sexta-feira, 15 de junho de 2012

Há valores que são seguros


Andrea Pirlo já ganhou o seu lugar na história por ter sido a figura da Itália campeã mundial em 2006. Seis anos depois, o craque italiano continua a passear classe nos relvados. Ontem, marcou um golo de antologia, na marcação de um livre direto, frente à Croácia. Ver Pirlo jogar, de cabelos longos, já um pouco envelhecido, mas com um caminhar seguro de quem sabe onde pisa, é perceber que o futebol é algo mais do que uma bola aos saltos no relvado. É ter consciência de que certos homens foram feitos para dar uma dimensão diferente a este desporto.

Fernando Torres já ganhou o seu lugar na história ao marcar o golo que garantiu o título europeu à Espanha em 2008. Nos últimos quatro anos, passou da glória em Liverpool a ser um jogador em crise, regressando à glória este ano ao vencer com o Chelsea a Liga dos Campeões. Mas para que o seu valor se voltasse a mostrar em todo o esplendor, era necessário que também marcasse pela seleção. Ontem, frente à Rep. Irlanda, aconteceu. Apesar da fragilidade do adversário, o que importa é que Torres comprovou o seu direito a ser o ponta-de-lança da seleção espanhola. Para, muito provavelmente, voltar a marcar nesta competição.

Ucrânia – França e Suécia – Inglaterra


A jogar em casa, os ucranianos só pensam em atingir os quartos de final, embora a França precise de vencer para enfrentar com mais calma a última jornada. No outro jogo do Grupo, Suécia e Inglaterra lutam pela vida. Quem ficará em vantagem?

Ucrânia – França

A equipa de Oleg Blokhin surpreendeu na primeira jornada, guiada pelo herói Shevchenko. Agora, frente à França, poderá confirmar o bom momento. No entanto, a equipa francesa esteve em muito bom plano frente a Inglaterra, apenas chocando no muro defensivo dos britânicos. Para a Ucrânia, a chave do jogo estará na forma como a sua defensiva aguentará a pressão criada pela posse de bola francesa, com constantes movimentos a ameaçar o golo. Tymoschuk e Rotan terão trabalho redobrado a tentar diminuir o espaço disponível para os franceses. Na frente, será sobretudo Konoplyanka a colocar velocidade no jogo, com Shevchenko atento a qualquer oportunidade que surja para marcar.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Itália – Croácia e Espanha – Rep. Irlanda


A Itália foi mais forte do que o esperado, a Espanha ligeiramente mais apática, enquanto a Croácia ganhou o encontro dos outsiders e se posicionou para importunar os favoritos. O que acontecerá na segunda jornada?

Itália – Croácia

Cesare Prandelli pode ter encontrado um antídoto para o tiki-taka (algo que só o futuro poderá clarificar se é verdade ou não), mas frente à Croácia terá um problema completamente diferente. O conjunto de Slaven Bilic conjuga força e técnica em doses equilibradas, tendo derrotado a Rep. Irlanda magistralmente e mostrando-se agora com ambição de seguir na competição. Para enfrentar os croatas, Prandelli não precisa de mudar a sua estrutura. Entre o 3x5x2 e um 4x4x2, poderá bastar que De Rossi avance um pouco mais no terreno em situações ofensivas. De resto, a força italiana estará baseada nos raides de Maggio e Giaccherini, com Motta, Pirlo e Marchisio a serem essenciais na posse de bola.

3 notas depois do Holanda v Alemanha


1.Mário Gomez é um resquício de uma arte esquecida. Posicionamento e poder de remate são as suas duas qualidades. A equipa alemã move-se à sua volta e sempre que a bola sobra para o avançado, há golo. São jogadores como Gomez que fazem o futebol parecer uma coisa simples.

2.Avaliar o doente pela cara é outra arte há muito esquecida. A sede científica apagou-nos muito desse instinto. No entanto, não é preciso olhar duas vezes para as caras do treinador, dos jogadores no banco, de Robben quando sai, para perceber que esta Holanda está doente. Sim, podem faltar-lhe soluções na defesa, alguém que assegura transições, pontas de lança mais inspirados. Mas falta-lhe, sobretudo, solidariedade. E as equipas não solidárias estão, quase sempre, condenadas ao insucesso.

3.Finalizada a segunda jornada dos Grupos A e B, todas as oito equipas a eles pertencentes podem atingir os quartos de final. Ou seja, nem ninguém garantiu o lugar, nem há alguém que já possa fazer as malas. Quando se fala em equilíbrio em Europeus é disto que se fala. Saber que tudo pode acontecer. E agradecer aos deuses por cada novidade, mesmo assim. 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sou um adepto de pensamento seletivo


Sou um adepto de pensamento seletivo. O Pepe esteve muito bem quando fugiu ao Agger para voar para o primeiro golo. O Cristiano Ronaldo esteve muito bem quando aproveitou a liberdade para se passear entre linhas dinamarquesas e criar situações de desequilíbrio para os seus companheiros. O Hélder Postiga esteve muito bem quando soube ir ao primeiro poste marcar o segundo golo português. A equipa esteve muito bem quando, perante a contrariedade, soube aguentar o barco e partir de novo para cima dos dinamarqueses. O Varela esteve muito bem porque aprendeu com as suas falhas e marcou um golo salvador. Sou um adepto de pensamento seletivo. Depois de hora e meia de sofrimento sei que posso descansar em paz.  

Futebol Vertical


Ninguém joga um futebol mais vertical do que a Polónia de Smuda. A razão? Lewandowski.

Qualquer jogador polaco que veja a bola a poucos centímetros do seu pé, remata forte e para a frente, na esperança de que Lewandowski consiga apanhar a bola. Claro que “Kuba” ou Obraniak tentam contrariar a ideia original do treinador, mas na maioria dos ataques, é a verticalidade que impera.

Por isso parece tão estranho ver a Polónia em campo. Porque se acredita que, jogando de uma outra forma, pudesse ser mais eficaz no controlo da posse de bola e na objetividade do passe. Mas, ao mesmo tempo, talvez isso fragilizasse a estrutura ao ponto de os fazer perder mais vezes.

É por isso que Smuda continuará a jogar na vertical, no próximo sábado, contra  a Rep. Checa. Ainda que precise que dessa verticalidade saia, então, um momento de génio de Lewandowski, se quiser continuar em prova. 

E agora só com uma vitória


A Grécia faz-me lembrar uma anedota que se contava quando era pequeno, de uma criança que exibia os seus dotes em cima de uma bicicleta, levando-a sem pés, sem mãos, até acabar sem dentes.

A equipa de Fernando Santos tentou primeiro, e aguentou-se, no terreno do organizador, com menos um jogador em campo e com um penalti falhado, e ontem, frente à Rep. Checa, com apenas um central de raiz e sofrendo dois golos logo a abrir. A Grécia tentou, mas acabou por cair. Talvez já tenha perdido parte dos dentes, mas na verdade…

Na verdade, à Grécia basta vencer a última partida para seguir em frente. Tão simples e racional quanto isso. Apenas uma vitória. Não precisa de jogar melhor, nem de ser atraente, nem de ter grandes promessas. Precisa de marcar mais um golo do que a Rússia num jogo de 90 minutos. Para a Grécia, continua a haver vida depois da queda. 

Dinamarca – Portugal e Holanda – Alemanha


Depois da inesperada vitória da Dinamarca, o grupo da morte parece destinado a deixar de fora um dos favoritos à vitória no Euro. A segunda jornada será decisiva para perceber quem poderá ficar por aqui ou continuar a sonhar com o apuramento.

Dinamarca – Portugal

Portugal volta a ter um jogo decisivo frente à Dinamarca, algo que se tornou habitual no passado recente. Depois de ter ganho na primeira jornada, a equipa de Morten Olsen acredita na possibilidade de bater todas as antevisões e seguir em frente. Algo que poderá mesmo conseguir, se bater Portugal. A equipa dinamarquesa aposta tudo em fechar os caminhos para a sua baliza, tentando explorar as transições ofensivas com Eriksen, Rommedahl e Khron-Delhi.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Shevchenko, o herói


É a primeira grande história deste europeu. Shevchenko, dado como morto para o futebol internacional, saído de uma lesão que parecia tirá-lo das contas da equipa titular, marcou os dois golos que valeram a vitória à Ucrânia na sua estreia em europeus. Para melhorar a situação, tudo aconteceu em casa, Kiev.

A equipa ucraniana foi embalada pelos milhares de adeptos que compunham as bancadas do estádio do Dínamo. Mesmo começando a perder, manteve a confiança e conseguiu, com dois golos do seu herói nacional, obter uma vitória que pode valer o apuramento.

É disto que se fala quando se pensa em grandes jogadores, é disto que se fala em grandes histórias. Shevchenko já era uma marca profunda no futebol ucraniano. Agora soube como banhá-la a ouro.  

Carrossel francês com trinco inglês


França e Inglaterra entraram no Euro com um empate, embora deixassem impressões bem diferentes. Se pelo lado francês, a posse de bola e a nota artística são dominantes, do lado inglês, Roy Hodgson parece apostado em fazer esquecer as suas limitações trancando os caminhos para a sua baliza.

Assim, enquanto a Inglaterra foi apostando nos raides de Oxlade-Chamberlain e Milner (será que sonhou com o golo falhado ainda na primeira parte?), a França teve em Nasri, Malouda, Ribéry e Benzema um carrossel imparável de toques de bola. No final, um ponto para cada um.

Não será exatamente um prémio para os ingleses, que perante a necessidade de vencer sueca e a resistência ucraniana, terão que apresentar mais soluções para chegar ao golo. Por outro lado, não parece ser também um castigo pesado para franceses que, a jogar assim, podem confiar nos deuses do futebol para chegar longe na competição.  

Grécia – Rep. Checa e Polónia – Rússia


Enquanto a Rússia pretende resolver já a questão do apuramento, as três restantes equipas do Grupo A mantém intactas as esperanças de seguir em frente. As decisões começam aqui.

Grécia – Rep. Checa

Os gregos conseguiram um importante ponto na estreia frente à Polónia, mas ficou-lhes o amargo de boca do penalti falhado por Karagounis, o que poderia ter oferecido três pontos e uma autoestrada para o apuramento. Sem poder com os dois centrais titulares, Fernando Santos terá que improvisar, com Katsouranis a poder recuar no terreno para liderada a defesa. Ainda assim, a aposta grega passará por continuar a jogar como o fez contra a Polónia: na expectativa, tentando explorar espaços na defensiva checa.