quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Guia LPB 2012: Barreirense Cepsa


Aproveitando a desistência do CB Penafiel, o Barreirense conseguiu manter-se na LPB e, desta vez, parece concentrado na ideia de alcançar bons resultados. De facto, a aposta dos últimos anos em jogadores muito jovens tem os seus custos, ainda que este ano assiste-se à entrada de um jogador que poderá ser decisivo para uma boa carreira. António Tavares, depois de anos no Benfica e de uma excelente presença no último Eurobasket, regressa a casa para ser a estrela da equipa. Sendo um lançador nato, Tavares terá a responsabilidade de liderar o grupo e marcar muitos pontos. Se tudo correr como o esperado, poderá ser ele o bilhete para chegar aos play-off esta temporada.

Com um novo treinador vindo da LEB Prata, António Herrera, o Barreirense contratou ainda dois norte-americanos. David Jackson formou-se em Penn State e tem no currículo um título do NIT. Já Deantre Jefferson chega de Chattanooga e poderá ter impacto no jogo interior da equipa.

O resto do plantel é composto por jovens.  Se José Silva e Pedro Pinto já mostraram o seu valor na Seleção principal, muito se esperará do que poderão fazer jogadores como Miguel Queiroz, Manuel Sicó e João Álvaro. Será essencial que estes jovens se mostrem com nível para enfrentar os adversários da LPB, já que a equipa precisará de profundidade para atingir os objectivos.

Guia LPB 2012: Lusitânia Expert


Depois de assegurada a manutenção na época passada, a equipa açoriana chegou a ter a sua presença em dúvida, na actual LPB, devido a questões fiscais. Mas, com os problemas aparentemente resolvidos, o Lusitânia regressa à competição com vontade de chegar aos play-off.  Mantendo três dos seus titulares, Monteiro, Hundley e Camara, a equipa vê Marcel Momplaisir regressar depois de lesão e soube-se reforçar em posições essenciais.

Augusto Sobrinho chega de Guimarães para disputar o lugar de base com Daniel Monteiro. A equipa dos açores fica assim com duas excelentes opções, deixando de depender em excesso de Monteiro.  As duas outras contratações estão ainda em processo de adaptação. Ainda assim, Brian Mills, um rookie chegado de Mercer, já deu sinais de ser um lutador nas tabelas e capaz de somar pontos. Renato Lindmets regressa a Portugal depois de passagens pela Estónia e Islândia. O seu papel deverá ser mais defensivo, ainda que Lindmets seja um jogador bastante rápido e bom penetrador.

Com um plantel bastante completo, o treinador Nuno Barroso deverá trabalhar ainda a componente psicológica do Lusitânia, algo que poderá colocar em causa o nível de jogo apresentado. Se todos os jogadores estiverem confiantes e concentrados nos objectivos, então os açorianos não serão fáceis de bater.

Guia LPB 2012: Sampaense


Em São Paio de Gramaços reside a maior incógnita da LPB desta temporada. Numa equipa que sofreu uma profunda transformação, será preciso esperar para ver o que vale enquanto conjunto, tanto que durante o Troféu António Pratas apenas fez uma partida, frente à Ovarense.  A ideia que ficou dessa partida não foge ao que se imaginaria no papel. João Reveles, chegado do Casino Ginásio, assumo com Jorge Sing as despesas da liderança da equipa. Depois, esperar que os dois norte-americanos do plantel façam boa figura, o que até é normal acontecer no Sampaense.

As contratações deste ano são Will Pratt, um extremo que chega de Northwestern State, e Brian Addison, um extremo-poste que se formou em Buffalo. Finalmente, Tyronne McNeal vem trazer altura na posição de poste. Com experiência no Canadá e na Costa Rica, McNeal poderá ser uma boa surpresa nesta sua estreia na Europa. De assinalar ainda as contratações de João Balseiro (Illiabum) e Eki Viana (Benfica). Dois jogadores habituados a sair do banco para ajudarem as suas equipas, poderão ser muito importantes com o seu profundo conhecimento da LPB.

Todos estes elementos misturados, tanto poderemos contar com um Sampaense sólido na posição do play-off, como vê-lo escorregar para a luta pela manutenção. Um caso a seguir.

Guia LPB 2012: CAB Madeira


A equipa madeirense salvou a passada temporada com a vitória na Taça de Portugal, já que na LPB, o oitavo lugar na fase regular esteve muito além do esperado. Na verdade, a equipa foi afectada por lesões dos seus principais jogadores, e isso ajuda explicar parte do problema. Este ano, com uma capacidade orçamental menor, João Freitas esperará não ter que enfrentar lesões, ou poderá arriscar-se mesmo a ficar fora da corrida na parte final da temporada.

Com as saídas de Gentry e Menefee, os dois principais jogadores da equipa, João Freitas espera ter Mário Fernandes e Jorge Coelho em condições durante todo o ano. Jaime Silva é outro dos jogadores de quem se esperará uma forte contribuição, ficando ainda incerto o papel de Fábio Lima, que ficou fora da Seleção Portuguesa por lesão e ainda não estará totalmente recuperado.

A equipa contratou ainda três norte-americanos. Austin Kenon (Virginia MI) e Barry Shetzer (West Liberty) são dois rookies que tentarão organizar o jogo e encontrar opções de lançamento. Já Jarvis Gunter vem da D-League para fazer dupla com Shawn Jackson na luta das tabelas. Do que conseguir esta dupla dependerá, em boa parte, o sucesso do CAB Madeira. Uma temporada difícil, é o que se espera.

Guia LPB 2012: Ovarense Dolce Vita


Em Ovar só há um objectivo: esquecer a época passada, onde nunca se viu uma equipa com condições para lutar pelos lugares cimeiros e mesmo o play-off só foi conquistado na última jornada da fase regular. A opção passou por contratar seguro. Austen Powers, um extremo com uma capacidade de tiro acima da média, que já passou pela LPB (com a camisola da Física de Torres) antes de passagens pelo Uruguai e pela China, será a figura da equipa.

Os outros estrangeiros serão Christopher Lee, que regressa à Ovarense depois de uma passagem pelo Irún Navarra (LEB Ouro) e James Crowder, que chega da Irlanda. De Penafiel chega ainda Mário Gonçalves, um jogador com uma estampa física impressionante e que será uma boa ajuda a sair do banco.  Por Ovar continuam alguns jogadores muito experientes, como é o caso de Nuno Manarte, André Pinto, Fernando Neves e Nuno Cortez (ainda a recuperar de lesão).  Alguns jovens, como José Barbosa, Pedro Costa ou Cristóvão Cordeiro, completam um plantel que poderá devolver a Ovarense ao 3º lugar da LPB.

Mário Leite é o treinador desta equipa. Já faz parte da história da equipa, seja como jogador, assistente ou treinador principal. Poder contar com um plantel de qualidade, é um prémio que a Direcção do clube lhe oferece. Uma responsabilidade que ele saberá como manejar. 

Guia LPB 2012: Casino Ginásio


Uma das grandes vítimas da crise financeira que afecta o basquetebol português, o Casino Ginásio prepara-se para enfrentar o início da LPB sem qualquer norte-americano no seu plantel. Uma profunda revolução no seu plantel leva ainda a que o único jogador com minutos relevantes na última época e que continua a vestir a camisola do Ginásio é Pedro Silva, um poste experiente, mas que não fará a diferença.

Um dos mais beneficiados com esta mudança será Pedro Rocha. Até aqui uma opção pouco utilizada, Rocha terá muito mais tempo e oportunidades de lançamento, podendo vir a revelar-se como um jogador importante na manobra da equipa de Sérgio Salvador. Entre os reforços, o nigeriano George Ehiagwina será aquele que poderá ter mais impacto. O jovem representava o Póvoa, na Proliga, onde se revelou um fantástico ressaltador. Terá dificuldades para se impor, dado ser pouco pesado, frente às principais equipas da LPB, mas poderá aproveitar para crescer esta temporada.

O Casino Ginásio acabará por sentir muitas dificuldades para se manter na LPB esta temporada. O sexto lugar do ano passado deveu-se muito a um grande início da temporada, mas nada no plantel deste ano promete algo parecido. Só Sérgio Salvador e o seu conhecimento desta Liga, poderão ajudar a salvar a equipa.

Guia LPB 2012: Vitória de Guimarães

Poucos mas bons. Este terá sido o princípio dos dirigentes de Guimarães na escolha dos seus reforços. Para começar, Julian Blanks. O base deixara o Vitória devido a lesão e regressa agora, dois anos depois, pronto para pegar na equipa. De Ovar chega John Waller. Com muita experiência na Liga Portuguesa, Waller é um marcador seguro, podendo adicionar números altos em cada jogo. Finalmente, Maris Gulbis. Na sua primeira experiência fora do Báltico, o possante jogador terá que provar que as boas exibições conseguidas na Eurochallenge terão reflexo nesta sua passagem pela LPB. Será essa a expectativa dos fãs vitorianos.

No capítulo das renovações, o Vitória manteve a aposta em Paulo Cunha, Cláudio Fonseca (que esteve no Eurobasket), Paulo Diamantino e André Bessa. Conjuntamente com os jogadores da casa, pode esperar-se uma boa competição da parte do Vitória de Guimarães, isto que conjunta muita experiência com a qualidade de jogadores em crescendo no panorama português.

Fernando Sá, o treinador, é também uma figura incontornável deste projecto. Um treinador muito emotivo, mas profundamente conhecedor das equipas e dos pavilhões adversários. Em muitos jogos, será também dele o contributo decisivo para vencer os jogos.

Guia LPB 2012: Académica de Coimbra


Depois de uma época brilhante, no último ano, conseguindo, durante a fase regular, equiparar-se às duas equipas da frente, a Académica perdeu o seu treinador, os três norte-americanos que estavam no seu cinco inicial e ainda o seu sexto jogador. Trata-se de começar do zero para a equipa de Coimbra.

A equipa dos Estudantes começou por procurar soluções no mercado nacional. Marco Gonçalves, poste que esteve no Eurobasket e Richard Oruche, um excelente base que esteve fora de competição a maior parte da época passada, chegam do Casino Ginásio. Miguel Barroca, duas vezes campeão no Benfica, chega também para completar os bases da equipa.

Ao estrangeiro, a Académica foi buscar Arnette Hallmann, que depois de uma passagem pelo Leche Río Breógan regressa a Portugal, Dillion Sneed (que jogava no Japão) e Willie Gallick (vindo da Liga Sueca). Os três jogadores terão que adaptar-se rapidamente à realidade portuguesa, pois serão imprescindíveis para o plantel dos Estudantes.

A época não se afigura fácil e repetir os feitos do ano passado é quase impossível. Veremos como se comportará a equipa assim que começar a Liga. 

Guia LPB 2012: SL Benfica


A equipa encarnada escolheu um histórico para treinador, Carlos Lisboa, o melhor jogador português de todos os tempos, e ofereceu-lhe fundos quase ilimitados para compor o seu plantel. Resultado: uma das melhores equipas dos últimos anos em Portugal. O que fará Lisboa com tanta qualidade? Para começar, conquistou o primeiro troféu da época, batendo o Porto na final. Mas a exigência, este ano, será para ganhar tudo. A pressão será assim bem alta para os lados da Luz.

Começo pelo princípio. Numa equipa que mantém Miguel Minhava (presente no Eurobasket), Ben Reed (um dos estrangeiro mais decisivos da LPB) e Diogo Carreira, adicionar a aquisição Ted Scott, vindo da Liga Polaca (que fantástico lançador) e Tomás Barroso, um dos mais prometedores bases do basquetebol português. Depois, manter a experiência de Sérgio Ramos, Heshimu Evans e Élvis Évora, mas ainda acrescentar Seth Doliboa, melhor jogador da LPB em 2009 e que actuava no Olin (Turquia), Fred Gentry, jogador essencial na vitória do CAB na última Taça de Portugal, Betinho Gomes, chegado de Breógan, e ainda António Monteiro, jovem que fez uma bela época em Penafiel por empréstimo do Benfica.

São demasiados argumentos para uma equipa que se dedicará, em exclusivo, às competições jogadas em Portugal (esta temporada, nem Eurochallenge, nem Supertaça Compal). Muita responsabilidade mas igual categoria para responder ao desafio. O Benfica é o grande favorito a conquistar a Liga Portuguesa.

Guia LPB 2012: FC Porto Ferpinta


Dos dois concorrentes ao título da Liga Portuguesa, o Porto Ferpinta parte com a vantagem de ser campeão, mas sob a desconfiança de ter um plantel mais frágil do que na temporada passada. A saída de Sean Ogirri e Julian Terrell foi compensada pela chegada de Reggie Jackson, um base que jogou as últimas épocas no Newcastle Eagles, e Anthony Hill, um poste rookie, graduado em Wisconsin – Milwaukee. Jackson entra directamente no cinco inicial dos Dragões, mas com Hill o caso muda de figura. Até agora, este jogador apenas foi utilizado em pequenos períodos, mostrando-se muito imaturo e incapaz de ocupar o posição de 5 que o Porto necessita. Cria-se assim um vazio na equipa que Moncho terá que saber compensar.

A mais valia do Porto assenta em jogadores que estiveram no Eurobasket. José Costa, Carlos Andrade, João Santos e  Miguel Miranda são peças fundamentais nesta equipa, todos eles capazes de jogar em múltiplas posições e de lançar dos vários pontos do campo. Mantenham estes jogadores um bom nível físico durante a temporada e o Porto estará sempre no topo. A questão é saber se, com todos eles bem acima dos 30 anos, não terão que pagar a factura de um verão em alta intensidade.

Bastante curiosidade saber o que poderão fazer alguns dos mais jovens da equipa, como Diogo Correia, João Soares e, sobretudo, Miguel Maria Cardoso. O mais jovem jogador do plantel é uma aposta de Moncho desde o ano passado e terá mais minutos para evoluir. Tem 18 anos, mas parece capaz de se afirmar como alguém bem mais experiente. Também destes jovens se esperará algum contributo para bater um adversário que se reforçou em quantidade e qualidade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A anatomia dos golos

Saber ver começa por saber olhar. Ter apenas uma dessas qualidades não chega. Muito menos quando jogas como defesa-central. No jogo da Liga dos Campeões entre o Bayern Munique e o Manchester City, a anatomia dos dois golos germânicos explica, a um nível básico, a diferença entre estes dois momentos.

Comecemos pelo primeiro golo.


Há uma imagem inicial, quando Franck Ribéry tem a bola controlada do lado esquerdo do seu ataque, ainda antes de ter cortado para dentro com uma mudança de velocidade, que denuncia o erro posterior dos defesas do Manchester City. Todos eles estão de olhos na bola, certamente conscientes da posição dos seus adversários directos, mas todos muito afastados desses adversários. Isso pode dar a entender que eles estariam à espera de uma penetração pelo meio, embora não fosse certo qual o jogador do Bayern que iria avançar.


A primeira má notícia para a defensiva do Manchester City. Todos penetraram. O primeiro ímpeto da defesa foi recuar para proteger a sua baliza, mas acabaram por dar espaço para o corte de Ribéry para dentro. O francês fica com todo o espaço frontal à sua disposição, podendo optar pelo remate ou pelo passe para um dos seus colegas que, neste segundo momento, já apostavam tudo no desposicionamento da defensiva adversária.


Quando a bola chega à área, o Bayern tinha conseguido uma situação de 3x3 na zona de golo. Impressionante é observar que todos os jogadores da equipa da casa estavam em melhor posição para chegar à bola do que os defesas do City. Joe Hart ainda faz uma defesa do outro mundo, mas Gómez não iria perdoar.



No segundo golo, o Bayern não precisou sequer de criar uma situação de equilíbrio entre os jogadores presentes na área adversária.


A opção de Heynckes foi das mais básicas, podendo ser observada em todos os campos de futebol onde existe um ponta-de-lança. Colocá-lo em posição de fora-de-jogo posicional no momento da marcação de um livre. Seis defesas do Manchester City não chegaram para parar este movimento.


Primeiro, porque há um princípio de pânico na equipa de Mancini que é difícil de entender. Os jogadores, como no primeiro golo, têm como primeira opção descer a linha ao máximo, para só num segundo momento pensar que poderiam explorar o posicionamento do jogador mais avançado do Bayern. Com isso, acabam por colocar em jogo, milimetricamente, Mário Gomez (sim, é discutível, mas aceitemos a possibilidade de acerto do árbitro assistente).


Resultado, uma vez mais, três jogadores do Bayern na zona de golo, todos à frente dos cinco defesas do City designados para os defender.

Saber ver começa por saber olhar. Tanto dentro das quatro linhas como no momento de observar um adversário. Mancini sabia como o Bayern se movimentava, mas não soube preparar os seus atletas para essas movimentações. A anatomia dos golos, essa, não mente.