|Luís F. Cristóvão
Quando em janeiro passado a Zâmbia derrotou o Sudão por 3-0
na sua caminhada para a conquista da CAN, poucos diriam que no reencontro entre
estas duas equipas, os sudaneses levariam a melhor. Mas, no entanto, foi isso
mesmo que aconteceu. Não passaram mais de cinco meses, e os detentores do
título africano sofreram uma derrota por 0-2 na estreia das qualificações para
o Mundial. Enquanto quem é mais dado a superstições poderá ver neste fato uma
malapata zambiana com a maior competição do futebol (a Zâmbia nunca atingiu uma
fase final), razões mais profundas existem para justificar este resultado.
Essas razões, curiosamente, não se localizam na Zâmbia, que
apresentou praticamente o mesmo onze com que venceu a CAN. Estão sim na
evolução do futebol sudanês. Muito longe daquilo que tendemos a aceitar como o
perfume do futebol africano, a seleção do Sudão apresenta um conjunto onde o
rigor tático e a força física dos seus jogadores se impõe. Num relvado escasso
do estádio do Al Hilal, em Omdurman (arredores de Cartum), um onze dominado por
jogadores do Al Hilal e do Al Merreikh (duas das três equipas sudanesas ainda
em prova na Taça da Confederação) foi muito mais forte do que os zambianos.
O primeiro golo, marcado por Muhannad Tahir com um forte
remate de fora da área (não confundir com o outro Tahir que brilhou na CAN),
foi seguido por uma cambalhota que bem poderá exemplificar o que se passou no
relvado. Uma passagem de testemunho entre quem brilhou na CAN e quem quer
brilhar no Mundial.