terça-feira, 7 de outubro de 2014

Ryan Gauld: um projeto a longo-prazo para a seleção escocesa

|Andy McDougall



A maior surpresa do mais recente plantel de Gordon Strachan foi a inclusão pela primeira vez de Ryan Gauld, médio-atacante do Sporting.

Após ter começado a sua carreira profissional com o Dundee United, o nome de Gauld é bem conhecido na Escócia e a sua transferência ao Sporting gerou bastante interesse.

Não é comum que um jogador escocês vá para fora da Grã-Bretanha para jogar, mas Gauld não é um jogador comum. Há muita esperança de que chegará a ser uma peça chave na seleção e já vimos na seleção sub-21 o que pode fazer. O miúdo de 18 anos é longe de ser um jogador tipicamente escocês e isso entusiasma os adeptos escoceses que frequentemente perguntam-me como correm as coisas para ele em Portugal.

O facto de não ter jogado nem um minuto na equipa principal do Sporting não é razão para estarmos preocupados – é entendido que Gauld é jovem e que ganhar ritmo na equipa B vai-lhe servir bem – mas é por isso que muitos ficaram surpreendidos de ler o nome dele na lista de Strachan para os jogos de qualificação frente à Geórgia e à Polónia.

No entanto, se olharmos com outra perspectiva, talvez não seja tão surpreendente. Seria uma verdadeira surpresa se Gauld participar nestes duelos; o plantel é grande (uns 27 jogadores) e não seria a primeira vez que Strachan incluiu um jovem apenas para lhe dar experiência com a seleção A e trabalhar com eles nos treinos.

Strachan sempre tem sido um treinador mais do que um seleccionador e segue assim; chamando tantos jogadores dá-lhe a oportunidade de trabalhar com um grupo maior e incluir uns jovens para conhecê-los.

Isto passou mais recentemente com Callum McGregor, médio-atacante de 21 anos do Celtic que começou a época atual de maneira ótima. Ele foi chamado para o jogo diante da Alemanha mas nem sequer foi incluído no banco de suplentes. Outros jovens chamados e não utilizados por Strachan no passado incluem Tony Watt (naquela altura do Celtic mas agora do Standard Liège) e Stuart Armstrong (do Dundee United). Há outros exemplos mas estes dois ainda não fizeram um jogo com a seleção A, embora seja esperado que serão jogadores internacionais no futuro.

Também no plantel atual fica Stevie May, avançado de 21 anos do Sheffield Wednesday (e ex-St Johnstone), que, como Gauld, está a marcar a sua primeira presença com os seniores e Strachan já falou na possibilidade de chamar um terceiro jovem se alguém baixar do plantel.

No fundo, todo isto quer dizer que é bom ver Gauld no plantel mas é importante mantermos realistas e não mal-interpretar a chamada dele. E se ficar fora do próximo plantel, não deveríamos pensar que decepcionou ou que baixou o seu nível ou a sua reputação.

Para Gauld, este é o primeiro passo do que esperamos será uma longe associação com a seleção, mas temos de estarmos pacientes e ter em conta que com apenas 18 anos ainda poderá jogar nos sub-21 para uns anos mais.

Strachan, pela sua parte, já se mostrou disposto a incluir jovens no grupo da seleção mas não tanto para apostar neles nos jogos. Porém, para já, é encorajador a ver que tem interesse em jovens promissores e a política de introduzi-los cedo ao plantel – antes que estejam prontos de jogar – poderia constituir um processo muito sábio. Com certeza tem sentido que se já conheçam os seus companheiros e como é a vida com a seleção A, será mais fácil para novos jogadores integrar-se quando é preciso que joguem, pois já estarão cómodos e saberão as tácticas e o que o treinador espera deles. Vamos ver como evoluirá a equipa, mas o pensamento de longo prazo de Strachan poderia trazer bons resultados para a seleção escocesa.

domingo, 5 de outubro de 2014

Semana 5: Para onde vamos?

| Luís Cristóvão



Uma coisa podemos ter certa: formar demora o seu tempo. Formar uma pessoa, formar um atleta, formar uma equipa. Começar a temporada oficial é dar de caras com isso mesmo. Com o tempo que tudo demora. Porque se, para formar uma pessoa, sabemos que trabalhar todos os dias é o único caminho, para o fazer com um atleta ou uma equipa não será muito diferente. Tem tudo que ver com o tempo que nos faz medir as coisas.

O primeiro lugar onde queremos chegar é a ter uma equipa. Um conjunto de jovens que sejam solidários entre eles e com os objetivos delineados, possa ser uma vitória, um número de pontos marcados, alguns gestos técnicos conseguidos. E a equipa existe, apesar de numa idade em que a individualidade está muito marcada, a consciência da necessidade que temos uns dos outros está lá.

Para termos atletas, vai demorar um pouco mais. A disponibilidade física é, ainda, a grande parte do que cada um deles pode dar, sendo que aqui e ali começamos a perceber os sinais da inteligência de jogo e, sobretudo, de inteligência emocional. O jogador que apoia os outros, aconteça o que acontecer, o jogador que sabe ler as situações, por complexas que elas ainda lhe possam parecer.

Vai demorar mais tempo até termos pessoas. Mas, em última análise, é para aí que queremos ir. Ter pessoas conscientes do trabalho que é preciso desenvolver para o seu futuro e, se tivermos sorte, para o futuro do basquetebol. Chegar a formar uma pessoa que seja que consiga, daqui a uns anos, perceber o que é certo e errado de se fazer com um grupo de outros jovens que ambicionem, também eles, a jogar basquetebol.

Porque, uma vez mais, a disponibilidade física pode selecionar-se. Mas é preciso alimentá-la de gestos técnicos corretos, consciência da importância de testar os seus limites e aumentá-los, jogo a jogo, treino a treino, em todas as ocasiões. Se nós não formos capazes de formar pessoas assim - e talvez uma boa explicação para o ponto em que se encontra o nosso basquetebol esteja aí mesmo -, então não conseguiremos inverter um destino de mediocridade. E essa é a guerra que estamos aqui a combater.

Amanhã há treino!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Futebol no Feminino, um preconceito que custa a desaparecer

| António Valente Cardoso



A ideia de macho latino assenta na perfeição que se observa a dimensão aos desportos colectivos femininos no eixo mediterrânico, particularmente em Portugal e com ainda maior foco naqueles que são determinados como sendo masculinos, um pouco como determinadas profissões.

Se existem dificuldades nas modalidades amadoras portuguesas, que lutam pela sobrevivência num país que continua a não possuir uma política desportiva, académico-desportiva, sustentada, continuada, que permitiria uma poupança nos gastos de saúde imensamente superior a um investimento bem desenhado, projectado, desenvolvido e aplicado, tal ainda se acentua no desporto colectivo feminino. Nas modalidades de pavilhão como o andebol, o voleibol ou o basquetebol, valem os colégios privados, algumas escolas avulsas com uma boa ideia da importância do desenvolvimento e prática desportiva na própria resposta académica mais positiva, e alguns clubes, sensíveis e preocupados com essa problemática ou meramente agarrados à importância histórica, aos títulos que o feminino lhes granjeou e assegura.

É notável o esforço das atletas, muitas ainda a lutarem contra os preconceitos dentro da própria casa, por parte dos amigos e afins, numa retrógrada visão de que o futebol é para homens, situação extensível ao futsal. Muitas deslocam-se 50, 100 km duas ou três vezes por semana para irem treinar, um enorme desgaste, uma perda na ‘diversão’ ou no descanso pela dedicação, pelo amor pelo ‘Beautiful Game’.

Hoje, o futebol feminino em Portugal, após avanços e recuos nas últimas três décadas, parece finalmente focado num crescimento sem marcha atrás, sem magriços acoplados, com excelentes resultados, ainda maiores face a tão escasso investimento. Quer na variante de cinco, futsal, quer na variante de relvado, num instante se viram dezenas de atletas a emigrarem, uma prova – se necessário fosse – da inata qualidade da desportista portuguesa, como nos masculinos, sem os bacocos conceitos do ‘somos pequeninos’, não há ‘profundidade’.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Lorenzo ganha em dia de chuva

| Carolina Neto



No passado domingo, a elite da classe rainha do mundial de motociclismo deslocou-se até Alcaniz, Espanha, para mais um grande prémio. O quinto realizado na Motorland de Aragón.

Depois da enorme corrida realizada no asfalto de Misano, esperava-se outra festa em Aragón, porque também os espanhóis gostam de apoiar os seus pilotos, que constituem a maior parte do plantel de MotoGP.

A Motorland sempre foi um circuito dominado pela Honda Repsol, desde o seu primeiro grande prémio em 2009. E, para este fim-de-semana, esperava-se a continuação desse domínio… Um poder que se fez sentir esta temporada até à hora da corrida de domingom onde a chuva decidiu marcar presença e baralhar por completo aquelas que eram as previsões iniciais no que aos vencedores diz respeito.

domingo, 28 de setembro de 2014

Semana 4: Ganhar jogadores

| Luís Cristóvão

A semana começou carregada, com a equipa a tentar digerir um encontro difícil, de resultado pesado e de reações um pouco divididas, consoante o grau de conhecimento de jogo dos atletas. Também por isso, o primeiro treino da semana passou por tentar procurar reconhecer esforços e alimentar leituras do primeiro encontro, de maneira a passarmos rapidamente para o objetivo seguinte.



A mensagem passou, mesmo que as dificuldades possam assustar alguns ou a fazê-los refugiar no lado de divertimento, mais do que na questão competitiva. Aos treinadores cabe entender esses equilíbrios, nem sempre fáceis, entre o facto de o grupo ser constituído por crianças e a ambição formadora passar por vários testes em competição. Essa dualidade foi sendo dada a provar ao grupo durante o resto da semana de treinos, onde se começam a sentir progressos.

Com novo desafio frente a uma equipa mais evoluída a marcar o fim dos jogos de preparação - a primeira fase será contra adversários desta monta e pretende-se elevar o ritmo dos nossos atletas -, tememos, durante os minutos iniciais, que a desorientação marcasse todo o jogo. No entanto, foi no espaço competitivo que a equipa se encontrou e que começamos a ganhar jogadores.

O momento em que os jovens atletas começam a dar sinais de capacidade para assumir responsabilidades e conseguem passar para o jogo aquilo que lhes vai sendo pedido em treino só pode, mesmo, ser uma enorme satisfação para o treinador. Quando isso acontece com os jogadores que estão em fases de desenvolvimento mais evoluídas, quase podemos dizer que o conseguimos adivinhar. Agora, quando o jogo torna um miúdo num atleta que consegue demarcar-se nos momentos de leitura e tomada de decisão, a importância do treino sai muito valorizada.

A pré-temporada acabou e na próxima semana começa o Campeonato.

Amanhã há treino!

domingo, 21 de setembro de 2014

Semana 3: Começaram as aulas… e os jogos!

| Luís Cristóvão

A terceira semana de treinos fica marcada pelo início das aulas e, com isso, o início daquelas que serão as rotinas dos nossos atletas durante a maior parte do resto da temporada. Com o início das aulas, a excitação da escola nova, para alguns, dos novos colegas e das muitas atividades em que estão envolvidos, os treinos do basquetebol começam a ter os primeiros desafios. A partir daqui, começa uma espécie de seleção natural, com as desculpas “estava cansado”, “não consegui chegar a horas porque estava na escola”, “este treino é à mesma hora da aula de x” a surgirem para justificar faltas. De certa forma, os treinadores são colocados à prova, sentindo que há alguma competição com as outras atividades. O basquetebol, para vingar, tem que ser mais divertido do que as outras opções.



Mas nem só de divertimento fica marcada a semana de treinos. Com a aproximação do início de temporada oficial, o nível de exigência começa a subir e nem todos os atletas estão disponíveis para o aguentar. Ora porque se sentem já demasiado bons para a repetição, ora porque sentirão que não pretendem tanto sacrifício para estar equipa. No final, é a própria equipa que exige a todos a dedicação total. Porque sentem perfeitamente a falta que fazem uns aos outros, porque entendem que é no coletivo que acabarão por resolver os problemas que terão de enfrentar.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Nani, bênção ou maldição?

| António Valente Cardoso

Um dos grandes focos do defeso para a liga portuguesa foi o regresso de Nani, visto pela massa adepta leonina e pelos especialistas que escrevem e falam sobre futebol em Portugal como uma enorme mais-valia para o Sporting CP.



Nani tem sido um dos mais bem-aventurados da crítica portuguesa. Apesar de caído em desgraça no seio do Manchester United, ainda de Sir Alex Ferguson, perdendo gradualmente espaço na primeira equipa, gozou de condição privilegiada na selecção de Paulo Bento quase até ao limite e sempre foi e é defendido por quase todos como peça essencial, na eterna confusão entre ser e estar.

A crítica continua a elogiar cada jogo do extremo de 27 anos, cada conjunto de fintas que termina, quase consequentemente, de forma insípida, sem um resultado, um fim colectivo. Nota-se que o jogador sente uma necessidade de provar mais-valia, de dar razão à escolha, pretende estar no centro decisório, mas as suas escolhas e movimentações assemelham-se a um miúdo de rua, correndo para onde está a bola, numa aglomeração tão normal na aprendizagem mas pouco recomendável e compreensível num futebolista feito, carregado de jogos em todas as competições de topo na modalidade e com tantos anos de Premier League.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Futebol...

| Luís Cristóvão



Foi preciso o André Martins desaparecer completamente durante 45 minutos, uma vez mais, para que João Mário tivesse uma oportunidade. Talvez tenha sido preciso que Naby Sarr e Maurício tenham deitado para o lixo dois pontos e uns quantos milhares de euros para que Paulo Oliveira seja chamado a jogo. Pelo meio, um futebol feito da criatividade de Nani e de muitos cruzamentos para a área não nos diz mesmo nada. Relembrando um mestre, quem só sabe de futebol, não sabe nada de futebol...

BATE Borisov em busca do milagre...

|Francisco Sousa



Participante na fase de grupos da Champions League pela quarta vez em apenas seis anos, o campeão bielorusso BATE Borisov procura, uma vez mais, dignificar o futebol daquele país, fazendo uma participação honrosa e esforçada na maior competição de clubes do Mundo. Tendo como melhor resultado da sua História europeia o triunfo sobre o Bayern (que viria a ser campeão europeu), há tão somente dois anos, o BATE tem, em teoria, uma tarefa complicada, estando incorporado num grupo bastante equilibrado entre os três principais antagonistas (FC Porto, Shakhtar e Athletic). No fundo, o objectivo da equipa orientada por Aleksandr Yermakovich passa por dificultar ao máximo a tarefa aos restantes concorrentes, ao mesmo tempo que tentará, nos jogos em casa, dar a surpresa...

Habitualmente disposta numa espécie de 4-3-2-1, com os extremos mais metidos por dentro, a equipa do BATE tem acusado, do ponto de vista ofensivo, a saída do principal craque Krivets para o futebol francês (Metz), ele que foi autor de dezena e meia de golos e assistências nos jogos oficiais disputados até aqui neste ano de 2014. Em teoria, o emblema bielorusso irá viajar até ao Dragão para jogar num bloco baixo/médio-baixo, que muitas vezes se coloca numa espécie de 4-4-1-1 em fase defensiva. Equipa organizada e disciplinada a defender, resta saber como irá lidar com a mais-valia técnica do ataque dos "dragões"...

Misano de amarelo e azul

| Carolina Neto

O grande prémio de San Marino, em Itália, realizou-se, no passado domingo, num circuito bastante especial para os italianos e para os amantes das duas rodas. As bancadas estavam cheias. 50.000 Apaixonados de bandeiras na mão prontos para apoiarem os seus pilotos de eleição. Uns de amarelo e azul, outros de vermelho, outros de laranja. Tudo dependia do piloto que defendiam e pelo qual bate o seu coração.



Era o regresso de “Vale”, como é conhecido, a terras italianas, num circuito que tem o nome de um dos seus melhores amigos dentro e fora do asfalto. Tinha tudo para ser um fim-de-semana de festa. E foi-o.

O Circuito Marco Simoncelli vestiu-se de amarelo e azul para receber os pilotos da classe rainha do motociclismo. Num grande-prémio onde Marc Marquez e Jorge Lorenzo eram, ao início, os favoritos à vitória: um deles está a realizar uma  época sem erros, o outro venceu neste circuito nos últimos três anos. Mas a verdade é que Misano é especial, e os favoritismos não se confirmaram.

Rossi estava em casa. E isso só poderia ser um factor de motivação. É claro que a vitória em Misano, a 107ª da sua carreira, não se deve, apenas, ao factor emocional de estar a correr diante do seu público. A mecânica, a escolha dos pneus, a capacidade de concentração, a capacidade de aproveitar um erro do adversário foram, em conjunto com o apoio vindo das bancadas, os elementos chave para o regresso ás vitórias de «Il Dottore».

Já os seus adversários mais directos como Jorge Lorenzo e Marc Marquez não foram capazes de vencer o Rei de Misano. Os dois espanhóis cometeram erros que lhes custaram a vitória. Jorge Lorenzo falhou na escolha de pneus, e Marc Marquez cometeu o primeiro erro da temporada ao cair. Ao longo das 28 voltas, tudo se foi construindo para que Valentino Rossi subisse ao lugar mais alto do pódio.

Mas a verdade é que Valentino Rossi jogou todos os seus trunfos nesta corrida. Arriscou mais do que era pensável e o próprio sabia que isso lhe poderia custar a vitória. Só que estando a correr diante do seu público, qual será o piloto que não arrisca mais do que a moto poderia permitir? Quem não quer fazer boa figura, e dar uma alegria à sua gente? Valentino Rossi é o homem que apaixona multidões, e em Misano, ele fez o que tinha de fazer: arriscar e conquistar.

A bandeira de xadrez foi mostrada. Rossi passou a linha de meta em primeiro lugar, sem qualquer oposição por parte dos seus adversários e levou ao delírio a multidão que se deslocou até Misano. O chamado paddock encheu-se de pessoas para assistirem à cerimónia, onde o veterano se sentiu como o Papa.

As duas rodas seguem, daqui a duas semanas, para a Motorland de Aragón, em Espanha. Aí, haverá novas histórias e mais emoção.

Maribor: a armada "violeta" quer surpreender no regresso à Europa dos milhões

| Francisco Sousa

14 de Setembro de 1999. No velhinho Estádio Lobanovsky de Kiev, o Maribor, modesta equipa proveniente do campeonato esloveno, fazia a sua estreia na fase de grupos da Liga dos Campeões, depois de ter surpreendido a Europa ao afastar os franceses do Lyon na 3ª pré-eliminatória (3-0 no total das duas mãos). Foi, então, na capital ucraniana, que os eslovenos escreveram mais uma bonita página na sua história, ao vencerem o todo-poderoso Dinamo por 0-1, com um golo de Ante Simundza, avançado destro, corpulento e trabalhador. O Maribor, porém, acabaria essa fase de grupos na última posição, tendo somado apenas mais um ponto, na deslocação à BayArena de Leverkusen.



15 anos passaram e o Maribor, depois de várias tentativas, finalmente, conseguiu o regresso ao convívio com os "grandes". E não é que o herói daquela noite em Kiev volta a ser protagonista? É verdade, década e meia depois, Simundza foi o técnico responsável pelo heróico apuramento para a maior (e melhor) competição de clubes do planeta. Em Glasgow, perante o histórico Celtic, os campeões da Eslovénia puxaram dos galões e conseguiram rubricar uma vitória notável. Quis o destino que o regresso dos violetas a esta competição os colocasse, de novo, no caminho de uma equipa verde-e-branca, no caso o Sporting. Enquanto que para o Maribor este será o sétimo jogo da temporada na Champions, para os leões será um regresso às lides europeias. Apesar de tudo, é previsível que a equipa portuguesa até venha a assumir o jogo, estratégia que até poderá ter o consentimento dos eslovenos, mais interessados em pontuar do que em brilhar, neste caso...

Formatada para jogar entre um 4x4x2 e um 4x2x3x1, a equipa do Maribor vai alternando de esquema táctico, consoante os jogos e os momentos destes mesmos. Em fase defensiva, costuma organizar-se, geralmente, em 4x4x2. Quando assim é, a dupla de avançados fica adiantada, pressionando sem grande eficácia na frente, enquanto que as linhas defensiva e de meio-campo recuam um pouco mais. Porém, se quiser assumir o jogo, o Maribor faz subir um pouco mais o bloco, sendo que aí se soltam habitualmente 4 elementos: o trinco Filipovic (principal distribuidor de jogo numa primeira fase de construção) e os três homens do meio-campo ofensivo/ataque. Em Glasgow, contra o Celtic, a equipa assumiu a posse e jogou com muito atrevimento no meio-campo contrário, fazendo adiantar os alas (Vrsic e Ibrahimi) e usando bem a mobilidade e largura dos possantes Mendy e Tavares na frente do ataque. Já nos jogos caseiros (Maccabi e Celtic, por exemplo), o Maribor partiu de uma base em 4x2x3x1, apresentando um duplo-pivote mais conservador (Dervisevic-Filipovic) mas com uma segunda linha de autênticas setas (Bohar-Ibraimi-Vrsic) e só com uma referência na frente do ataque.

No fundo, é notória a tendência desta equipa do Maribor em variar entre estes dois registos. Ofensivamente, a equipa mostra uma tendência a explorar os espaços interiores, dado que tanto Vrsic como Bohar (ou até Ibraimi) gostam de fazer a diagonal em direcção à área. Apesar de tudo, a profundidade pode ser encontrada em algumas subidas destes alas e, sobretudo, na projecção que o lateral-esquerdo Viler dá em termos ofensivos. Já a defender, o Maribor exibe algumas dificuldades na protecção do espaço nas costas dos laterais (sobretudo Stojanovic) e a falta de flexibilidade e velocidade dos centrais (são rijos e defendem relativamente bem na área, apesar de tudo), algo inaptos para fazer as dobras. Nos momentos em que a equipa joga mais recuada, é necessária solidariedade, entreajuda e consistência/solidez táctica, algo que nem sempre acontece, porém...

Outro apontamento vai para as bolas paradas. Nas ofensivas, o Maribor costuma atacar, habitualmente, o primeiro poste, podendo depois haver a sequência na zona central ou no segundo poste. Há, de facto, jogadores com capacidade para criar perigo no jogo aéreo (Suler, Mendy ou Filipovic, por exemplo). Porém, nas bolas paradas defensivas, são notórias os problemas do campeão esloveno em defender à zona, algo que pode ser efectivamente explorado pelos melhores cabeceadores da equipa sportinguista.