sábado, 23 de junho de 2012

O confronto: duas equipas e apenas uma bola


Sabe quem foram as duas equipas que tiveram mais minutos a bola em sua posse durante a fase de grupos do Euro 2012? Se disse Espanha e França, acertou. As duas equipas vão jogar hoje nos quartos de final e uma bola parece pouco para quem gosta tanto de a ter em seu poder.

Espanha e França. O atual campeão europeu e mundial frente a uma equipa em reconstrução. Em comum, um onze cheio de jogadores que adoram ter a bola nos seus pés, procurando, através de passes curtos, progredir sobre defensivas cada vez mais desgastadas. Na antevisão deste encontro, é difícil perceber quem poderá ceder.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sacrifício dos inocentes


O jogo entre Portugal e Rep. Checa começou a ser desequilibrado ainda antes do árbitro dar início à partida. Michal Bilak sabia que pouco podia fazer para impedir que Portugal se lançasse sobre a sua equipa. Por isso tentou contrariar esse avanço pegando na bola e surpreendendo os portugueses. Paulo Bento sabia que iria ser assim. Como em todos os jogos neste Europeu, Bento oferece a bola ao adversário nos primeiros minutos, preparando a sua resposta.

Ontem, a resposta foi brutal. Quando Portugal pegou na bola não mais deixou de empurrar os checos para dentro da sua baliza. Bolas ao poste, a embater nos defesas, a oferecer grandes defesas a Cech, houve de tudo e sempre com uma certeza: o jogo de ontem era de Portugal.

Cristiano Ronaldo foi Cristiano Ronaldo. Incitou os seus colegas, tomou a iniciativa, rematou, insistiu, sempre, até marcar. O golo de Portugal nasce da clarividência de três jogadores que deixaram tudo em campo. Nani, João Moutinho e Ronaldo. Já estavam há quase 80 minutos a carregar sobre os checos, mas nunca perderam o sentido nem a objetividade.

No final, fica a sensação que se deu um sacrifício de uma equipa inocente, sem grande capacidade para fazer frente a um adversário que vai lançado para a quarta meia-final nos últimos cinco europeus. Portugal sente-se agora imparável. Com confiança, mas também com um sentido de responsabilidade que talvez nunca tenha sido um dos atributos dos portugueses.  

O confronto: Isto não é economia?


“Os gregos não têm nenhuma lição a receber”. Foram estas as palavras de Fernando Santos ainda antes de saber que teria que enfrentar a Alemanha nos quartos de final. Será que no jogo de hoje a economia fica fora do relvado?

Talvez seja um tanto irónico que Alemanha e Grécia, que nos últimos meses têm travado uma intensa luta política pelo resgate económico dos gregos, se encontrem num jogo dos quartos de final deste Euro. Mas o futebol tem oferecido a muitos países esta oportunidade única de, durante 90 minutos, enfrentarem-se como iguais onze homens que saem de realidades totalmente díspares. Fernando Santos compreende bem essa situação e não perdeu tempo a tentar capitalizar isso junto da sua equipa.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O confronto: Cech vs Ronaldo


É uma disputa com grande história na Liga Inglesa, onde Petr Cech defende a baliza do Chelsea e Cristiano Ronaldo deixou a sua marca com a camisola do Manchester United. Mas até já teve um episódio num Euro. Será que hoje se repetirá 2008?

Petr Cech e Cristiano Ronaldo são duas figuras do futebol mundial. Este noite, em Varsóvia, a sua experiência marcará o jogo entre Rep. Checa e Portugal. Há uma longa história de encontros entre estes dois jogadores. Cristiano Ronaldo partiu para Inglaterra em 2002, para vestir a camisola do Manchester United. Por ali fez o seu crescimento futebolístico e, na época seguinte a ter conquistado os seus primeiros títulos (Supertaça e Taça de Inglaterra, em 2003/04), viu chegar Petr Cech para o Chelsea, clube com quem viria a lutar pelo domínio do futebol inglês.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Euro 2012: altos e baixos na fase de grupos


Os primeiros 24 jogos do Europeu selecionaram as 8 melhores equipas, que irão continuar a lutar pelo título neste campeonato. No Falamos Futebol, escolhemos quatro altos e baixos da competição.

Altos

Um antídoto para o tiki-taka? A primeira sensação deste Europeu foi a possível descoberta de um antídoto para aquele que é considerado o melhor futebol do mundo. A Itália de Cesare Prandelli utilizou uma defensiva de apenas 3 defesas, com De Rossi a ser o “terceiro central”, entre os dois outros na sua posição de origem. Através de um meio-campo muito versátil, onde Pirlo, Marchisio e Thiago Motta assumem tarefas defensivas e ofensivas, os italianos respondiam à abertura de jogo espanhol com dois “laterais” como Maggio e Giaccherini, muito rápidos e agressivos. É claro que a Espanha, mesmo sem ponta-de-lança, não é o Barcelona. Mas ficou no ar uma possibilidade que poderá ser explorada na próxima temporada.

Taiti, o novo campeão da Oceânia


Luís Cristóvão apresenta o Taiti, país que irá representar a Oceânia na Taça das Confederações do próximo ano.

O Taiti já era a seleção, se excetuarmos Austrália e Nova Zelândia, com melhor currículo na prova maior do futebol da Oceânia. E se a saída dos Australianos para a Confederação Asiática abria uma nesga para que um país que não as duas forças dominantes pudesse, um dia, ganhar esta prova, a verdade é que poucos esperariam que fosse a maior ilha da Polinésia Francesa, com uma população de menos de 200 000 habitantes, a conseguir tal feito.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Fecha a boca, Balotelli


Desta vez, o avançado começou no banco. No entanto, estreou-se a marcar no Euro. Mário Balotelli é uma figura do futebol. Quase sempre por razões exteriores ao jogo. Ainda assim, volta e meia, mostra porque tantas esperanças se depositam no seu talento. Ontem, agarrado por O'Shea, conseguiu colocar a bola entre o defesa e o guarda-redes irlandês para marcar um grande golo.

Mas não será pelo golo que Balotelli será recordado. Não por este. Porque no momento dos festejos, Mário parecia preparado para “botar” discurso ao mundo, precisando de um atento Bonucci para lhe tapar a boca. Pelo que as imagens televisivas podem mostrar, Balotelli ainda tentou organizar um qualquer pensamento. Mas que ficou para sempre perdido nas mãos do defensor da Juventus.

Fecha a boca, Balotelli, parece ter sido a mensagem. Mas, por favor, continua a encantar-nos com golos como o de ontem.  

Que Espanha, afinal?


A Espanha atinge os quartos de final do Euro com duas vitórias e um empate. Nos números, tudo parece bater certo. No entanto, a exibição cinzenta frente aos italianos e o aparente marasmo frente aos croatas deixam algumas dúvidas no ar.

Que Espanha teremos em jogo agora que um resultado negativo significa a exclusão? A Espanha que se revela decisiva ou uma outra, de baixa rotação, que tem andado demasiado presente (ou ausente, se preferirem) neste torneio?

Vicente Del Bosque parece não ter a resposta. Mas tem, seguramente, a preocupação.  

Inglaterra – Ucrânia e Suécia – França


Com a França a defrontar uma Suécia já eliminada, precisando apenas do empate para se apurar, o frente a frente entre ingleses e ucranianos centra todas as atenções. A jogar em casa, a Ucrânia quer manter-se em prova, mas os ingleses terão Rooney para ameaçar o conjunto de Blokhin.

Inglaterra – Ucrânia

A prova de sobrevivência dada pelos ingleses no jogo frente à Suécia pode ter sido essencial para continuar em prova neste Europeu. Só assim a equipa de Roy Hodgson chega com vantagem ao último encontro do grupo, onde terá pela frente um dos países organizadores. A outra boa notícia é o regresso de Rooney, que viu, até aqui, o Euro da bancada. Com a disponibilidade de Rooney, Hodgson deverá optar por uma frente de ataque “made in Manchester United”, juntando-lhe Welbeck e Ashley Young. Acrescente-se Theo Walcott e os ingleses terão capacidade para vencer qualquer adversário.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Carros a apitar na rua


Poucos minutos depois de terminar o Portugal – Holanda, havia carros a apitar na rua. As pessoas soltaram-se, finalmente, das amarras da crise e do discurso miserabilista e vieram para a rua festejar. Portugal está nos quartos de final.

Noventa minutos antes, a equipa portuguesa entrou encolhida em campo, perante uma Holanda que precisava de ganhar por dois ou mais golos de diferença. Sofreu um golo,um grande golo marcado por Van der Vaart, e aí começou a acordar para a necessidade de vencer a partida.

Cristiano Ronaldo esteve em quase todos os grandes momentos do jogo ofensivo português. Como já tinha estado frente à Alemanha (apesar de muito preso à linha) e frente à Dinamarca (apesar do aproveitamento nulo). Para o mal e para o bem, tem sido sempre Ronaldo a mexer e importunar as defensivas contrárias.

Na defesa, Pepe esteve imperial. Para além da sua qualidade técnica acima da média, o central português joga com o coração, deixando a pele em campo. A isso junta o facto de ser o atleta com maior concentração competitiva e ascendente sobre os colegas de equipa. Essencial para um conjunto de sucesso.

No banco, Paulo Bento manteve-se igual a si próprio. Tem um onze definido e as opções claras na sua cabeça. Nélson Oliveira é a opção a Hélder Postiga, quando o jogo oferece espaço para correr na frente, o meio campo é preservado como unidade física essencial (e por isso Custódio entrou quando Raul Meireles rebentou) e Rolando é para utilizar sempre que nos minutos finais a equipa queira manter o resultado.

Passa por esta constância das suas principais figuras o sucesso de Portugal, que não tem nota artística, mas tem uma capacidade de sofrimento pouco habitual na história da nossa seleção. E estará nos quartos de final do Euro 2012.  

Croácia – Espanha e Itália – Rep.Irlanda


Na última jornada, o empate a dois pode servir os interesses de Croácia e Espanha, mas alguém quer arriscar ficar de fora e ver a Itália passar?

Croácia – Espanha

Mais um grande teste à fiabilidade espanhola. A Croácia de Slaven Bilic cheira a oportunidade de atingir os quartos de final e voltará a carregar forte sobre o adversário, esperando que a velocidade de movimentações de Rakitic, Modrid e Perisic encontrem em Mandzukic ou Jelavic homens que possam continuar a marcar. A chave do jogo, para os croatas, estará, no entanto, nas suas linhas mais recuadas, onde terá que lidar com a posse e passe dos espanhóis, sem cometer excessivo número de faltas e fechando bem os caminhos para a baliza de Pletikosa.