| Luís Cristóvão
A segunda semana de treinos fica marcada pelas mazelas que uma parte dos atletas sofreram com as primeiras cargas físicas. Depois das chamadas férias grandes, onde a generalidade deles se dedicou às suas brincadeiras, o choque com a intensidade do treino levou a dores musculares e bolhas nos pés que o tempo se encarregará de os fazer ultrapassar. No entanto, como nestas duas semanas ainda não havia aulas, na sua mente eles continuam de férias. E isso é mais difícil de ultrapassar do que as pequenas dores. Sem os jogos no horizonte, falta aos miúdos a percepção do tipo de ganhos que estes treinos poderão oferecer mais à frente na temporada, simplesmente, é algo que eles ainda não experienciaram. Sendo assim, ganha importância o trabalho mental.
Textos sobre desporto para quem pensa que a bola não entra na baliza ou no cesto por acaso.
domingo, 14 de setembro de 2014
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Grande Prémio TIM de São Marino e da Riviera de Rimi
| Carolina Neto
O grande prémio deste fim-de-semana é um acontecimento cheio de emoções para os amantes das duas rodas. Todos os circuitos têm uma história e o circuito de Misano, agora conhecido como Circuito Marco Simoncelli, não é excepção.
Os italianos são conhecidos como um dos povos mais apaixonados pelo desporto motorizado, nomeadamente o mundo motogp. E têm razões para isso: nos últimos anos, tanto Valentino Rossi, como o falecido Marco Simoncelli, levaram os italianos à loucura com os seus feitos.
Valentino Rossi é idolatrado por todos os italianos, depois de já ter conquistado sete campeonatos na categoria rainha.
O grande prémio deste fim-de-semana é um acontecimento cheio de emoções para os amantes das duas rodas. Todos os circuitos têm uma história e o circuito de Misano, agora conhecido como Circuito Marco Simoncelli, não é excepção.
Os italianos são conhecidos como um dos povos mais apaixonados pelo desporto motorizado, nomeadamente o mundo motogp. E têm razões para isso: nos últimos anos, tanto Valentino Rossi, como o falecido Marco Simoncelli, levaram os italianos à loucura com os seus feitos.
Valentino Rossi é idolatrado por todos os italianos, depois de já ter conquistado sete campeonatos na categoria rainha.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Merci Orenga!
| Ricardo Silva
Não dá para acreditar que a França tenha ganho 50 ressaltos contra 28 dos Espanhóis e Orenga tenha mantido sempre os 3 jogadores de posição 5 a jogar, obrigando um deles a jogar a 4 e a defender os 4 e 5 da França que são muitíssimo mais móveis! Felipe Reyes no banco sem qualquer minuto (já era quase uma regra nas partidas anteriores).
A juntar a isto, e ao nível defensivo, a defesa dos cortes, as ajudas defensivas e as rotações defensivas de toda a equipa espanhola foi fraca!
Outra das questões foi o facto de Orenga nunca ter conseguido tirar partido das características dos seus bases, todos com estilos de jogo diferentes e que podiam aportar à equipa outras mais valias ... também se outros interiores tivessem entrado na rotação, porque jogar sistematicamente só com estes 3 interiores é redutor e retira capacidade física em momentos decisivos! Exemplo, Sergio Rodriguez em campo privilegiar o pick&roll e a intensidade elevada. Calderon, o jogo estático e a organização!
Ricky as defesas pressionantes e ofensivamente o jogo desde bloqueios indirectos. Que aproveitamento ocorreu? Chegar ao ataque e meter a bola dentro para nem se quer se tirar partido disso porque a ocupação espacial e a oposição dos franceses é enorme, além do forçar, forçar, forçar o jogo interior, já para nem falar da fraquíssima % de tiro exterior dos jogadores espanhóis, em dia não de 3 pontos! Previsível a forma de jogar da Espanha, demasiado previsível!
Outro ponto que na minha opinião também é decisivo está relacionado com Rudy Fernandez que há muito tempo produz pouquíssimo para o tempo de jogo que tem e principalmente face a um Llull que apesar de ser um 2 conseguiu quase sempre produzir mais que Rudy, exemplo disso foi o início do terceiro período!
Enfim, quem será o próximo seleccionador espanhol? Será seguramente melhor que este!
Ah e terminou a geração de 80!
Não dá para acreditar que a França tenha ganho 50 ressaltos contra 28 dos Espanhóis e Orenga tenha mantido sempre os 3 jogadores de posição 5 a jogar, obrigando um deles a jogar a 4 e a defender os 4 e 5 da França que são muitíssimo mais móveis! Felipe Reyes no banco sem qualquer minuto (já era quase uma regra nas partidas anteriores).
A juntar a isto, e ao nível defensivo, a defesa dos cortes, as ajudas defensivas e as rotações defensivas de toda a equipa espanhola foi fraca!
Outra das questões foi o facto de Orenga nunca ter conseguido tirar partido das características dos seus bases, todos com estilos de jogo diferentes e que podiam aportar à equipa outras mais valias ... também se outros interiores tivessem entrado na rotação, porque jogar sistematicamente só com estes 3 interiores é redutor e retira capacidade física em momentos decisivos! Exemplo, Sergio Rodriguez em campo privilegiar o pick&roll e a intensidade elevada. Calderon, o jogo estático e a organização!
Ricky as defesas pressionantes e ofensivamente o jogo desde bloqueios indirectos. Que aproveitamento ocorreu? Chegar ao ataque e meter a bola dentro para nem se quer se tirar partido disso porque a ocupação espacial e a oposição dos franceses é enorme, além do forçar, forçar, forçar o jogo interior, já para nem falar da fraquíssima % de tiro exterior dos jogadores espanhóis, em dia não de 3 pontos! Previsível a forma de jogar da Espanha, demasiado previsível!
Outro ponto que na minha opinião também é decisivo está relacionado com Rudy Fernandez que há muito tempo produz pouquíssimo para o tempo de jogo que tem e principalmente face a um Llull que apesar de ser um 2 conseguiu quase sempre produzir mais que Rudy, exemplo disso foi o início do terceiro período!
Enfim, quem será o próximo seleccionador espanhol? Será seguramente melhor que este!
Ah e terminou a geração de 80!
CAMPEONATO MULTICARE 1.ª Divisão Feminina
| António Valente Cardoso
Se existem problemas e abandonos
precoces no masculino, o que dizer do feminino, onde a maioria das atletas paga
para praticar a modalidade de que tanto gostam, esta como todas as colectivas
no feminino.
Depois do avassalador domínio
madeirense, 16 títulos consecutivos entre 94 e 2009, surgiu o magnífico
projecto Gil Eanes, em Lagos, com Donner a dar dois títulos nacionais até ao
fim do projecto académico-desportivo, em que assentam quase todas as formações,
diga-se, volta a rumar à Madeira até que as aveirenses do Alavarium conseguem o
que as formações gaienses, especialmente o Colégio de Gaia, buscam há desde
1991, sem sucesso.
Convém salientar que boa parte
das atletas, mais ou menos jovens, são também treinadoras, árbitras,
directoras, reúnem/acumulam vários cargos dentro das instituições que
representam ou noutras, noutro real exemplo de gosto pela modalidade.
Campeonato Nacional Andebol 1
| António Valente Cardoso
Mais do mesmo. Como em todos os campeonatos
desportivos portugueses, há uma diferença abismal entre os três, ditos, grandes
e os restantes emblemas. Um peso que se faz sentir no equilíbrio de cada
competição, nos resultados finais e na própria competitividade externa,
enfraquecida pela falta da mesma internamente.
Inédito hexacampeão, o FC Porto
parte à frente dos rivais na busca do sétimo consecutivo, 20.º campeonato de
sete da sua história, com Sporting CP e Benfica como principais contendores. O
ABC, com um orçamento bem inferior, correrá por fora, assente no seu peso
histórico dentro da modalidade e no bom trabalho de Carlos Resende.
A maioria dos plantéis é feita em
casa e, numa segunda linha, estarão Águas Santas, Belenenses, ISMAI, Madeira
SAD, Sporting Horta, tentarão as restantes vagas no play-off para o título e
Europa, situação que Passos Manuel e os promovidos Ginásio Santo Tirso e Xico
Andebol também procurarão.
Este será o segundo ano de campeonato sem
Aleksander Donner, o homem que catapultou o andebol português para o primeiro
patamar mundial, com o ABC e a selecção, mudando mentalidades, inovando no
treino, criando responsabilidade, crença e ambição, um fantástico trabalho que
os dirigentes portugueses conseguiram destruir com o cisma que retirou selecção
sénior e clubes desse espaço tão complicado de alcançar.
Continua-se a trabalhar bem na
formação, onde as selecções portuguesas vão marcando presença nas fases finais,
em masculinos e femininos, mas o reflexo sénior desse labor de excelência pouco
se observa. A forte crise que abalou as modalidades de pavilhão em Espanha não
ajudou em nada a uma liga totalmente periférica, com valores de enorme
qualidade mas sem montra para os ‘vender’. A passagem do FC Porto pela fase de
grupos da Liga dos Campeões 13/14 valeu a mudança de Tiago Rocha para o Wisla
Plock e de Wilson Davyes para o Nantes, optando Gilberto Duarte por continuar
no Dragão Caixa, apesar das diversas ofertas, nomeadamente da melhor liga do
mundo, a alemã.
Esta situação não sucederá nesta
época pois os portistas não se conseguiram apurar para a fase de grupos. Na EHF
Cup o Sporting CP entrará na segunda ronda e defronta os eslovacos do Sporta
Hlohovec, enquanto o campeão nacional salta para a terceira ronda da
competição. Benfica e ABC jogarão a Challenge Cup, com encarnados a encontrar
os noruegueses do Fyllingen Bergen e minhotos a aguardar adversário na ronda
seguinte após ficarem isentos do sorteio por serem a formação com melhor
ranking.
A crise, ausência de uma aposta e
desenvolvimento concertados, conjuntos, tem levado ao abandono de muitos
andebolistas de maior ou menor qualidade, dada a pouca probabilidade de uma
carreira profissional e a natural aposta na área de estudo/trabalho de eleição
fora dos pavilhões e, mesmo da geração dourada, esperar-se-ia mais envolvimento
dos nomes agora retirados, na defesa do andebol mais do que na defesa de um ou
outro clube, discutindo-se formas, alternativas para voltar a trazer a
modalidade ao primeiro plano, delinear estratégias para, por exemplo, associar
escolas/academias/clubes às ligas mais fortes, alemã, francesa, polaca,
dinamarquesa, húngara, para que os jogadores vivenciem as mesmas, conciliando
essa prática com os estudos académicos e os programas de mobilidade europeia,
mostrando a qualidade do andebolista português aí e bebendo a metodologia de
treino, de jogo da Europa Central.
Desaparecido da RTP, cujo serviço
público no que toca ao desporto deixa cada vez mais a desejar, o andebol conta
com o canal criado pela federação, os canais dos clubes, Porto Canal e Sporting
TV em sinal aberto, Benfica TV com assinatura, aguardando-se para perceber se
ABolaTv continuará a transmitir também o campeonato e o programa de Edite Dias,
andebola, que mereceria mais divulgação e repetição no canal (também ‘rendido’
basicamente a trios na promoção dos seus próprios programas).
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Escócia - A Derrota Gloriosa
| Andy McDougall
Foi mais uma derrota gloriosa. Sim, a seleção escocesa é especialista nesta
arte de valor questionável. O jogo em Dortmund foi outro exemplo daquela sensação
agridoce de ter chegado tão perto a alcançar algo especial com trabalho duro,
superando as expectativas, às vezes com um pouco dum sentido de injustiça, e
encontrar alguma honra no fracasso, que já não é nada estranho para os adeptos
escoceses. O que deixa é uma mistura de orgulho e frustração. Assim é a vida
para o Tartan Army.
A Escócia nunca esperou conseguir algo do jogo contra os campeões do mundo
mas quando chegas tão perto até é mais frustrante do que perder por uma margem
maior. Além disso, não foi por sorte que os alemães não venceram por mais
golos; a Escócia defendeu bem e até mostrou perigo no contra-ataque.
O golo da Escócia, marcado por Ikechi Anya, extremo do Watford, e bem
assistido por Steven Fletcher do Sunderland, provou que a Escócia é capaz de
marcar contra equipas melhores com a bola rolando, mas já sabíamos isso. Mais
difícil é deixar o campo com um ponto ou três como prémio pelos esforços dentro
das quatro linhas.
O jogo do domingo fez lembrar da derrota por 3-2 em Wembley há um ano
contra o rival mais antigo, a Inglaterra. A Escócia jogou bem e por duas vezes
teve a vantagem, voltando para o norte orgulhoso mas com o sabor familiar de
“quase, quase…”
domingo, 7 de setembro de 2014
Semana 1: Vida de treinador
| Luís Cristóvão
Durante a presente temporada vou tentar, a cada semana, fazer uma reflexão sobre o trabalho de treinador numa equipa de basquetebol. Os comentários, as ideias e as sugestões são desejadas, para que se alimente uma saudável discussão sobre os vários caminhos que podemos seguir.
O início da temporada é uma espécie de regresso às aulas para os rapazes de uma equipa de Sub-14. Os primeiros dias vão servindo para trocar as experiências de verão e recuperar o convívio entre amigos a fazer algo que adoram fazer: jogar basquetebol. Sendo este um grupo que já estava formado da temporada anterior, as opções de treino visam, sobretudo, reativar os princípios daquilo que pretendemos para a nossa equipa. A generalidade dos exercícios desta primeira semana são já conhecidos dos jogadores que percebem, intuitivamente, o transporte dessa realidade para jogo.
Durante a presente temporada vou tentar, a cada semana, fazer uma reflexão sobre o trabalho de treinador numa equipa de basquetebol. Os comentários, as ideias e as sugestões são desejadas, para que se alimente uma saudável discussão sobre os vários caminhos que podemos seguir.
O início da temporada é uma espécie de regresso às aulas para os rapazes de uma equipa de Sub-14. Os primeiros dias vão servindo para trocar as experiências de verão e recuperar o convívio entre amigos a fazer algo que adoram fazer: jogar basquetebol. Sendo este um grupo que já estava formado da temporada anterior, as opções de treino visam, sobretudo, reativar os princípios daquilo que pretendemos para a nossa equipa. A generalidade dos exercícios desta primeira semana são já conhecidos dos jogadores que percebem, intuitivamente, o transporte dessa realidade para jogo.
sábado, 6 de setembro de 2014
Albânia: a imperial águia de duas cabeças procura fazer História
| Francisco Sousa
País que fez parte do Império Otomano durante mais de 400 anos e que só em 1992 abandonou em definitivo o comunismo, a Albânia procura impor-se aos poucos e poucos na realidade da nova Europa, mais ocidentalizada e moderna. Também no futebol, o país se vai procurando afirmar, tendo vindo a ganhar preponderância ao longo dos últimos anos, fazendo um brilhante aproveitamento dos recursos que vão brotando por países para onde muitos albaneses emigraram nas décadas de 80 e 90 (sobretudo Suíça e Alemanha...). Misto de jogadores locais e descendentes de emigrantes, já nascidos em países economicamente mais poderosos, a nova selecção albanesa tem vindo a crescer de forma bastante palpável e sustentável ao longo dos últimos três anos. Sem somar qualquer participação numa grande prova internacional de selecções, a equipa orientada pelo experiente técnico italiano Gianni De Biasi procura agora dar a surpresa, numa fase de qualificação que, em teoria, dará mais possibilidades a alguns países com potencial mas mais periféricos e não tão habituados aos eventos grandes...
Amanhã, em Aveiro, a formação balcânica começa um trajecto que se espera difícil, mas que todos os locais esperam que seja de sucesso final, pela primeira vez na sua História. O Euro 2016 ainda não pode ser encarado como um objectivo, mas antes um sonho, uma possibilidade futura, sempre dependente das surpresas dadas nos encontros de qualificação. Na última fase de apuramento, a Albânia chegou a sonhar com os dois primeiros lugares, tendo quebrado na fase mais competitiva, prova de que ainda não estava preparada para assumir os grandes palcos. Apesar da possibilidade de recrutamento de descendentes de albaneses, ex-internacionais por selecções ditas maiores, falta ainda tarimba a uma equipa que, apesar das boas intenções, não possui um registo de jogo lá muito atractivo...
Habitualmente formatada para jogar entre um 4x5x1 e um 4x2x3x1, a Albânia pode ainda apresentar-se em variantes tácticas como o 4x1x4x1 ou o 4x4x2 (recurso utilizado do quando há necessidade de ir em busca de um resultado, juntando dois pontas-de-lança). Gianni De Biasi é um italiano puro na forma de trabalhar a sua equipa, privilegiando a organização defensiva, a solidez táctica e um jogo ofensivo mais directo. Apesar de a equipa saber preencher as zonas mais interiores quando defende, nota-se, por vezes, uma certa falta de contundência em alguns momentos da marcação, além dos espaços entre a linha defensiva e os médios mais defensivos e nas costas dos laterais. Equipa que mistura elementos experientes e outros mais imberbes, esta selecção albanesa irá procurar, certamente, aguentar os ímpetos ofensivos da selecção das Quinas, visando depois o contragolpe.
Em termos ofensivos, a Albânia é, de facto, uma equipa de contra-ataque, podendo explorar a velocidade de elementos como Gashi ou Vajushi ou de um jogo mais directo, visando a referência da frente de ataque (Kapllani, Salihi ou Cikalleshi). Sem grandes desequilibradores na zona de construção, são notórias as dificuldades desta equipa em momentos de posse e organização ofensiva. Falta um "10" mais puro, se bem que os alas até procurem explorar muitas vezes os espaços mais interiores. No fundo, esta é uma equipa talhada para jogar num registo de bloco médio-baixo, esperando a oportunidade para fazer dano através de contra-ofensivas ou de um jogo mais directo para os seus avançados. Tem as suas debilidades, mostrando-se algo vulnerável nas laterais e deixando alguns espaços entre-linhas. Porém, a solidez e experiência de jogadores como Cana ou Mavraj, aliadas à imprevisibilidade de Vajushi e ao critério de Gashi, Abrashi ou Taulant Xhaka (sim, é mesmo o irmão do internacional suíço Granit Xhaka!), podem ser trazer dissabores para a equipa de todos nós.
País que fez parte do Império Otomano durante mais de 400 anos e que só em 1992 abandonou em definitivo o comunismo, a Albânia procura impor-se aos poucos e poucos na realidade da nova Europa, mais ocidentalizada e moderna. Também no futebol, o país se vai procurando afirmar, tendo vindo a ganhar preponderância ao longo dos últimos anos, fazendo um brilhante aproveitamento dos recursos que vão brotando por países para onde muitos albaneses emigraram nas décadas de 80 e 90 (sobretudo Suíça e Alemanha...). Misto de jogadores locais e descendentes de emigrantes, já nascidos em países economicamente mais poderosos, a nova selecção albanesa tem vindo a crescer de forma bastante palpável e sustentável ao longo dos últimos três anos. Sem somar qualquer participação numa grande prova internacional de selecções, a equipa orientada pelo experiente técnico italiano Gianni De Biasi procura agora dar a surpresa, numa fase de qualificação que, em teoria, dará mais possibilidades a alguns países com potencial mas mais periféricos e não tão habituados aos eventos grandes...
Amanhã, em Aveiro, a formação balcânica começa um trajecto que se espera difícil, mas que todos os locais esperam que seja de sucesso final, pela primeira vez na sua História. O Euro 2016 ainda não pode ser encarado como um objectivo, mas antes um sonho, uma possibilidade futura, sempre dependente das surpresas dadas nos encontros de qualificação. Na última fase de apuramento, a Albânia chegou a sonhar com os dois primeiros lugares, tendo quebrado na fase mais competitiva, prova de que ainda não estava preparada para assumir os grandes palcos. Apesar da possibilidade de recrutamento de descendentes de albaneses, ex-internacionais por selecções ditas maiores, falta ainda tarimba a uma equipa que, apesar das boas intenções, não possui um registo de jogo lá muito atractivo...
Habitualmente formatada para jogar entre um 4x5x1 e um 4x2x3x1, a Albânia pode ainda apresentar-se em variantes tácticas como o 4x1x4x1 ou o 4x4x2 (recurso utilizado do quando há necessidade de ir em busca de um resultado, juntando dois pontas-de-lança). Gianni De Biasi é um italiano puro na forma de trabalhar a sua equipa, privilegiando a organização defensiva, a solidez táctica e um jogo ofensivo mais directo. Apesar de a equipa saber preencher as zonas mais interiores quando defende, nota-se, por vezes, uma certa falta de contundência em alguns momentos da marcação, além dos espaços entre a linha defensiva e os médios mais defensivos e nas costas dos laterais. Equipa que mistura elementos experientes e outros mais imberbes, esta selecção albanesa irá procurar, certamente, aguentar os ímpetos ofensivos da selecção das Quinas, visando depois o contragolpe.
Em termos ofensivos, a Albânia é, de facto, uma equipa de contra-ataque, podendo explorar a velocidade de elementos como Gashi ou Vajushi ou de um jogo mais directo, visando a referência da frente de ataque (Kapllani, Salihi ou Cikalleshi). Sem grandes desequilibradores na zona de construção, são notórias as dificuldades desta equipa em momentos de posse e organização ofensiva. Falta um "10" mais puro, se bem que os alas até procurem explorar muitas vezes os espaços mais interiores. No fundo, esta é uma equipa talhada para jogar num registo de bloco médio-baixo, esperando a oportunidade para fazer dano através de contra-ofensivas ou de um jogo mais directo para os seus avançados. Tem as suas debilidades, mostrando-se algo vulnerável nas laterais e deixando alguns espaços entre-linhas. Porém, a solidez e experiência de jogadores como Cana ou Mavraj, aliadas à imprevisibilidade de Vajushi e ao critério de Gashi, Abrashi ou Taulant Xhaka (sim, é mesmo o irmão do internacional suíço Granit Xhaka!), podem ser trazer dissabores para a equipa de todos nós.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Um Guia para a Fase de Apuramento da CAN 2015
| António Valente Cardoso
A qualificação final para a Taça Africana das Nações (CAN) 2015 será realizada de forma compacta, com seis encontros em cerca de dois meses, num modelo qualificativo que poderia ter outro formato, permitindo que todos, ou a maioria, tivessem mais do que apenas dois encontros para lutar pela presença na fase final em Marrocos. Pelo próprio hiato temporal que ‘obrigou’ a uma fase final de grupos tão concentrada, seria mais interessante e justo um acréscimo de 14 selecções à fase grupos, a seis, com 10 partidas, que poderia ter arrancado em Abril/Maio, ou até a passagem a seis grupos de seis, com apuramento dos dois primeiros de cada e um play-off entre terceiros para as restantes três vagas.
Esta é apenas uma entre muitas questões que envolvem o futebol africano, como o continente, com uma forte necessidade de desenvolvimento e actualização.
Ao contrário da Europa, os grupos de apuramento africanos são muito voláteis, o peso dos jogos em casa é enorme, as grandes deslocações, as sequentes e ressurgidas crises, conflitos, complicam as viagens, quase sempre um pesadelo logístico. As convocatórias têm, em bastas ocasiões, de ser refeitas face à recusa de futebolistas em saírem dos seus clubes, países, ligas para defenderem a sua selecção, o seu país. Os erros burocráticos, as desistências de eliminatórias, são normais nestes apuramentos, algo a que a Europa está pouco habituada.
Uma situação que caracteriza o futebol africano correntemente é a inversão de uma tendência. Durante anos, décadas, foram as ‘metrópoles’ europeias a tirar partido dos talentos africanos nas suas equipas nacionais. Hoje em dia, são muitas as equipas nacionais africanas a recorrer aos formandos europeus, filhos da diáspora dessas nações, muitos já nascidos e criados em território europeu, para reforçarem as selecções ‘ancestrais’.
Nas três rondas preliminares três apuramentos por desistência de adversário e duas passagens na secretaria por alinhamento de atletas inelegíveis.
A qualificação final para a Taça Africana das Nações (CAN) 2015 será realizada de forma compacta, com seis encontros em cerca de dois meses, num modelo qualificativo que poderia ter outro formato, permitindo que todos, ou a maioria, tivessem mais do que apenas dois encontros para lutar pela presença na fase final em Marrocos. Pelo próprio hiato temporal que ‘obrigou’ a uma fase final de grupos tão concentrada, seria mais interessante e justo um acréscimo de 14 selecções à fase grupos, a seis, com 10 partidas, que poderia ter arrancado em Abril/Maio, ou até a passagem a seis grupos de seis, com apuramento dos dois primeiros de cada e um play-off entre terceiros para as restantes três vagas.
Esta é apenas uma entre muitas questões que envolvem o futebol africano, como o continente, com uma forte necessidade de desenvolvimento e actualização.
Ao contrário da Europa, os grupos de apuramento africanos são muito voláteis, o peso dos jogos em casa é enorme, as grandes deslocações, as sequentes e ressurgidas crises, conflitos, complicam as viagens, quase sempre um pesadelo logístico. As convocatórias têm, em bastas ocasiões, de ser refeitas face à recusa de futebolistas em saírem dos seus clubes, países, ligas para defenderem a sua selecção, o seu país. Os erros burocráticos, as desistências de eliminatórias, são normais nestes apuramentos, algo a que a Europa está pouco habituada.
Uma situação que caracteriza o futebol africano correntemente é a inversão de uma tendência. Durante anos, décadas, foram as ‘metrópoles’ europeias a tirar partido dos talentos africanos nas suas equipas nacionais. Hoje em dia, são muitas as equipas nacionais africanas a recorrer aos formandos europeus, filhos da diáspora dessas nações, muitos já nascidos e criados em território europeu, para reforçarem as selecções ‘ancestrais’.
Nas três rondas preliminares três apuramentos por desistência de adversário e duas passagens na secretaria por alinhamento de atletas inelegíveis.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
2016, o início de uma nova era
| António Valente Cardoso
Arranca a campanha rumo ao Euro 2016, o último de país ‘fixo’, o primeiro a 24, aquele que fechará o ciclo ‘XX’ e iniciará a nova vaga – que sucederá ao Mundial 2018 – com a Liga das Nações, algo semelhante ao que já sucede há anos com outras modalidades através de ligas europeias e ligas mundiais, cada qual encontrando um modelo próprio para procurar dar mais dimensão mediática e retorno financeiro ao seu desporto (hóquei em campo, voleibol, râguebi, por exemplo).
Desde o arranque do Europeu, a quatro na primeira fase, em 1960, já 30 países estiveram presentes em fases finais, três do quais inexistentes hoje em dia – URSS, Jugoslávia e Checoslováquia – além da Alemanha, hoje unida, que se estreou em 1972 ainda como República Federal da Alemanha.
Demasiado se fala em renovação por Portugal. Demasiado porque não há o hábito de convocar os que estão melhor, antes o vício de chamar os que se ‘acha’ serem melhores, dois conceitos que se confundem no âmbito das equipas técnicas e dos media. Existe uma enorme diferença entre ser e estar, sendo que o segundo verbo deveria ter muito mais preponderância face ao primeiro, importa mais que se esteja melhor do que se seja o melhor, até porque aguardar que, num dado momento, o que se entende como sendo melhor faça a diferença relaciona-se mais com confiar na sorte, no individual e indivíduo, ao passo que aquele que está melhor vai mais naturalmente, fruto do trabalho e da competência provada em campo recentemente, criar mais-valia, fortalecer o colectivo, pois falamos de uma modalidade colectiva.
O que também é certo é a necessidade de uma espinha dorsal, para melhor englobar cada novidade, encaixá-la no âmbito de um grupo, que se deve pretender aberto. Uma espinha dorsal é isso mesmo, é uma parte vital do corpo mas uma entre várias, ou seja, não é todo um corpo, onde se incluem os membros, o aparelho neurológico, o coração e todos os restantes elementos que compõem um ser vivo. Assim sendo, definir a espinha dorsal como um núcleo de 19 ou 20 elementos numa convocatória de 22, 23, 24 é um claro exagero e esta é outra diferença fundamental das habituais convocatórias lusas para as de outras selecções de primeira linha.
A renovação deve ser uma constante e não razão de tanto alarido mediático face à sua escassez. É igualmente certo que, chamando os que estão melhor, aqueles que são considerados melhores passarão a trabalhar mais no seio dos seus clubes para agarrar lugar e, dessa forma, regressar meritoriamente à selecção. Este género de atitude por um seleccionador funcionará de forma muito mais eficaz do que através da noção do lugar cativo.
Quando não se fica agarrado a um grupo, se vai chamando que demonstra bons desempenhos nos clubes durante a campanha, utilizando os particulares com esse especial foco, de observar jogadores não habituados à selecção mas que se salientam nos respectivos clubes, torna-se muito mais simples, criteriosa e ampla a escolha para uma fase final, obrigando as ‘primeiras escolhas’ a trabalharem mais a partir do momento em que percebem que não têm um lugar assegurado.
Arranca a campanha rumo ao Euro 2016, o último de país ‘fixo’, o primeiro a 24, aquele que fechará o ciclo ‘XX’ e iniciará a nova vaga – que sucederá ao Mundial 2018 – com a Liga das Nações, algo semelhante ao que já sucede há anos com outras modalidades através de ligas europeias e ligas mundiais, cada qual encontrando um modelo próprio para procurar dar mais dimensão mediática e retorno financeiro ao seu desporto (hóquei em campo, voleibol, râguebi, por exemplo).
Desde o arranque do Europeu, a quatro na primeira fase, em 1960, já 30 países estiveram presentes em fases finais, três do quais inexistentes hoje em dia – URSS, Jugoslávia e Checoslováquia – além da Alemanha, hoje unida, que se estreou em 1972 ainda como República Federal da Alemanha.
Demasiado se fala em renovação por Portugal. Demasiado porque não há o hábito de convocar os que estão melhor, antes o vício de chamar os que se ‘acha’ serem melhores, dois conceitos que se confundem no âmbito das equipas técnicas e dos media. Existe uma enorme diferença entre ser e estar, sendo que o segundo verbo deveria ter muito mais preponderância face ao primeiro, importa mais que se esteja melhor do que se seja o melhor, até porque aguardar que, num dado momento, o que se entende como sendo melhor faça a diferença relaciona-se mais com confiar na sorte, no individual e indivíduo, ao passo que aquele que está melhor vai mais naturalmente, fruto do trabalho e da competência provada em campo recentemente, criar mais-valia, fortalecer o colectivo, pois falamos de uma modalidade colectiva.
O que também é certo é a necessidade de uma espinha dorsal, para melhor englobar cada novidade, encaixá-la no âmbito de um grupo, que se deve pretender aberto. Uma espinha dorsal é isso mesmo, é uma parte vital do corpo mas uma entre várias, ou seja, não é todo um corpo, onde se incluem os membros, o aparelho neurológico, o coração e todos os restantes elementos que compõem um ser vivo. Assim sendo, definir a espinha dorsal como um núcleo de 19 ou 20 elementos numa convocatória de 22, 23, 24 é um claro exagero e esta é outra diferença fundamental das habituais convocatórias lusas para as de outras selecções de primeira linha.
A renovação deve ser uma constante e não razão de tanto alarido mediático face à sua escassez. É igualmente certo que, chamando os que estão melhor, aqueles que são considerados melhores passarão a trabalhar mais no seio dos seus clubes para agarrar lugar e, dessa forma, regressar meritoriamente à selecção. Este género de atitude por um seleccionador funcionará de forma muito mais eficaz do que através da noção do lugar cativo.
Quando não se fica agarrado a um grupo, se vai chamando que demonstra bons desempenhos nos clubes durante a campanha, utilizando os particulares com esse especial foco, de observar jogadores não habituados à selecção mas que se salientam nos respectivos clubes, torna-se muito mais simples, criteriosa e ampla a escolha para uma fase final, obrigando as ‘primeiras escolhas’ a trabalharem mais a partir do momento em que percebem que não têm um lugar assegurado.
O fracasso do Celtic
| Andy McDougall
O fracasso do Celtic nas fases de qualificação para a Liga dos Campeões pode ser indicativo de várias coisas. A inexperiência de Ronny Deila, a falta de ambição da direção do clube, o estado geral do futebol escocês, ou simplesmente que é o que sempre passa com os novos treinadores no Celtic. Por agora, é difícil identificar qual é o mais acertado, mas vale a pena examinar as opções.
Talvez seja que o novo treinador, Ronny Deila que veio do Stromgodset, campeões da Noruega, não tenha a experiência nem o perfil para treinar um clube tão grande e com expectativas tão altas.
Há adeptos dos verde-e-brancos de Glasgow que já estão a perder paciência com ele. No entanto, uma conclusão assim parece um pouco prematura já que estamos no início de Setembro.
Também há-de ter em conta como começaram Neil Lennon e Gordon Strachan as suas carreiras como treinador dos Bhoys: a equipa de Gordon Strachan foi eliminada das competições europeias pelo Artmedia Bratislava após perder 5-0 na Eslováquia, e na primeira época inteira em que Neil Lennon foi treinador, o Celtic também ficou fora da Europa antes de Setembro.
Recorde-se que esta época o Celtic está nos grupos da Liga Europa, visto assim Deila começou melhor do que Strachan e Lennon, dois treinadores que tiveram muito sucesso em Glasgow. Sem dúvida é cedo demais para julgar o norueguês.
O fracasso do Celtic nas fases de qualificação para a Liga dos Campeões pode ser indicativo de várias coisas. A inexperiência de Ronny Deila, a falta de ambição da direção do clube, o estado geral do futebol escocês, ou simplesmente que é o que sempre passa com os novos treinadores no Celtic. Por agora, é difícil identificar qual é o mais acertado, mas vale a pena examinar as opções.
Talvez seja que o novo treinador, Ronny Deila que veio do Stromgodset, campeões da Noruega, não tenha a experiência nem o perfil para treinar um clube tão grande e com expectativas tão altas.
Há adeptos dos verde-e-brancos de Glasgow que já estão a perder paciência com ele. No entanto, uma conclusão assim parece um pouco prematura já que estamos no início de Setembro.
Também há-de ter em conta como começaram Neil Lennon e Gordon Strachan as suas carreiras como treinador dos Bhoys: a equipa de Gordon Strachan foi eliminada das competições europeias pelo Artmedia Bratislava após perder 5-0 na Eslováquia, e na primeira época inteira em que Neil Lennon foi treinador, o Celtic também ficou fora da Europa antes de Setembro.
Recorde-se que esta época o Celtic está nos grupos da Liga Europa, visto assim Deila começou melhor do que Strachan e Lennon, dois treinadores que tiveram muito sucesso em Glasgow. Sem dúvida é cedo demais para julgar o norueguês.
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