima, este ano), acabou por dar  resultados,  preparando jovens jogadores para carreiras ao mais alto nível. 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Semana europeia para as equipas portuguesas

Estádio Municipal de Braga
A segunda jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões Europeus e da Liga Europa realiza-se esta semana e, em Portugal, todos os olhares estarão centrados no Estádio Municipal de Braga, onde o Sporting local se estreará em casa recebendo os ucranianos do Shaktar Donetsk. Esperando que o resultado positivo do fim-de-semana possa animar as hostes bracarenses, o objectivo da equipa de Domingos Paciência é apagar a imagem deixada em Londres, jogando desta vez com uma equipa que está ao seu alcance. O Shaktar está a fazer um campeonato quase perfeito, na Ucrânia, e venceu o Partizan na primeira jornada da Liga, o que não facilitará em nada os objectivos da equipa portuguesa.
Na quarta-feira, será a vez do Benfica se deslocar a Gelsenkirchen, cidade que tem dado sorte às equipas portuguesas. O Schalke ainda só venceu um jogo oficial esta época, demonstrando que a contratação de estrelas não constrói, só por si, uma grande equipa. Ainda assim, a qualquer momento, os alemães conseguirão encontrar o caminho para as vitórias, sendo a vontade dos benfiquistas adiar esse momento por mais uns dias. Jorge Jesus está, agora, mais confortável com o novo plantel, tendo encontrado uma forma de conjugar os jogadores de que dispõe num sistema táctico que expõe menos as fraquezas do seu conjunto. Acertar, mais uma vez, na vitória, é o seu objectivo para esta semana.
Quinta-feira, entra em campo a Liga Europa, com o FC Porto a entrar em campo ao final da tarde para enfrentar o CSKA Sófia, sendo de esperar mais uma vitória neste fulgurante início de época da equipa de André Villas Boas. Ainda que seja aceitável pensar que o jovem treinador portista aproveitará este jogo para rodar alguns elementos com menos utilização, não é esperado que esse facto enfraqueça o potencial dos azuis e brancos. À noite, será a vez do Sporting entrar em campo para receber uma das outras equipas de Sófia, o Levski. Presume-se, neste momento, que Paulo Sérgio não se sinta à vontade para fazer mais uma revolução na equipa, como fez em Lille. Assim, o Sporting entrará em Alvalade com o desconforto de ter pela frente uma massa associativa impaciente e sem qualquer razão para aceitar mais uma má exibição dos leões. A grande questão será perceber se Liedson perdeu mesmo a titularidade e se Diogo Salomão conseguiu convencer o treinador a dar-lhe o lugar de um pouco inspirado Yannick Djaló. Pelas opções iniciais se adivinhará um pouco do que poderá acontecer ao conjunto verde e branco.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Fim-de-semana com golos e surpresas

Campomaiorense em alta
Fim-de-semana cheio de golos e algumas surpresas em diversos campos do futebol distrital.
O nosso destaque vai todo para o Campomaiorense que, na Distrital de Portalegre, continua a vencer e a convencer, desta vez numa deslocação ao campo do Portalegrense, vencendo por sete golos a zero. Em apenas quatro jogos, a última equipa alentejana a ter disputado o Nacional maior do nosso futebol marcou vinte e seis golos, apresentando-se como principal candidato a regressar aos nacionais.
Na Distrital de Lisboa foi o Futebol Benfica a merecer nota de destaque. Com um hat-trick de Pina, ex-jogador da equipa adversária, o popular "Fófó" arrasou o Cacém (6-1), vingando-se assim da derrota sofrida na jornada de estreia.
Quem começou da melhor maneira a sua época foi o Barreirense. Recebendo em casa os rivais de Almada, o histórico do Barreiro não deixou os seus créditos em mãos alheias e marcou seis golos sem resposta. Vasco Campos foi responsável por metade dessa produção. Fica água na boca de todos os seguidores desta equipa, depois de um ano de grande sofrimento e sem brilho na principal divisão distrital de Setúbal.
Não terminamos esta visita às disputas do futebol distrital sem dar nota da Supertaça de Futsal feminino disputada entre a Quinta dos Lombos e o SL Benfica. Apesar das benfiquistas beneficiarem de toda a atenção mediática e de contarem com a experiência de disputar, anualmente, uma competição com equipas de todo o mundo, foi a agremiação de Carcavelos a levar o troféu para casa, ganhando por 2-1. As imagens do jogo estão disponíveis no blogue da equipa. Vejam-nas ali, pois algo me diz que não vão ser repetidas durante  toda a semana na Benfica TV.

A nobreza do lesionado


Se coisa houve que fez Brian Kirkpatrick vibrar alguma vez na vida foi o golo que Steve Sumner marcou aos 54 minutos do jogo Nova Zelândia - Escócia, que se disputou no Estádio La Rosaleda, em Málaga, no dia 15 de Junho de 1982. Era o Campeonato do Mundo de Futebol. Brian tinha pouco mais de dez anos e assistia pela primeira vez a um jogo. Talvez fosse mesmo a primeira vez que um jogo fosse transmitido na televisão neo-zelandesa, que naquele ano fazia a sua primeira transmissão de mundiais de futebol. Aquele golo, que de pouco serviria para mudar o resultado que naquela altura já dava a vantagem aos escoceses por três a zero, mudou, no entanto, a vida deste miúdo.
Oriundo de uma família ligada desde os tempos mais imemoriais ao Râguebi, Brian cumpria, aos dez anos, a tradição de todos os jovens da família, percorrendo os campos agrícolas da família nos arredores de Gisborne com uma bola de râguebi nos braços. Daquela família já saíra um dos grandes nomes dos All-Blacks, a famosa equipa nacional, na pessoa do seu tio Ian Kirkpatrick, e agora que este terminara a sua carreira, esperava-se que um dos pequenos tomasse o seu lugar como motivo de orgulho da família. Era para esse objectivo que todos os pequenos eram  incentivados.
No entanto, a vida de Brian Kirkpatrick fora abalada pelo Mundial de 1982. Depois da improvável qualificação, a Nova Zelândia não podia ter encontrado um grupo melhor.  A Escócia de Dalglish, a União Soviética de Blokhin e o melhor Brasil de sempre. Para Brian, antes do Mundial, isto era nada, depois do Mundial, seria tudo. Tomado pela emoção de ver Sumner meter-se entre o defesa e o guardião escocês, antecipando-se a ambos para marcar o primeiro golo da história da equipa neo-zelandesa em Campeonatos do Mundo, logo no dia seguinte Brian procurou um lugar para jogar futebol.
Brian alistou-se no Gisborne Rookies, a equipa de formação da sua cidade. Era um pequeno prodígio do futebol, cheio de força de vontade e sonho, um predestinado. O treinador da equipa gabava-lhe o talento e agradecia aos deuses pela sorte de naquela terra seca de talento para o controlo do esférico poder aparecer um rapaz assim. No entanto, a vida de Brian não era facilitada em casa. Magoado no seu orgulho de herdeiro da história do Râguebi, o seu pai tudo fazia para que Brian abandonasse a tola ideia de se tornar um grande jogador na Europa ou no Brasil.
Quanto maior era o burburinho entre os adeptos do Gisborne Rookies, maiores eram as cargas de trabalho de Brian Kirkpatrick nos terrenos da família. Aos dezasseis anos, Brian estudava durante a manhã no liceu local, trabalhava durante a tarde com a família, e só ao início da noite treinava as suas capacidades futebolísticas. O treinador parecia cada vez mais preocupado com o facto de Brian andar sempre muito cansado, notava que isso lhe perturbava os movimentos que eram tão apreciados por todos, mas a carga de trabalho parecia não diminuir. Ainda para mais agora que dois dos seus primos tinham ido para Auckland estudar e treinar junto das selecções jovens de Râguebi.
O pai de Brian, desde sempre insatisfeito com o facto do seu filho mais velho se ter entregue a esse desporto de rufias que perseguem a bola a pontapé, insistia para que este fosse responsável por carregar mais cestos, por subir a mais árvores, por perseguir todo e qualquer animal que pulasse a cerca. O pai de Brian queria que este ficasse cansado ao ponto de deixar o futebol. Brian insistia no seu sonho e lá lutava, todos os dias, para continuar a ser o craque dos Gisborne Rookies, esperando ser notado e convidado para jogar em alguma das melhores equipas da Nova Zelândia ou da Austrália, primeiro passo seguro para o que ele desejava ser uma grande carreira.
Estava Brian Kirkpatrick acabado de fazer dezoito anos quando um emissário de uma equipa inglesa se deslocou a Gisborne para o ver jogar. A sua fama atravessava fronteiras desde que tinha jogado pela equipa nacional de sub-17 e sentia agora que estava mais perto de concretizar o que esperava para a sua vida. No entanto, um dia antes desse jogo que poderia ser decisivo para a sua carreira, Brian escorregou do cimo de uma árvore onde colhia frutas e fracturou a tíbia. Parecia uma queda pequena, normal, mas ao colocar todo o peso do seu corpo sobre a perna direita, Brian sentiu o osso quebrar e o músculo rasgar-se provocando uma dor intensa.
Brian Kirkpatrick ficou para sempre em Gisborne, trabalhador das fazendas da família onde hoje assume a responsabilidade de organizar o trabalho das dezenas de homens e mulheres. A sua carreira futebolística acabou na véspera de se ter tornado grande, com uma operação à tíbia. Seis meses depois Brian ainda tentou regressar aos treinos, mas as dores de uma consolidação difícil do osso impediam-lhe as fintas e o controlo de bola a que tinha habituado todos. Brian é hoje um homem triste. O seu pai, orgulhoso da fama dos sobrinhos que jogam râguebi, não se cansa de lembrar a nobreza do filho, Brian Kirkpatrick. Não há nada mais nobre que abandonar o desporto devido a uma lesão, costuma dizer. Os que o conhecem bem não deixam de notar um leve levantar do lado esquerdo do lábio que só pode ser de satisfação.