domingo, 4 de julho de 2010

Equipa contra Deus

Maradona voltará para casa vergado sob o peso de uma inequívoca derrota. Na selecção argentina, não falhou nada daquilo em que Maradona sempre apostou. A diferença, neste jogo, foi ter que defrontar uma equipa, uma verdadeira equipa. E isso, já se desconfiava, é demais até para um deus como Diego Armando Maradona.

sábado, 3 de julho de 2010

Momento

Um grande jogo de campeonato do mundo é aquele que reserva um momento que ficará para sempre na história. O Uruguai-Gana será um desses jogos. Minuto 120, exactamente o último do prolongamento. A equipa ganesa tenta desesperadamente o golo, conseguindo, no meio de vários ressaltos, fazer com que a bola se direccione para a baliza. Aí, Luís Suarez, atacante em funções defensivas, atira as duas mãos à bola, evitando a eliminação automática do Uruguai. penalti. Gyan, marcador habitual das penalidades ganesas, falha o penalti e o Gana acaba por ser eliminado no desempate por grandes penalidades. Momentos de emoção extrema como estes são desejados por todos os adeptos no mundo (excepto por aqueles que seguem as equipas que estão em jogo). Momentos de emoção extrema como estes nunca são esquecidos.

Controlo de qualidade

Até o melhor fruto pode ser atacado pelo bicho. Os holandeses acreditaram nisso até ao fim, encontrando nas fragilidades do Brasil a chave para as meias-finais. O controlo da qualidade do adversário é uma das melhores formas de conquistar vitórias no campo de futebol.

Boas e más ideias

Dunga, infelizmente para todos os brasileiros, é mais um claro exemplo de que, no futebol, as boas e as más ideias convivem, muitas vezes, nas mesmas opções. Com a mesma estrutura em campo, o Brasil foi, na primeira parte, um espremedor de laranjas que, na segunda parte, acabou espremido contra a sua linha de fundo, incapaz de responder aos ataques dos holandeses, sem soluções para mudar o rumo dos acontecimentos. Pensar, no entanto, que o Brasil será dos países do mundo onde o universo de escolha é maior, leva-nos a pensar se mesmo as melhores ideias não precisam de opções seguras no banco. Não haver extremos velozes, um segundo organizador de jogo, mais um ponta-de-lança com capacidade de movimentação entre centrais é, mesmo, um pecado para o qual Dunga não encontrará absolvição.

Chamar Copperfield

Maradona introduziu uma nova expressão no futebol mundial: "chamar Copperfield". Ficará essa expressão para a eternidade qualificando treinadores que não sabem o que indicar para dentro do relvado. Quando a equipa estiver numa situação difícil e algum dos jogadores pedir indicações para mudar as coisas, o treinador poderá invocar a cláusula "chamar Copperfield", responsabilizando, assim, o jogador daquilo que se seguir.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Eu e os outros

Eu também sei citar gajos que escrevem em inglês. Bill Simmons e uma excelente visão do campeonato do mundo visto na América.

É bom

O bom de um Mundial de futebol é estar sempre a voltar aos lugares onde fomos felizes. Seja um jogo da Coreia do Sul, um golo do Japão, uma equipa africana a avançar nas diversas rondas do campeonato. O mesmo bom de um Mundial de futebol é o facto de não guardarmos mágoas nesse regresso, cada oitavos ou quartos de final é também, sempre, um lugar novo, onde outras equipas e outros jogadores nos marcarão o dia para sempre no calendário da memória. É isso que é bom.

Saber do assunto

Maneiras diferentes de ver o jogo levam-nos a tirar conclusões diferentes do que se passa em campo. Ao ver a transmissão televisiva do jogo Portugal-Espanha, temos a sensação de que os três jogadores na frente de ataque portuguesa estiveram sempre distraídos e afastados do jogo. Mas, vendo parte do jogo através da câmara que seguiu Cristiano Ronaldo, vemos o jogador a dar indicações aos seus colegas, a pedir ao treinador para alterar a forma de jogar da selecção, a lutar por bolas que insistiam em fugir-lhe dos pés. São jogos diferentes. Um deles, onde está a bola, a sugerir-nos um problema dos jogadores. Outro, onde a bola não está, a mostrar-nos que o problema é outro, é um problema de estrutura. Chegar aqui para dizer que quem defende Queirós pela sua importância na estrutura do futebol português esquece que, na maior parte do tempo, a estrutura do futebol se joga em campo. Podemos organizar selecções, chamar treinadores, incentivar esta ou aquela alteração no quadro competitivo das equipas de formação. Mas manter uma estrutura com onze atletas num rectângulo de relva, é coisa para quem sabe do assunto. É isso que esperamos. Que quem saiba do assunto apareça.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

"Um pouco tristes"

Um dos deputados da assembleia nacional francesa classificou as declarações de Domenech, perante os deputados, como "um pouco tristes". É sempre assim, quando se tenta explicar uma derrota. Dificilmente nos vale alguma coisa ter razão depois do tempo, defender decisões que não correram bem, culpar outros que não nós próprios. Parecemos e ficamos "um pouco tristes". Sem nada o que dizer.

O que falta

Sobram agora oito equipas na disputa deste Mundial.
As primeiras a entrar em campo para os quartos-de-final serão Brasil e Holanda. É um jogo de sonho para os admiradores deste desporto, um jogo que, normalmente, cai para o lado dos brasileiros. Este ano, os holandeses voltam a apresentar um meio-campo cheio de estrelas, que embaterá violentamente na betonada defesa brasileira. A tradição será, provavelmente, mais forte. Mas a curiosidade e a expectativa são altas.
Depois, Gana e Uruguai, duas surpresas para esta fase da prova. Ambas as equipas tentarão chegar a uma inesperada meia-final. São duas equipas que se esforçam por não cometer erros, que aproveitam bem os deslizes adversários, que sonham com o impossível. Quem errar acabará pelo caminho. Espera-se um jogo de prudência.
No sábado, Alemanha e Argentina disputam o que é mais um encontro histórico de mundiais. A Argentina alicerça-se na união de um grupo à volta de um ídolo (santo Maradona), a Alemanha tem a força e a rebeldia de uma juventude que se sente fadada para o sucesso. Deste jogo sairá o mais forte candidato à conquista do título, ajudado pela confiança de bater um outro forte candidato.
Para finalizar esta fase, um Espanha-Paraguai que todos esperam que seja um passeio no parque para os espanhóis. Ao Paraguai caberá desfrutar desta presença em tão adiantada fase da competição, tentando não cometer erros e apostando na velocidade e ferocidade da sua frente atacante. Se isso chegará para fazer mossa aos espanhóis, é coisa que esperaremos para ver. A bola vai voltar a rolar. 

Contas

Nesta casa, não temos dúvidas quando estamos perante grandes senhorEs do futebol. E um desses senhores é José Mourinho. O homem que agora é treinador do Real Madrid, no dia em que um coro de vozes veio a terreiro acusar Cristiano Ronaldo disto e daquilo, resumiu o próximo ano numa frase muito simples:  "não deixarei que ninguém coloque sobre ele toda a responsabilidade de uma equipa". Os dados estão lançados para termos o melhor Ronaldo muito em breve. Mas será bom não esquecer uma coisa:  com Fernando Santos, com Fergunson, com Scolari, com Pellegrini, Cristiano Ronaldo foi sempre dos jogadores mais produtivos da sua equipa, tendo por isso recebido ganho inúmeros títulos e recebido imensos prémios. Com Carlos Queirós, Cristiano Ronaldo é uma sombra. Acho que é muito simples fazer esta conta.