quinta-feira, 29 de março de 2012

Goleadas na Champions Africana

Com a disputa, no passado fim de semana, da primeira mão da primeira eliminatória da Liga dos Campeões Africanos, dois resultados saltam à vista pelo volume de golos. Os angolanos do Recreativo do Libolo voltam a estar nas bocas do mundo. Depois de terem eliminado os Orlando Pirates, da África do Sul, receberam no seu terreno os vice-campeões da Nigéria, os Sunshine Shooting Stars, e com um fabuloso 4-1 parecem ter assegurado a continuidade na prova.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Toda a classe num só toque – Rivaldo em Angola

É altura de dizer, agora sim, Rivaldo está em Angola. O craque brasileiro aterrou em Luanda há já algum tempo, mas a sua magia revelou-se, por inteiro, este fim de semana, quando o Kabuscorp venceu o Rec. Caála por 3-1, graças a um hattrick do melhor jogador mundial de 1999. Depois de uma estreia onde a magia não passou das bancadas para o relvado, muitos duvidaram do sucesso da operação que levava, pela primeira vez, um jogador estrangeiro de classe mundial a aterrar no Girabola. A sua ausência na segunda jornada, devido a problemas físicos, chegou até a levantar a possibilidade do brasileiro dar por terminada a sua aventura africana quase antes de a começar. Mas o destino e a qualidade deste jogador queriam uma coisa diferente.

terça-feira, 13 de março de 2012

Conquistar um ponto é uma arte

Álvaro Magalhães já teve momentos de glória no Girabola, como quando conquistou o título, em 2010, à frente do Interclube. Mas esta temporada regressa ao campeonato angolano com uma missão bem mais espinhosa. Conseguir que o Nacional de Benguela assegure a manutenção. A equipa benguelense foi a última a garantir lugar no Girabola 2012, conquistando esse direito através da liguilha realizada em janeiro passado. Assim, tiveram pouco mais de um mês para preparar o campeonato, recorrendo para isso ao experiente treinador português.

Depois de ter perdido em casa na primeira jornada, o Nacional deslocou-se até Luanda para defrontar o Progresso, equipa que tinha sido a surpresa da jornada inicial, por ter vencido no campo do Kabuscorp. Reconhecendo as limitações do seu conjunto, Álvaro Magalhães montou uma fortaleza defensiva para segurar a frente de ataque do Progresso. Numa tarde de imenso calor, a perspetiva de contra-atacar foi-se cedo dissipando, até porque Pedro Henriques, o poderoso avançado do Nacional, não dava sinais de estar em forma suficiente para grandes correrias. Na linha lateral, Álvaro, com a garra que todos lhe reconhecem, suava e gritava para que a sua equipa conseguisse manter o posicionamento defensivo.

Para conquistar um ponto, o Nacional aliou o rigor defensivo a uma excelente exibição do guarda-redes Vêdê. O baixinho número 1 benguelense foi a última barreira para a obra de arte conseguida por Álvaro Magalhães. Faltam ainda, no entanto, 28 jogos para marcar e não sofrer golos. Uma epopeia que até o um guerreiro, como Álvaro, não verá como fácil de ultrapassar.

Vai começar o Moçambola

É já este fim de semana que começa o campeonato de futebol em Moçambique. A época já começou, com o Ferroviário a vencer a Supertaça e a Taça de Honra/Sojogo. A equipa moçambicana também conseguiu ultrapassar a pré-eliminatória da Taça CAF, da mesma forma que o Liga Muçulmana avançou para a próxima eliminatória da Liga dos Campeões Africanos. Razões para acreditar que, em Moçambique, haverá morada para o bom futebol em 2012.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Um Rasca nada rasca

Recreativo de Libolo bateu todas as antevisões da pré-eliminatória da Liga dos Campeões Africanos ao bater o Orlando Pirates, da África do Sul. Talvez o facto da equipa angolana ter ganho apenas um Girabola, não tendo também qualquer tradição nas Afrotaças, levasse os analistas (e as casas de apostas) a dar todo o favoritismo aos sul-africanos.

Terá ainda ajudado o fato da equipa de Joanesburgo ter vindo a acumular, no seu plantel, algumas estrelas, a mais brilhante das quais tem por nome Benni McCarthy. Mas quem pode sair desta eliminatória com honras de craque é Maieco António, mais conhecido por Rasca.

Aos 29 anos, o avançado angolano viveu sempre à sombra do seu irmão, Akwá, provavelmente o jogador mais importante do futebol angolano. Com uma passagem pálida por Portugal, quando era ainda muito jovem, Rasca voltou a Angola para ser campeão pelo ASA, tendo depois passado pelo Progresso, pelo Santos e pelo FC Cabinda, antes de se tornar na referência atacante do Libolo.

Na primeira mão, em Joanesburgo, Rasca marcou dois dos três golos dos libolenses. Na segunda mão, no Calulo, voltou a marcar o golo do Recreativo, lançando a equipa para a próxima eliminatória da Liga dos Campeões Africanos. Não se evidenciando pela sua compleição física, o sentido de oportunidade de Rasca deu início aquela que poderá ser uma das belas histórias do futebol africano em 2012.

Camarões em baixa

A surpresa na pré-eliminatória das Afrotaças envolveu duas equipas dos Camarões, com o Les Astres, na Liga dos Campeões, e o Union Douala, na Taça CAF, a ficarem pelo caminho. Enquanto o vice-campeão camaronês caiu aos pés do campeão da Rep. Centro-Africana, o Diplomates FC, o Union Douala foi eliminado pelo Kallon FC, da Serra Leoa, equipa que deve o nome e o apuramento a Mohammed Kallon, antigo jogador do Inter de Milão e do AS Mónaco, entre várias outras equipas europeias, que não só fundou o clube como marcou o primeiro dos dois golos da vitória conseguida na segunda mão da eliminatória.

sábado, 3 de março de 2012

Física v Guifões



Proliga 2011/12
Física v Guifões
Transmissão Física TV
Comentários: Luís Cristóvão

Futebol


Olhem bem para esta foto. E começo por fazer uma declaração de interesses, não sou do Benfica nem do Porto, não costumo ligar muito a arbitragens, não acho que um jogo de futebol precise de qualquer comentário ligado aos homens do apito: ojogo vale por si, pelo espectáculo, que ontem até foi de qualidade e teve uma disputa muito interessante entre dois esquemas tácticos em evolução para se chegar à vitória. Ganhou quem esteve melhor, tacticamente, e independentemente de foras-de-jogo ou faltas. Mas não é sobre isso que vos quero falar. Olhem bem para esta foto. A suposta linha de fora-de-jogo não está paralela nem à linha da área nem à do corte da relva. Ou seja, aquela linha não é real. Os jogadores estão, de facto, fora-de-jogo, mas aquela linha mente. E é sobre isso que quero que pensem. Esqueçam linhas inventadas e repetições. Ponham-se na pele de um tipo que tem de estar a ver a bola a sair dos pés de um jogador e a controlar a posição de outros onze ou doze numa área de cerca de 30x60 metros. Ponham-se na posição dele. Quantas vezes iam acertar no fora-de-jogo? Depois de pensarem bem nisso, lembrem-se que ontem viram mesmo um grande jogo. E, em Portugal, isso não acontece assim tantas vezes...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O dia em que a Zâmbia vingou o passado

Numa final a todos os títulos memorável, a Zâmbia conquistou a sua primeira Taça das Nações Africanas. Para a história, ficará a última grande penalidade, marcada por Sunzu, a fechar os 8-7 que bateram a Costa do Marfim. Para a memória do futebol, uma série de momentos únicos.

Rodeado de uma atmosfera emocional, este jogo já prometia muito antes de começar, fosse pela vontade da Costa do Marfim vencer um troféu com a sua melhor geração de sempre, fosse pelo percurso da Zâmbia, a voltar a Libreville 19 anos depois de uma tragédia ter morto a quase totalidade da sua seleção.


O primeiro grande momento do jogo foi de tristeza. Joseph Musonda, lateral esquerdo que vinha fazendo uma CAN de grande qualidade, lesionou-se e teve que abandonar o terreno de jogo, em lágrimas, logo aos 10 minutos de jogo. Podia parecer uma nuvem negra que assolava a equipa zambiana, mas dos pés de Chris Katongo, Mayuka e Kalaba saía um perfume inconfundível de quem se sente inspirado a conquistar algo de maior.

A primeira parte pendeu, assim, para o lado zambiano, mesmo que os marfinenses não deixassem de mostrar quão forte era o seu conjunto, fosse pela excelente exibição de Yaya Touré na zona intermediária, fosse pela presença ameaçadora de Gervinho e Drogba na linha da frente. O empate era um resultado justo, ao intervalo, mas o bom jogo que decorria no relvado merecia golos.

A história da segunda parte foi bastante semelhante, mas com a Costa do Marfim a dominar. A equipa da Zâmbia ia recuando e parecia menos capaz de criar tanto perigo na frente, enquanto os elefantes pareciam decididos a ganhar e assumiam as responsabilidades do jogo. Aos 70 minutos, surgiu a grande oportunidade para a Costa do Marfim se colocar na frente. Grande penalidade assinalada por falta sobre Gervinho, mas Didier Drogba atirou por cima. Um balão de ar oferecido à Zâmbia que passou a acreditar mais nas suas possibilidades.

Um grande jogo merecia, claro, mais de 90 minutos. E durante o prolongamento, nenhuma das equipas parecia querer entregar-se à sorte das grandes penalidades, sendo que ambas já tinham refrescado a sua frente de ataque, Hervé Renard fazendo entrar Félix Katongo e Francis Zahoui chamando Bony. As duas equipas criaram oportunidades mas a final estava destinada a ser decidida da forma mais dramática possível.

Ninguém parecia querer falhar até que, à oitava penalidade, e depois de alguma hesitação entre os marfinenses, Kolo Touré avançou para a bola e rematou, fraco, a permitir a defesa de Mweene. Kalaba teve oportunidade de escrever o seu nome a letras de ouro na história zambiana, mas também desperdiçou a sua oportunidade. Gervinho, chamado a marcar a nona penalidade da Costa do Marfim, atirou por cima. Coube então a Sunzu, jovem jogador do TP Mazembe, a honra de ser o marcador do golo decisivo.

Inesquecível o espírito de um grupo que encarou as grandes penalidades de braços dados e cantando. Inesquecível a festa que se seguiu. Inesquecível a forma como o treinador Hervé Renard caminhou com Musonda, que saíra lesionado, ao colo, permitindo que também ele se juntasse à festa. Inesquecível ver Bwayla, sobrevivente da geração de 93 e atual presidente da federação, saltar e abraçar-se aos jogadores como se fosse um deles. O fascínio do futebol faz-se com momentos destes.

A Zâmbia conquistou a primeira CAN da sua história. Viva a Zâmbia!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Zâmbia e Costa do Marfim: na final, para ganhar

O encontro entre os Elefantes marfinenses e os Chipololo zambianos não seria a final mais esperada desta Taça das Nações Africanas. No entanto, ambas chegam ao último dia como hipóteses de conquistar o título com toda a justiça. Quem sairá com a Taça?


Há um claro favorito para o jogo de domingo. Costa do Marfim. Todas as previsões esperavam ver a seleção de Drogba na final e muitos deles sempre acreditaram que seriam os marfinenses a conquistar a CAN 2012. Cinco jogos depois, com nove golos marcados e nenhum golo sofrido, a equipa orientada por François Zahoui chega ao jogo decisivo à custa das suas maiores estrelas e de um realismo tático admirável.

O técnico marfinense cedo avisou para os perigos de uma competição onde os excessos de confiança, tradicionalmente, são punidos com uma eliminação precoce. E sem dúvida que uma equipa que tem a dupla de irmãos Touré a coordenar a ação defensiva, tem garantias de poder chegar longe. Brilhante, é chegar à final sem sofrer golos.

Para os marcar, tem faltado à Costa do Marfim a mesma harmonia ofensiva. No entanto, abundam as estrelas no ataque dos Elefantes e as vitórias foram sendo alcançadas naturalmente, seja com o contributo de Drogba ou Gervinho. O avançado do Chelsea será mesmo o marfinense com mais urgência na conquista deste troféu. À beira de completar 34 anos, será uma oportunidade de ouro para fechar a sua carreira na seleção. Caso contrário, será quase certo vê-lo de novo em 2013 na África do Sul.

Quem enfrentou esta CAN como um momento histórico foi a Zâmbia. O colorido do seu jogo e a mestria de Hervé Renard eram aguardadas, embora poucos arriscassem que Senegal e Gana ficassem pelo caminho depois de jogar com os Chipololo. Mas o que tem estado mesmo na cabeça de todos os zambianos é o ano de 1993. A morte de quase toda a equipa zambiana ocorreu em território gabonês, bem perto do estádio onde se irá realizar a final. Atingir esta etapa era uma ambição coletiva que foi atingida com muita maturidade.

Kalusha Bwayla, único sobrevivente dessa geração de 93 e atual presidente da federação, é uma presença constante junto da equipa. Hervé Renard soube ir adaptando a forma de montar a sua equipa consoante o adversário, criando surpresa e dificultando, em muito, a tarefa de quem os encontrou pela frente. E dentro de campo há muito talento, curiosamente, nenhum em grandes ligas europeias.

Katonga, Kalaba e Mayuka são jogadores de grande categoria técnica e quem tem aparecido nos momentos decisivos. Mas muita atenção à dupla de jovens jogadores do TP Mazembe, Hamonde e Sunzu. Caberá a estes dois jogadores a espinhosa missão de evitar que a Zâmbia sofra golos frente ao ataque mais poderoso da prova. Caso o consigam, a festa será certamente zambiana. De uma forma ou de outra, ambos estarão perto de conseguir lugar em equipas europeias, no próximo verão.

Um jogo grande, entre duas equipas bem construídas e atraentes. A promessa, segura, de muita emoção e imprevisibilidade no resultado.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Gana e Costa do Marfim: confirmar as evidências?

Os dois grandes favoritos à vitória na Taça das Nações Africanas enfrentam, na tarde de hoje, o último obstáculo rumo à final. Para Zâmbia e Mali, duas equipas muito consistentes, joga-se o manter do sonho de conseguir conquistar a Taça pela primeira vez.


Goran Stevanovic, técnico que passou por Portugal enquanto jogador, foi muito claro em relação ao futuro da sua equipa neste torneio: “ver o Gana na final é o mínimo que se espera desta equipa”. A equipa ganesa não conseguiu ainda demonstrar o brilho de épocas anteriores nesta CAN. Passou, sem dificuldades, pelo grupo D, dando a ideia de que conseguia controlar os seus adversários sem se esforçar. Nos quartos de final, a Tunísia, com o seu jogo calculista, conseguiu levar a decisão para o prolongamento, mas André Ayew soube como aproveitar o deslize infantil do guarda-redes tunisino. Agora, frente a Zâmbia, que tem sido uma das equipas com um futebol mais apaixonante desta competição, embora não descure a segurança defensiva, será um adversário bem mais complicado de ultrapassar, pela multiplicidade de perigos que pode causar.

Hervé Renard é um homem feliz por estar de regresso ao lugar onde já fora feliz em 2010. Depois de levar a equipa zambiana aos quartos de final pela primeira em 14 anos, Renard imita agora as glórias da geração de 90, aparecendo nas meias-finais como um concorrente sério ao jogo decisivo. Katongo e Mayuka são setas apontadas à baliza ganesa, mas as grandes revelações zambianas estão no reduto mais recuado, onde os jovens Himonde, Lungu e Sunzu garantem a estabilidade do conjunto. Espera-se assim uma partida bem disputada, sobretudo na intermediária, com a vitória a pender para os atacantes que aproveitarem melhor as oportunidades criadas. E Asamoah Gyan ainda só marcou um golo neste torneio...

Na outra partida das meias-finais, a Costa do Marfim enfrenta o vizinho Mali e terá o primeiro grande teste ao seu favoritismo nesta competição. A entrada na CAN não foi brilhante, mas garantiu vitórias e uma passagem pela fase de grupos sem sofrer golos, algo que conseguiu confirmar frente à Guiné Equatorial nos quartos de final. As principais estrelas têm marcado presença e mostrado eficiência, com Drogba a marcar golos que valem vitórias. Ainda assim, François Zahoui chega a este jogo com uma postura de desconfiança em relação ao adversário maliano.

Alain Giresse tem uma longa experiência no futebol africano e a forma do Mali jogar demonstra um saber adquirido à frente de clubes e seleções do continente. Seydou Keita é o seu braço dentro de campo. O experiente médio do Barcelona tem liderado a equipa, não só em termos de jogo, mas como alma de um país em guerra. Ao referir o povo maliano no momento da vitória frente ao Gabão, Keita mostrou bem qual o estado de espírito que reina dentro do grupo.

Maiga é um trabalhador incansável na frente de ataque, mas ainda não marcou. Ainda assim, o Mali mostrou ser uma equipa muito forte a aproveitar as fragilidades adversárias, para além de ter conseguido recuperar de uma desvantagem frente ao país organizador. Frente ao Gabão, Cheick Diabaté entrou muito bem e poderá mesmo ganhar um lugar entre os titulares. Cédric Kanté e o guarda-redes Diakité têm dado muita segurança a uma equipa que pode mesmo mudar o rumo das previsões para este torneio.

Dois jogos de luta tática e inspiração, ao ritmo das estrelas africanas.  

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mali e Gana são os outros dois semi-finalistas

Depois das vitórias “fáceis” do dia de ontem, os jogos relativos aos quartos-de-final disputados nesta tarde de domingo foram bem mais demorados.

O Mali conseguiu o bilhete para a próxima fase ao bater o Gabão por 5-4 nas grandes penalidades, isto depois de ter salvo o empate bem perto do final dos 90 minutos.  A equipa gabonesa tinha o apoio do seu público, que enchia o estádio em Libreville, e entrou mais contundente no jogo, tendo encontrado pela frente um conjunto maliano que tinha a lição bem estudada e foi evitando o golo dos homens da casa.


O esperado tento acabou por surgir já depois do intervalo, com Mouloungui a colocar o estádio em êxtase. Gernot Rohr, treinador do Gabão, sentiu que tinha a passagem na mão e tomou precauções, refrescando a frente de ataque com a entrada de Marcolino para o lugar do experiente Cousin.  Apesar de ser uma decisão lógica, a saída do jogador mais respeitado do Gabão acabou por marcar a partida, já que os malianos se foram soltando e, já com Yatabaré e Cheick Diabité em campo, conseguiu o golo do empate aos 84 minutos, com este último a fazer um movimento de verdadeiro ponta-de-lança para levar o jogo para prolongamento.

Os 30 minutos extra não tiveram grande história, com ambas as equipas a tentarem assegurar que não sofriam golos. O drama chegou no momento das grandes penalidades. Com o Mali a marcar em todos os cinco remates a que teve direito, coube a Pierre Aubameyang a desilusão da tarde, já que o jovem prodígio gabonês permitiu a defesa de Diakité, deixando a sua equipa pelo caminho.  A jovem estrela saiu do terreno de jogo cabisbaixo e a chorar, juntando-se à galeria de craques que falharam penaltis em partidas decisivas.

Quem também garantiu lugar entre as quatro melhores equipas do continente foi o Gana, depois de vencer a Tunísia por 2-1, após prolongamento. John Mensah deu a liderança aos ganeses logo aos 10 minutos, desviando de cabeça na sequência de um canto.

Com a equipa do Norte de África a ser conhecida pela sua atitude defensiva (filosofia calculista também partilhada pelos ganeses), esperava-se que um golo madrugador pudesse dar ânimo a um jogo. Falsas esperanças. A partida foi muito bem jogada, tendo em campo duas equipas muito evoluídas tecnicamente, mas sempre a um ritmo baixo.  Os tunisinos lançavam a velocidade de Msakni, Dhaouadi e Khelifa com passes longos, e foi este último quem empatou a partida, na sequência de uma jogada envolvente, aparecendo a finalizar de cabeça ao segundo poste.

A segunda parte foi momento de estudo para ambos os conjuntos, a baixar ainda mais a caixa de velocidades e a esperar pelo erro do adversário ou pelo prolongamento. Como os erros foram poucos e nunca aproveitados, a partida seguiu para prolongamento, com o guarda-redes tunisino (que até se estava a cotar como um dos melhores em campo) a oferecer a passagem aos ganeses. Numa bola bombeada para a área, Mathlouthi deixou escapar a bola entre as mãos e permitiu que André Ayew marcasse um dos golos mais fáceis da sua carreira.

A vitória da equipa de Goran Stevanovic acaba por ser justa, sobretudo pela maior solidez do seu bloco, que não permitiu veleidades ao ataque da Águias de Cartago. Na próxima quarta-feira, a Zâmbia enfrentará o conjunto ganês, enquanto o Mali terá pela frente a Costa do Marfim, duas partidas de grande equilíbrio que decidirão os finalistas desta CAN 2012.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Zâmbia e Costa do Marfim nas meias-finais

E ao primeiro dia dos quartos-de-final, aqueles que mais sonharam na Taça das Nações Africanas tiveram que enfrentar a realidade. Com o resultado de 3-0 a repetir-se nas duas partidas, Sudão e Guiné Equatorial acabaram por se despedir da competição.


A equipa da Guiné Equatorial tentou vender o mais caro que pôde esta partida, mas os Elefantes não permitiram veleidades. Se Drogba ainda deu oportunidade para que Danilo brilhasse ao defender uma grande penalidade, pouco depois rematou sem hipóteses para o guardião de origem brasileira.

Na segunda parte, Drogba bisou, desta vez com uma cabeçada implacável, deixando que Yaya Touré marcasse ainda um dos mais espectaculares golos deste torneio, num livre marcado de forma perfeita, bem longe da área. A exibição da Costa do Marfim foi convincente e esteve ao nível do que se espera para um forte candidato a vencer a CAN.

Para a equipa da Guiné Equatorial, fica o dever cumprido com brilhantismo, pois se ninguém esperava nada desta equipa, a verdade é que os guineenses mostraram atributos para merecer um lugar entre as oito selecções mais fortes da competição. Javier Balboa, Juvenal, Danilo e companhia aproveitaram da melhor forma uma oportunidade que pode ser única, dado que o país nunca conseguiu qualificar-se para uma prova desta qualidade.

Na outra partida disputada hoje, a Zâmbia voltou a afirmar-se como um candidato que vai correndo por fora e já está nas meias-finais. Os golos dos zambianos foram marcados por Sunzu, Katongo e Chamanga, numa partida onde o Sudão não demonstrou capacidade para lutar pelo resultado.

Os zambianos voltam a uma fase da competição onde não chegavam desde 1994, quando perderam na final para a Nigéria, em Tunes. Já para os sudaneses, aproveitaram bem as fragilidades dos seus opositores no grupo para voltarem a provar uma passagem para lá da primeira fase, algo que não era atingido desde 1970, quando organizaram e venceram a CAN.

As duas equipas esperam agora pelos resultados de amanhã para se ficarem a conhecer os jogos das meias-finais, que se disputarão na próxima quarta-feira.