| Luís Cristóvão
Durante a presente temporada vou tentar, a cada semana, fazer uma reflexão sobre o trabalho de treinador numa equipa de basquetebol. Os comentários, as ideias e as sugestões são desejadas, para que se alimente uma saudável discussão sobre os vários caminhos que podemos seguir.
O início da temporada é uma espécie de regresso às aulas para os rapazes de uma equipa de Sub-14. Os primeiros dias vão servindo para trocar as experiências de verão e recuperar o convívio entre amigos a fazer algo que adoram fazer: jogar basquetebol. Sendo este um grupo que já estava formado da temporada anterior, as opções de treino visam, sobretudo, reativar os princípios daquilo que pretendemos para a nossa equipa. A generalidade dos exercícios desta primeira semana são já conhecidos dos jogadores que percebem, intuitivamente, o transporte dessa realidade para jogo.
Textos sobre desporto para quem pensa que a bola não entra na baliza ou no cesto por acaso.
domingo, 7 de setembro de 2014
sábado, 6 de setembro de 2014
Albânia: a imperial águia de duas cabeças procura fazer História
| Francisco Sousa
País que fez parte do Império Otomano durante mais de 400 anos e que só em 1992 abandonou em definitivo o comunismo, a Albânia procura impor-se aos poucos e poucos na realidade da nova Europa, mais ocidentalizada e moderna. Também no futebol, o país se vai procurando afirmar, tendo vindo a ganhar preponderância ao longo dos últimos anos, fazendo um brilhante aproveitamento dos recursos que vão brotando por países para onde muitos albaneses emigraram nas décadas de 80 e 90 (sobretudo Suíça e Alemanha...). Misto de jogadores locais e descendentes de emigrantes, já nascidos em países economicamente mais poderosos, a nova selecção albanesa tem vindo a crescer de forma bastante palpável e sustentável ao longo dos últimos três anos. Sem somar qualquer participação numa grande prova internacional de selecções, a equipa orientada pelo experiente técnico italiano Gianni De Biasi procura agora dar a surpresa, numa fase de qualificação que, em teoria, dará mais possibilidades a alguns países com potencial mas mais periféricos e não tão habituados aos eventos grandes...
Amanhã, em Aveiro, a formação balcânica começa um trajecto que se espera difícil, mas que todos os locais esperam que seja de sucesso final, pela primeira vez na sua História. O Euro 2016 ainda não pode ser encarado como um objectivo, mas antes um sonho, uma possibilidade futura, sempre dependente das surpresas dadas nos encontros de qualificação. Na última fase de apuramento, a Albânia chegou a sonhar com os dois primeiros lugares, tendo quebrado na fase mais competitiva, prova de que ainda não estava preparada para assumir os grandes palcos. Apesar da possibilidade de recrutamento de descendentes de albaneses, ex-internacionais por selecções ditas maiores, falta ainda tarimba a uma equipa que, apesar das boas intenções, não possui um registo de jogo lá muito atractivo...
Habitualmente formatada para jogar entre um 4x5x1 e um 4x2x3x1, a Albânia pode ainda apresentar-se em variantes tácticas como o 4x1x4x1 ou o 4x4x2 (recurso utilizado do quando há necessidade de ir em busca de um resultado, juntando dois pontas-de-lança). Gianni De Biasi é um italiano puro na forma de trabalhar a sua equipa, privilegiando a organização defensiva, a solidez táctica e um jogo ofensivo mais directo. Apesar de a equipa saber preencher as zonas mais interiores quando defende, nota-se, por vezes, uma certa falta de contundência em alguns momentos da marcação, além dos espaços entre a linha defensiva e os médios mais defensivos e nas costas dos laterais. Equipa que mistura elementos experientes e outros mais imberbes, esta selecção albanesa irá procurar, certamente, aguentar os ímpetos ofensivos da selecção das Quinas, visando depois o contragolpe.
Em termos ofensivos, a Albânia é, de facto, uma equipa de contra-ataque, podendo explorar a velocidade de elementos como Gashi ou Vajushi ou de um jogo mais directo, visando a referência da frente de ataque (Kapllani, Salihi ou Cikalleshi). Sem grandes desequilibradores na zona de construção, são notórias as dificuldades desta equipa em momentos de posse e organização ofensiva. Falta um "10" mais puro, se bem que os alas até procurem explorar muitas vezes os espaços mais interiores. No fundo, esta é uma equipa talhada para jogar num registo de bloco médio-baixo, esperando a oportunidade para fazer dano através de contra-ofensivas ou de um jogo mais directo para os seus avançados. Tem as suas debilidades, mostrando-se algo vulnerável nas laterais e deixando alguns espaços entre-linhas. Porém, a solidez e experiência de jogadores como Cana ou Mavraj, aliadas à imprevisibilidade de Vajushi e ao critério de Gashi, Abrashi ou Taulant Xhaka (sim, é mesmo o irmão do internacional suíço Granit Xhaka!), podem ser trazer dissabores para a equipa de todos nós.
País que fez parte do Império Otomano durante mais de 400 anos e que só em 1992 abandonou em definitivo o comunismo, a Albânia procura impor-se aos poucos e poucos na realidade da nova Europa, mais ocidentalizada e moderna. Também no futebol, o país se vai procurando afirmar, tendo vindo a ganhar preponderância ao longo dos últimos anos, fazendo um brilhante aproveitamento dos recursos que vão brotando por países para onde muitos albaneses emigraram nas décadas de 80 e 90 (sobretudo Suíça e Alemanha...). Misto de jogadores locais e descendentes de emigrantes, já nascidos em países economicamente mais poderosos, a nova selecção albanesa tem vindo a crescer de forma bastante palpável e sustentável ao longo dos últimos três anos. Sem somar qualquer participação numa grande prova internacional de selecções, a equipa orientada pelo experiente técnico italiano Gianni De Biasi procura agora dar a surpresa, numa fase de qualificação que, em teoria, dará mais possibilidades a alguns países com potencial mas mais periféricos e não tão habituados aos eventos grandes...
Amanhã, em Aveiro, a formação balcânica começa um trajecto que se espera difícil, mas que todos os locais esperam que seja de sucesso final, pela primeira vez na sua História. O Euro 2016 ainda não pode ser encarado como um objectivo, mas antes um sonho, uma possibilidade futura, sempre dependente das surpresas dadas nos encontros de qualificação. Na última fase de apuramento, a Albânia chegou a sonhar com os dois primeiros lugares, tendo quebrado na fase mais competitiva, prova de que ainda não estava preparada para assumir os grandes palcos. Apesar da possibilidade de recrutamento de descendentes de albaneses, ex-internacionais por selecções ditas maiores, falta ainda tarimba a uma equipa que, apesar das boas intenções, não possui um registo de jogo lá muito atractivo...
Habitualmente formatada para jogar entre um 4x5x1 e um 4x2x3x1, a Albânia pode ainda apresentar-se em variantes tácticas como o 4x1x4x1 ou o 4x4x2 (recurso utilizado do quando há necessidade de ir em busca de um resultado, juntando dois pontas-de-lança). Gianni De Biasi é um italiano puro na forma de trabalhar a sua equipa, privilegiando a organização defensiva, a solidez táctica e um jogo ofensivo mais directo. Apesar de a equipa saber preencher as zonas mais interiores quando defende, nota-se, por vezes, uma certa falta de contundência em alguns momentos da marcação, além dos espaços entre a linha defensiva e os médios mais defensivos e nas costas dos laterais. Equipa que mistura elementos experientes e outros mais imberbes, esta selecção albanesa irá procurar, certamente, aguentar os ímpetos ofensivos da selecção das Quinas, visando depois o contragolpe.
Em termos ofensivos, a Albânia é, de facto, uma equipa de contra-ataque, podendo explorar a velocidade de elementos como Gashi ou Vajushi ou de um jogo mais directo, visando a referência da frente de ataque (Kapllani, Salihi ou Cikalleshi). Sem grandes desequilibradores na zona de construção, são notórias as dificuldades desta equipa em momentos de posse e organização ofensiva. Falta um "10" mais puro, se bem que os alas até procurem explorar muitas vezes os espaços mais interiores. No fundo, esta é uma equipa talhada para jogar num registo de bloco médio-baixo, esperando a oportunidade para fazer dano através de contra-ofensivas ou de um jogo mais directo para os seus avançados. Tem as suas debilidades, mostrando-se algo vulnerável nas laterais e deixando alguns espaços entre-linhas. Porém, a solidez e experiência de jogadores como Cana ou Mavraj, aliadas à imprevisibilidade de Vajushi e ao critério de Gashi, Abrashi ou Taulant Xhaka (sim, é mesmo o irmão do internacional suíço Granit Xhaka!), podem ser trazer dissabores para a equipa de todos nós.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Um Guia para a Fase de Apuramento da CAN 2015
| António Valente Cardoso
A qualificação final para a Taça Africana das Nações (CAN) 2015 será realizada de forma compacta, com seis encontros em cerca de dois meses, num modelo qualificativo que poderia ter outro formato, permitindo que todos, ou a maioria, tivessem mais do que apenas dois encontros para lutar pela presença na fase final em Marrocos. Pelo próprio hiato temporal que ‘obrigou’ a uma fase final de grupos tão concentrada, seria mais interessante e justo um acréscimo de 14 selecções à fase grupos, a seis, com 10 partidas, que poderia ter arrancado em Abril/Maio, ou até a passagem a seis grupos de seis, com apuramento dos dois primeiros de cada e um play-off entre terceiros para as restantes três vagas.
Esta é apenas uma entre muitas questões que envolvem o futebol africano, como o continente, com uma forte necessidade de desenvolvimento e actualização.
Ao contrário da Europa, os grupos de apuramento africanos são muito voláteis, o peso dos jogos em casa é enorme, as grandes deslocações, as sequentes e ressurgidas crises, conflitos, complicam as viagens, quase sempre um pesadelo logístico. As convocatórias têm, em bastas ocasiões, de ser refeitas face à recusa de futebolistas em saírem dos seus clubes, países, ligas para defenderem a sua selecção, o seu país. Os erros burocráticos, as desistências de eliminatórias, são normais nestes apuramentos, algo a que a Europa está pouco habituada.
Uma situação que caracteriza o futebol africano correntemente é a inversão de uma tendência. Durante anos, décadas, foram as ‘metrópoles’ europeias a tirar partido dos talentos africanos nas suas equipas nacionais. Hoje em dia, são muitas as equipas nacionais africanas a recorrer aos formandos europeus, filhos da diáspora dessas nações, muitos já nascidos e criados em território europeu, para reforçarem as selecções ‘ancestrais’.
Nas três rondas preliminares três apuramentos por desistência de adversário e duas passagens na secretaria por alinhamento de atletas inelegíveis.
A qualificação final para a Taça Africana das Nações (CAN) 2015 será realizada de forma compacta, com seis encontros em cerca de dois meses, num modelo qualificativo que poderia ter outro formato, permitindo que todos, ou a maioria, tivessem mais do que apenas dois encontros para lutar pela presença na fase final em Marrocos. Pelo próprio hiato temporal que ‘obrigou’ a uma fase final de grupos tão concentrada, seria mais interessante e justo um acréscimo de 14 selecções à fase grupos, a seis, com 10 partidas, que poderia ter arrancado em Abril/Maio, ou até a passagem a seis grupos de seis, com apuramento dos dois primeiros de cada e um play-off entre terceiros para as restantes três vagas.
Esta é apenas uma entre muitas questões que envolvem o futebol africano, como o continente, com uma forte necessidade de desenvolvimento e actualização.
Ao contrário da Europa, os grupos de apuramento africanos são muito voláteis, o peso dos jogos em casa é enorme, as grandes deslocações, as sequentes e ressurgidas crises, conflitos, complicam as viagens, quase sempre um pesadelo logístico. As convocatórias têm, em bastas ocasiões, de ser refeitas face à recusa de futebolistas em saírem dos seus clubes, países, ligas para defenderem a sua selecção, o seu país. Os erros burocráticos, as desistências de eliminatórias, são normais nestes apuramentos, algo a que a Europa está pouco habituada.
Uma situação que caracteriza o futebol africano correntemente é a inversão de uma tendência. Durante anos, décadas, foram as ‘metrópoles’ europeias a tirar partido dos talentos africanos nas suas equipas nacionais. Hoje em dia, são muitas as equipas nacionais africanas a recorrer aos formandos europeus, filhos da diáspora dessas nações, muitos já nascidos e criados em território europeu, para reforçarem as selecções ‘ancestrais’.
Nas três rondas preliminares três apuramentos por desistência de adversário e duas passagens na secretaria por alinhamento de atletas inelegíveis.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
2016, o início de uma nova era
| António Valente Cardoso
Arranca a campanha rumo ao Euro 2016, o último de país ‘fixo’, o primeiro a 24, aquele que fechará o ciclo ‘XX’ e iniciará a nova vaga – que sucederá ao Mundial 2018 – com a Liga das Nações, algo semelhante ao que já sucede há anos com outras modalidades através de ligas europeias e ligas mundiais, cada qual encontrando um modelo próprio para procurar dar mais dimensão mediática e retorno financeiro ao seu desporto (hóquei em campo, voleibol, râguebi, por exemplo).
Desde o arranque do Europeu, a quatro na primeira fase, em 1960, já 30 países estiveram presentes em fases finais, três do quais inexistentes hoje em dia – URSS, Jugoslávia e Checoslováquia – além da Alemanha, hoje unida, que se estreou em 1972 ainda como República Federal da Alemanha.
Demasiado se fala em renovação por Portugal. Demasiado porque não há o hábito de convocar os que estão melhor, antes o vício de chamar os que se ‘acha’ serem melhores, dois conceitos que se confundem no âmbito das equipas técnicas e dos media. Existe uma enorme diferença entre ser e estar, sendo que o segundo verbo deveria ter muito mais preponderância face ao primeiro, importa mais que se esteja melhor do que se seja o melhor, até porque aguardar que, num dado momento, o que se entende como sendo melhor faça a diferença relaciona-se mais com confiar na sorte, no individual e indivíduo, ao passo que aquele que está melhor vai mais naturalmente, fruto do trabalho e da competência provada em campo recentemente, criar mais-valia, fortalecer o colectivo, pois falamos de uma modalidade colectiva.
O que também é certo é a necessidade de uma espinha dorsal, para melhor englobar cada novidade, encaixá-la no âmbito de um grupo, que se deve pretender aberto. Uma espinha dorsal é isso mesmo, é uma parte vital do corpo mas uma entre várias, ou seja, não é todo um corpo, onde se incluem os membros, o aparelho neurológico, o coração e todos os restantes elementos que compõem um ser vivo. Assim sendo, definir a espinha dorsal como um núcleo de 19 ou 20 elementos numa convocatória de 22, 23, 24 é um claro exagero e esta é outra diferença fundamental das habituais convocatórias lusas para as de outras selecções de primeira linha.
A renovação deve ser uma constante e não razão de tanto alarido mediático face à sua escassez. É igualmente certo que, chamando os que estão melhor, aqueles que são considerados melhores passarão a trabalhar mais no seio dos seus clubes para agarrar lugar e, dessa forma, regressar meritoriamente à selecção. Este género de atitude por um seleccionador funcionará de forma muito mais eficaz do que através da noção do lugar cativo.
Quando não se fica agarrado a um grupo, se vai chamando que demonstra bons desempenhos nos clubes durante a campanha, utilizando os particulares com esse especial foco, de observar jogadores não habituados à selecção mas que se salientam nos respectivos clubes, torna-se muito mais simples, criteriosa e ampla a escolha para uma fase final, obrigando as ‘primeiras escolhas’ a trabalharem mais a partir do momento em que percebem que não têm um lugar assegurado.
Arranca a campanha rumo ao Euro 2016, o último de país ‘fixo’, o primeiro a 24, aquele que fechará o ciclo ‘XX’ e iniciará a nova vaga – que sucederá ao Mundial 2018 – com a Liga das Nações, algo semelhante ao que já sucede há anos com outras modalidades através de ligas europeias e ligas mundiais, cada qual encontrando um modelo próprio para procurar dar mais dimensão mediática e retorno financeiro ao seu desporto (hóquei em campo, voleibol, râguebi, por exemplo).
Desde o arranque do Europeu, a quatro na primeira fase, em 1960, já 30 países estiveram presentes em fases finais, três do quais inexistentes hoje em dia – URSS, Jugoslávia e Checoslováquia – além da Alemanha, hoje unida, que se estreou em 1972 ainda como República Federal da Alemanha.
Demasiado se fala em renovação por Portugal. Demasiado porque não há o hábito de convocar os que estão melhor, antes o vício de chamar os que se ‘acha’ serem melhores, dois conceitos que se confundem no âmbito das equipas técnicas e dos media. Existe uma enorme diferença entre ser e estar, sendo que o segundo verbo deveria ter muito mais preponderância face ao primeiro, importa mais que se esteja melhor do que se seja o melhor, até porque aguardar que, num dado momento, o que se entende como sendo melhor faça a diferença relaciona-se mais com confiar na sorte, no individual e indivíduo, ao passo que aquele que está melhor vai mais naturalmente, fruto do trabalho e da competência provada em campo recentemente, criar mais-valia, fortalecer o colectivo, pois falamos de uma modalidade colectiva.
O que também é certo é a necessidade de uma espinha dorsal, para melhor englobar cada novidade, encaixá-la no âmbito de um grupo, que se deve pretender aberto. Uma espinha dorsal é isso mesmo, é uma parte vital do corpo mas uma entre várias, ou seja, não é todo um corpo, onde se incluem os membros, o aparelho neurológico, o coração e todos os restantes elementos que compõem um ser vivo. Assim sendo, definir a espinha dorsal como um núcleo de 19 ou 20 elementos numa convocatória de 22, 23, 24 é um claro exagero e esta é outra diferença fundamental das habituais convocatórias lusas para as de outras selecções de primeira linha.
A renovação deve ser uma constante e não razão de tanto alarido mediático face à sua escassez. É igualmente certo que, chamando os que estão melhor, aqueles que são considerados melhores passarão a trabalhar mais no seio dos seus clubes para agarrar lugar e, dessa forma, regressar meritoriamente à selecção. Este género de atitude por um seleccionador funcionará de forma muito mais eficaz do que através da noção do lugar cativo.
Quando não se fica agarrado a um grupo, se vai chamando que demonstra bons desempenhos nos clubes durante a campanha, utilizando os particulares com esse especial foco, de observar jogadores não habituados à selecção mas que se salientam nos respectivos clubes, torna-se muito mais simples, criteriosa e ampla a escolha para uma fase final, obrigando as ‘primeiras escolhas’ a trabalharem mais a partir do momento em que percebem que não têm um lugar assegurado.
O fracasso do Celtic
| Andy McDougall
O fracasso do Celtic nas fases de qualificação para a Liga dos Campeões pode ser indicativo de várias coisas. A inexperiência de Ronny Deila, a falta de ambição da direção do clube, o estado geral do futebol escocês, ou simplesmente que é o que sempre passa com os novos treinadores no Celtic. Por agora, é difícil identificar qual é o mais acertado, mas vale a pena examinar as opções.
Talvez seja que o novo treinador, Ronny Deila que veio do Stromgodset, campeões da Noruega, não tenha a experiência nem o perfil para treinar um clube tão grande e com expectativas tão altas.
Há adeptos dos verde-e-brancos de Glasgow que já estão a perder paciência com ele. No entanto, uma conclusão assim parece um pouco prematura já que estamos no início de Setembro.
Também há-de ter em conta como começaram Neil Lennon e Gordon Strachan as suas carreiras como treinador dos Bhoys: a equipa de Gordon Strachan foi eliminada das competições europeias pelo Artmedia Bratislava após perder 5-0 na Eslováquia, e na primeira época inteira em que Neil Lennon foi treinador, o Celtic também ficou fora da Europa antes de Setembro.
Recorde-se que esta época o Celtic está nos grupos da Liga Europa, visto assim Deila começou melhor do que Strachan e Lennon, dois treinadores que tiveram muito sucesso em Glasgow. Sem dúvida é cedo demais para julgar o norueguês.
O fracasso do Celtic nas fases de qualificação para a Liga dos Campeões pode ser indicativo de várias coisas. A inexperiência de Ronny Deila, a falta de ambição da direção do clube, o estado geral do futebol escocês, ou simplesmente que é o que sempre passa com os novos treinadores no Celtic. Por agora, é difícil identificar qual é o mais acertado, mas vale a pena examinar as opções.
Talvez seja que o novo treinador, Ronny Deila que veio do Stromgodset, campeões da Noruega, não tenha a experiência nem o perfil para treinar um clube tão grande e com expectativas tão altas.
Há adeptos dos verde-e-brancos de Glasgow que já estão a perder paciência com ele. No entanto, uma conclusão assim parece um pouco prematura já que estamos no início de Setembro.
Também há-de ter em conta como começaram Neil Lennon e Gordon Strachan as suas carreiras como treinador dos Bhoys: a equipa de Gordon Strachan foi eliminada das competições europeias pelo Artmedia Bratislava após perder 5-0 na Eslováquia, e na primeira época inteira em que Neil Lennon foi treinador, o Celtic também ficou fora da Europa antes de Setembro.
Recorde-se que esta época o Celtic está nos grupos da Liga Europa, visto assim Deila começou melhor do que Strachan e Lennon, dois treinadores que tiveram muito sucesso em Glasgow. Sem dúvida é cedo demais para julgar o norueguês.
domingo, 31 de agosto de 2014
A importância de sonhar
| Luís Cristóvão
Podes ser baixo, podes ser menos talentoso, podes tomar piores decisões, podes jogar num campeonato de menor importância. Mas uma coisa que podes fazer é sonhar. Sonhar nunca desistir, mesmo quando todos os prognósticos estão contra ti. As Filipinas, ontem, demonstraram isso mesmo na primeira jornada do Mundial de Basquetebol e levaram a favorita Croácia a prolongamento. É basquetebol. Tudo é possível.
Podes ser baixo, podes ser menos talentoso, podes tomar piores decisões, podes jogar num campeonato de menor importância. Mas uma coisa que podes fazer é sonhar. Sonhar nunca desistir, mesmo quando todos os prognósticos estão contra ti. As Filipinas, ontem, demonstraram isso mesmo na primeira jornada do Mundial de Basquetebol e levaram a favorita Croácia a prolongamento. É basquetebol. Tudo é possível.
sábado, 30 de agosto de 2014
O derby de Lisboa
| Carolina Neto
No próximo domingo, joga-se, no Estádio da Luz, o primeiro derby da época 2014-2015. E logo na terceira jornada. A emoção de um Benfica x Sporting no início do campeonato, e onde ainda é impossível fazer previsões sobre como será esta época, ou sobre quem será o vencedor. E sim, isto é um derby. Não mais do que um jogo entre duas equipas de futebol da mesma cidade, mas ironia das ironias é um clássico do futebol português.
Um clássico lisboeta, e também de Portugal, que teve o seu primeiro episódio em 1907. As primeiras páginas da rivalidade entre Benfica e Sporting começaram a ser escritas nesse ano. Sobre a luta entre estes dois clubes há muito para contar, histórias que os jornais mais antigos nos contam e que hoje em dia fazem parte da história e da identidade destes dois clubes. Os maiores de Lisboa, e dois dos três grandes de Portugal.
No próximo domingo, joga-se, no Estádio da Luz, o primeiro derby da época 2014-2015. E logo na terceira jornada. A emoção de um Benfica x Sporting no início do campeonato, e onde ainda é impossível fazer previsões sobre como será esta época, ou sobre quem será o vencedor. E sim, isto é um derby. Não mais do que um jogo entre duas equipas de futebol da mesma cidade, mas ironia das ironias é um clássico do futebol português.
Um clássico lisboeta, e também de Portugal, que teve o seu primeiro episódio em 1907. As primeiras páginas da rivalidade entre Benfica e Sporting começaram a ser escritas nesse ano. Sobre a luta entre estes dois clubes há muito para contar, histórias que os jornais mais antigos nos contam e que hoje em dia fazem parte da história e da identidade destes dois clubes. Os maiores de Lisboa, e dois dos três grandes de Portugal.
Se não vais fazer falta, corre em linha reta
| Luís Cristóvão
Com toda a equipa balanceada para o ataque, o Manchester City é surpreendido por um corte de bola, sendo esta recolhida por Mame Diouf na entrada da área do Stoke. O senegalês teve um daqueles momentos únicos que permitem que um jogador marque um golo memorável. No entanto, a defesa do Manchester City ofereceu-lhe uma sucessão de más tomadas de decisão para lhe facilitar a vida. A saída do primeiro defesa à saída de bola foi deficiente - e devia ter provocado a falta logo ali. Para o deixar sair a correr, mais valia ter-se posicionado no apoio ao segundo defesa, que quando chegou a sua altura de abordar a jogada, já nem arriscou amarelo ou vermelho, deixou Mame Diouf passar. Para finalizar a oferta com um enorme laço, só mesmo Joe Hart, também, a facilitar.
Foi assim:
http://www.tvgolo.com/pt/resumo-jogo-1409408318---40
Com toda a equipa balanceada para o ataque, o Manchester City é surpreendido por um corte de bola, sendo esta recolhida por Mame Diouf na entrada da área do Stoke. O senegalês teve um daqueles momentos únicos que permitem que um jogador marque um golo memorável. No entanto, a defesa do Manchester City ofereceu-lhe uma sucessão de más tomadas de decisão para lhe facilitar a vida. A saída do primeiro defesa à saída de bola foi deficiente - e devia ter provocado a falta logo ali. Para o deixar sair a correr, mais valia ter-se posicionado no apoio ao segundo defesa, que quando chegou a sua altura de abordar a jogada, já nem arriscou amarelo ou vermelho, deixou Mame Diouf passar. Para finalizar a oferta com um enorme laço, só mesmo Joe Hart, também, a facilitar.
Foi assim:
http://www.tvgolo.com/pt/resumo-jogo-1409408318---40
Superlig 2014/15 - O Guia
| António Valente Cardoso
Entre a global metrópole de
Istambul e as grutas primitivas do planalto da Anatólia, entre a Europa e Ásia,
que aqui se unem, entre as grandes civilizações clássicas e a religião, entre o
capital e a tradição, entre o desejo europeu e a herança otomana, aqui se ergue
um extenso país, pleno de contrastes, a Turquia.
Depois de décadas na obscuridade, também a
Turquia soube tirar partido dos combustíveis fósseis e outras matérias-primas
para assumir crescente preponderância no mundo, aliada estratégica dos EUA numa
zona nevrálgica do globo, é uma potência regional, elo de ligação entre a
Europa de Leste, o Médio Oriente e o Ocidente.
O crescimento económico do país,
o desenvolvimento de infra-estruturas, aproxima a Turquia do que é considerado
‘aceite’ no Ocidente, ainda que a Turquia profunda seja uma história totalmente
diferente e a zona fronteiriça e curda um problema latente ainda não resolvido.
Esta capacidade económica
transformou a Turquia de uma inexistência desportiva num pólo, a vários níveis.
Sendo o futebol o principal foco de interesse desportivo dos turcos, com vários
derbies escaldantes, o país desenvolveu ligas – masculinas e femininas – de
basquetebol e voleibol capazes de coroar equipas nas provas europeias, trouxeram
talentos do Corno de África para o atletismo e foram a leste recrutar elementos
para o halterofilismo, as lutas livre e greco-romana. A aposta turística é
igualmente forte e, num instante, a Turquia passou a ser sede invernal para
dezenas de equipas de futebol, desde a Rússia até à Alemanha, país que tem a
maior diáspora e que, também aí, tem valido o crescimento e desenvolvimento do
futebol. O ténis, por exemplo, encontrou aqui um palco ‘final’ durante alguns
anos e as condições são esplêndidas, como os e as jogadoras fazem questão de
partilhar.
1959 é o ano de fundação da liga
turca, não muito diferente da lusa, com títulos exclusivos de Fenerbahce (19),
Galatasaray (19), Besiktas (13) e Trabzonspor (6) até à entrada no clube dos
‘Crocodilos Verdes’, o Bursaspor, que investiu para o título de 2010.
Naturalmente, o futebol e a liga
de Istambul remontam ao início do século XX, contudo apenas após a II Guerra
Mundial se cria uma verdadeira liga nacional.
Tem sido uma liga flagelada por
polémicas, corrupção, viciação de resultados, que resultou na retirada de
títulos, impedimento de participação europeia, mas tal não abala o contínuo
crescimento da liga turca, apenas batida por Inglaterra, Espanha e Alemanha em
capital, rivalizando com a russa, a ucraniana ou a italiana na capacidade
financeira e de captar futebolistas, por muito que se veja ainda com
preconceito.
Apesar da recente viragem na
tendência, em contraciclo com o resto da Europa, a liga turca será,
provavelmente, a liga no mundo com mais técnicos estrangeiros campeões. Em 56
edições de prova 34 títulos foram obtidos por técnicos de outras nações,
contudo os últimos sete ficaram em ‘casa’, contrabalançando um pouco esse
diferencial.
18 formações compõem a Super Lig,
sendo totalistas Besiktas, Fenerbahce e Galatasaray num total de 68
participantes na história da prova até ao momento. Além das cinco formações na
euro-asiática Istambul, nenhuma outra cidade congrega mais do que um clube na
divisão máxima turca.
Na competição das marcas,
interessante num quadro de grande fanatismo e num país com uma população a
aproximar-se dos 80 milhões, a Adidas equipa Besiktas, Fenerbahce, Karabukspor,
Kasimpasa, Kayseri Erciyesspor e Sivasspor, um terço das agremiações. Com a
Nike vestem Eskisehirspor, Galatasaray, Gaziantepspor e Trabzonspor. A Lotto
fornece o Rizespor, o Mersin e o Gençlerbirligi, a Hummel acompanha o
Konyaspor, a Legea possui o Istanbul BB, a Puma veste o Bursaspor e o
Belediyespor, enquanto a Lescon Balikesirspor.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
De Giggs a Grigg vai um Van Gaal de Distância
| João Gonçalves
No passado dia 5 de Julho William Grigg seria a apenas só mais um espectador atento do jogo Holanda - Costa Rica que produziu um dos momentos mais falados do Mundial do Brasil. Louis Van Gaal antes de terminar o prolongamento troca de guarda redes a pensar nos penaltis e o resto já se sabe como acabou.
Grigg, 23 anos, é um avançado internacional pelo seu país, Irlanda do Norte, fez carreira no Walsall onde deu nas vistas com 19 golos em 2012/13 valendo-lhe uma transferência para o Brentford. Aí só fez 5 golos em 34 jogos e transferiu-se para o MK Dons. Estamos a falar, portanto, de uma carreira na League One, terceiro escalão inglês.
O Milton Keynes Dons é um dos clubes que menos simpatia tem em Inglaterra devido à sua origem. Foi fundado em 2004 quando a direcção do Wimbledon FC renegou 113 anos de tradição e decidiu mudar-se do distrito de Wimbledon, na Grande Londres, para Milton Keynes, na região de Buckingham, a 90 km. Para herdar o lugar do Wimbledon FC na 3ª divisão, o novo clube teve de trocar de nome e deixar para trás toda a sua história. Insatisfeitos com a mudança de sede e de nome, os adeptos do histórico Wimbledon FC, que fez furor nos anos 80 chegando a vencer uma Taça de Inglaterra, uniram-se e fundaram o AFC Wimbledon apenas seis semanas depois. Começaram no 9º escalão e entretanto já contam com 5 subidas de divisão. É uma história que merece ser aprofundada mas aqui serve só para enquadrar melhor o contexto.
No passado dia 5 de Julho William Grigg seria a apenas só mais um espectador atento do jogo Holanda - Costa Rica que produziu um dos momentos mais falados do Mundial do Brasil. Louis Van Gaal antes de terminar o prolongamento troca de guarda redes a pensar nos penaltis e o resto já se sabe como acabou.
Grigg, 23 anos, é um avançado internacional pelo seu país, Irlanda do Norte, fez carreira no Walsall onde deu nas vistas com 19 golos em 2012/13 valendo-lhe uma transferência para o Brentford. Aí só fez 5 golos em 34 jogos e transferiu-se para o MK Dons. Estamos a falar, portanto, de uma carreira na League One, terceiro escalão inglês.
O Milton Keynes Dons é um dos clubes que menos simpatia tem em Inglaterra devido à sua origem. Foi fundado em 2004 quando a direcção do Wimbledon FC renegou 113 anos de tradição e decidiu mudar-se do distrito de Wimbledon, na Grande Londres, para Milton Keynes, na região de Buckingham, a 90 km. Para herdar o lugar do Wimbledon FC na 3ª divisão, o novo clube teve de trocar de nome e deixar para trás toda a sua história. Insatisfeitos com a mudança de sede e de nome, os adeptos do histórico Wimbledon FC, que fez furor nos anos 80 chegando a vencer uma Taça de Inglaterra, uniram-se e fundaram o AFC Wimbledon apenas seis semanas depois. Começaram no 9º escalão e entretanto já contam com 5 subidas de divisão. É uma história que merece ser aprofundada mas aqui serve só para enquadrar melhor o contexto.
Rio Ave: 10% de inspiração
| Luís Cristóvão
Tu pensas, planeias, organizas, dedicas-te a um objetivo, marcar sem sofrer golos. Segunda mão do playoff de acesso à Liga dos Campeões. O adversário mexe, ligeiramente, na sua arrumação em campo e consegue tapar-te os caminhos para a baliza. O tempo passa, o desespero aumenta, e o tique-taque do relógio impele-te para um jogo mais direto, ainda que os suecos sejam, fisicamente, mais aptos a defender-se de bolas altas. Já passaram os 90 minutos. O teu guarda-redes corre para impedir que uma bola saia pela linha de fundo, mesmo que a posse fosse para a tua equipa. Procura o melhor ponto para a pontapear, parece hesitar, a bola sai longa. O teu avançado falha o cabeceamento e o defesa é surpreendido, toca-a para lá da linha de fora-de-jogo que o adversário preparava. Estava lá Esmael. O árbitro auxiliar lê bem a situação, deixa prosseguir a jogada. Tudo acontece muito rápido. O teu avançado não consegue bater a bola em condições, dir-se-ia que falhou o remate. Mas a bola passa pelo guarda-redes e cada segundo parecem horas. Sim, vai mesmo em direção à baliza. Golo. E tu, treinador, agradeces aquele espaço que fica sempre no plano para os 10% de inspiração.
Tu pensas, planeias, organizas, dedicas-te a um objetivo, marcar sem sofrer golos. Segunda mão do playoff de acesso à Liga dos Campeões. O adversário mexe, ligeiramente, na sua arrumação em campo e consegue tapar-te os caminhos para a baliza. O tempo passa, o desespero aumenta, e o tique-taque do relógio impele-te para um jogo mais direto, ainda que os suecos sejam, fisicamente, mais aptos a defender-se de bolas altas. Já passaram os 90 minutos. O teu guarda-redes corre para impedir que uma bola saia pela linha de fundo, mesmo que a posse fosse para a tua equipa. Procura o melhor ponto para a pontapear, parece hesitar, a bola sai longa. O teu avançado falha o cabeceamento e o defesa é surpreendido, toca-a para lá da linha de fora-de-jogo que o adversário preparava. Estava lá Esmael. O árbitro auxiliar lê bem a situação, deixa prosseguir a jogada. Tudo acontece muito rápido. O teu avançado não consegue bater a bola em condições, dir-se-ia que falhou o remate. Mas a bola passa pelo guarda-redes e cada segundo parecem horas. Sim, vai mesmo em direção à baliza. Golo. E tu, treinador, agradeces aquele espaço que fica sempre no plano para os 10% de inspiração.
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