Textos sobre desporto para quem pensa que a bola não entra na baliza ou no cesto por acaso.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Agora é mata-mata!
A Taça das Nações Africanas chega ao momento das decisões, com as oito melhores seleções da competição a disputarem os quartos de final. A única certeza é um grande equilíbrio nas quatro partidas que se disputarão este fim de semana.
Textos de antevisão para as partidas Zâmbia – Sudão, Costa do Marfim – Guiné Equatorial, Gabão – Mali e Gana – Tunísia.
A segunda fase da CAN começa com um jogo inesperado. Se a Zâmbia era uma favorita a criar surpresa no grupo A (mesmo que poucos se atrevessem a prever um Senegal tão alheado do jogo), o Sudão estava entre as equipas menos cotadas do torneio. No entanto, a equipa zambiana desde cedo começou a mostrar as suas qualidades, afirmando-se como uma equipa sólida na defesa e atrevida no ataque, capaz de resolver partidas e gerir vantagens sem tremideiras. Hervé Renard afirmou-se como um treinador de sucesso no futebol africano (depois da passagem de má memória por Angola) e conta com Mayuka, Katongo e Kalaba para garantir um lugar nas meias-finais da prova. Os desconhecidos sudaneses deixaram de fora duas equipas que prometiam uma boa presença, Angola e Burkina Faso, chegando a esta fase com a sensação de dever cumprido. Será muito importante que os zambianos levem a sua concentração em alta, pois os sudaneses já demonstraram ser uma equipa que aproveita qualquer falha para se colocar na frente. Ainda assim, total favoritismo para a Zâmbia.
O final da tarde de sábado será o momento de Costa do Marfim e Guiné Equatorial se defrontarem. Um duelo muito interessante, entre a equipa mais e a menos cotada desta competição. Os guineenses têm a vantagem de jogar em casa, embora atingir os quartos de final seja já algo de muito inesperado e surpreendente para uma equipa de quem nada se esperava e que, inclusive, só há cerca de um mês assinou contrato com o seu treinador. Mas, na verdade, quando se fala de uma seleção com jogadores do quarto nível do futebol espanhol, ignora-se que boa parte deles passou por equipas profissionais nos escalões de formação e beneficiaram de condições de treino que nem sempre se encontram em África. Logo, há que relativizar a comparação entre níveis de jogo de uns e outros. Os elefantes ainda não mostraram tudo aquilo que podem dar, e este jogo é o momento perfeito para arrancarem para uma presença na final. Drogba e companhia têm essa exigência sobre si e nada que não seja uma vitória lhes será perdoado, tanto que a Costa do Marfim é uma equipa que tem as suas maiores estrelas numa idade avançada.
Para domingo estão marcados dois jogos de difícil previsão quanto a vencedores. O outro país organizador, o Gabão, enfrenta o Mali e iremos assistir a uma partida onde o futebol inspirado e ofensivo dos gaboneses terá que ultrapassar o jogo de água fria dos malianos. A juventude de Pierre Aubameyang e a experiência de Daniel Cousin prometem criar muitas dificuldades a um adversário que também terá que lidar com um estádio cheio contra si. Por seu lado, Alain Giresse conta com Cédric Kanté para liderar a defesa do seu último reduto, tendo em Seydou Keita um dos capitães mais experientes da CAN. Ainda que as equipas mais organizadas defensivamente costumem chegar mais longe neste torneio, parece que o Gabão não estará disponível para deixar passar a oportunidade de atingir as meias-finais em sua casa.
A última equipa a chegar às meias-finais sairá do encontro entre duas das equipas mais sólidas da CAN. Gana e Tunísia têm ambas aspirações a vencer o torneio. A equipa ganesa tem uma ligeira superioridade, mas ainda não mostrou em campo o favoritismo que lhe tem vindo a ser atribuído. Todas as suas estrelas têm estado mais preocupadas em ajudar a equipa a chegar longe sem atribulações, daí que não se possa apontar particular destaque para nenhum dos jogadores. Goran Stevanovic sabe também que os tunisinos são das equipas mais complicadas de enfrentar em África, uma espécie de lado obscuro da força. Trabelsi montou o seu conjunto para, em primeiro lugar, não sofrer golos, ainda que oferecendo a bola ao seu adversário. A equipa sente-se confortável a defender em bloco baixo e isso dá-lhe até algum ascendente para, nas transições, recorrer a Khalifa e Dhadouadi, nas alas, para colocarem em alerta máximo o seu adversário. Espera-se um grande duelo tático entre conjuntos muito fortes, uma excelente oportunidade para que Asamoah Gyan reapareça como figura de proa da equipa ganesa, marcando para resolver a partida.
Di Matteo: “Villas Boas é um perfeccionista”
Roberto Di Matteo, adjunto de André Villas Boas no Chelsea, deu uma entrevista em exclusivo para o SAPO Desporto, onde o antigo internacional italiano fala da sua carreira e do atual momento da equipa onde trabalha com vários portugueses. O assunto do dia é, sem dúvida, o encontro entre Chelsea e Manchester United no próximo domingo.
Filho de emigrantes italianos radicados na Suíça, Roberto Di Matteo iniciou a sua carreira nesse país, mas sempre com o sonho de chegar à seleção italiana. O primeiro passo foi dado em 1993, quando deixou o Aarau para assinar pela Lazio. Três anos bastaram para passar para o Chelsea, onde foi uma figura de proa da era anterior à chegada de Abramovich.
Como treinador, começou no modesto MK Dons e conseguiu levar o West Bromwich Albion à Premier League. No entanto, esta temporada decidiu dar um novo rumo à sua carreira para assumir o desafio de se juntar à equipa técnica de André Villas Boas no Chelsea.
SAPO Desporto: Nasceu na Suíça e por lá jogou até aos 24 anos. Porque é que não optou por representar a seleção suíça?
Di Matteo: Sim, de facto tive a oportunidade de optar pela nacionalidade suíça, mas não quis fazê-lo apenas por razões futebolísticas, já que sempre me senti italiano. Logo, nunca me tornei elegível para representar a seleção suíça.
SD: Quando assinou pela Lazio, qual foi a sensação de se juntar a um grupo de jogadores de nomeada?
DM: Para mim foi como um sonho tornado realidade, não só por ter a oportunidade de finalmente jogar na Série A italiana, mas de o fazer ao lado de jogadores como Gascoine, Signori, Boksic e Casiraghi.
SD: Apesar de ser um dos plantéis mais fortes de sempre da Lazio, enquanto lá esteve, nunca ganharam nem campeonatos nem taças. Quais as razões desse insucesso?
DM: Foi o início de uma nova era no clube, com o presidente Cragnotti. Tínhamos um plantel muito talentoso, mas também havia que percorrer um caminho para estar ao nível dos grandes, como a Juventus, o AC Milan ou o Inter, que tinham já a experiência e o hábito adquirido de vencer os grandes troféus. Na verdade, o sucesso é algo que não se pode comprar. Há que construí-lo.
SD: Jogou com alguns dos melhores jogadores do mundo. Quem elegeria como o melhor?
DM: Teria que ser o Paolo Maldini. Foi um jogador completo. Tinha técnica, velocidade, força, conhecimento tático e a ambição de ter uma carreira de muito sucesso.
SD: Que equipa é melhor. O Chelsea dos anos 90, onde jogou, ou o deste ano, onde está na equipa técnica?
DM: Acho que são duas equipas muito diferentes. Acho que a equipa atual tem mais qualidade e profundidade também. Em comum têm o fato de ambas terem tido sucesso no seu tempo.
SD: Depois de ter tido uma experiência como treinador na Liga Inglesa, com a equipa do West Bromwich Albion, como está a viver a experiência de treinador adjunto?
DM: Tive a necessidade de me adaptar a um novo papel, mas posso dizer que foi bastante fácil, graças ao André Villas Boas e ao José Rocha. Para mim está a ser uma experiência muito valiosa, trabalhar no Chelsea com um treinador da Elite Europeia, como é o André.
SD: No que é que André Villas Boas é diferente de outros treinadores com quem trabalhou no passado?
DM: Está a ser uma agradável e fantástica experiência trabalhar com o André. Ele é um perfecionista. Preciso, reflexivo, ambicioso e muito trabalhador.
SD: E os jogadores portugueses, o que nos tem a dizer sobre eles?
DM: Quer o Hilário, o Paulo Ferreira, o Bosingwa ou o Raul Meireles são todos grandes profissionais. Tenho uma excelente relação com qualquer deles.
SD: No próximo domingo, o Chelsea recebe o Manchester United. Será que esta é a oportunidade para a equipa dar a volta e ter uma segunda volta de sucesso?
DM: Vai ser um grande jogo! Na primeira volta, estivemos muitíssimo bem, mas acabamos por perder. Agora, no domingo, temos uma nova oportunidade para mostrar qualidade e, sobretudo, os progressos que conseguimos no passado recente. É fundamental ter um resultado positivo neste jogo, para que no final da época, possamos terminar com a melhor classificação possível.
Filho de emigrantes italianos radicados na Suíça, Roberto Di Matteo iniciou a sua carreira nesse país, mas sempre com o sonho de chegar à seleção italiana. O primeiro passo foi dado em 1993, quando deixou o Aarau para assinar pela Lazio. Três anos bastaram para passar para o Chelsea, onde foi uma figura de proa da era anterior à chegada de Abramovich.
Como treinador, começou no modesto MK Dons e conseguiu levar o West Bromwich Albion à Premier League. No entanto, esta temporada decidiu dar um novo rumo à sua carreira para assumir o desafio de se juntar à equipa técnica de André Villas Boas no Chelsea.
SAPO Desporto: Nasceu na Suíça e por lá jogou até aos 24 anos. Porque é que não optou por representar a seleção suíça?
Di Matteo: Sim, de facto tive a oportunidade de optar pela nacionalidade suíça, mas não quis fazê-lo apenas por razões futebolísticas, já que sempre me senti italiano. Logo, nunca me tornei elegível para representar a seleção suíça.
SD: Quando assinou pela Lazio, qual foi a sensação de se juntar a um grupo de jogadores de nomeada?
DM: Para mim foi como um sonho tornado realidade, não só por ter a oportunidade de finalmente jogar na Série A italiana, mas de o fazer ao lado de jogadores como Gascoine, Signori, Boksic e Casiraghi.
SD: Apesar de ser um dos plantéis mais fortes de sempre da Lazio, enquanto lá esteve, nunca ganharam nem campeonatos nem taças. Quais as razões desse insucesso?
DM: Foi o início de uma nova era no clube, com o presidente Cragnotti. Tínhamos um plantel muito talentoso, mas também havia que percorrer um caminho para estar ao nível dos grandes, como a Juventus, o AC Milan ou o Inter, que tinham já a experiência e o hábito adquirido de vencer os grandes troféus. Na verdade, o sucesso é algo que não se pode comprar. Há que construí-lo.
SD: Jogou com alguns dos melhores jogadores do mundo. Quem elegeria como o melhor?
DM: Teria que ser o Paolo Maldini. Foi um jogador completo. Tinha técnica, velocidade, força, conhecimento tático e a ambição de ter uma carreira de muito sucesso.
SD: Que equipa é melhor. O Chelsea dos anos 90, onde jogou, ou o deste ano, onde está na equipa técnica?
DM: Acho que são duas equipas muito diferentes. Acho que a equipa atual tem mais qualidade e profundidade também. Em comum têm o fato de ambas terem tido sucesso no seu tempo.
SD: Depois de ter tido uma experiência como treinador na Liga Inglesa, com a equipa do West Bromwich Albion, como está a viver a experiência de treinador adjunto?
DM: Tive a necessidade de me adaptar a um novo papel, mas posso dizer que foi bastante fácil, graças ao André Villas Boas e ao José Rocha. Para mim está a ser uma experiência muito valiosa, trabalhar no Chelsea com um treinador da Elite Europeia, como é o André.
SD: No que é que André Villas Boas é diferente de outros treinadores com quem trabalhou no passado?
DM: Está a ser uma agradável e fantástica experiência trabalhar com o André. Ele é um perfecionista. Preciso, reflexivo, ambicioso e muito trabalhador.
SD: E os jogadores portugueses, o que nos tem a dizer sobre eles?
DM: Quer o Hilário, o Paulo Ferreira, o Bosingwa ou o Raul Meireles são todos grandes profissionais. Tenho uma excelente relação com qualquer deles.
SD: No próximo domingo, o Chelsea recebe o Manchester United. Será que esta é a oportunidade para a equipa dar a volta e ter uma segunda volta de sucesso?
DM: Vai ser um grande jogo! Na primeira volta, estivemos muitíssimo bem, mas acabamos por perder. Agora, no domingo, temos uma nova oportunidade para mostrar qualidade e, sobretudo, os progressos que conseguimos no passado recente. É fundamental ter um resultado positivo neste jogo, para que no final da época, possamos terminar com a melhor classificação possível.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
CAN 2012: o grupo D foi assim
Gana e Mali seguem em frente num grupo onde ganhou quem foi mais eficiente. A Guiné Conacri poderá sair de competição com uma certa sensação de injustiça, mas a verdade é que não conseguiu superiorizar-se a nenhum dos seus adversários directos.
Isso foi claro logo na primeira jornada, quando um Mali mais maduro e mais seguro dos seus objetivos bateu a equipa guineense. O triunfo da equipa de Alain Giresse não teve grande espectacularidade, mas deu um sinal forte do que se passaria neste grupo.
Por seu lado, o Gana também nunca se esforçou mais que o necessário para assegurar a vitória no grupo. 1-0 no primeiro jogo frente ao Botsuana, 2-0 frente ao Mali e um empate a fechar a primeira fase que o fez cumprir os objectivos. A equipa ganesa tenta, mais uma vez, recorrer à racionalidade para evoluir numa competição deste nível. Mais uma vez, precisará também que a sorte esteja do seu lado para poder vencer. Mas o quadro até à final é bem complicado.
A equipa maliana até parece mais animada com as perspectivas de avançar na competição. Mesmo tendo que enfrentar o Gabão, que joga em casa, conseguiu evitar os gigantes da CAN, que estão todos no caminho do Gana. Isto dito, ser-se primeiro é, em todos os casos, melhor do que ficar em segundo.
A equipa da Guiné Conacri foi quem mais golos marcou nesta primeira fase da CAN. Mesmo assim acabou eliminada. Na verdade, a maioria dos golos foram conseguidos numa tarde de desacerto das Zebras, que sofreram a maior goleada do torneio, a jogar com 10 elementos. Michel Dussuyer comandou um grupo muito jovem e com claras capacidades para conseguir melhor. No entanto, ao perder frente ao Mali, acabou por ficar em grande desvantagem. Sai, ainda assim, da CAN, com um futuro promissor, a confirmar já na CAN 2013.
O Botsuana tocou o céu em 2011 e entrou em 2012 com uma descida aos infernos. Estreante a este nível, termina a CAN como a pior equipa, zero pontos e um goal average de 2-9. Depois de no ano passado ter sido a grande sensação do futebol africano, as Zebras sentiram falta de experiência para jogar num torneio destas dimensões. Muito provavelmente foram retirados preciosos ensinamentos para que na próxima edição (em 2013 vão ter a CAN à porta de casa, na África do Sul) possam, então, comprovar as boas promessas que deixaram na fase de qualificação.
A figura
Abdoulaye Diallo
Num grupo onde as equipas apuradas se valeram pela força do colectivo, um jovem jogador deixou uma forte impressão nos observadores. Diallo chegara a esta CAN como uma das promessas do futebol africano. Aos 21 anos, a jogar na segunda divisão francesa, no Bastia, Diallo não se encolheu numa competição maior e deu sinais de merecer subir na sua carreira. A Guiné Conacri até ficou pelo caminho, mas para Diallo, a CAN 2012 poderá ser o início de uma bela história.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
CAN 2012: o grupo C foi assim
O Gabão, a jogar em casa, e a Tunísia foram os justos apurados de um grupo onde Marrocos desiludiu uma vez mais. Mas comecemos pelas coisas positivas.
A equipa de Gernot Rohr é a mais convincente da primeira fase da CAN. Três vitórias, frente a adversários complicados como a Tunísia e Marrocos, um futebol atraente, ofensivo, empurrado pelo apoio popular de um país que parou (mesmo, o Presidente decretou feriado os dias de jogo da seleção) para assistir às suas partidas.
Para mais, um bom guarda-redes, Ovono, uma defesa forte e uma frente de ataque onde Aubameyang se destaca como uma das grandes certezas da competição são atributos suficientes para acreditar que poderemos ver esta equipa numa fase adiantada da CAN. Acrescente-se a muita juventude do onze utilizado pelo treinador para ver no Gabão uma força do futuro no futebol africano.
A Tunísia, por seu lado, não é uma equipa atraente ao olhar, mas a sua eficácia deve ser louvada. A qualificação foi garantida logo no primeiro dia, onde frente a um criativo Marrocos, os tunisinos souberam controlar o ritmo do jogo e impôr uma derrota aos seus rivais. Msakni, Khalifa e Dhadouadi têm-se destacado na transição ofensiva, demonstrando que Trabelsi também sabe dispor as suas peças para marcar golos.
Eric Gerets conduziu a desilusão do torneio. Com muita qualidade técnica mas pouco poder de fogo, Marrocos só se pode queixar de si próprio. Perdendo frente à Tunísia naquela que foi a sua melhor exibição, a passividade da equipa frente ao Gabão, ainda que podendo queixar-se da sorte por sofrer um golo ao cair do pano, condenou a seleção do norte de África a uma saída precoce da CAN. Fica, ainda assim, a promessa do treinador belga de voltar já no próximo ano. Isto se lhe permitirem tal crédito.
Finalmente, o Níger fez a sua estreia na CAN sem conseguir nenhum ponto. A equipa havia surpreendido ao qualificar-se e percebe-se porquê. Muita força física, mas pouca qualidade técnica e organização, vale à equipa nigerina uma força da natureza como Moussa Mazzou para fazer alguma mossa nos adversários. Terá que evoluir muito para conseguir ser figura numa competição continental. E voltar a ter a sorte dos adversários serem maus na matemática.
A figura
Pierre Aubameyang
Nascido em França, Aubameyang fez notícia ao ter sido contratado pelo AC Milan quando era ainda muito jovem. No entanto, nunca conseguiu mostrar em campo as razões da sua ida para Itália, tendo sido sucessivamente emprestado a equipas francesas sem também mostrar o tal potencial. No Saint-Etiénne desde há um ano atrás, Aubameyang começou a mostrar, finalmente, poder de fogo, o que tem vindo a ser largamente comprovado na CAN. Conhecido como o Neymar africano, o jovem gabonês é uma peça essencial do sucesso da sua equipa e poderá sair daqui com o seu valor restabelecido.
Indecisão no grupo D
No único grupo onde todas as decisões ficaram guardadas para a última jornada, o Gana parte como favorito, mas Guiné Conacri e Mali estão na luta pelo apuramento. Vai ser uma tarde de emoção na Taça das Nações Africanas.
A equipa ganesa é vista como uma das principais favoritas à vitória nesta CAN, mas até aqui parece longe de convencer quem segue a competição. Ainda assim, duas vitórias frente a Mali e Botsuana deixam a equipa orientada por Goran Stevanovic muito perto de assegurar um lugar entre as oito melhores equipas.
Pela frente terá a Guiné Conacri, equipa que perdeu o seu primeiro jogo mas demonstrou um forte poderio ofensivo frente às Zebras. Terá sido um sinal de crescimento da equipa guineense ou apenas resultado da fragilidade defensiva do Botsuana? Isso mesmo estará em teste no jogo frente ao Gana. Os crédito está todo no campo adversário, uma equipa muito mais madura e com o olhar focado num título que lhe tem fugido.
Para as contas do grupo muito contará o que se vai passar no jogo entre Mali e Botsuana. O conjunto orientado por Alan Giresse precisa de uma vitória expressiva para garantir a qualificação sem ter de estar com os ouvidos na outra partida. Mas esse poderá ser um problema. A equipa revelou-se perdulária nos primeiros jogos e não será de esperar que o Botsuana repita a péssima exibição que teve contra a Guiné.
Stanley Tsoshane, treinador das Zebras, quererá mesmo sair da CAN em grande, apagando a impressão deixada nessa partida. Apesar de uma frente de ataque onde se denota criatividade, o ritmo de jogo da seleção do Botsuana está uns furos abaixo dos seus opositores, sendo que o fato de estar num grupo muito forte também não ajudou a esta primeira experiência da equipa do sul do continente entre a elite do futebol africano.
São fortes as razões para acompanhar o que se passará nos dois jogos desta tarde.
A equipa ganesa é vista como uma das principais favoritas à vitória nesta CAN, mas até aqui parece longe de convencer quem segue a competição. Ainda assim, duas vitórias frente a Mali e Botsuana deixam a equipa orientada por Goran Stevanovic muito perto de assegurar um lugar entre as oito melhores equipas.
Pela frente terá a Guiné Conacri, equipa que perdeu o seu primeiro jogo mas demonstrou um forte poderio ofensivo frente às Zebras. Terá sido um sinal de crescimento da equipa guineense ou apenas resultado da fragilidade defensiva do Botsuana? Isso mesmo estará em teste no jogo frente ao Gana. Os crédito está todo no campo adversário, uma equipa muito mais madura e com o olhar focado num título que lhe tem fugido.
Para as contas do grupo muito contará o que se vai passar no jogo entre Mali e Botsuana. O conjunto orientado por Alan Giresse precisa de uma vitória expressiva para garantir a qualificação sem ter de estar com os ouvidos na outra partida. Mas esse poderá ser um problema. A equipa revelou-se perdulária nos primeiros jogos e não será de esperar que o Botsuana repita a péssima exibição que teve contra a Guiné.
Stanley Tsoshane, treinador das Zebras, quererá mesmo sair da CAN em grande, apagando a impressão deixada nessa partida. Apesar de uma frente de ataque onde se denota criatividade, o ritmo de jogo da seleção do Botsuana está uns furos abaixo dos seus opositores, sendo que o fato de estar num grupo muito forte também não ajudou a esta primeira experiência da equipa do sul do continente entre a elite do futebol africano.
São fortes as razões para acompanhar o que se passará nos dois jogos desta tarde.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
CAN 2012: o grupo B foi assim
Costa do Marfim e o surpreendente Sudão qualificaram-se para os quartos-de-final da CAN, deixando de fora duas equipas que chegaram a esta competição como outsiders. No final do grupo, Angola acaba por sofrer as consequências do excesso de confiança demonstrado depois da vitória sobre o Burkina Faso.
A primeira jornada parecia ser decisiva para a classificação final deste grupo. Enquanto os marfinenses bateram, timidamente, o Sudão por 1-0 (Drogba, quem mais?), Angola fez uma exibição madura e venceu o seu concorrente directo pelo segundo lugar do grupo. Mateus e Manucho marcaram dois golos de belo efeito e deixaram Paulo Duarte a fazer contas com a equipa burquinesa.
Os segundos jogos pareciam não trazer novidades. Pelo menos até aos 74 minutos do Angola-Sudão. Quando os Palancas Negras pareciam já gerir o seu apuramento, com Carlos Fernandes a atrasar uma reposição de bola que lhe permitia limpar os amarelos na última jornada, Mohamed Bashir marcou golo do empate e deu algumas esperanças aos sudaneses. Na outra partida, a Costa do Marfim cumpriu a sua obrigação e colocou o Burkina Faso fora da corrida.
Assim se chegou a uma última jornada onde, apesar das possibilidades matemáticas em contrário, Angola parecia chegar segura do seu apuramento. Erro crasso. Uma equipa com as fragilidades defensivas dos angolanos não poderia nunca deixar-se enredar na confiança do trabalho feito. Assim, dois erros infantis permitiram que uma segunda equipa da Costa do Marfim vencesse por 2-0, enquanto o Sudão ia demonstrando que Paulo Duarte e o Burkina Faso não foram feitos para fases finais da CAN (duas participações, cinco jogos, cinco derrotas).
No balanço final do grupo, pode bem dizer-se que ainda não se viu a Costa do Marfim em todo o seu poderio, o que não deixa de ser algo normal neste tipo de competições. O Sudão faz história, voltando a vencer um jogo na CAN 42 anos depois, com o bónus de isto lhe valer uma qualificação para a segunda fase. Angola parece não ter crescido nem aprendido com os erros e Lito Vidigal foi já “denunciado” como bode expiatório do falhanço colectivo dos Palancas. Paulo Duarte, esse, também parece de saída do Burkina, restando agora saber em que latitude africana continuará a sua carreira.
A figura
Mudathir El Tahir
O avançado do Al Hilal tornou-se na figura deste grupo ao marcar os dois golos da vitória sudanesa frente ao Burkina Faso. Pleno de oportunidade, El Tahir entra para a história do futebol sudanês aos 23 anos, oferecendo uma vitória que fugia há 42 anos e uma qualificação que ninguém previra. Estes são os ingredientes do que poderá transformar-se num bilhete para uma liga mais competitiva no futuro próximo.
De olho no primeiro lugar
Gabão e Tunísia enfrentam-se hoje para decidir quem fica em primeiro lugar do grupo C. Para o vencedor haverá o prémio de, ao que tudo indica, evitar a poderosa seleção do Gana nos quartos-de-final.
A equipa da casa tem sido uma das boas surpresas desta CAN, ao mostrar um futebol vistoso e ofensivo, tendo em Aubameyang um autêntico diabo à solta na frente da ataque. Já a equipa tunisina é o oposto total. O treinador, Trabelsi, criou um colete de forças para vencer Marrocos e, apesar das dificuldades sentidas frente a um Níger que obrigou a equipa a ter mais iniciativa, um golo salvador de Jemma permitiu assegurar o apuramento ao fim de duas jornadas.
Neste jogo decisivo, enquanto o Gabão procura confirmar a onda de entusiasmo que invadiu o país, a Tunísia tentará, uma vez mais, ser uma equipa cautelosa e racional, evitando sofrer golos para aproveitar o mínimo deslize adversário.
Entretanto, na outra partida do grupo, joga-se apenas pela honra. Enquanto o Níger tentará somar os seus primeiros pontos em fases finais da CAN, Eric Gerets terá que demonstrar que tem condições para continuar à frente da seleção marroquina. O treinador belga já disse que quer terminar aquilo que começou e, na verdade, esta geração marroquina parece destinada a atingir feitos que, até agora, lhe tem fugido entre os dedos. Uma vitória na tarde de hoje é essencial para ganhar tempo e confiança para o que poderá vir a ser feito no futuro próximo.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
CAN 2012: o Grupo A foi assim
Zâmbia e Guiné Equatorial seguem em frente no Grupo A. O principal favorito, Senegal, não só fica pelo caminho como é a grande desilusão da prova, ao perder todos os jogos.
A surpresa começou a desenhar-se logo no primeiro dia da competição, quando uma esforçada Guiné Equatorial venceu a Líbia com golo de Javier Balboa. A equipa da casa mostrou um futebol simples e realista, tendo em conta os jogadores à sua disposição: defesa dura, avançados móveis. Aparentemente, ficar na expectativa não era solução para os comandados de Gilson Paulo, um desconhecido treinador brasileiro que, como prémio de apuramento, ganhou já mais um ano de contrato à frente da equipa guineense.
Também na primeira jornada a Zâmbia bateu o Senegal por 2-1 e começou a desenhar o que seria a história do principal favorito deste grupo: uma desilusão sem igual, para um grupo onde brilhavam Demba Ba, Moussa Sow e Papiss Cissé.
No entanto, a segunda jornada deixou bem claro quem eram as equipas mais fortes. Depois de uma chuva torrencial, Líbia e Zâmbia não foram além do empate. Mas mesmo com o relvado em frágeis condições, a Guiné Equatorial conseguiu uma das vitórias que ficará na história deste país. Depois de ver o Senegal empatar nos minutos finais, Kily, com um fabuloso remate fora da área, colocou o pior classificado do Ranking Fifa a jogar nesta CAN nos quartos-de-final da competição.
A última jornada serviu para confirmar tendências. Enquanto a Guiné Equatorial, pela primeira vez, pareceu mais preocupada em contralar o jogo, a Zâmbia recorreu às suas credenciais e Chris Katongo marcou o golo da merecida vitória. No outro jogo, a Líbia honrava a sua revolução com uma vitória sobre um Senegal desfeito em pedaços.
Obviamente que a Guiné Equatorial será uma das bonitas histórias deste torneio. Mas é a Zâmbia quem entra na fase decisiva da prova com condições para conquistar alguma coisa na CAN. Senão o título, um lugar no pódio.
A figura
Javier Balboa
Instrumental no sucesso da Guiné Equatorial. Marcou o golo para a vitória no primeiro jogo, fez a assistência para a vitória no segundo. Depois de muito prometer ao serviço do Real Madrid, a sua carreira precisava de um momento especial. Chama-se CAN 2012. Balboa sairá desta competição como um dos nomes em destaque no futebol africano.
A primeira final para Angola
Angola defronta a Costa do Marfim naquele que será um encontro decisivo para o apuramento para os quartos-de-final da Taça das Nações Africanas. A equipa de Lito Vidigal precisa apenas de um ponto, mas jogará para ganhar e conquistar o primeiro lugar do grupo.
Depois de bater o Burkina Faso e de empatar com o Sudão, Angola precisa agora de um ponto (ou que o Sudão não vença o seu jogo) para confirmar a passagem aos quartos-de-final. A motivação é grande, para mais enfrentando a Costa de Marfim, uma das seleções com mais estrelas nesta competição.
Para o jogo de hoje, Lito Vidigal não poderá contar com Carlos Fernandes, que tem sido o guarda-redes titular da equipa. As notícias vão indicando que o escolhido para o substituir deverá ser Wilson, guarda-redes do 1º de Agosto. Quem está totalmente recuperado da lesão que o afastou do último jogo é Nando Rafael. O avançado fez a sua estreia oficial com a camisola dos Palancas Negras frente ao Sudão, depois de, no passado, ter representado a seleção alemã nos escalões mais jovens.
A equipa da Costa do Marfim chega a esta partida com a qualificação garantida, fruto de duas vitórias em outros tantos jogos. Ainda assim, será pouco provável que opte por descansar as suas principais estrelas, dado que a Zâmbia, equipa que venceu o grupo B, é um adversário a evitar na próxima fase da competição.
Em disputa estará ainda a tentativa de Angola vencer a equipa marfinense, pela primeira vez, em jogos oficiais. A única vitória dos Palancas aconteceu em 2007, num jogo amigável, mas das três vezes que as equipas disputaram jogos em competições africanas, a vitória sorriu sempre aos Elefantes. Em 1998, as duas equipas encontraram-se em jogo da CAN, disputada no Burkina Faso. A equipa da Costa do Marfim venceu por 5-2 e Lito Vidigal esteve em campo com a camisola dos angolanos. Quase 14 anos depois, a vontade é de fazer história, vingando essa pesada derrota que eliminou Angola.
Será pois um grande jogo, aquele que se disputará mais logo à tarde, em Malabo.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Angola quer dominar
Pela primeira vez no historial das suas presenças na Taça das Nações Africanas, Angola ganhou o seu jogo inaugural. Melhor ainda, ganhou-o com uma exibição personalizada e frente a um adversário complicado. Será que estamos perante a melhor equipa de sempre dos Palancas Negras?
Vários fatores contribuem para a boa imagem que Angola deixou na sua estreia na CAN 2012. O mais importante de todos será o facto da equipa entrar em competição sem pressão. Depois de participações onde se pedia o mundo a este grupo de jogadores, sobretudo a última, dado que se disputava em casa, os consequentes falhanços levaram a que 2012 fosse encarado mais com razão do que com coração. Nisso também ajuda o treinador Lito Vidigal.
O antigo internacional angolano faz parte da história do futebol africano. É o primeiro jogador internacional por um país africano a treinar uma equipa de uma liga de topo europeia. É também uma figura respeitada no seu país, conhecendo profundamente a realidade do futebol e do jogador angolano. Aliando essas qualidades ao seu excelente nível técnico, Lito é um treinador que faz a diferença.
Finalmente, olhando para o grupo de jogadores à disposição do treinador, percebe-se que esta será a equipa mais experiente da várias que Angola apresentou a nível internacional. Zuela é, hoje, um defesa com larga experiência no futebol europeu, sendo uma barreira implacável no último reduto dos Palancas. André Macanga refreou os seus ímpetos mais agressivos, sem perder eficácia no arrumar do meio-campo. Gilberto é um talento que ganhou muito na mudança para o Lierse. Finalmente, na frente de ataque, Flávio e Manucho têm a capacidade concretizadora que os criativos Mateus e Djalma precisam para formar uma grande equipa.
Hoje, perante o Sudão, Angola enfrenta um difícil teste às suas ambições. A equipa sudanesa, apenas com jogadores pertencentes a equipas locais, demonstrou uma boa organização defensiva e tentará, neste jogo, somar um ponto que mantenha abertas as portas da qualificação. Para os homens de Lito Vidigal, será necessário entrar com total concentração para mostrarem que são mesmo candidatos a uma boa campanha na CAN.
No outro jogo do dia, o Burkina Faso de Paulo Duarte tem a espinhosa missão de enfrentar a Costa do Marfim. Apesar do treinador português ter desvalorizado a qualidade do adversário, dando a entender que tem condições para o derrotar, a verdade é que o trio Traoré, Pitroipa e Dagano não mostrou tudo aquilo que se esperava deles no jogo frente a Angola. Assim, terá que ser frente Drogba e companhia que a equipa burquinesa poderá provar que merecia ser encarada como uma candidata a, pelo menos, ser a surpresa deste torneio. Se, uma vez mais, sair da CAN sem vitórias, acabará por ser uma das desilusões.
É hora de decisões na Taça das Nações Africanas.
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