quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A heterogenia pode até ser uma vantagem

Entrevista a Rui Alves, selecionador nacional de sub-16 masculinos

|Luís F. Cristóvão

Rui Alves orientou a seleção masculina que, na Divisão B Europeia, disputada na Bósnia e Herzegovina, terminou na 15ª posição. Ainda assim, com vários jogadores a terminar no Top 10 de estatística individual – Diogo Brito nos pontos marcados e assistências, Pedro Oliveira nas assistências e Ricardo Monteiro nos ressaltos -, existe matéria-prima a ter em conta para o futuro do basquetebol nacional. Rui Alves fala, neste entrevista, da preparação para a competição, bem como da gestão feita durante os dias da prova.



O que destaca da preparação para uma competição deste nível? Quantos jogos de preparação foram realizados? O que falta ainda, à estrutura das equipas da nossa federação, para estarmos, no que toca à preparação, ao nível dos nossos concorrentes?
Na fase de preparação, destaco o número de dias de estágio e a competição prévia à participação no campeonato. Este ano realizamos 7 jogos internacionais, muito acima do habitual, mas, por outro lado, os cortes nos dias de estágio a que nos vimos sujeitos fizeram com que não chegássemos sequer aos 40 treinos realizados. Os nossos concorrentes têm uma vantagem sobre nós que é a situação geográfica… jogamos com seleções que se meteram num autocarro e passavam 5 ou 6 fronteiras para jogar, e levavam 20 ou mais jogos de preparação. Mas, repito, a preparação deste ano para nós até foi muito melhor do que é habitual neste escalão.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Carlos Dias no London United - Harefield Academy

|Luís F. Cristóvão




Carlos Dias, jogador formado no Barreirense e que representou o Benfica na temporada passada, vai representar o London United /Harefield Academy nas próximas três temporadas.

Para além de jogar na Divisão 2 inglesa, Carlos Dias terá ainda de representar a sua equipa no Leroux Challenge, uma prova que se disputa, durante a temporada, em França. Carlos Dias será bolseiro nesta equipa, que para além de acordos com a Universidade Buckinghamshire New e com o BCM Gravelines, anunciou recentemente a aquisição de uma equipa na BBL, que se passará a denominar Surrey United, e por onde poderá passar o futuro do jogador português.

Sorteio da Taça de Portugal de Basquetebol 2013/14

Resultados do sorteio das primeiras eliminatórias da Taça de Portugal de Basquetebol 2013-14:

1ª Eliminatória (5 de outubro 2013)

SC Braga - Pad.Ribeiro/Salesianos
Vasco da Gama - Académico FC
A.D.Sanjoanense - ACR Vale de Cambra
UF Buarcos - Olivais Coimbra
ASC/BVRM/T.d'el Rei - SIMECQ


2ª Eliminatória (23 de outubro 2013)

CD Póvoa – SC Braga ou Pad.Ribeiro/Salesianos
Vasco da Gama ou Académico – Famalicense/Crédito Agrícola
FC Gaia – Galitos /Weber
GD Gafanha – AD Sanjoanense ou ACR Vale de Cambra
Física de Torres – SC Conimbricense
UF Buarcos ou Olivais Coimbra – Salesianos OSJ
ASC/BVRM/T.d’el Rei ou SIMECQ– Atlético
Belenenses /Casa Sorte – FC Barreirense

sábado, 31 de agosto de 2013

La gran familia de los campus baskonistas

Reproduzimos o artigo da revista Caracter Baskonia, onde Ricardo Silva é entrevistado.

Cada año el Campus Internacional y el Campus de Verano de
la Fundación 5+11 llenan de baloncesto la ciudad. Más de 650 niños y
jóvenes se divierten y aprenden con su deporte favorito, y, esto es posible,
gracias a los 68 monitores y técnicos que se encargan de que todo funcione.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

V Campus Internacional de Baloncesto - Baskonia Laboral Kutxa

|Ricardo Silva

O V Campus Internacional de Basquetebol Baskonia Laboral Kutxa, sim o naming alterou novamente, depois de TAU Ceramica e Caja Laboral agora Laboral Kutxa, embora nos pareça que o nome do clube seja por vezes pouco falado, BASKONIA, decorreu este ano entre as datas de 30 de Junho e 14 de Julho e dividido mais concretamente em dois turnos, o primeiro de 30 de Junho a 7 de Julho e o segundo de 7 de Julho a 14 de Julho.


Uma vez mais tivemos o prazer de receber o convite por parte de David Gil, Diretor do Campus e treinador adjunto da equipa sénior que milita na Liga ACB, para participar neste magnífico Campus Internacional que ano após ano tem conquistado o seu espaço entre a elite dos Campus de aperfeiçoamento de basquetebol na Europa. De facto, a nossa participação neste Campus em concreto é anterior à sua internacionalização, tendo desta forma sido possível acompanhar anualmente a evolução deste ao nível da estrutura organizativa e respetivos espaços, corpo técnico, nível de atletas e atividades. Assim, no presente ano e no primeiro turno, que esgotou as inscrições, tivemos a participação de 220 atletas, enquanto no segundo turno a participação foi de 190 atletas, totalizando cerca de 410 inscrições de atletas de ambos os sexos entre os doze e os dezassete anos e oriundos de 15 países de todo o mundo (Espanha, Portugal, França, Itália, Polónia, Geórgia, Estados Unidos da América, Grécia, …). De Portugal tivemos a participação de um atleta da nossa equipa, José Saccas da Física de Torres Vedras e de cinco atletas do Hiper-Activo da Malveira.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Somos o que fazemos diariamente

Entrevista a Ana Catarina Neves, treinadora da Seleção Nacional de Sub-16 Femininos

|Luís F. Cristóvão

A seleção de Sub-16 feminina fez história, ao garantir, pela primeira vez, a subida à Divisão A neste escalão. O feito foi alcançado em Matosinhos, com Ana Catarina Neves a liderar a equipa técnica que alcançou este feito. Nesta entrevista, procuramos saber, junto da selecionadora, como foi preparada a campanha, quais as sensações da equipa durante a competição e de que forma estamos a preparar o futuro.

Time Out com Ana Catarina Neves
Jogar um torneio deste nível em casa, para mais com o objetivo da subida claramente definido, deve ter sido um fator de alguma pressão extra para este grupo. Como é que, como treinadora, enfrentou esse desafio e preparou as jogadoras para ele?
Inicialmente, dentro do nosso grupo, a subida de divisão não foi assumida como objetivo principal, pois não conhecíamos o valor dos adversários (sub-16 é a primeira geração a competir), nem tivemos competição internacional que nos permitisse fazer uma avaliação e aferição do valor da nossa equipa relativamente às demais. Achámos, sim, que tínhamos uma equipa interessante, trabalhadora e competitiva, à qual fomos propondo metas intermédias em função da fase da competição em que estávamos e da avaliação que fomos fazendo das outras equipas. Foi com esta perspetiva, com exigência e rigor no trabalho, que nos preparamos para enfrentar este enorme desafio, jogo a jogo, um dia de cada vez.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Notas de scouting – Sérvia e Dinamarca

|Luís F. Cristóvão

Acompanhada a segunda fase e as finais do Campeonato Europeu Sub-16 Feminino – Divisão B, seguem-se algumas notas sobre as equipas que subiram de divisão, para além de Portugal, já referido num artigo anterior.

Sérvia 

Jovana Nogic
A vencedora do torneio foi, no final de contas, a equipa mais equilibrada de todo o torneio, focando-se, sobretudo, no momento defensivo, onde se constituiu como o conjunto que melhor fechava a área restritiva de todo o torneio. Esse facto permitiu à Sérvia vencer por distâncias confortáveis frente a Inglaterra, Finlândia e Dinamarca, tendo também ultrapassado Portugal por minimizar os efeitos do jogo interior luso. A equipa de Zoran Tir vale muito mais pelo seu coletivo do que pelas peças individuais. Snezana Bogicevic ganhou um lugar na All-Tournament Team por ser a melhor marcadora da equipa, mas isso deve-se, sobretudo, a ser a jogadora com mais minutos em campo. Bogicevic terminou o torneio com uma percentagem fraquíssima (1 em 9) no tiro exterior e, apesar de ser uma jogadora elegante e com bom posicionamento, não tem características ainda muito definidas.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Só se tem 16 anos uma vez

|Luís F. Cristóvão

7 de agosto, 20h40, Matosinhos – cheguei ao início da tarde ao Pavilhão do Centro de Desportos e Congressos da cidade e estava, agora, perante um pavilhão praticamente cheio, emocionado, a aplaudir uma equipa feminina de sub-16. Durante onze dias viveu-se assim, o basquetebol, no feminino, em Portugal.



Começando do início, talvez devêssemos destacar o facto de 2013 marcar o momento em que várias grandes promessas do basquetebol português completam dezasseis anos. Carolina Bernardeco, a mais jovem de três irmãs que marcam referência no nosso basquetebol (Joana e Filipa estiveram presentes na final da Liga Feminina desta temporada, uma conquistando o título, outra fazendo parte da equipa vice-campeã), e Maria Kostourkova, herdeira de uma dupla de jogadores e treinadores búlgaros que vêm enriquecendo o basquetebol português com o seu trabalho, poderão constituir uma das mais brilhantes duplas que o nosso basquetebol terá o prazer de ver nos próximos anos.

terça-feira, 30 de julho de 2013

É preciso maior exigência

Entrevista a André Martins, treinador da Seleção Nacional de Sub-20 Masculinos

|Luís F. Cristóvão

Em jeito de balanço à participação de Portugal no Campeonato Europeu de Sub-20 Masculinos – Divisão B, conversamos com André Martins sobre o percurso desta equipa e a análise às diferenças entre Portugal e os seus adversários. Da entrevista, fica clara a necessidade de uma maior exigência e experiência competitiva, de maneira a apurar as capacidades dos jogadores nacionais.

André Martins no estágio de preparação

Portugal terminou em 5º lugar na Divisão B do Europeu Sub-20, em termos absolutos o 25º a nível europeu. Que diferenças são notórias em comparação com as equipas que terminaram acima de nós na classificação?
A grande diferença que se continua a sentir são os aspetos morfológicos e físicos. Esta diferença é evidente nas diferentes posições dos atletas. Outra diferença notória para as melhores seleções é o facto de todas elas apresentarem 2 ou 3 jogadores que competem nos melhores campeonatos da Europa em seniores, demonstrando uma maturidade competitiva superior a nossa.

O que destacas da preparação para uma competição deste nível? Quantos jogos de preparação foram realizados? O que falta ainda, à estrutura das equipas da nossa federação, para estarmos, no que toca à preparação, ao nível dos nossos concorrentes?
Os jogos de preparação internacionais são determinantes para a melhoria dos resultados. Realizamos 5 jogos de preparação, o que é excelente para a nossa realidade e revela um grande esforço por parte da federação. As melhores seleções, aquelas que partem para o Europeu com a ambição de subir de divisão, realizam 7 a 9 jogos internacionais de preparação. Para estarmos, no que diz respeito a preparação, ao nível dos melhores, necessitamos acima de tudo que os nossos Sub-20 treinem e joguem com regularidade nas competições que são mais adequadas ao seu desenvolvimento (Proliga/Liga).

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Clube de Combate revisitado

Entrevista a Eugénio Rodrigues, treinador da Seleção Nacional Sub-20 Femininos

|Luís F. Cristóvão

Depois de mais uma prestação internacional de relevo, levando Portugal a classificar-se na quarta posição do Campeonato da Europa de Sub-20 Femininos – Divisão B, Eugénio Rodrigues falou para a Gazeta dos Desportos, analisando o percurso entre Europeus, a preparação da equipa para a competição e os desafios encontrados nesta competição, que teve lugar na Bulgária.

Um depoimento sincero e contundente sobre o trabalho de um selecionador nacional, perante as dificuldades que vão surgindo no caminho de quem tenta modificar a face do basquetebol feminino em Portugal.

Eugénio Rodrigues em ação!

1-Depois do que aconteceu com a Seleção Sub-20 Feminina no ano passado, com a descida nas condições que todos conhecemos, este ano havia alguma “sede de vingança” no grupo? Como foram geridos esses sentimentos ao nível da preparação psicológica e de motivação para a competição deste ano?
Esta Seleção tinha no seu seio 4 atletas que transitavam do ano passado, sendo que todas elas jogavam no 5 inicial e uma delas era inclusivamente capitã de equipa. Era por isso uma memória ainda muito presente e que deveria ser aproveitada para servir de mola motivacional para o restante grupo. Por um lado, elevar os níveis, já por si muito exigentes, de sacrifício pois se no ano transato tínhamos "sobrevivido" com honra e distinção naquelas circunstâncias, este ano importava manter a fasquia. Por outro, fazer passar a todo o grupo que a injustiça a que tínhamos sido votados exigia uma "vingança" e um tributo ao grupo de 2012. Era também por elas que iríamos a jogo. Infelizmente, ficamos a um cesto sofrido a sete décimos do final do jogo com a Letónia de o conseguir. No entanto, o meritório 4.º lugar não deixou ser a justa homenagem a essa Seleção e o tempo há-de trazer-nos de novo à ribalta.

2-O que destaca da preparação para uma competição deste nível? Quantos jogos de preparação foram realizados? O que falta ainda, à estrutura das equipas da nossa federação, para estarmos, no que toca à preparação, ao nível dos nossos concorrentes?
Pela positiva há que destacar o bom número de jogos de preparação que tivemos até porque todos eles foram fruto de convites das Federações Francesa, Checa e Búlgara. É sinónimo do reconhecimento internacional da nossa qualidade. De menos positivo, a crise financeira que se alastra também à FPB, que levou a cortes sucessivos na preparação e a estágios desta Seleção. Isso aliado à enorme dificuldade em conjugar a nossa preparação com os exames escolares, foram claramente fatores menos conseguidos neste trabalho e cujas consequências foram sensíveis. Para que conste realizamos até ao campeonato europeu, apenas 32 treinos e nem todos eles com a totalidade do grupo. Quanto ao mais, onde temos muito a melhorar é no dia-a-dia da época desportiva, nos clubes e nas competições nacionais. É aí que muito se joga, indiretamente, na preparação de uma geração que irá servir de base à Seleção Nacional.

sábado, 13 de julho de 2013

Entender o contexto

|Luís F. Cristóvão



Início aqui uma série de artigos onde tentarei analisar situações relativas ao basquetebol e à forma de trabalhar nesta modalidade. Começando pelo início, discuto o tópico do contexto. É óbvio que cada um de nós vai construindo uma ideia daquilo que pretende fazer perante uma oportunidade de trabalhar numa equipa, seja como jogador, técnico ou dirigente. Mas será sempre o contexto a definir, no concreto, como é que as nossas ideias se poderão ligar à realidade que encontramos.

Por muito boas ideias que possas ter, o essencial é que comeces por ouvir. Ouvir as pessoas que estão já no clube, entender os seus objetivos, compreender as implicações desses objetivos com as linhas que tens traçadas para ti. A chave do aproveitamento do teu trabalho estará aí. Ao ouvir e compreender os outros, poderás desde logo começar a adaptar as tuas ações ao cumprimento do objetivo primordial: o sucesso coletivo.

Para além de ouvir, é preciso saber ver o contexto onde te inseres. Qual o passado do clube, algo que mexe sempre com as expetativas de quem trabalhará contigo e de quem acompanhará esse trabalho, os adeptos e os amigos que estarão à volta da equipa. Ver implica olhar bem todos os pormenores que compõem um pavilhão, o ambiente à sua volta, as suas paredes. Haverá também que compreender a história desse lugar. A vida de um clube dá muitas voltas, mas saber das suas referências essenciais é sempre um excelente modo de adquirires trunfos que façam o seu trabalho ser melhor aceite.

Finalmente, não deixes de tentar, sempre, conhecer o que acontece à tua volta. Seja nas pessoas ou na instituição, tenta conhecer cada pormenor, cada decisão, cada dúvida, cada evento. Ao conhecer bem quem te rodeia (e o quê), estarás preparado por antecipação para resolver problemas e dificuldades. Esse conhecimento dar-te-á também a possibilidade de somares desafios à equipa, de maneira a que a ambição e a vontade do grupo possam estar, constantemente, em crescimento.

Talvez pareça que escrevi muito pouco sobre basquetebol para um texto que se quer sobre este desporto. Mas o fenómeno desportivo tem essa mesma ambivalência, constitui-se de um encontro de gente que adora o que faz e que procura forma de o fazer resultar coletivamente. Espero, por isso, que estas chaves sirvam bem para abrir portas nas vossas experiências.

Deixem os vossos comentários, dúvidas e desafios, para que a conversa possa continuar.