| António Valente Cardoso
Arranca a campanha rumo ao Euro 2016, o último de país ‘fixo’, o primeiro a 24, aquele que fechará o ciclo ‘XX’ e iniciará a nova vaga – que sucederá ao Mundial 2018 – com a Liga das Nações, algo semelhante ao que já sucede há anos com outras modalidades através de ligas europeias e ligas mundiais, cada qual encontrando um modelo próprio para procurar dar mais dimensão mediática e retorno financeiro ao seu desporto (hóquei em campo, voleibol, râguebi, por exemplo).
Desde o arranque do Europeu, a quatro na primeira fase, em 1960, já 30 países estiveram presentes em fases finais, três do quais inexistentes hoje em dia – URSS, Jugoslávia e Checoslováquia – além da Alemanha, hoje unida, que se estreou em 1972 ainda como República Federal da Alemanha.
Demasiado se fala em renovação por Portugal. Demasiado porque não há o hábito de convocar os que estão melhor, antes o vício de chamar os que se ‘acha’ serem melhores, dois conceitos que se confundem no âmbito das equipas técnicas e dos media. Existe uma enorme diferença entre ser e estar, sendo que o segundo verbo deveria ter muito mais preponderância face ao primeiro, importa mais que se esteja melhor do que se seja o melhor, até porque aguardar que, num dado momento, o que se entende como sendo melhor faça a diferença relaciona-se mais com confiar na sorte, no individual e indivíduo, ao passo que aquele que está melhor vai mais naturalmente, fruto do trabalho e da competência provada em campo recentemente, criar mais-valia, fortalecer o colectivo, pois falamos de uma modalidade colectiva.
O que também é certo é a necessidade de uma espinha dorsal, para melhor englobar cada novidade, encaixá-la no âmbito de um grupo, que se deve pretender aberto. Uma espinha dorsal é isso mesmo, é uma parte vital do corpo mas uma entre várias, ou seja, não é todo um corpo, onde se incluem os membros, o aparelho neurológico, o coração e todos os restantes elementos que compõem um ser vivo. Assim sendo, definir a espinha dorsal como um núcleo de 19 ou 20 elementos numa convocatória de 22, 23, 24 é um claro exagero e esta é outra diferença fundamental das habituais convocatórias lusas para as de outras selecções de primeira linha.
A renovação deve ser uma constante e não razão de tanto alarido mediático face à sua escassez. É igualmente certo que, chamando os que estão melhor, aqueles que são considerados melhores passarão a trabalhar mais no seio dos seus clubes para agarrar lugar e, dessa forma, regressar meritoriamente à selecção. Este género de atitude por um seleccionador funcionará de forma muito mais eficaz do que através da noção do lugar cativo.
Quando não se fica agarrado a um grupo, se vai chamando que demonstra bons desempenhos nos clubes durante a campanha, utilizando os particulares com esse especial foco, de observar jogadores não habituados à selecção mas que se salientam nos respectivos clubes, torna-se muito mais simples, criteriosa e ampla a escolha para uma fase final, obrigando as ‘primeiras escolhas’ a trabalharem mais a partir do momento em que percebem que não têm um lugar assegurado.
Textos sobre desporto para quem pensa que a bola não entra na baliza ou no cesto por acaso.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
O fracasso do Celtic
| Andy McDougall
O fracasso do Celtic nas fases de qualificação para a Liga dos Campeões pode ser indicativo de várias coisas. A inexperiência de Ronny Deila, a falta de ambição da direção do clube, o estado geral do futebol escocês, ou simplesmente que é o que sempre passa com os novos treinadores no Celtic. Por agora, é difícil identificar qual é o mais acertado, mas vale a pena examinar as opções.
Talvez seja que o novo treinador, Ronny Deila que veio do Stromgodset, campeões da Noruega, não tenha a experiência nem o perfil para treinar um clube tão grande e com expectativas tão altas.
Há adeptos dos verde-e-brancos de Glasgow que já estão a perder paciência com ele. No entanto, uma conclusão assim parece um pouco prematura já que estamos no início de Setembro.
Também há-de ter em conta como começaram Neil Lennon e Gordon Strachan as suas carreiras como treinador dos Bhoys: a equipa de Gordon Strachan foi eliminada das competições europeias pelo Artmedia Bratislava após perder 5-0 na Eslováquia, e na primeira época inteira em que Neil Lennon foi treinador, o Celtic também ficou fora da Europa antes de Setembro.
Recorde-se que esta época o Celtic está nos grupos da Liga Europa, visto assim Deila começou melhor do que Strachan e Lennon, dois treinadores que tiveram muito sucesso em Glasgow. Sem dúvida é cedo demais para julgar o norueguês.
O fracasso do Celtic nas fases de qualificação para a Liga dos Campeões pode ser indicativo de várias coisas. A inexperiência de Ronny Deila, a falta de ambição da direção do clube, o estado geral do futebol escocês, ou simplesmente que é o que sempre passa com os novos treinadores no Celtic. Por agora, é difícil identificar qual é o mais acertado, mas vale a pena examinar as opções.
Talvez seja que o novo treinador, Ronny Deila que veio do Stromgodset, campeões da Noruega, não tenha a experiência nem o perfil para treinar um clube tão grande e com expectativas tão altas.
Há adeptos dos verde-e-brancos de Glasgow que já estão a perder paciência com ele. No entanto, uma conclusão assim parece um pouco prematura já que estamos no início de Setembro.
Também há-de ter em conta como começaram Neil Lennon e Gordon Strachan as suas carreiras como treinador dos Bhoys: a equipa de Gordon Strachan foi eliminada das competições europeias pelo Artmedia Bratislava após perder 5-0 na Eslováquia, e na primeira época inteira em que Neil Lennon foi treinador, o Celtic também ficou fora da Europa antes de Setembro.
Recorde-se que esta época o Celtic está nos grupos da Liga Europa, visto assim Deila começou melhor do que Strachan e Lennon, dois treinadores que tiveram muito sucesso em Glasgow. Sem dúvida é cedo demais para julgar o norueguês.
domingo, 31 de agosto de 2014
A importância de sonhar
| Luís Cristóvão
Podes ser baixo, podes ser menos talentoso, podes tomar piores decisões, podes jogar num campeonato de menor importância. Mas uma coisa que podes fazer é sonhar. Sonhar nunca desistir, mesmo quando todos os prognósticos estão contra ti. As Filipinas, ontem, demonstraram isso mesmo na primeira jornada do Mundial de Basquetebol e levaram a favorita Croácia a prolongamento. É basquetebol. Tudo é possível.
Podes ser baixo, podes ser menos talentoso, podes tomar piores decisões, podes jogar num campeonato de menor importância. Mas uma coisa que podes fazer é sonhar. Sonhar nunca desistir, mesmo quando todos os prognósticos estão contra ti. As Filipinas, ontem, demonstraram isso mesmo na primeira jornada do Mundial de Basquetebol e levaram a favorita Croácia a prolongamento. É basquetebol. Tudo é possível.
sábado, 30 de agosto de 2014
O derby de Lisboa
| Carolina Neto
No próximo domingo, joga-se, no Estádio da Luz, o primeiro derby da época 2014-2015. E logo na terceira jornada. A emoção de um Benfica x Sporting no início do campeonato, e onde ainda é impossível fazer previsões sobre como será esta época, ou sobre quem será o vencedor. E sim, isto é um derby. Não mais do que um jogo entre duas equipas de futebol da mesma cidade, mas ironia das ironias é um clássico do futebol português.
Um clássico lisboeta, e também de Portugal, que teve o seu primeiro episódio em 1907. As primeiras páginas da rivalidade entre Benfica e Sporting começaram a ser escritas nesse ano. Sobre a luta entre estes dois clubes há muito para contar, histórias que os jornais mais antigos nos contam e que hoje em dia fazem parte da história e da identidade destes dois clubes. Os maiores de Lisboa, e dois dos três grandes de Portugal.
No próximo domingo, joga-se, no Estádio da Luz, o primeiro derby da época 2014-2015. E logo na terceira jornada. A emoção de um Benfica x Sporting no início do campeonato, e onde ainda é impossível fazer previsões sobre como será esta época, ou sobre quem será o vencedor. E sim, isto é um derby. Não mais do que um jogo entre duas equipas de futebol da mesma cidade, mas ironia das ironias é um clássico do futebol português.
Um clássico lisboeta, e também de Portugal, que teve o seu primeiro episódio em 1907. As primeiras páginas da rivalidade entre Benfica e Sporting começaram a ser escritas nesse ano. Sobre a luta entre estes dois clubes há muito para contar, histórias que os jornais mais antigos nos contam e que hoje em dia fazem parte da história e da identidade destes dois clubes. Os maiores de Lisboa, e dois dos três grandes de Portugal.
Se não vais fazer falta, corre em linha reta
| Luís Cristóvão
Com toda a equipa balanceada para o ataque, o Manchester City é surpreendido por um corte de bola, sendo esta recolhida por Mame Diouf na entrada da área do Stoke. O senegalês teve um daqueles momentos únicos que permitem que um jogador marque um golo memorável. No entanto, a defesa do Manchester City ofereceu-lhe uma sucessão de más tomadas de decisão para lhe facilitar a vida. A saída do primeiro defesa à saída de bola foi deficiente - e devia ter provocado a falta logo ali. Para o deixar sair a correr, mais valia ter-se posicionado no apoio ao segundo defesa, que quando chegou a sua altura de abordar a jogada, já nem arriscou amarelo ou vermelho, deixou Mame Diouf passar. Para finalizar a oferta com um enorme laço, só mesmo Joe Hart, também, a facilitar.
Foi assim:
http://www.tvgolo.com/pt/resumo-jogo-1409408318---40
Com toda a equipa balanceada para o ataque, o Manchester City é surpreendido por um corte de bola, sendo esta recolhida por Mame Diouf na entrada da área do Stoke. O senegalês teve um daqueles momentos únicos que permitem que um jogador marque um golo memorável. No entanto, a defesa do Manchester City ofereceu-lhe uma sucessão de más tomadas de decisão para lhe facilitar a vida. A saída do primeiro defesa à saída de bola foi deficiente - e devia ter provocado a falta logo ali. Para o deixar sair a correr, mais valia ter-se posicionado no apoio ao segundo defesa, que quando chegou a sua altura de abordar a jogada, já nem arriscou amarelo ou vermelho, deixou Mame Diouf passar. Para finalizar a oferta com um enorme laço, só mesmo Joe Hart, também, a facilitar.
Foi assim:
http://www.tvgolo.com/pt/resumo-jogo-1409408318---40
Superlig 2014/15 - O Guia
| António Valente Cardoso
Entre a global metrópole de
Istambul e as grutas primitivas do planalto da Anatólia, entre a Europa e Ásia,
que aqui se unem, entre as grandes civilizações clássicas e a religião, entre o
capital e a tradição, entre o desejo europeu e a herança otomana, aqui se ergue
um extenso país, pleno de contrastes, a Turquia.
Depois de décadas na obscuridade, também a
Turquia soube tirar partido dos combustíveis fósseis e outras matérias-primas
para assumir crescente preponderância no mundo, aliada estratégica dos EUA numa
zona nevrálgica do globo, é uma potência regional, elo de ligação entre a
Europa de Leste, o Médio Oriente e o Ocidente.
O crescimento económico do país,
o desenvolvimento de infra-estruturas, aproxima a Turquia do que é considerado
‘aceite’ no Ocidente, ainda que a Turquia profunda seja uma história totalmente
diferente e a zona fronteiriça e curda um problema latente ainda não resolvido.
Esta capacidade económica
transformou a Turquia de uma inexistência desportiva num pólo, a vários níveis.
Sendo o futebol o principal foco de interesse desportivo dos turcos, com vários
derbies escaldantes, o país desenvolveu ligas – masculinas e femininas – de
basquetebol e voleibol capazes de coroar equipas nas provas europeias, trouxeram
talentos do Corno de África para o atletismo e foram a leste recrutar elementos
para o halterofilismo, as lutas livre e greco-romana. A aposta turística é
igualmente forte e, num instante, a Turquia passou a ser sede invernal para
dezenas de equipas de futebol, desde a Rússia até à Alemanha, país que tem a
maior diáspora e que, também aí, tem valido o crescimento e desenvolvimento do
futebol. O ténis, por exemplo, encontrou aqui um palco ‘final’ durante alguns
anos e as condições são esplêndidas, como os e as jogadoras fazem questão de
partilhar.
1959 é o ano de fundação da liga
turca, não muito diferente da lusa, com títulos exclusivos de Fenerbahce (19),
Galatasaray (19), Besiktas (13) e Trabzonspor (6) até à entrada no clube dos
‘Crocodilos Verdes’, o Bursaspor, que investiu para o título de 2010.
Naturalmente, o futebol e a liga
de Istambul remontam ao início do século XX, contudo apenas após a II Guerra
Mundial se cria uma verdadeira liga nacional.
Tem sido uma liga flagelada por
polémicas, corrupção, viciação de resultados, que resultou na retirada de
títulos, impedimento de participação europeia, mas tal não abala o contínuo
crescimento da liga turca, apenas batida por Inglaterra, Espanha e Alemanha em
capital, rivalizando com a russa, a ucraniana ou a italiana na capacidade
financeira e de captar futebolistas, por muito que se veja ainda com
preconceito.
Apesar da recente viragem na
tendência, em contraciclo com o resto da Europa, a liga turca será,
provavelmente, a liga no mundo com mais técnicos estrangeiros campeões. Em 56
edições de prova 34 títulos foram obtidos por técnicos de outras nações,
contudo os últimos sete ficaram em ‘casa’, contrabalançando um pouco esse
diferencial.
18 formações compõem a Super Lig,
sendo totalistas Besiktas, Fenerbahce e Galatasaray num total de 68
participantes na história da prova até ao momento. Além das cinco formações na
euro-asiática Istambul, nenhuma outra cidade congrega mais do que um clube na
divisão máxima turca.
Na competição das marcas,
interessante num quadro de grande fanatismo e num país com uma população a
aproximar-se dos 80 milhões, a Adidas equipa Besiktas, Fenerbahce, Karabukspor,
Kasimpasa, Kayseri Erciyesspor e Sivasspor, um terço das agremiações. Com a
Nike vestem Eskisehirspor, Galatasaray, Gaziantepspor e Trabzonspor. A Lotto
fornece o Rizespor, o Mersin e o Gençlerbirligi, a Hummel acompanha o
Konyaspor, a Legea possui o Istanbul BB, a Puma veste o Bursaspor e o
Belediyespor, enquanto a Lescon Balikesirspor.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
De Giggs a Grigg vai um Van Gaal de Distância
| João Gonçalves
No passado dia 5 de Julho William Grigg seria a apenas só mais um espectador atento do jogo Holanda - Costa Rica que produziu um dos momentos mais falados do Mundial do Brasil. Louis Van Gaal antes de terminar o prolongamento troca de guarda redes a pensar nos penaltis e o resto já se sabe como acabou.
Grigg, 23 anos, é um avançado internacional pelo seu país, Irlanda do Norte, fez carreira no Walsall onde deu nas vistas com 19 golos em 2012/13 valendo-lhe uma transferência para o Brentford. Aí só fez 5 golos em 34 jogos e transferiu-se para o MK Dons. Estamos a falar, portanto, de uma carreira na League One, terceiro escalão inglês.
O Milton Keynes Dons é um dos clubes que menos simpatia tem em Inglaterra devido à sua origem. Foi fundado em 2004 quando a direcção do Wimbledon FC renegou 113 anos de tradição e decidiu mudar-se do distrito de Wimbledon, na Grande Londres, para Milton Keynes, na região de Buckingham, a 90 km. Para herdar o lugar do Wimbledon FC na 3ª divisão, o novo clube teve de trocar de nome e deixar para trás toda a sua história. Insatisfeitos com a mudança de sede e de nome, os adeptos do histórico Wimbledon FC, que fez furor nos anos 80 chegando a vencer uma Taça de Inglaterra, uniram-se e fundaram o AFC Wimbledon apenas seis semanas depois. Começaram no 9º escalão e entretanto já contam com 5 subidas de divisão. É uma história que merece ser aprofundada mas aqui serve só para enquadrar melhor o contexto.
No passado dia 5 de Julho William Grigg seria a apenas só mais um espectador atento do jogo Holanda - Costa Rica que produziu um dos momentos mais falados do Mundial do Brasil. Louis Van Gaal antes de terminar o prolongamento troca de guarda redes a pensar nos penaltis e o resto já se sabe como acabou.
Grigg, 23 anos, é um avançado internacional pelo seu país, Irlanda do Norte, fez carreira no Walsall onde deu nas vistas com 19 golos em 2012/13 valendo-lhe uma transferência para o Brentford. Aí só fez 5 golos em 34 jogos e transferiu-se para o MK Dons. Estamos a falar, portanto, de uma carreira na League One, terceiro escalão inglês.
O Milton Keynes Dons é um dos clubes que menos simpatia tem em Inglaterra devido à sua origem. Foi fundado em 2004 quando a direcção do Wimbledon FC renegou 113 anos de tradição e decidiu mudar-se do distrito de Wimbledon, na Grande Londres, para Milton Keynes, na região de Buckingham, a 90 km. Para herdar o lugar do Wimbledon FC na 3ª divisão, o novo clube teve de trocar de nome e deixar para trás toda a sua história. Insatisfeitos com a mudança de sede e de nome, os adeptos do histórico Wimbledon FC, que fez furor nos anos 80 chegando a vencer uma Taça de Inglaterra, uniram-se e fundaram o AFC Wimbledon apenas seis semanas depois. Começaram no 9º escalão e entretanto já contam com 5 subidas de divisão. É uma história que merece ser aprofundada mas aqui serve só para enquadrar melhor o contexto.
Rio Ave: 10% de inspiração
| Luís Cristóvão
Tu pensas, planeias, organizas, dedicas-te a um objetivo, marcar sem sofrer golos. Segunda mão do playoff de acesso à Liga dos Campeões. O adversário mexe, ligeiramente, na sua arrumação em campo e consegue tapar-te os caminhos para a baliza. O tempo passa, o desespero aumenta, e o tique-taque do relógio impele-te para um jogo mais direto, ainda que os suecos sejam, fisicamente, mais aptos a defender-se de bolas altas. Já passaram os 90 minutos. O teu guarda-redes corre para impedir que uma bola saia pela linha de fundo, mesmo que a posse fosse para a tua equipa. Procura o melhor ponto para a pontapear, parece hesitar, a bola sai longa. O teu avançado falha o cabeceamento e o defesa é surpreendido, toca-a para lá da linha de fora-de-jogo que o adversário preparava. Estava lá Esmael. O árbitro auxiliar lê bem a situação, deixa prosseguir a jogada. Tudo acontece muito rápido. O teu avançado não consegue bater a bola em condições, dir-se-ia que falhou o remate. Mas a bola passa pelo guarda-redes e cada segundo parecem horas. Sim, vai mesmo em direção à baliza. Golo. E tu, treinador, agradeces aquele espaço que fica sempre no plano para os 10% de inspiração.
Tu pensas, planeias, organizas, dedicas-te a um objetivo, marcar sem sofrer golos. Segunda mão do playoff de acesso à Liga dos Campeões. O adversário mexe, ligeiramente, na sua arrumação em campo e consegue tapar-te os caminhos para a baliza. O tempo passa, o desespero aumenta, e o tique-taque do relógio impele-te para um jogo mais direto, ainda que os suecos sejam, fisicamente, mais aptos a defender-se de bolas altas. Já passaram os 90 minutos. O teu guarda-redes corre para impedir que uma bola saia pela linha de fundo, mesmo que a posse fosse para a tua equipa. Procura o melhor ponto para a pontapear, parece hesitar, a bola sai longa. O teu avançado falha o cabeceamento e o defesa é surpreendido, toca-a para lá da linha de fora-de-jogo que o adversário preparava. Estava lá Esmael. O árbitro auxiliar lê bem a situação, deixa prosseguir a jogada. Tudo acontece muito rápido. O teu avançado não consegue bater a bola em condições, dir-se-ia que falhou o remate. Mas a bola passa pelo guarda-redes e cada segundo parecem horas. Sim, vai mesmo em direção à baliza. Golo. E tu, treinador, agradeces aquele espaço que fica sempre no plano para os 10% de inspiração.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Moti é Mito
|Luís Cristóvão
A Liga dos Campeões como, na nossa memória, ainda sobrevive a velha Taça dos Campeões Europeus. Agora já não pelos canais encontrados nas eternas buscas de satélites com a antena parabólica lá de casa, mas pelos jogos que se podem ir encontrando disponíveis na internet - o detentor dos direitos de transmissão para Portugal não poderia adivinhar que se iria escrever uma das páginas mais bizarras da história desta competição.
Depois de terminados os jogos “grandes” da noite, partimos, uns quantos apaixonados e uns quantos loucos, em busca do prolongamento do Ludogorets - Steaua de Bucareste. Uns e outros fomo-nos sentindo sonolentos como o decorrer daquela partida, talvez um pouco encantados pelo cenário meio dantesco de um velho estádio cheio de gente na bancada central, talvez um pouco esperançosos do que poderia sair da marcação de grandes penalidades. Aos 119 minutos, no entanto, a história largou o seu script e começou a viver por si só.
A Liga dos Campeões como, na nossa memória, ainda sobrevive a velha Taça dos Campeões Europeus. Agora já não pelos canais encontrados nas eternas buscas de satélites com a antena parabólica lá de casa, mas pelos jogos que se podem ir encontrando disponíveis na internet - o detentor dos direitos de transmissão para Portugal não poderia adivinhar que se iria escrever uma das páginas mais bizarras da história desta competição.
Depois de terminados os jogos “grandes” da noite, partimos, uns quantos apaixonados e uns quantos loucos, em busca do prolongamento do Ludogorets - Steaua de Bucareste. Uns e outros fomo-nos sentindo sonolentos como o decorrer daquela partida, talvez um pouco encantados pelo cenário meio dantesco de um velho estádio cheio de gente na bancada central, talvez um pouco esperançosos do que poderia sair da marcação de grandes penalidades. Aos 119 minutos, no entanto, a história largou o seu script e começou a viver por si só.
Legia de Varsóvia, o vencedor da semana
| João Gonçalves
Apesar de ausente na última eliminatória de acesso à Champions, o clube polaco é o grande vencedor desta semana.
O Legia calhou com o Celtic de Glasgow na eliminatória anterior e foi muito superior vencendo em Varsóvia 4-1, repetindo o triunfo na Escócia por 0-2. Um jogador utilizado irregularmente fez com que a UEFA castigasse o Legia com uma derrota de 3-0 que apurava assim o Celtic. Os polacos ainda apelaram para o fair play dos escoceses mas nada feito. O Celtic aproveitava o erro do adversário e apesar de claramente derrotado em campo avançou na prova.
Em maré de sorte o adversário que lhes calhou a seguir era o menos complicado possível do pote. Os eslovenos do Maribor, onde Zahovic é dirigente, pareciam presa fácil e abria-se assim a porta para o regresso dos católicos à prova maior de clubes. Um empate 1-1 no estádio Ljudski vrt parecia confirmar a passagem do Celtic. Com mais de 55 mil entusiásticos adeptos no Park Head, prontos a festejar mais uma noite europeia de glória, aconteceu justiça poética ao minuto 75. Um brasileiro que joga no Maribor há vários anos rematou para a baliza e deixou a sua equipa em vantagem. O golo de Marcos Tavares levou ao delírio os adeptos eslovenos, os adeptos do Legia e os adeptos do Rangers, enquanto o resto da Europa sorria com nova saída do Celtic da Liga dos Campeões. Diz-se que no futebol não há justiça mas quando acontece desta maneira é inesquecível.
Diga-se que o Legia após a derrota administrativa em Glasgow já leva 4 jogos a vencer e sem sofrer qualquer golo. Hoje recebe o Aktobe, do Cazaquistão, depois de ter ganho 0-1 fora tenta carimbar a passagem para a fase de grupos da Liga Europa. Esperemos que não utilizem nenhum jogador indevidamente.
Apesar de ausente na última eliminatória de acesso à Champions, o clube polaco é o grande vencedor desta semana.
O Legia calhou com o Celtic de Glasgow na eliminatória anterior e foi muito superior vencendo em Varsóvia 4-1, repetindo o triunfo na Escócia por 0-2. Um jogador utilizado irregularmente fez com que a UEFA castigasse o Legia com uma derrota de 3-0 que apurava assim o Celtic. Os polacos ainda apelaram para o fair play dos escoceses mas nada feito. O Celtic aproveitava o erro do adversário e apesar de claramente derrotado em campo avançou na prova.
Em maré de sorte o adversário que lhes calhou a seguir era o menos complicado possível do pote. Os eslovenos do Maribor, onde Zahovic é dirigente, pareciam presa fácil e abria-se assim a porta para o regresso dos católicos à prova maior de clubes. Um empate 1-1 no estádio Ljudski vrt parecia confirmar a passagem do Celtic. Com mais de 55 mil entusiásticos adeptos no Park Head, prontos a festejar mais uma noite europeia de glória, aconteceu justiça poética ao minuto 75. Um brasileiro que joga no Maribor há vários anos rematou para a baliza e deixou a sua equipa em vantagem. O golo de Marcos Tavares levou ao delírio os adeptos eslovenos, os adeptos do Legia e os adeptos do Rangers, enquanto o resto da Europa sorria com nova saída do Celtic da Liga dos Campeões. Diz-se que no futebol não há justiça mas quando acontece desta maneira é inesquecível.
Diga-se que o Legia após a derrota administrativa em Glasgow já leva 4 jogos a vencer e sem sofrer qualquer golo. Hoje recebe o Aktobe, do Cazaquistão, depois de ter ganho 0-1 fora tenta carimbar a passagem para a fase de grupos da Liga Europa. Esperemos que não utilizem nenhum jogador indevidamente.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
De que falamos quando falamos de formação
| Luís Cristóvão
Vários são os desafios que se colocam a quem pretende, nos nossos dias, discutir a formação de jogadores. Para começar, porque a medição do sucesso desta formação não é capaz de assentar unanimidade entre os vários intervenientes. Normalmente, os dirigentes dos clubes procuram medir o sucesso através dos resultados, enquanto os treinadores, sobretudo os mais envolvidos nos escalões jovens, compreendem que o sucesso passa por dotar o jogador de ferramentas que o ajudem a compreender o jogo e a executar dentro dessa compreensão ao mais alto nível possível. No entanto, o jogador também entra nesta equação e, pelo que se vai compreendendo pelos movimentos de jogadores em equipas que disputam os Nacionais de formação, a necessidade de exposição destes jovens - considerados, desde cedo, como ativos pelos respetivos agentes - acaba por introduzir mais um dado viciado.
Vários são os desafios que se colocam a quem pretende, nos nossos dias, discutir a formação de jogadores. Para começar, porque a medição do sucesso desta formação não é capaz de assentar unanimidade entre os vários intervenientes. Normalmente, os dirigentes dos clubes procuram medir o sucesso através dos resultados, enquanto os treinadores, sobretudo os mais envolvidos nos escalões jovens, compreendem que o sucesso passa por dotar o jogador de ferramentas que o ajudem a compreender o jogo e a executar dentro dessa compreensão ao mais alto nível possível. No entanto, o jogador também entra nesta equação e, pelo que se vai compreendendo pelos movimentos de jogadores em equipas que disputam os Nacionais de formação, a necessidade de exposição destes jovens - considerados, desde cedo, como ativos pelos respetivos agentes - acaba por introduzir mais um dado viciado.
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