quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A festa da Guiné Equatorial

A seleção deste pequeno país entrou na Taça das Nações Africanas com o pé direito, surpreendendo quem nada esperava de um grupo constituído por jogadores sem qualquer experiência a este nível. Enfrentando hoje o Senegal, Javier Balboa e companheiros acreditam que tudo é possível.

Foi a primeira surpresa desta CAN. No jogo inaugural, a equipa da casa, pior classificada no ranking da FIFA entre os participantes e estreante numa competição a este nível, entrou sem medos, pegou na bola e atacou o último reduto dos líbios, que até partiam como favoritos. Pode-se até dizer que, chegados ao final da primeira jornada da competição, a Guiné Equatorial foi a equipa que jogou com menos receio do que lhe poderia acontecer. Afinal, têm tudo a ganhar e (quase) nada a perder.

Duas figuras estiveram em destaque nesse primeiro jogo. Javier Balboa, jogador do Beira-Mar e ex-jogador do Benfica e Real Madrid, ganhou um lugar na história por ter sido o marcador do primeiro golo do seu país em fases finais da CAN. Acrescentando o facto desse golo ter valido três pontos, aumentou também a esperança em conseguir levar a equipa até a uma fase mais avançada da competição, o que seria algo inimaginável há um mês atrás, quando a equipa não tinha sequer treinador.

A outra figura da equipa foi o guarda-redes Danilo. Nascido no Brasil, este jogador é internacional da Guiné Equatorial desde 2006, embora tenha estado afastado da seleção nos últimos dois anos, só regressando a convite do técnico Gilson Paulo. Danilo fechou todos os caminhos para a sua baliza e cotou-se como um dos melhores guarda-redes do torneio, após os primeiros jogos.

Mas Gilson Paulo sabe bem como é complicada a tarefa que tem em mãos. Logo a seguir ao golo de Balboa, aos 87 minutos, pode-se ver como o técnico lançou as mãos aos céus agradecendo a Deus este feito. O treinador está a experimentar um milagre. Depois da saída de Henri Michel, Gilson Paulo saiu pela primeira vez do Brasil, onde trabalha nos escalões de formação do Vasco da Gama, para se aventurar na África desconhecida. E o que se pode dizer é que, embalado pela criatividade de jogadores com Balboa e Randy, conseguiu inventar um futebol simples e atrativo, o que lhe poderá valer uns chorudos prémios, prometidos pelos governantes do país.

Em contraste com a alegria da equipa da casa, o Senegal enfrentou os seus fantasmas frente à Zâmbia e perdeu a primeira partida. Apesar de estar recheada de estrelas, como Demba Ba, Papiss Cissé, Mamadou Niang e muitos outros, os senegaleses voltaram a entrar mal numa CAN. Hoje, estão sob máxima pressão para vencer o jogo, pois caso não o consigam, o calendário do grupo é-lhe altamente desfavorável, deixando-os nas mãos do destino e dos seus adversários.

Para o outro jogo do dia, a Zâmbia parece total favorita. Enquanto os líbios estiveram vários degraus abaixo das expectativas, os zambianos comprovaram ter uma equipa sólida, fruto de uma geração muito talentosa, sob o comando do experiente Hervé Renard. A vitória, aliás, poderá mesmo fazer com que sejam a primeira equipa a apurar-se para os quartos de final da competição.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Proliga – Balanço da 1ª volta

Chegados a meio da competição, altura para fazer um balanço do que se vai passando na Proliga, onde o Algés vai liderando a tabela classificativa.
O Algés é, provavelmente, a melhor equipa a jogar na Proliga nos últimos anos e isso reflecte-se na classificação, onde ocupam o primeiro lugar com apenas uma derrota, na deslocação a Sangalhos. As forças da equipa dos arredores de Lisboa centram-se na experiência e rebeldia do seu jogo exterior, com João Manuel e António Pires, e na melhor dupla de jogo interior da competição, com Sérgio Correia e DeSean White.

O Illiabum pareceu ser capaz, durante a maior parte desta primeira volta, de seguir colado ao Algés, mas derrotas frente à Física e ao Maia, permitiram que o Algés se isolasse. Dain Swetalla e Pedro Azevedo são os dois grandes destaques de uma equipa que tem ainda em Kadiri Richard um excelente ressaltador. Mas a lesão de Daniel Félix tem vindo a retirar alguma profundidade a uma equipa que terá que estar no seu melhor momento de forma quando chegar o playoff.
A equipa do Galitos emergiu como terceira força desta competição sem grande surpresa. No entanto, parece faltar-lhe algo para se bater com as equipas mais fortes, já que somou derrotas com em todos os confrontos com os primeiros quatro classificados. Rui Quintino tem sido o jogador mais influente de uma equipa que vale pelo colectivo, que se conhece muito bem dado quase todos os jogadores terem em comum os anos de formação no vizinho Barreirense.
O primeiro quarto da tabela fecha com o Angrabasket. A equipa açoriana tem passado algo despercebida nesta competição, mas volta a afirmar-se como uma boa equipa da fase regular. Contando com um grupo de apenas 6 jogadores (o restante plantel quase não é utilizado e é normal ver o nome do treinador na ficha de jogo), Drew Gibson e Terrence Mack têm sido inexcedíveis na forma como contribuem para a equipa, num grupo onde João Pereira é um jogador a merecer outros voos.

Na luta pelo playoff

Física e Sangalhos terminam a primeira volta empatados no quinto lugar, embora a equipa de Torres Vedras leve vantagem no confronto directo. A Física tem sofrido bastantes problemas com lesões, sendo que nenhum dos jogadores esteve presente em todos os 11 jogos! Ricardo Rodrigues e Josimar Cardoso têm sido dos mais regulares, num conjunto que aposta também em muita juventude. Do lado do Sangalhos, os objectivos mantém-se os mesmos de há uns anos a esta parte, com uma equipa em tudo semelhante à do ano passado. A equipa de Francisco Gradeço tem em Emanuel Silva o seu jogador mais completo, contando também com Miguel Carmo com uma boa opção para o jogo exterior.

Outra equipa que também aposta na regularidade é o Eléctrico de Ponte de Sôr. O conjunto liderado por Andrei Melnytchuk recebeu Tiago Pinto de volta e o jovem base prova que, apesar de ainda ser pouco maduro para a LPB, é um jogador demasiado forte para a Proliga. Talvez mereça regressar rapidamente ao escalão máximo do nosso basquetebol.

A desilusão da prova tem sido a Oliveirense. Tendo começado em bom plano, seis derrotas nos últimos seis jogos é uma série demasiado negra para uma equipa que se esperava ver na luta pelos primeiros lugares. A lesão de João Abreu não explicará tudo, sendo que os jogadores mais jovens da equipa parecem ter sentido a pressão das exigências. Ainda assim, trata-se de uma equipa que vem da CNB1 e acaba por fazer um percurso de crescimento natural.

O mais certo será ver a equipa de Oliveira de Azeméis a lutar pelo oitavo lugar com o Maia Basket. A equipa maiata reforçou-se bem no início da época, mas foi a recente chegada de Paulo Diamantino e Pedro Tavares que trouxe o toque final a um grupo que vai dando sinais de se tornar muito competitivo. O treinador Rui Silva parece agora ter condições para sonhar um pouco mais alto e, quem sabe, conseguir uma surpreendente presença no playoff.


Evitar os últimos lugares

Outra das desilusões da época, até este momento, tem sido o Guifões. O primeiro grande contra às aspirações da equipa foi a lesão de Miguel Faria, o que terá deitado por terra uma boa parte do plano de jogo do treinador Rui Gomes. Ainda assim esperava-se que Odair Conceição e João Gaspar se apresentassem a melhor nível, aproveitando também a chegada de jogadores como José Almeida. Quem acabou por sobressair foi o base Pedro Silva, que se tem vindo a cotar como o jogador mais influente do plantel.
Para o Gaeirense, este está a ser um ano de aprendizagem. A equipa até começou com bons sinais, mas tem sido difícil manter o ritmo perante equipas muito melhor apetrechadas. Amadeu Cordeiro, um dos jogadores mais experientes, tem sido fundamental para a equipa do concelho de Óbidos, sendo que Hugo Aurélio e Rui Rochete vão complementando também com bons contributos. Mais díficil tem sido para os jogadores que estão pela primeira vez a jogar a este nível, um processo que só terá continuidade se a equipa conseguir voltar a um bom momento no início desta segunda volta.

Finalmente, o Póvoa. Já se esperava uma tarefa muito complicada para uma equipa que perdera quase todas as suas referências. Na segunda jornada conseguiu uma boa vitória frente à Física, e ainda se pensou que poderia crescer, mas só conseguiu voltar a repetir a alegria no jogo contra o Guifões. Kevin Jolley e André Silva têm marcado muitos pontos, mas isso, simplesmente, não chega para fazer uma equipa. Terá que conseguir superar-se para fugir ao último lugar.


Escrito para o PlanetaBasket.pt

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A oportunidade do Gana

A Taça das Nações Africanas foi berço de surpresas nas primeiras partidas e, esta noite, Marrocos e Tunísia entram em campo para disputar um clássico do futebol africano. Quem começará melhor?

No duelo do Norte de África, é muito difícil antecipar vencedores. Mais do que duas equipas, é uma longa tradição de disputa pelo cetro do futebol magrebino que entra hoje em campo.

Com algumas das históricas equipas fora da competição, esta é a grande oportunidade para o Gana voltar a saborear a vitória na Taça das Nações Africanas, algo que não consegue desde 1982. Para começar, há que bater o desconhecido Botsuana.

A equipa ganesa deverá ser uma das mais reconhecidas desta CAN. Não só grande parte dos seus jogadores evoluem nos principais campeonatos da Europa, como a sua presença nos dois últimos Mundiais tornou estes jogadores figuras do futebol mundial. Isaac Vorsah (suspenso neste primeiro jogo), Sulley Muntari, os irmãos Ayew e Asamoah Gyan, o fabuloso avançado que, infelizmente, deixou a Liga Inglesa para aceitar um contrato milionário do Al Ain dos Emirados Árabes Unidos.

O treinador é Goran Stevanovic, sérvio que, enquanto jogador, passou pela Liga Portuguesa, jogando no Farense, Vitória de Setúbal, Campomaiorense e União da Madeira, nos anos 90. Este é o maior desafio da sua carreira de técnico, passada maioritariamente como adjunto. Desde que substituiu Rajovac, sabe que só conquistando um título poderá superar o mito do seu compatriota, que ficou a um minuto (e uma mão do uruguaio Suárez) de levar, pela primeira vez, uma equipa africana às meias-finais de um Mundial.

O adversário de hoje é um perfeito desconhecido. A equipa do Botsuana faz a sua estreia numa fase final da Taça das Nações Africanas e, até há bem pouco atrás, era uma seleção considerada demasiado frágil. No entanto, com o crescente investimento de empresas no Campeonato local, a seleção das zebras tornou-se capaz de aproveitar o talento de muitos jovens jogadores.

Com uma equipa composta maioritariamente por jogadores de equipas locais, as principais estrelas do Botsuana jogam no campeonato da África do Sul. Aquele em quem se aposta como figura da equipa, Jerome Ramatlhakwane, está presentemente no Vasco da Gama, depois de uma passagem menos bem sucedida pelo Chipre. O avançado marcou cinco golos na fase qualificação, onde esta seleção acabou à frente da Tunísia.

No outro jogo do dia, o Mali tenta reabilitar-se. Sem Diarra nem Kanouté, as suas duas principais figuras dos últimos anos, Alain Giresse aposta em Seydou Keita e Garra Dembelé para serem as referências de uma seleção extremamente jovem. No entanto, terão que bater a Guiné-Conacri na luta por um lugar nos quartos-de-final, uma equipa que continua a ter em Pascal Feidouno um dos maiores craques africanos.

Dois jogos interessantes para acompanhar no dia de hoje da Taça das Nações Africanas, num grupo onde a qualificação poderá ser disputada até à jornada final.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Duelo do Norte de África

Nos últimos anos, os tunisinos têm sido mais fortes, marcando presença no Mundial de 2006 e vencendo a Taça das Nações Africanas em 2004, batendo na final os rivais marroquinos. O desaire na qualificação para o Mundial 2010, ainda assim, colocou a nu as dificuldades de uma transição de gerações e a Tunísia acabou por conquistar um lugar nesta competição qualificando-se em segundo lugar atrás do inexperiente Botsuana.

Isto aconteceu com uma mudança de treinador pelo meio. E é em Samir Trabelsi, antigo internacional tunisino com presenças na CAN e no Mundial de 98, que muitos vêm uma oportunidade de renascimento para a Tunísia. Com metade dos jogadores convocados a atuar no país natal, a força desta equipa reside na ofensiva, onde “Picasso” Darragi marca o ritmo de um conjunto que tem em Jemaa, do Auxerre, uma das suas principais referências no momento do golo.

Mas é na equipa de Marrocos que estarão centradas as atenções. Depois de uma travessia pelo deserto, sem qualquer qualificação para um Mundial desde 1998 e com a sua única vitória na CAN a datar do longínquo 1976, o conjuto orientado por Eric Gerets emerge agora como um dos favoritos.

Não é difícil perceber as razões. Numa equipa que tem referências como Benatia (Udinese) na defesa, Taarabt (QPR) e Kharja (Fiorentina) no meio campo e Chamack (Arsenal) na frente de ataque, parece faltar muito pouco para se evidenciar nesta competição. No entanto, medir-se frente a um vizinho na abertura da CAN poderá ser um teste demasiado exigente, para mais sabendo-se que tendo um dos organizadores no grupo, o Gabão, poderá haver apenas lugar para uma das equipas na próxima fase.

Um jogo que promete muita emoção e indecisão no marcador. É a magia da Taça das Nações Africanas.

Física v Sangalhos



Proliga 2011/12
Física v Sangalhos
Transmissão Física TV
Comentários Luís Cristóvão

sábado, 7 de janeiro de 2012

sábado, 10 de dezembro de 2011

Física v Illiabum



Proliga 2011/12
Fìsica v Illiabum
Transmissão: Física TV
Comentários: Luís Cristóvão

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Muitas maneiras de jogar feio






Existem muitas maneiras de jogar feio. Apenas, umas serão mais bonitas do que outras. Ontem, em Alvalade, o União de Leiria e Manuel Cajuda saíram de campo aplaudidos pela crítica que elogia os leirienses por jogarem bom futebol frente a um candidato ao título. Mas há que olhar para lá das evidências.


Perante um Sporting fragilizado por lesões e  numa situação de óbvia ansiedade (não nos esqueçamos que se trata de uma equipa muito jovem – ontem tinha dois juniores e dois seniores de primeiro ano nos dezoito convocado – a ver-se bem perto da liderança do campeonato com dez jogos jogados), Manuel Cajuda foi inteligente na forma de montar a sua equipa.

Basicamente, a estratégia passou por duplicar na zona intermediária o esquema mais recuado da equipa. Olhando para o onze, a uma linha de quatro defesas (Ivo Pinto, Hugo Alcântara, Diego Gaúcho e Maykon) que quase nunca saiu da posição, Cajuda juntou uma linha de cinco jogadores com obrigações também defensivas. Tiago Terroso, André Almeida e Marcos Paulo a povoar o centro do terreno, Patrick, um defesa-esquerdo, a marcar João Pereira e Jô, do lado contrário, basicamente a pressionar o jogador com posse de bola. Na realidade, o único jogador com pensamento ofensivo da equipa era Djaniny, que ia aproveitando as dificuldades do Sporting sair com bola para, no espaço entre linhas (faltava, evidentemente, um Rinaudo ao Sporting), criar perigo.

O que resultou desta táctica? O Sporting sentiu dificuldades crescentes para sair com bola, principalmente quando diminuía a intensidade de jogo (aconteceu a seguir aos dois golos). Schaars e Matías eram engolidos pelo meio-campo povoado do Leiria, João Pereira e Evaldo, muito pressionados, não conseguiam encontrar manobras de progressão e a dupla de centrais ia ficando sobre brasas (Carriço e Ilori são duas opções de recurso que, apesar das extremas dificuldades sentidas, saem com três pontos no bolso).

A pressão leiriense também se fez muito da agressividade dos seus jogadores perante um Sporting macio. Edson, Tiago Terroso e Jô foram os que mais se destacaram na forma de abordar as jogadas, sempre em cima do risco. No entanto, um critério bem largo de Manuel Mota (tão largo que deixou ainda João Pereira escapar-se com uma agressão a Patrick) foi permitindo algum ascendente da parte do Leiria. Ainda assim, esse ascendente não se materializou em mais do que um remate à baliza (um remate = um golo), já que no que toca às restantes oportunidades criadas pelo Leiria nenhuma delas permitiu defesa a Rui Patrício. Já o Sporting fez seis remates à baliza leiriense, muito espaçados entre si, como se percebe claramente pelos minutos dos golos (8’, 50’, 93’).

Em resumo, o que aparentemente pode ser considerado como um bom espectáculo, não passou, na realidade, de uma forma particular de utilizar um esquema defensivo subido. Tratou-se de uma boa leitura de Cajuda mas isso não transforma o União de Leiria numa equipa melhor. Aliás, tanto não o faz que este mesmo esquema, na maioria dos jogos do campeonato, pouco servirá aos leirienses, dado que a maioria dos adversários privilegia um jogo directo e saberão desenvencilhar-se de uma defesa que acaba por dar muito espaço no último reduto (dizer também aqui que a opção por Pereirinha, por Domingos, facilitou bastante a vida de Cajuda na primeira parte). Ou seja, jogando assim, o Leiria continuará a perder. Como perdeu, aliás, este fim-de-semana.

Existem, realmente, muitas maneiras de jogar feio em Portugal.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A honra da equipa


Quantos anos pode esperar uma equipa até encontrar a sua glória? Nos dias de hoje, ninguém arriscará dizer mais do que um ou dois anos. No entanto, a glória pode ser medida de várias formas. Para o Sutton United, mais de uma dezena de títulos foi conquistada na sua longuíssima história. No entanto, para alcançar a verdadeira glória, foram necessários noventa anos. Sim, noventa anos. Exactamente o tempo que separa a fundação deste clube dos arredores de Londres do jogo em que atingiram a fama nacional e internacional. Esse jogo, a contar para a FA Cup, a famosa Taça de Inglaterra, foi disputado em sua própria casa, contra o Coventry City. A partilhar a felicidade dos milhares de adeptos deste pequeno clube estava Andy Murray, o guarda-redes suplente da equipa.
Andy Murray, enquanto jogador de futebol, era um produto da casa. Começou muito jovem, aos dez anos, a jogar na equipa do Sutton United. O nome deste clube raramente sai das portas do seu bairro. Disputando os campeonatos amadores ingleses, sem maiores ambições que não seja o facto de poder, domingo após domingo, satisfazer a vontade dos seus jogadores em terem um equipamento digno (todo de amarelo, neste caso), disporem de um relvado com as medidas regulamentares e conseguirem fazer um mínimo de pontos para não descer para um campeonato ainda mais fraco. Andy Murray disputou muitos jogos com a camisola da sua equipa enquanto adolescente e, quando  chegou a sénior, cumpriu o seu sonho, assinar um contracto amador para jogar na equipa principal.
Em 87-88, o clube lutava para encontrar a estabilidade na Conference League, o mais alto nível dos clubes amadores em Inglaterra. Andy Murray passou grande parte dessa época a treinar e a aspirar chegar ao lote de convocados, o que acabou por acontecer uma dezena de vezes. Na época seguinte, 88-89, Andy foi promovido a segundo guarda-redes. Tinha agora vinte anos, trabalhava como ajudante no talho local, a sua vida era perfeita. No entanto, ninguém poderia imaginar que, com a possibilidade de disputar a Taça de Inglaterra, o Sutton pudesse atingir um patamar de destaque. O conjunto de jogadores era o mesmo de há umas épocas, dirigidos por  Barrie Williams, um treinador com ares de Lord Inglês que passava os jogos a fumar o seu cachimbo, com um ar praticamente imperturbável.
Na primeira eliminatória da Taça, o Sutton United foi a Daggenham vencer por 4-0. Na segunda, uma deslocação a Aylesbury valeu-lhes uma vitória por 1-0. Quis o sorteio que, na terceira eliminatória, recebessem o Coventry City, equipa da Primeira Divisão Inglesa que ganhara a Taça de Inglaterra apenas dois anos antes. Na tarde de 7 de Janeiro de 1989, o estádio estava cheio. Andy Murray lembra-se bem do nervosismo que reinou durante toda a semana, das presenças de jornalistas nos treinos, da exigência do treinador em inventar uma forma surpreendente de marcar cantos e livres perto da área. Andy também se lembra que foi essa insistência que lhes valeu o resultado. Os jogadores do Coventry entraram em campo mais do que convencidos da vitória, mas a fúria dos amarelos de Sutton, conjugada com a sua organização,  valeram a grande surpresa da eliminatória. Nunca mais, desde esse dia, uma equipa amadora venceu uma equipa da Primeira Divisão na FA Cup.
O sorteio da eliminatória seguinte determinou o encontro do Sutton United com uma outra equipa canarinha, o Norwich City, à época uma das mais fortes equipas inglesas. No entanto, na semana anterior ao jogo, o guarda-redes titular lesionou-se, fracturando três dedos da mão enquanto trabalhava numa obra. Andy Murray teria a sua estreia na equipa do Sutton United num palco de sonho, Carrow Road. O mesmo campo que ele só vira na televisão, cheio de estrelas com quem ele nunca sonharia jogar, seria o campo da sua estreia. Foi um dia histórico, sim. Para Andy, que se estreou. Para o Sutton United, que disputou uma impensável quarta eliminatória da Taça. E para o Norwich, que conseguiu uma das suas maiores goleadas na competição. 8-0. Oito, o número de golos que Andy sofreu naquele jogo. Mas ainda assim foi destacado como um dos melhores jogadores da sua equipa. A sua coragem evitara um descalabro ainda maior.
Noventa anos esperou o Sutton United pelo seu dia de glória, e apenas dois dias teve que esperar Andy Murray pelo seu. Foi esse o tempo que demorou a tocar o telefone do talho onde trabalhava, sendo que do outro lado estava Ian Branfoot, treinador do Reading FC, equipa profissional da Terceira Divisão. O convite era para que Andy assinasse contrato de dois anos, e que se juntasse de imediato aos azuis e brancos, que estavam com um problema de lesões entre os seus guarda-redes. Andy Murray não pensou duas vezes. Aceitou. Largou o talho, a glória efémera do Sutton United, o seu bairro. Foi atrás de um sonho que alimentara durante muito tempo, sendo que, durante todo esse tempo o considerara impossível de alcançar.
Andy Murray jogou durante seis anos no Reading. Depois seguiu para Southampton, onde disputou alguns jogos da Primeira Divisão, durante três épocas. Depois, esteve duas épocas num depauperado Portsmouth, na Segunda Divisão, acabando por regressar ao Sutton onde ainda hoje joga, com 41 anos, sendo dono do talho local e treinador dos guarda-redes mais jovens da formação do seu bairro. Andy Murray é uma das figuras do clube, um dos rapazes mais respeitados da localidade. Dizem que, tendo sido um eterno suplente em quase todos os clubes por onde passou, ganhou um carisma que poucos guarda-redes conseguem manter durante toda a sua carreira. Em plena adversidade, Andy sobressai, salvando, senão o resultado, pelo menos a honra da sua equipa. E isso, meus amigos, tem um valor incalculável.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Guia Proliga 2011-12



Aí está a Proliga!

Mais um ano onde 12 equipas lutarão pela possibilidade de se juntarem ao topo do basquetebol nacional.

Esta temporada, atenção para duas equipas que estão muito fortes, o Algés e o Illiabum. Será deles o favoritismo na linha de partida, seguidos de conjuntos como o Galitos, a Física de Torres, a Oliveirense e o Angra Basket.  Na luta pelos restantes lugares do play-off, Sangalhos, Eléctrico, Maia Basket e Guifões parecem muito bem posicionados, enquanto Gaeirense e CD Póvoa lutarão para evitar, a todo o custo, a descida de divisão.

Poderá seguir o Guia completo por este link ou entrar procurar directamente a sua equipa:



Infelizmente nem todas as equipas responderam ao nosso apelo e assim alguns dados relativos a jogadores estão por completar. De qualquer maneira, não quisemos deixar de apresentar o Guia antes da competição iniciar.

Bom Basquetebol!

Guia Proliga 2012: Maia Basket

Um sobrevivente da Proliga, o Maia Basket surge com um dos plantéis mais prometedores da sua história nesta competição. Conseguindo manter a dupla que mais brilhou no ano passado, André Dara e João Diamantino, a equipa maiata vê chegar dois reforços de peso. Pedro Catarino chega com ritmo de campeão nacional e terá que mostrar em campo que merece estar num nível mais alto do nosso basquetebol. Alex Kravtsov traz qualidade e experiência, podendo contribuir quer no jogo exterior como interior. O Maia apresenta também um plantel mais extenso, querendo evitar os problemas sentidos no final da temporada passada. É candidato ao play-off.

Plantel

Base: Tiago Gavina (1,81m/ 20 anos),  Rui Marques (1,81m/ 21 anos), André Dara (1,78m/ 28 anos), José Gomes (1,88m/ 33 anos), Pedro Catarino (1,86m/ 20 anos)

Extremo: Joaquim Pires (1,89m/ 24 anos), Rui Sousa (1,91m/ 28 anos), Luís Ferreira (1,88m/ 32 anos), Joaquim Oliveira (1,84m/ 20 anos), Alex Kravtsov (1,93m/ 24 anos), Carlos Gonçalves (1,84m/ 20 anos),

Extremo/ Poste: Márcio Morais (2,03m/ 27 anos), João Diamantino (2,05m/ 25 anos), João Costa (1,97m/ 20 anos), Hugo Gomes (1,99m/ 22 anos)

Treinador: Rui Silva