sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Guia Proliga 2012: Guifões

A equipa do Guifões conseguiu a merecida manutenção e, neste segundo ano na Proliga, tentará chegar aos play-offs. Os bons resultados conseguidos no Troféu António Pratas deixam adivinhar essa possibilidade. A saída de relevo em relação ao ano passado foi João David (para o Illiabum), que se espera possa ser compensada com as chegadas de André Moreira e José Almeida. Miguel Faria voltará a ter um papel importante na forma de jogar deste conjunto e da sua inspiração poderão sair algumas vitórias importantes. No jogo interior, Odair Conceição vai ter que conseguir contribuir com mais alguns pontos, para que a equipa se mostre competitiva numa liga que se prevê mais exigente.

Plantel

Bases: Daniel Correia (1,74m/27 anos) Pedro Silva (1,78m/ 27 anos), Vítor Félix (1,90m/ 20 anos)

Bases-Extremos: Carlos Von Hafe (1,85m/ 19 anos), Miguel Faria (1,87m/ 31 anos),  Ricardo Faria ()

Extremos: André Moreira (1,91m/ 29 anos), João Gaspar (1,96m/ 22 anos), Pedro Meira (),  Ricardo Alpuim (1,89m/ 23 anos)

Extremos-Postes: André Libânio (1,94m/ 25 anos), Fernado Ramos (),  José Almeida (1,99m/ 25 anos)

Postes: Pedro Morais (),  Odair Conceição (1,97m/ 27 anos)

Treinador: Rui Gomes

Guia Proliga 2012: Eléctrico

Uma das equipas difíceis de enfrentar, o conjunto de Ponte de Sôr perdeu Denis Neves, Edson Ferreira e Jorge Afonso mas conseguiu recuperar Tiago Pinto e juntar o experiente Mário Jorge ao seu plantel, sendo que poucas diferenças se deverão notar entre o valor conjunto da equipa em relação ao ano passado. Tiago Pinto, depois de um ano em Coimbra, deverá regressar ainda com um ritmo maior e contará com a experiência adquirida numa liga superior. Aylton Medeiros também poderá ser uma figura muito importante num conjunto onde falta peso e altura para enfrentar as equipas de topo. Ainda assim, o Eléctrico poderá conseguir um lugar no play-off e dificultar a vida a quem lhe aparecer pela frente.
Plantel
Base: Tiago Pinto (1,83m/ 23 anos), Filipe Delgado (1,81m/ 20 anos), Tiago Brito (1,80m/ 26 anos), Francisco Pinto (1,85m/ 24 anos)
Extremo: Mário Jorge (1,90m/ 34 anos), João Lanzinha (1,88m/ 22 anos), Paulo Raminhos (1,88m/ 22 anos)
Extremo/ Poste: Pedro Afonso (1,98m/ 28 anos), Aylton Medeiros (1,94m/ 23 anos)

Treinador: Andry Melnychuk

Guia Proliga 2012: CD Póvoa / Vierominho

Uma época de renovação para o CD Póvoa, depois de ver sair o seu cinco inicial. Assim, para o treinador Pedro Dias, o desafio de começar do zero torna difícil uma previsão desta temporada. João Neto poderá assumir o papel de base da equipa, dependendo da forma com que Vladimir Teixeira se apresentar. Fábio Fernandes e, sobretudo, Kevin Jolley, terão que carregar com a equipa às costas, já que de todos os jogadores que se mantêm no plantel, todos eles terão a exigência de jogar muito mais do que o faziam anteriormente. A passagem pelo Troféu António Pratas não foi famosa, mas com Jolley a ter tempo para se ambientar à nova equipa, poderá começar a apresentar melhores resultados. Ainda assim, o Póvoa terá que se esforçar muito para entrar no play-off.


Plantel

Base: João Neto (1,80m/ 23 anos), Rafael Martins (1,75m/ 19 anos), David Sá (1,85m/ 19 anos), Vladimir Teixeira (1,82m/ 26 anos), Rui Costa (1,80m/ 24 anos), Sérgio Esteves (1,80m/ 19 anos), Edgar Gonçalves (1,78m/ 17 anos)

Extremo: Fábio Fernandes (2,00m/ 25 anos), Cristiano Silva (1,90m/ 22 anos), Luís Xavier (1,85m/ 18 anos), José Costa (1,90m/ 21 anos),  André Mourato (1,85m/ 16 anos)

Extremo/ Poste: João Pinto (1,90m/ 18 anos), Luís Pires (1,93m/ 23 anos), António Gomes (1,90m/ 32 anos), Ricardo Moreira (1,93m/ 21 anos), Kevin Jolley (1,97m/ 29 anos)

Treinador: Pedro Dias

Guia Proliga 2012: Aliança Sangalhos

O Sangalhos repete a fórmula que lhe valeu um campeonato sossegado na época passada e uma entrada em 5º lugar no play-off. Se, no papel, é difícil encontrar argumentos para sentir que o Sangalhos poderá estar na primeira metade da Proliga, na prática, Francisco Gradeço tira tudo dos seus jogadores que, sem se evidenciarem individualmente, são uma equipa muito complicada de bater, sobretudo no seu terreno. Emanuel Silva e Nuno Bizarro continuarão a ser os dois jogadores mais perigosos da equipa da Bairrada e sairão das suas mãos uma boa parte dos pontos da equipa. Com muita agressividade defensiva, o Sangalhos será, com certeza, uma das presenças no play-off da competição.

Plantel

Base: Ricardo Marques (1,73m/ 17 anos), Jorge Seabra (1,72m/ 30 anos), André Marques (1,86m/ 22 anos), André Duarte (1,75/ 30 anos), João Carmo (1,86m/ 26 anos),


Extremo: Emanuel Silva (1,90m/ 31 anos), Januário Ferreira (1,80m/ 31 anos),

Extremo/ Poste: Nuno Bizarro (1,93m/ 31 anos), Rafael Nogueira (1,86m/ 22 anos), Jorge Anjos (1,85m/ 30 anos), Luís Fonte (1,95m/ 31 anos), Jorge Silvério (1,86m/ 21 anos)

Treinador: Francisco Gradeço

Guia Proliga 2012: Física de Torres Vedras

No ano passado, a Física ficou-se pelas meias-finais com uma equipa muito experiente e, este ano, não será muito diferente. Nuno Monteiro chega para dar algum conforto a um jogo exterior que sofreu com os altos e baixos de Salvador e Rodrigues, esperando-se que Josimar Cardoso possa estar acima do nível de Jason Underwood, um grande flop na equipa da Física do ano passado. O capitão Carlos Dias voltará a ter um papel muito importante nos momentos decisivos de uma equipa que terá também alguns jovens a ganhar minutos, como será o caso de Alexandre Catarino (neste momento, lesionado) e de Henrique Medina (uma das atracções para esta temporada será ver que números conseguirá na Proliga).

Plantel:

Base: Alexandre Catarino (1,79m/ 20 anos), Miguel Salvador (1,88m/ 29 anos), Ricardo Rodrigues (1,88m/ 29 anos), Nuno Monteiro (1,82m/ 25 anos), Ricardo Ferreira (1,80m/ 19 anos), David Benrós (1,81m/ 18 anos), Gonçalo Tavares (1,81m/ 17 anos)
               
Extremo: Braima Freire (1,82m/ 29 anos), Carlos Dias (2,00m/ 32 anos), Vadim Harbuz (1,93m/ 19 anos)
               
Extremo/Poste: Romero Júnior (2,00m/ 37 anos), Hernâni Medina (2,01m/18 anos), Marcelo Pires (1,93m/ 19 anos), Edson Rosário (1,93m/ 29 anos), Josimar Cardoso (2,02m/ 24 anos)

Treinador: Ivan Kostourkov

Guia Proliga 2012: Angrabasket / Vaquinha

A equipa açoriana apresenta-se para mais uma época na Proliga, mantendo alguns jogadores importantes na caminhada da época passada, como João Pereira e Terrence Mack, e trazendo um novo norte-americano para substituir Kevin Jolley. Drew Gibson é um jogador com experiência europeia e poderá trazer qualidade ao conjunto da Ilha Terceira. Ainda assim, parece complicado que a equipa do Angra consiga disputar os lugares de subida. Para isso, muita capacidade de superação seria necessária. Se conseguir manter um bom ritmo durante a primeira fase, a equipa garantirá um lugar no play-off. Parece, realmente, ser esse o máximo a que poderá aspirar. Mas, como se sabe, a época é longa e as surpresas aparecem.

Plantel

Base: Drew Gibson (1,88m/ 26 anos), Pedro Loth(1.84m/ 32 anos), Hugo Pola (1.80/ 20 anos), João Pereira (1.86, 28 anos)

Extremo: Miltom Moreira (1.79/ 22 anos),  Rui Almeida (1,95m/ 23 anos)

Extremo-Poste: Terrence Mack ( 1.97m/ 27 anos), Flávio Gomes (1.94m/ 22 anos)

 E ainda: Guilherme Ornelas, Rodrigo Laranjo, Hugo Medeiros,Marcelo Cardoso, Diogo Duarte, João Pedro Ávila.

Treinador: João Ávila

Guia Proliga 2012: Galitos / Tley

A equipa do Barreiro teve uma grande desilusão nos play-off do ano passado e este ano voltam à luta com um plantel forte e equilibrado e com tudo para atingir altos objectivos. Apesar da saída de António Pires, um dos jogadores mais decisivos do conjunto do Galitos, os inúmeros reforços fazem esperar o melhor. Entre os mais experientes, chegam Denis Neves e Tiago Magalhães, dois dos melhores ressaltadores da Proliga no ano passado. Depois, chega muita juventude, quase toda “made in Barreiro”, para completar a rotação. Eugénio Silva, Carlos Sicó, Filipe Pinheiro e André Clérigo serão jogadores importantes e espera-se que estejam à altura do desafio de estar na linha da frente. O Galitos tem equipa para estar logo a seguir aos dois conjuntos mais fortes, esperando surpreender no momento final. Ou seja, onde falharam o ano passado, esperam ter aprendido o suficiente para ganhar este ano.

Plantel

Base: Sérgio Marques (1,80m/ 23 anos), Eugénio Silva (1,90m/ 21 anos), Gonçalo Chucha (1,86m/ 24 anos), André Palma (1,83m/ 22 anos), Mauro Marques (1,84m/ 22 anos)

Extremo: Rui Quintino (1,96m/ 28 anos), Carlos Sicó (1,92m/ 20 anos), Filipe Pinheiro (1,90m/ 21 anos), António Carrilho (1,98m/ 28 anos), Fernando Lopes (1,86m/ 26 anos),

Extremo/Poste:  Denis Neves (1,97m/ 32 anos), Tiago Magalhães (1,92m/ 35 anos), André Clérigo (2,00m/ 21 anos), Hélio Pascoal (1,05m/ 22 anos), José Ferreira (1,98m/ 33 anos)

Treinador: Francisco Edgard

Guia Proliga 2012: Illiabum

O Illiabum desceu de divisão mas não desceu o grau de exigência no momento de constituir o plantel. A equipa de Ílhavo apresenta um cinco inicial ao nível da LPB e isso valer-lhe-á muitas vitórias durante a temporada. Apresentaram-se em força já no início do ano com a vitória no Troféu António Pratas e Alexandre Pires esperará que a equipa evolua para mostrar ainda mais atributos ao longo da temporada. Curiosidade para ver como regressa João Figueiredo ao activo, perceber o impacto que Daniel Félix poderá ter na Proliga e também o nível de pontos e ressaltos com  que a dupla de norte-americanos contribuirá. Será de esperar ver o Illiabum num dos lugares de promoção à LPB.

Plantel

Base: Tiago Teiga (1,82), António Gonçalves (1,81/ ), Daniel Félix (1,84/ 29 anos),  Bernardo Pires (1,83), Pedro Morgado (1,82/ 25 anos),  João Figueiredo (1,84/ 32 anos), Ruben Cotton (1,74)

Extremo: Pedro Azevedo (1,94/ 30 anos),  João David (1,95/ )

Extremo/ Poste: Dain Swetalla (2,07/ 25 anos), Kadiri Richard (2,02/ 31 anos), Moacir Mota (1,98/ 29 anos), João Carvalho (1,95/ 26 anos)

Treinador: Alexandre Pires

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Euroliga: os grupos

Começa esta semana a competição maior do basquetebol europeu e todas as emoções da Euroleague poderão ser vividas na Dhoze. Divididos em quatro grupos estão os melhores conjuntos e os melhores jogadores do continente (aos quais juntamos, para já, alguns dos melhores do mundo).

No Grupo A, grande motivo de interesse será o dérbi entre o Bizkaya Bilbao e o Caja Laboral. Ambas as equipas apresentam fortes argumentos na Liga ACB, já que enquanto os de Bilbao se reforçaram com Roger Grimau e D’or Fischer, muita experiência, a equipa de Vitória tem na dupla Prigioni & Seraphin boas razões para acreditar num regresso à ribalta. No entanto, neste grupo, estão dois dos colossos europeus. O Olimpiakos poderá sentir, de alguma forma, a crise, mas apresenta como principal atrativo Matt Howard, chegado de um fantástica carreira universitária em Butler. Já o Fenerbahce contratou Bogdan Bogdanovic e terá Thabo Sefalosha enquanto o lockout durar. Estas quatro equipas parecem garantir os lugares que dão direito ao apuramento, mas nunca será bom desprezar uma equipa como o Bennet Cantú, uma equipa experiente e muito bem construída.

O Grupo B começou ontem com uma vitória do CSKA Moscovo na Lituânia, frente ao Zalgiris, com os russos a anunciarem que nada será como na época passada. Juntar Teodosic, Sammy Mejía, Nenad Krstic e Kirilenko dá à equipa moscovita argumentos inigualáveis. Quem vai tentar disputar-lhes o primeiro lugar é o Panathinaikos. Os atuais campeões apresentam uma equipa ligeiramente modificada, onde Diamantidis continuará a ter a grande influência da época passada, agora apoiado pelos irmãos Calathes, com Pat a juntar-se a Nick na equipa da capital grega. O Unicaja Málaga apostará numa primeira fase calma, mas será necessário ter em conta os campeões lituanos, para além do Brose Baskets da Alemanha, equipa que na época passada mostrou qualidades para ambicionar um lugar numa fase mais adiantada.

O Grupo C será, com certeza, o grupo de todas as incertezas. Simplesmente, é impossível decidir que é o mais favorito e quem são as equipas que poderão apurar-se. O Real Madrid parece estar no caminho de formar uma equipa forte. Com um conjunto com muita juventude, a presença de Rudy Fernandez traz experiência e capacidade de decisão ao cinco treinado por Pablo Laso. O Maccabi vem de uma grande época e, apesar dos sobressaltos da pré-temporada, ter Jordan Farmar e Schortsanitis poderá valer-lhes uma boa caminhada na Euroliga deste ano. Mas neste grupo encontramos ainda o Partizan Belgrado, com Nikola Pekovic,  o Anadolu Efes, com Sasha Vujacic e Ersan Ilyasova, o EA7 Milão, treinado por Scariolo e com Danilo Galinari, Ioannis Bouroussis e Omar Cook, para além do Belgacom Spirou, uma das boas surpresas da Euroliga transata. Quem tiver alguma certeza sobre o desfecho deste grupo, por favor, ponha o braço no ar.

Finalmente o Grupo D, onde o Barcelona entra com sede de vingança, depois de ter ficado de fora da Final Four realizada na sua cidade. A equipa de Juan Carlos Navarro parece ainda mais forte do que o ano passado  e uma vitória europeia é agora  a exigência principal feita a este grupo. O Montepaschi Siena, que volta a ter Bo McCalleb em grande forma, acrescenta ao seu conjunto o australiano David Anderson, querendo, no mínimo, repetir o brilharete do ano passado. O Galatasaray poderá ter um papel importante neste grupo. Jaka Lakovic lidera a equipa turca e tem todas as condições para garantir o apuramento para a próxima fase, sobretudo num ano em que Unics Kazan (vencedor da Eurocup 2011) e Olimpia Ljubljana perderam as suas principais referências. A equipa que fecha o grupo, o Asseco Prokom, tentará ganhar algumas partidas, mas parece arredado de quaisquer objetivos nesta competição.

Jogue e viva a Euroliga na Dhoze, com jogos ao vivo em todas as jornadas.

domingo, 16 de outubro de 2011

A pecadora mão de Jesús


Era uma vez um rapaz, Jesús Cravero, a quem todos destinavam um grande futuro como futebolista. Jesús nasceu em Gerli, nos arredores de Buenos Aires, em 1966, filho de um negociante de sabão e velas, indústrias que por ali haviam instalado as suas fábricas. Jesús dividia o seu tempo entre a escola, à qual não podia faltar nunca, dado o seu pai ver na escola a garantia do futuro dos filhos, e as ruas onde jogava futebol com os seus amigos. Como nunca chumbara em nenhum ano, conseguiu ganhar autorização parental para ir treinar no Clube Atlético Lanús, uma das famosas escolas de talentos argentinos no jogo da bola no pé.
Jesús começou a sobressair logo nos primeiros treinos e isso garantiu a sua entrada na equipa. Apesar de um pouco franzino, Jesús tratava a bola como ninguém, executando fabulosos passes a qualquer distância, com a capacidade de fazer chegar a bola direitinha aos pés dos colegas. O entusiasmo crescia à volta deste pequeno talento e todos esperavam que o seu crescimento acompanhasse o regresso do Lanús à Primeira Divisão Argentina, depois de alguns anos pelas divisões secundárias. Jesús começou também a ser chamado às selecções juvenis, causando algum impacto nos torneios sul-americanos.
A carreira de Jesús iria, no entanto, ser bem mais difícil do que aquilo que ele poderia imaginar. Depois do seu último ano de júnior no Lanús, passou uma época inteira a treinar com a equipa de reservas, dado que o treinador dos seniores esperava que ele ganhasse mais massa muscular, antes de o lançar às feras. A sua carreira escolar, que já não era famosa com as constantes viagens, jogos e treinos, passava agora uma fase negra, dado o desânimo e o cansaço físico que tal programa causava em Jesús. A decisão do pai Cravero não se fez esperar: acabava-se a ideia do futebol profissional para ocupar o tempo a estudar para os exames de acesso à universidade.
Jesús aceitou a decisão do pai, ainda que inconformado com a ideia de não vir a ser profissional de futebol. E a verdade é que conseguiu fazer todos os exames e aceder à Universidade no início de 1986. Em casa, o ambiente era agora de reconciliação, tanto que, convidado pelo director da equipa local, o El Porvenir de Gerli, Jesús voltou aos campos para disputar o Torneio de Abertura de Reservas da Primeira B da Argentina. A equipa alvi-negra não tinha grande história, mas o seu estádio situava-se no mesmo bairro onde vivia a família Cravero, sendo que a proximidade de casa era uma das razões que fazia com que todos, inclusive o seu pai, acompanhassem com fervor as partidas de Jesús.
Mais uma vez Jesús entusiasmava os adeptos, ainda que disputasse um campeonato de nível inferior. Tentando sempre escapar às entradas maldosas dos adversários, Jesús não deixava de ser o craque da equipa, com os seus passes, as suas fintas, os seus remates de fora da área. O seu ar franzino enganou adversários por pouco tempo, pois logo se espalhou a palavra de que o rapazinho de Lanús andava agora por aqueles lados.  A época começou no início de Fevereiro e durante a primeira fase, o El Porvenir só perdeu um jogo. Dos 31 golos marcados pela equipa, dez foram da autoria de Jesús, que era assim o melhor marcador da equipa. Todos acreditavam, nesse momento, que o El Porvenir ia conseguir ganhar o título.
1986 foi um grande ano para o futebol argentino. No México, enquanto Jesús Cravero disputava o Torneio de Abertura, a Selecção Nacional mostrava-se ao mundo liderada por Diego Armando Maradona. A euforia saía à rua sempre que a Argentina disputava uma partida, sendo que todos assistiam, colados aos televisores, às façanhas protagonizadas pelo pequeno génio. Jesús Cravero imaginava-se assim, um dia, a voltar a vestir a camisola alvi-celeste num Mundial, a ser idolatrado por todos, capaz de percorrer relvados inteiros, levar a sua equipa às costas, quem sabe ser campeão e levantar a taça na tribuna de um estádio.
No dia 22 de Junho de 1986, Maradona protagonizou um dos lances mais polémicos da história do futebol. No início da segunda parte do jogo frente a Inglaterra, Maradona correu entre os defesas ingleses, a bola ressaltou para em direcção a Valdano, mas foi interceptada por um defesa que a pontapeou para o ar. Aí o tempo parou. Maradona e Peter Shilton saltaram juntos para alcançar o esférico e, no momento seguinte, era golo da Argentina. Jesús ficou siderado com aquele golpe de génio, que o próprio Maradona chamou de “mão de Deus”. Nesse dia, os festejos em Gerli foram mais comedidos porque uma outra importante data estava agora mais perto do que nunca.
 O Torneio de Abertura de Reservas da Primera B decidia-se numa final a duas mãos, entre os vencedores das respectivas séries. No dia 26 de Junho, o El Porvenir deslocou-se ao campo do Desportivo Italiano, para disputar a primeira mão. Com o resultado empatado a zero, cumpria-se o trigésimo minuto da partida quando, ressaltando a bola num defesa da equipa da casa, Jesús Cravero saltou com o guardião adversário e, ajeitando a bola com a ponta dos dedos, marcou o primeiro golo da sua equipa. Jesús correu pela linha de fundo gritando “é a mão de Jesús, é a mão de Jesús”, mas, nas suas costas, o bandeirinha dava sinal de anular o golo. “Chega-nos acreditar na mão de Deus” – disse-lhe o árbitro ao mostrar-lhe o cartão amarelo.
Durante o resto da partida, Jesús foi assobiado a cada vez que tocava na bola. Saiu de campo cabisbaixo, não querendo sequer festejar a vitória da sua equipa, que viria a conquistar o título. Jesús sabia já o que o esperava. Percebera que ao intervalo o seu pai tinha abandonado o estádio, incapaz de assistir à vergonha de ver o seu filho ser tratado como um criminoso. No fundo, ele apenas tentara homenagear o génio, mas tal audácia não lhe havia sido perdoada. O seu pai não lhe falou durante uma semana inteira. Durante essa semana, Jesús Cravero apresentou-se no treino da sua equipa apenas para avisar de que abandonaria o futebol para sempre. 

Torreense, 1 - Gil Vicente, 0 (resumo)



O Torreense (2ª B) eliminou o Gil Vicente (1ª Liga) em jogo a contar para a Taça de Portugal. O golo da equipa de Torres Vedras foi marcado por Ricardinho.