Mais do mesmo. Como em todos os campeonatos
desportivos portugueses, há uma diferença abismal entre os três, ditos, grandes
e os restantes emblemas. Um peso que se faz sentir no equilíbrio de cada
competição, nos resultados finais e na própria competitividade externa,
enfraquecida pela falta da mesma internamente.
Inédito hexacampeão, o FC Porto
parte à frente dos rivais na busca do sétimo consecutivo, 20.º campeonato de
sete da sua história, com Sporting CP e Benfica como principais contendores. O
ABC, com um orçamento bem inferior, correrá por fora, assente no seu peso
histórico dentro da modalidade e no bom trabalho de Carlos Resende.
A maioria dos plantéis é feita em
casa e, numa segunda linha, estarão Águas Santas, Belenenses, ISMAI, Madeira
SAD, Sporting Horta, tentarão as restantes vagas no play-off para o título e
Europa, situação que Passos Manuel e os promovidos Ginásio Santo Tirso e Xico
Andebol também procurarão.
Este será o segundo ano de campeonato sem
Aleksander Donner, o homem que catapultou o andebol português para o primeiro
patamar mundial, com o ABC e a selecção, mudando mentalidades, inovando no
treino, criando responsabilidade, crença e ambição, um fantástico trabalho que
os dirigentes portugueses conseguiram destruir com o cisma que retirou selecção
sénior e clubes desse espaço tão complicado de alcançar.
Continua-se a trabalhar bem na
formação, onde as selecções portuguesas vão marcando presença nas fases finais,
em masculinos e femininos, mas o reflexo sénior desse labor de excelência pouco
se observa. A forte crise que abalou as modalidades de pavilhão em Espanha não
ajudou em nada a uma liga totalmente periférica, com valores de enorme
qualidade mas sem montra para os ‘vender’. A passagem do FC Porto pela fase de
grupos da Liga dos Campeões 13/14 valeu a mudança de Tiago Rocha para o Wisla
Plock e de Wilson Davyes para o Nantes, optando Gilberto Duarte por continuar
no Dragão Caixa, apesar das diversas ofertas, nomeadamente da melhor liga do
mundo, a alemã.
Esta situação não sucederá nesta
época pois os portistas não se conseguiram apurar para a fase de grupos. Na EHF
Cup o Sporting CP entrará na segunda ronda e defronta os eslovacos do Sporta
Hlohovec, enquanto o campeão nacional salta para a terceira ronda da
competição. Benfica e ABC jogarão a Challenge Cup, com encarnados a encontrar
os noruegueses do Fyllingen Bergen e minhotos a aguardar adversário na ronda
seguinte após ficarem isentos do sorteio por serem a formação com melhor
ranking.
A crise, ausência de uma aposta e
desenvolvimento concertados, conjuntos, tem levado ao abandono de muitos
andebolistas de maior ou menor qualidade, dada a pouca probabilidade de uma
carreira profissional e a natural aposta na área de estudo/trabalho de eleição
fora dos pavilhões e, mesmo da geração dourada, esperar-se-ia mais envolvimento
dos nomes agora retirados, na defesa do andebol mais do que na defesa de um ou
outro clube, discutindo-se formas, alternativas para voltar a trazer a
modalidade ao primeiro plano, delinear estratégias para, por exemplo, associar
escolas/academias/clubes às ligas mais fortes, alemã, francesa, polaca,
dinamarquesa, húngara, para que os jogadores vivenciem as mesmas, conciliando
essa prática com os estudos académicos e os programas de mobilidade europeia,
mostrando a qualidade do andebolista português aí e bebendo a metodologia de
treino, de jogo da Europa Central.
Desaparecido da RTP, cujo serviço
público no que toca ao desporto deixa cada vez mais a desejar, o andebol conta
com o canal criado pela federação, os canais dos clubes, Porto Canal e Sporting
TV em sinal aberto, Benfica TV com assinatura, aguardando-se para perceber se
ABolaTv continuará a transmitir também o campeonato e o programa de Edite Dias,
andebola, que mereceria mais divulgação e repetição no canal (também ‘rendido’
basicamente a trios na promoção dos seus próprios programas).










