terça-feira, 12 de junho de 2012

Grécia – Rep. Checa e Polónia – Rússia


Enquanto a Rússia pretende resolver já a questão do apuramento, as três restantes equipas do Grupo A mantém intactas as esperanças de seguir em frente. As decisões começam aqui.

Grécia – Rep. Checa

Os gregos conseguiram um importante ponto na estreia frente à Polónia, mas ficou-lhes o amargo de boca do penalti falhado por Karagounis, o que poderia ter oferecido três pontos e uma autoestrada para o apuramento. Sem poder com os dois centrais titulares, Fernando Santos terá que improvisar, com Katsouranis a poder recuar no terreno para liderada a defesa. Ainda assim, a aposta grega passará por continuar a jogar como o fez contra a Polónia: na expectativa, tentando explorar espaços na defensiva checa.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Desilusão lusófona


|Luís F. Cristóvão

Bastaram apenas dois jogos para espalhar a descrença nas três seleções lusófonas que disputam a qualificação africana para o Mundial 2014. As altas esperanças que os três conjuntos depositavam no apuramento para uma competição que se disputar no “irmão” Brasil caíram por terra rapidamente, em encontros duros com a realidade.
Cabo Verde persegue, nos últimos anos, a primeira presença numa grande competição internacional. Com jogadores de qualidade espalhados pelo mundo, os Tubarões Azuis ficaram a apenas um ponto da CAN 2012 e apostaram forte no próximo Mundial. O sorteio destinou-lhes um grupo onde a Tunísia era a grande favorita, mas o começo frente à Serra Leoa poderia ser uma boa prancha de lançamento para um campanha positiva.

Raça contra raça


Os irlandeses chegaram a esta competição com a promessa de serem irlandeses. Com vontade, entrega e muita raça em cada partida. Mas o último destes atributos não é um exclusivo da equipa do trevo.

Perante a Croácia de Bilic, a Irlanda esteve muitas vezes frente ao espelho (embora do outro lado estivesse uma equipa mais bonita, mais técnica, mais efetiva – afinal, todos tendemos a ver algo mais quando olhamos o nosso reflexo). Ainda que os centrais possam parecer algo duros de rins, do meio campo para a frente, os croatas espalham classe enquanto deixam a pele em campo. Modric, Rakitic, Perisic e, sobretudo, Mandzukic (primeiro candidato a revelação do torneio), deram um banho de bola e de golos aos irlandeses de Trapattoni.

Por muito que tivessem lutado, os irlandeses nunca tiveram a capacidade para fazer frente à qualidade croata. O tipo bonito do outro lado do espelho voltou a tramar o rapaz com boa vontade mas sem qualidades. É uma história da vida real, num relvado de Poznan. 

Barcelona não é Espanha


Vicente Del Bosque equivocou-se. Apesar de ter na sua equipa titular cinco jogadores do Barcelona, a seleção espanhola não é o Barça. Faltaram-lhe três elementos essenciais. Para começar, um ala que corra a linha e provoque desequilíbrios entre setores, como Dani Alves. Depois, faltou-lhe o avançado que permite que os blaugrana joguem sem ponta-de-lança, Alexis Sanchez. E finalmente, faltou-lhe Messi.

Sem esses jogadores, ou jogadores que tentem replicar-lhes os movimentos (exceto Messi, que é incomparável), a Espanha foi domada por uma equipa italiana agressiva a defender e a atacar. Ao ter conseguido um golo, Del Bosque salvou a pele e mantém todas as possibilidades de sair deste Grupo em primeiro lugar. Mas já não é a Espanha que assusta e domina. É uma equipa de humanos, como as outras.

Uma Itália que promete


Ao terceiro dia do Europeu, eis que um gigante aparentemente adormecido dá um ar da sua graça. Com Prandelli, já se sabia, a Itália é um projeto diferente daquele a que a tradição nos habituou. No entanto, não deixa de causar surpresa a exibição personalizada que a equipa transalpina realizou frente aos campeões da Europa e do Mundo.

Com De Rossi no papel de líbero, os italianos jogaram num esquema de três defesas, com Maggio e Giaccherini a correrem as alas. No meio, Pirlo e Marchisio surgiram como alimentadores da dupla de atacantes, Balotelli e Cassano. Com grande equilíbrio na posse de bola, a Itália pareceu sempre um passo à frente dos espanhóis, mas só quando Prandelli trocou o confuso Balotelli por Di Natale, a equipa conseguiu marcar.

A reação espanhola valeu, no entanto, um empate que nada define quanto à quem vencerá o Grupo C. Mas psicologicamente, esta Itália deu-se a conhecer e prometeu algo de bom para o resto do campeonato.

França – Inglaterra e Ucrânia - Suécia


Num torneio muito equilibrado, o Grupo D divide opiniões quanto a quem poderá passar da fase de grupos. Na verdade, ainda que França e Inglaterra tenham vantagem na sua história, o fato da Ucrânia jogar em casa e da Suécia ter Ibrahimovic pode mudar as contas.

França - Inglaterra

Laurent Blanc bem pode ser considerado um super herói se conseguir um resultado apreciável neste Europeu. Se bem se lembram, quando pegou na equipa, o antigo campeão do mundo teve que lidar com um largo número de jogadores castigados devido à greve aos treinos protagonizada na África do Sul, em 2010. Pegando em alguns jogadores chave como Lloris, Evra, Ribéry e Malouda, juntou-lhes os rebentos do novo futebol francês, entre jogadores já reconhecidos, como Mexés, Nasri ou Benzema, e outros que prometem aparecer numa grande competição este ano, como Debuchy ou Giroud. A equipa francesa tem um plantel com qualidade e com algo a provar, o que poderão ser os ingredientes necessários para fazer figura.

domingo, 10 de junho de 2012

O pouco uso que lhe dão


A frase mais forte da análise ao jogo Alemanha – Portugal saiu do twitter de Júlio Maldonado ( @maldinisport). Foi isto o que escreveu o comentador espanhol: “Tremendo el poco rendimiento que saca Portugal a Cristiano”.

No fundo, é uma análise contrária ao fluxo de pensamento unânime. Enquanto tantos outros culpam Ronaldo por não render na seleção, Maldonado culpa a seleção por não aproveitar Ronaldo.

Obriga-nos a pensar quem, numa equipa, é responsável pelo sucesso. Se a estrutura, no seu todo, com treinador à cabeça, se um dos jogadores, por muito bom (ou muito mau) que ele seja.

Em 99% das hipóteses, diríamos que a responsabilidade é da equipa. Mas a prova de que Cristiano Ronaldo é um jogador raro e enorme, é o fato de nos deixar a pensar.

Entre o querer e o poder


Portugal quis entrar no Europeu sem perder o pé na primeira onda, que era grande e assustadora, dado a Alemanha ser uma das grandes favoritas à vitória na competição. O que descobriu, quando pôs os pés na água, é que os alemães sentiam exatamente o mesmo. Joachim Low e Paulo Bento montaram as suas equipas para não perder e estiveram perto de o conseguir. O resultado foi termos assistido aos dois onzes com melhores índices defensivos do torneio, até agora.

Na forma de atacar residia a principal diferença entre os dois conjuntos. Portugal tentava atacar com velocidade, apostando no erro dos germânicos, enquanto a Alemanha atacava de bola no pé, sem nunca ter encontrado espaço para rematar com perigo à baliza do adversário. Sintomaticamente, Rui Patrício termina o jogo sem ter efetuado uma defesa digna de registo. Portugal esteve mais perto de marcar no final da primeira parte, quando Pepe atirou à barra, mas o empate era um resultado justo.

À procura das diferenças


Há dois anos atrás, Holanda e Dinamarca estrearam-se num Mundial jogando frente a frente. A sua estrutura em campo não era diferente, na sua essência, daquela que apresentaram na tarde de ontem na Ucrânia. No entanto, há dois anos, os holandeses partiram rumo à final com uma vitória por 2-0, enquanto ontem sofreram uma derrota que os deixa em situação perigosa no seu grupo.

À procura de diferenças, podemos dizer que a Dinamarca é agora uma equipa bem mais consistente do que no Mundial, com um organizador de jogo, Eriksen, a oferecer ao conjunto um ponto onde a bola pode chegar para sair com mais perigo. Na equipa holandesa, a consciência da fragilidade defensiva passou de uma preocupação para ser um princípio radical, mergulhando a laranja numa redoma de medo que parece prender toda a equipa.

A perder desde os 24 minutos de jogo, Van Marjwick esperou quase cinquenta minutos para fazer as primeiras substituições, retirando nessa  altura um dos dois pivôs defensivos que tinha em campo. O medo de sofrer mais golos tinha-se sobreposto, dolorosamente, à necessidade de os marcar, transparecendo no relvado uma equipa que tem ainda os ingredientes de uma laranja que pode ser fabulosa, mas não é.

Espanha – Itália e Rep. Irlanda – Croácia


Num grupo onde o apuramento parece entregue desde o dia do sorteio, os favoritos enfrentam-se no primeiro jogo, enquanto os candidatos à surpresa terão que vencer hoje para sonharam com os quartos-de-final.

Espanha – Itália
Campeões da Europa e do Mundo, os espanhóis não sentem que lhes falta nada para conseguir algo nunca alcançado antes: vencer três grandes competições consecutivas. As faltas de Puyol e Villa não deverão ser excessivamente sentidas, com Sérgio Ramos e Piqué a serem dois dos melhores centrais do mundo e Fernando Torres a ganhar a titularidade depois de se ter sagrado campeão europeu de clubes.

sábado, 9 de junho de 2012

O homem que aparece de quatro em quatro anos


Roman Pavlyuchenko apresentou-se ao mundo em 2008, no Europeu realizado na Suiça e na Áustria. Um ponta-de-lança promisor, só aos 26 anos, depois de conquistar o seu lugar no Spartak de Moscovo e na seleção, pisou pela primeira vez os grandes palcos. Fê-lo em estilo. Numa Rússia que cativou aos amantes do bom futebol, Pavlyuchenko marcou três golos e foi uma das referências ofensivas do torneio, acabando por ganhar, também, uma transferência para o Tottenham.

Em Londres, Roman não foi feliz. Nunca marcou os golos que se esperava que marcasse, nem demonstrou o mesmo perfume que lhe parecia natural na Rússia de 2008. Passou muito tempo no banco, por várias vezes esteve à porta da saída até que, já esta temporada, regressou a Moscovo para jogar no Lokomotiv. Sem ter propriamente oportunidade para brilhar, o avançado conseguiu confirmar um lugar entre os 23 convocados por Advocaat, ficando no banco no início da partida inaugural.

Aos 73 minutos foi chamado para entrar no relvado. A sua altura, passo meio desajeitado, fizeram-me relembrar o avançado de há quatro anos atrás. E, na verdade, não foi preciso esperar muito para o rever em todo o seu esplendor. Passados menos de dez minutos, pegou na bola do lado esquerdo da área, simulou, ganhou espaço e atirou um verdadeiro míssil para as redes de Petr Cech. Afinal era verdade. Pavlyuchenko ainda estava vivo. É ele o homem que aparece de quatro em quatro anos.