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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CAMPEONATO MULTICARE 1.ª Divisão Feminina

| António Valente Cardoso

Se existem problemas e abandonos precoces no masculino, o que dizer do feminino, onde a maioria das atletas paga para praticar a modalidade de que tanto gostam, esta como todas as colectivas no feminino.



Depois do avassalador domínio madeirense, 16 títulos consecutivos entre 94 e 2009, surgiu o magnífico projecto Gil Eanes, em Lagos, com Donner a dar dois títulos nacionais até ao fim do projecto académico-desportivo, em que assentam quase todas as formações, diga-se, volta a rumar à Madeira até que as aveirenses do Alavarium conseguem o que as formações gaienses, especialmente o Colégio de Gaia, buscam há desde 1991, sem sucesso.

Convém salientar que boa parte das atletas, mais ou menos jovens, são também treinadoras, árbitras, directoras, reúnem/acumulam vários cargos dentro das instituições que representam ou noutras, noutro real exemplo de gosto pela modalidade.

Campeonato Nacional Andebol 1

| António Valente Cardoso

Mais do mesmo. Como em todos os campeonatos desportivos portugueses, há uma diferença abismal entre os três, ditos, grandes e os restantes emblemas. Um peso que se faz sentir no equilíbrio de cada competição, nos resultados finais e na própria competitividade externa, enfraquecida pela falta da mesma internamente.



Inédito hexacampeão, o FC Porto parte à frente dos rivais na busca do sétimo consecutivo, 20.º campeonato de sete da sua história, com Sporting CP e Benfica como principais contendores. O ABC, com um orçamento bem inferior, correrá por fora, assente no seu peso histórico dentro da modalidade e no bom trabalho de Carlos Resende.

A maioria dos plantéis é feita em casa e, numa segunda linha, estarão Águas Santas, Belenenses, ISMAI, Madeira SAD, Sporting Horta, tentarão as restantes vagas no play-off para o título e Europa, situação que Passos Manuel e os promovidos Ginásio Santo Tirso e Xico Andebol também procurarão.

 Este será o segundo ano de campeonato sem Aleksander Donner, o homem que catapultou o andebol português para o primeiro patamar mundial, com o ABC e a selecção, mudando mentalidades, inovando no treino, criando responsabilidade, crença e ambição, um fantástico trabalho que os dirigentes portugueses conseguiram destruir com o cisma que retirou selecção sénior e clubes desse espaço tão complicado de alcançar.

Continua-se a trabalhar bem na formação, onde as selecções portuguesas vão marcando presença nas fases finais, em masculinos e femininos, mas o reflexo sénior desse labor de excelência pouco se observa. A forte crise que abalou as modalidades de pavilhão em Espanha não ajudou em nada a uma liga totalmente periférica, com valores de enorme qualidade mas sem montra para os ‘vender’. A passagem do FC Porto pela fase de grupos da Liga dos Campeões 13/14 valeu a mudança de Tiago Rocha para o Wisla Plock e de Wilson Davyes para o Nantes, optando Gilberto Duarte por continuar no Dragão Caixa, apesar das diversas ofertas, nomeadamente da melhor liga do mundo, a alemã.

Esta situação não sucederá nesta época pois os portistas não se conseguiram apurar para a fase de grupos. Na EHF Cup o Sporting CP entrará na segunda ronda e defronta os eslovacos do Sporta Hlohovec, enquanto o campeão nacional salta para a terceira ronda da competição. Benfica e ABC jogarão a Challenge Cup, com encarnados a encontrar os noruegueses do Fyllingen Bergen e minhotos a aguardar adversário na ronda seguinte após ficarem isentos do sorteio por serem a formação com melhor ranking.

A crise, ausência de uma aposta e desenvolvimento concertados, conjuntos, tem levado ao abandono de muitos andebolistas de maior ou menor qualidade, dada a pouca probabilidade de uma carreira profissional e a natural aposta na área de estudo/trabalho de eleição fora dos pavilhões e, mesmo da geração dourada, esperar-se-ia mais envolvimento dos nomes agora retirados, na defesa do andebol mais do que na defesa de um ou outro clube, discutindo-se formas, alternativas para voltar a trazer a modalidade ao primeiro plano, delinear estratégias para, por exemplo, associar escolas/academias/clubes às ligas mais fortes, alemã, francesa, polaca, dinamarquesa, húngara, para que os jogadores vivenciem as mesmas, conciliando essa prática com os estudos académicos e os programas de mobilidade europeia, mostrando a qualidade do andebolista português aí e bebendo a metodologia de treino, de jogo da Europa Central.

Desaparecido da RTP, cujo serviço público no que toca ao desporto deixa cada vez mais a desejar, o andebol conta com o canal criado pela federação, os canais dos clubes, Porto Canal e Sporting TV em sinal aberto, Benfica TV com assinatura, aguardando-se para perceber se ABolaTv continuará a transmitir também o campeonato e o programa de Edite Dias, andebola, que mereceria mais divulgação e repetição no canal (também ‘rendido’ basicamente a trios na promoção dos seus próprios programas).

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Europeu de Andebol 2014 começa domingo

|Luís F. Cristóvão



As melhores seleções europeias de Andebol voltarão a reunir-se, a partir de domingo, na Dinamarca, para disputar mais um Campeonato da Europa. A equipa portuguesa falhou a qualificação, mas teremos oportunidade de seguir os melhores atores desta modalidade, numa competição que começa dividida em quatro grupos. Eis a apresentação de cada um deles.

Grupo A

Organizadora e campeã em título, a seleção da Dinamarca é a grande favorita a alcançar nova vitória neste torneio. Orientada por Ulrik Wilber, técnico que tem somado imensos êxitos na sua carreira, quer nas seleções femininas, como masculinas, esta equipa não deverá ter dificuldades para terminar em primeiro lugar do grupo. A Macedónia, quinta classificada na última edição do Euro e carrasca de Portugal, será o seu adversário mais complicado, com Kiril Lazarov(na foto), do Barcelona, a liderar o plantel, enquanto a República Checa, com o experiente Filip Jicha, do THW Kiel, a ser o melhor marcador e a principal ameaça para os seus adversários, a procurar uma boa posição. A Áustria, que se qualifica pela primeira vez para um Euro, depois de ter organizado a prova em 2010, deverá aproveitar para ganhar experiência ao mais alto nível.

Na primeira jornada, a Dinamarca enfrenta a Macedónia e a Dhoze oferece-lhe uma vitória quase garantida.

Grupo B

A Espanha conquistou o título mundial em 2013 e espera confirmar esse momento alto no Europeu, com uma constelação de estrelas que terá, nesta primeira fase, que ultrapassar um grupo cheio de incógnitas. Nenhum dos seus três adversários parece evidenciar-se perante os outros, mas todos eles terão uma palavra a dizer neste torneio. A Hungria foi a que melhor se portou no Europeu de 2012 e volta a contar com Laszlo Nagy (na foto) como figura principal. Já a Islândia vive um período de renovação e espera que o jovem Aron Palmarson possa fazer deste o Euro da sua confirmação. Finalmente, a Noruega, há bastante tempo a viver na sombra do sucesso da seleção feminina, terá no capitão Borge Lund a peça central da busca por uma lugar entre os melhores da Europa.

Na primeira jornada, Islândia e Noruega poderão sair com maior ambição, caso vençam o confronto entre elas. Na Dhoze, são os islandeses quem detém o favoritismo.

Grupo C

Este parece ser o grupo  onde tudo pode acontecer. A França, atual campeã olímpica, fez uma péssima prestação no Euro 2012, onde terminou em 11º, depois de ter sido campeã europeia em 2010. A passar por um processo de renovação, os gauleses confiam em Nikola Karabatic (na foto) para voltar a levar a sua seleção até perto da vitória. Para tal, terão que ultrapassar a Sérvia, que organizou o último torneio e conseguiu um surpreendente segundo lugar. Momir Ilic foi considerado o melhor jogador da prova, mas terá que mostrar, longe de casa, que essa foi uma distinção merecida. A Polónia, com o histórico guarda-redes Slawomir Szmal tentará aproveitar algum deslize dos dois favoritos, enquanto a Rússia espera reviver os seus longínquos momentos históricos com uma equipa liderada por Konstantin Igropoulo, jogador do Fuchse Berlim.

Ao defrontar a França na primeira jornada, a Rússia poderá contrariar a previsão da Dhoze, que oferece o favoritismo ao conjunto gaulês.

Grupo D

A Croácia entrou na história do Andebol ao somar três medalhas de bronze consecutivas nas principais competições da modalidade. Terminando em terceiro no Euro 2012, nos Jogos Olímpicos e no Campeonato do Mundo, os croatas confiam em Domagoj Duvnjak, jogador do HSV Hamburgo, para liderar o seu conjunto até mais uma medalha. Neste grupo, a Suécia espera poder voltar a figurar entre as melhores equipas do continente, contando com o experiente defesa Tobias Karlsson para se diferenciar dos seus adversários, dois países que marcaram a sua última presença a este nível em 2008. A Bielorrússia recuperou Siarhei Rutenka(na foto), um dos melhores jogadores do mundo e que já representou a Eslovénia, esperando, com ele, poder almejar a uma boa classificação, enquanto o Montenegro conta com o técnico do Vardar Skopje, Zoran Kastratovic, para fazer a diferença nesta competição.

Apesar da experiência acumulada na Liga dos Campeões pelos seus principais jogadores, o Montenegro não merece os favores da Dhoze, que espera ver a Suécia vencer na primeira jornada do grupo.


Segue toda a ação no site do Europeu: http://den2014.ehf-euro.com


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Um português entre as estrelas mundiais do andebol


Entrevista com Pedro Teixeira, jogador do ARS Palma, da Liga ASOBAL

|Luís F. Cristóvão



Pedro Teixeira é um dos dois jogadores portugueses a atuar na Liga ASOBAL, o campeonato de andebol espanhol, onde se encontram em campo com alguns dos melhores jogadores do mundo. Depois de em Portugal se ter sagrado campeão nacional com a camisola do FC Porto, Teixeira transferiu-se para o ARS Palma, onde no último ano alcançou a subida ao principal escalão.

Numa altura em que a sua equipa luta para permanecer entre os mais fortes, falamos com Pedro Teixeira sobre as diferenças entre o Andebol em Portugal e Espanha.

O Palma del Rio está, atualmente, no último lugar da Liga Asobal. O que vai ser preciso fazer para escapar à descida de divisão?
É uma situação complicada a que enfrentamos. A solução passa por, agora que chegam os jogos da nossa liga, fazer do nosso pavilhão uma força. Sabemos que ganhando 4 ou 5 jogos nos podemos salvar e, apesar de termos que pontuar fora de casa, é fundamental que comecemos desde a fazer-nos fortes em casa.

Tens enfrentado alguns dos melhores jogadores do mundo, no país que alberga a seleção e a equipa que venceram os respetivos campeonatos mundiais. Quais as sensações de estar a jogar a este nível?
É incrível jogar a este nível. Cada jogo tem uma intensidade altíssima e joga-se com estrelas mundiais ou com lendas desta modalidade a cada semana.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mundial de Andebol na Suécia


Começa hoje o Campeonato do Mundo de Andebol, a disputar-se em várias cidades da Suécia. Apesar de neste mundial não estar presente a Selecção Portuguesa (ao contrário de 1997, 2001 e 2003), os jogos poderão ser seguidos através das transmissões da Sport tv. 

Na Sociedade Anónima Desportiva fazemos uma pequena introdução à competição:

Grupo A

Disputa-se no Kristiansand Arena, com capacidade para 4600 pessoas, e no Färs & Frosta Sparbank Aren (Lund), com capacidade para 3000 pessoas.

Equipas: Alemanha, França, Espanha, Egipto, Tunísia e Bahrain

Grupo B

Disputa-se no  Himmelstalundshallen (Norrkoping), com 4300 lugares, e no Cloetta Center (Linkoping), com 8500 lugares.

Equipas: Noruega, Islândia, Hungria, Brasil, Áustria e Japão

Grupo C

Disputa-se no Malmo Arena, com capacidade para 13700 pessoas, e em Lund.

Equipas: Sérvia, Croácia, Dinamarca, Argélia, Roménia e Austrália

Grupo D

Disputa-se no Scandinavium (Gotemburgo), com 12000 lugares.

Equipas: Suécia, Polónia, Eslováquia, Coreia do Sul, Argentina e Chile

Todas as informações poderão ser seguidas através do site oficial da competição. 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Lição de Andebol - Entrevista a Paulo Jorge Pereira

Paulo Jorge Pereira

Paulo Jorge Pereira é um nome bem conhecido de todos os que seguem o Andebol português. Foi treinador do CPN, do FC Porto (onde conquistou vários títulos nacionais), do CB Cangas (Espanha) e trabalha actualmente com a equipa feminina do 1º de Agosto de Luanda, tendo também estado com a equipa nacional angolana no Mundial Feminino disputado na China em 2009. 


Enquanto prepara a sua equipa para o campeonato que se irá iniciar em breve, Paulo Jorge Pereira deu-nos uma "lição de Andebol".


- Paulo, a formação de jogadores é uma das preocupações que tem ocupado a tua carreira, para além de ter sido nos escalões mais jovens que começaste o teu percurso. O que é essencial, num jovem praticante, para que venha a ter futuro na modalidade?

É sempre difícil responder a essa pergunta, no entanto, devemos atender sobretudo aos factores perceptivos que condicionam as tomadas de decisão em jogo. Em idades precoces esse jogo pode não ser jogo formal mas um simples jogo de passe que permita desde logo perceber a intencionalidade nas acções dos jogadores. Podemos mesmo quantificar acções positivas e negativas de acordo com os objectivos formulados para esses jogos. Os factores associados à tomada de decisão são fortemente condicionados por condições genéticas embora sejam melhoráveis com o treino. Os factores físicos (antropométricos e funcionais - coordenativos) e psicológicos não são menos importantes, pois permitem produzir uma previsão (sempre com uma margem de erro possível) sobretudo a longo prazo do possível talento desportivo.

- Os clubes portugueses oferecem condições para que essa evolução seja feita ao nível dos outros países da Europa? E o quadro competitivo português?

A minha sensação é que em Portugal se trabalha bem na formação. Não podemos esquecer que existem clubes que trabalham com muita eficácia na formação de novos atletas e a prova disso está na última participação da selecção no Europeu sub-20 chegando à final com a Dinamarca. Quanto às condições que temos por comparação com outros países, devemos evitar de pensar no “coitadismo” e centrar a actividade no essencial. Desde que existam atletas predispostos para aprender só temos a obrigação de construir o caminho mais eficaz com a escolha pensada dos exercícios mais eficazes. O quadro competitivo, ao ter sido afectado pela crise, abriu mais possibilidades a jovens atletas dada a impossibilidade da aquisição de atletas estrangeiros de qualidade por parte dos clubes. Este factor acabou por favorecer o aparecimento de novos atletas. 

- Depois de uma brilhante geração nos anos 90, que chamou muita atenção mediática para o Andebol, agora voltamos a ter um conjunto de jogadores capazes de disputar um título europeu, com a selecção de Sub-20. Quais são os pontos de contacto entre uma e outra geração? É consequência de um trabalho específico dos clubes, ou estamos condenados a esperar ter a sorte de, de tantos em tantos anos, conseguirmos juntar um grupo de Elite?

Não podemos esquecer que Portugal tem uma base de recrutamento reduzida quando comparada com outros países Europeus (por razões estruturais e mesmo culturais) e por vezes não significa que se trabalhe melhor ou pior. Foi para mim gratificante trabalhar com uma boa parte dessa geração de 90 que refere. A geração actual tem também muita qualidade e apresenta competências que nos permite pensar que estamos no bom caminho outra vez. Que devemos por vezes ter a paciência de esperar melhores dias, isso faz parte da sociedade Portuguesa neste e noutros âmbitos. Não podemos é nunca desistir, e isso foi o que fizeram muitos clubes e treinadores este tempo todo.

- Para além de Portugal, trabalhaste ainda em Espanha e agora em Angola. Quais são as diferenças fundamentais entre os três países, no que ao Andebol diz respeito?

Existem diferenças sobretudo estruturais. Embora neste momento Espanha também se debata com uma crise profunda à qual o andebol não escapa, devo referir que quando saí para o Clube Balonmano Cangas (2ª divisão), tinha por jogo em média cerca de 1500 pessoas a assistir. Isto já é um sinal de investimento e interesse pela modalidade que Portugal perdeu nos últimos anos, fundamentalmente provocado pela luta que parecia não ter fim entre a Federação de Andebol de Portugal e a Liga de Clubes. Angola é um país onde o andebol, sobretudo na versão feminina, ocupa um espaço privilegiado. Tive o prazer de participar no Campeonato do Mundo na China (2009) e em Fevereiro último ganhamos o deca-campeonato Africano disputado no Egipto com a presença na final de cerca de 7000 espectadores. Em Angola faltam muitas coisas ao nível organizativo, mas dada a localização geográfica que nos afasta da possibilidade de competir a nível elevado mais vezes e outros factores, devemos mesmo considerar um milagre poder combater com selecções que têm tudo. Lembro que no último Mundial vencemos selecções como a Ucrânia e a Dinamarca que são tipicamente países de andebol.       

Angolanas em acção
- Vês possibilidade de, conjugando as qualidades inatas dos Angolanos com um trabalho de base na formação dos jogadores, Angola poder vir a lutar por lugares mais altos nas Competições Mundiais de Andebol? Ou o nível competitivo dos campeonatos europeus é essencial para se ser bem sucedido nas competições internacionais?

Será sempre difícil lutar pelos lugares cimeiros, contudo se os esforços forem bem canalizados e existir uma planificação mais cuidada, esse quadro pode mudar. Angola neste momento tem seis equipas na versão feminina. Cinco equipas competem em Luanda e a sexta equipa é de Benguela. O campeonato este ano vai realizar-se numa província do interior. Até ao momento as equipas jogaram um campeonato provincial e um torneio num total de 13 jogos. No campeonato nacional serão feitos de 6 a 8 jogos o que somará cerca de 21 jogos oficiais até ao momento. Seguir-se-á a Taça dos Clubes Africanos com um total de cerca de 10 jogos.  O número de equipas em Angola, não permite a existência de uma competição regular e com a qualidade suficiente para garantir um rendimento similar às congéneres europeias com campeonatos bem diferentes. O aumento quantitativo e qualitativo das equipas é fundamental bem como o incremento de contacto internacional ao nível das selecções.

- Os resultados e as performances desportivas alcançam, cada vez mais, resultados impressionantes, dada a evolução tecnológica à volta do desporto e também do aumento do nível de eficácia de treino. A evolução do Andebol tem sido feita à base da técnica ou à base da força dos seus atletas?

A técnica surge quase sempre em função da táctica e como tal os exercícios devem ser construídos nesse sentido. O “como fazer” deve ser condicionado pelo “quando” e “para quê”. A especificidade dos trabalhos também é decisiva para o incremento do rendimento, não só a nível físico (que fontes energéticas? Que funcionalidade?) mas também a nível táctico, já que tudo o que é trabalhado deve estar em associação directa com o modelo de jogo escolhido, para não haver perdas de tempo… 

- Ao nível táctico, tem-se observado grandes alterações nos esquemas apresentados pelas equipas de topo? Ou estamos numa fase de estabilização a esse nível?

As alterações que actualmente se observam apontam no sentido de jogar sobretudo mais com princípios de jogo e menos com base num conjunto de movimentos tácticos (“jogadas”) sendo isto também válido para a defesa.

- Ganhaste quatro vezes o Campeonato Nacional de Andebol, como treinador principal e adjunto, o que dirias ser essencial para se ser campeão em Portugal?

Para se ser campeão, não só em Portugal, mas em qualquer parte do mundo, é essencial que a equipa conheça o seu papel. Quando me refiro a equipa, incluo todos os seus componentes, treinadores dirigentes e atletas. Para que todos os factores (físico, técnico-táctico, psicológico e teórico) possam contribuir para o rendimento, é necessário que tudo esteja no seu lugar. Cabe ao líder da equipa desenhar o percurso e adaptar caminhos secundários para chegar ao fim da viagem com êxito. Estabelecer metas individuais e de equipa coerentes e ao mesmo tempo ambiciosas definem o rumo. Controlar o processo com a gestão dos êxitos e dos fracassos marcam o equilíbrio ao nível da convivência.

sábado, 11 de setembro de 2010

Regresso do Nacional de Andebol


Regressa hoje o Campeonato Nacional de Andebol, denominado Andebol 1. Pela primeira vez, este campeonato inicia-se com um vencedor de uma competição europeia, o Sporting, o que se espera possa dar uma maior visibilidade ao Andebol luso, juntando a isso o facto da selecção de Sub-20 ter conquistado um fabuloso 2º lugar no respectivo Europeu. A única nota menos positiva neste percurso será o afastamento do FC Porto da Liga do Campeões, depois de um dramático empate frente ao Dinamo de Minsk, no apuramento. Ainda assim, é o Andebol português pujante e cheio de atractivos o que entra em campo este fim-de-semana.
A generalidade das equipas é formada por atletas portugueses, sendo que o campeonato contará com apenas 7 estrangeiros. Para além disso, há uma forte aposta das diferentes equipas em jovens jogadores, de uma geração que se espera que traga algumas alegrias aos adeptos do Andebol. Entre os favoritos, ainda assim, nada de novo. Espera-se que as seis equipas mais fortes explanem a sua superioridade perante as seis equipas mais fracas, havendo poucas probabilidades de isso assim não acontecer.
O campeão nacional em título, o FC Porto, faz uma aposta na continuidade, mantendo um equilibrado conjunto com jogadores jovens e jogadores experientes, esperando-se de Filipe Mota, Wilson Davies e Gilberto Duarte a liderança da equipa na disputa do título. Dos seus opositores, terá sido o Sporting quem mais se reforçou, com a aquisição do jovem Rui Silva (ex-Xico) e do guarda-redes Hugo Figueira (ex- ABC) a merecer maior destaque. Os verde e brancos tentarão demonstrar no Nacional tudo aquilo que, no ano passado, mostraram na Europa, havendo alguma expectativa em redor do trabalho do treinador Paulo Faria.
Entre os outros favoritos, destaque para a experiência do Madeira Sad, reforçada com Nuno Silva (ex-Xico), outro dos vice-campeões europeus de Sub-20. O Benfica apostou na experiência para reforçar o seu grupo, com o regresso a Portugal de José Costa (ex- Pilotes) e ainda com a aquisição de Pedro Graça e Milan Vucicevic (ex- Sp. Horta). O ABC garantiu o regresso a casa de Humberto Gomes (ex-Sporting), Álvaro Rodrigues (ex- FC Porto) e José R. Costa (ex-Xico). Já no Belenenes, a aposta na juventude é clara, subindo a sénior quase toda a equipa titular dos juniores e adquirindo o jovem guarda-redes José Lopes (ex-Sporting) e o pivot João Antunes (ex-Belenenses).
Entre as seis equipas que lutarão para não descer, destaque para o Sporting da Horta, que aposta num grupo muito reduzido, onde sobressaem Nélson Pina (ex- Belenenses) Kostevsky (ex- Madeira Sad) e a manutenção de David Graça. Entre as restantes equipas, os olhares vão estar em jovens esperanças do andebol nacional, na expectativa de darem o salto para as equipas mais fortes, o que será o caso de Marino Machado, do Xico Andebol e Hugo Silva do São Mamede.
O primeiro jogo a ser televisionado pela RTP 2 será o São Bernardo - Sporting, na tarde de domingo.
É o andebol. Está a bola em jogo.