segunda-feira, 18 de abril de 2011

O poder da casa

Os primeiros dois jogos dos quartos-de-final da LPB mostraram a confirmação do favoritismo das quatro equipas que acabaram na frente.

Paulo Diamantino
Porto Ferpinta, Benfica, Académica e Vitória de Guimarães. As quatro equipas mais fortes da fase regular continuam a mostrar os seus atributos nos quartos-de-final da LPB, vencendo, com maior ou menor dificuldade, os seus adversários, em jogos disputados na sexta e domingo passados.

Nos jogos disputados no Porto, o CAB conseguiu dar um ar da sua graça na sexta-feira, obrigando os Dragões a mostrar o seu melhor jogo, mas no domingo permitiram um passeio aos homens de Moncho Lopez. Greg Stempin e Julian Terrell, um em cada jogo, dominaram as estatísticas.

Em Lisboa, a Ovarense começou mal na sexta-feira e nunca demonstrou capacidade para fazer frente ao Benfica. No entanto, no jogo disputado no domingo, os homens da Mário Leite deram sinais de melhor organização defensiva e selecção de lançamento, embora isso não tenha sido suficiente para importunar o Benfica. Heshimu Evans, Ben Reed e Nuno Cortez foram os jogadores em maior destaque nestas partidas.

Em Coimbra, os estudantes têm exercido a sua superioridade sobre o Casino Ginásio, ainda que no primeiro jogo a equipa figueirense tenha estado sempre muito perto da Académica. No segundo jogo, a quebra física do Ginásio permitiu um resultado mais folgado e afasta a possibilidade de surpresa da parte dos homens de Sérgio Salvador. Tommie Eddie, Fernando Sousa, Will Holland e Jason Hartford têm-se cotado entre os jogadores mais decisivos.

Em Guimarães, o Vitória de Fernando Sá tem demonstrado um total domínio da eliminatória, quando se esperava que a equipa de Manolo Povea desse um ar da sua graça, especialmente depois das saídas registadas na equipa vimaranense. Jogadores nacionais como Augusto Sobrinho, Paulo Cunha e Paulo Diamantino (porque não jogou mais durante a fase regular??) estão em destaque e perto de levar a sua equipa para a fase seguinte.

Resultados

Jogo 1

Porto Ferpinta – CAB Madeira  88-78
Benfica – Ovarense Dolce Vita  82-66
Académica – Casino Ginásio  75-71
Vit. Guimarães – CB Penafiel  59-57

Jogo 2

Académica – Casino Ginásio  77-61
Porto Ferpinta – CAB Madeira  81-62
Benfica – Ovarense Dolce Vita  84-77
Vitória de Guimarães – CB Penafiel  72-63

Alba Torrens, "Queen of Europe"


"The moment the buzzer sounded in Ekaterinburg."
For Alba Torrens, it’s easy to define the happiest moment of this season during a chat with Spanish paper Marca. Halcón Avenidas Salamanca had won Euroleague and, a few minutes after, Torrens was named MVP. At 21, she’s reached the top spot in European competition, being recognized as the best player of the continent.
Star-divide
She’s a 6-3 forward, a quick and intelligent player who brings magic to any game. Her physical presence allows her to help inside, but she’s really a 2-3 player, gaining an advantage from her height. Those who have followed her career since the beginning are not surprised to see her reach this level at such a young age. It was something everybody was expecting to happen. And here it is.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O estranho caso do chileno César Rosh


César Rosh nasceu em San Felipe, na região chilena de Valparaíso, descendente de judeus fugidos da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. César foi uma criança normal, andou na escola, correu nas ruas, fez todas as brincadeiras que um miúdo chileno faria em San Felipe. No entanto, à medida que crescia, aumentava nele uma sensação de deslocamento para a qual não encontrava explicação. Muito cedo começou a jogar futebol no Unión, o clube local, onde rapidamente se tornou numa das sensações do futebol chileno, tal o seu talento e compleição física, que faziam dele um volante característico das equipas sul-americanas, jogando bem em frente dos defesas centrais, lançando ataques com passes de alta precisão.
Foram essas as qualidades que o levaram a ser convocado para a equipa chilena no Mundial de Sub-17, realizado em 1993, no Japão. Dessa equipa faziam parte alguns jogadores que depois tiveram grandes carreiras profissionais, como Sebastian Rozental (outro descendente de judeus europeus) e Héctor Tapia. César Rosh destacou-se na equipa chilena que chegou até ao terceiro lugar no campeonato. Na memória ficou um jogo épico contra a Polónia, que viria a garantir a passagem do Chile à fase seguinte. A perder por 1-3 e a precisar do empate, os chilenos fizeram uma fabulosa segunda parte e asseguraram esse desejado 3-3.  Naquela tarde de 26 de Agosto, em Hiroshima, César Rosh acabou por ser eleito a figura do jogo.
Muitas vezes estes campeonatos garantem aos jogadores um lugar numa liga profissional europeia. Com César Rosh foi quase assim. Apesar de ter recebidos vários convites de equipas espanholas e francesas, Rosh acabou por seguir para Israel. Alguma coisa lhe dizia que esse contacto com as suas raízes familiares lhe seria proveitoso, talvez uma forma de compensar a sua sensação de deslocamento. E assim, perto de completar 18 anos, César Rosh chegou a Jerusalém para vestir a camisola amarela do Beitar FC. César aprendeu rapidamente a falar fluentemente hebraico, língua que já lhe era conhecida pelo facto dos seus avós a falarem em casa. Dado ser um descendente de Judeus, o seu objectivo era obter  a nacionalidade israelita, apesar de continuar a representar as selecções chilenas nas competições futebolísticas.
A felicidade de César foi-se, entretanto, misturando com a nebulosidade da sua carreira futebolística.  Tendo ficado durante várias épocas no Beitar FC, César fez parte da equipa que se tornou bicampeã israelita nos anos de 1997 e 1998. Foi também durante esses cinco anos que César foi aprofundando os seus conhecimentos sobre a realidade israelita, tendo sido chamado  a cumprir o serviço militar obrigatório, por ter finalmente obtido a nacionalidade,  quando, aos 22 anos, era mais requisitado do que nunca.  Durante três anos, César manteve-se como integrante do plantel do Beitar FC, embora as suas aparições fossem condicionadas pelos exercícios em que estava destacado. Quando, aos 25 anos, voltou a ser um civil, César era um homem diferente.
César havia já renunciado a representar o Chile antes de entrar no exército israelita, no entanto, voltou a anunciar-se disponível, para surpresa de muitos dos jornalistas desportivos do seu país, mas para gáudio dos dirigentes da equipa que, nessa altura, fazia uma travessia no deserto, sem grandes sucessos na Copa América e sem conseguir qualificar-se para os Mundiais de Futebol. Profissionalmente, César Rosh fez ainda mais uma época no Beitar FC, tendo sido transferido, em 2002, para o Zamalek, do Egipto, transferência que causou algum furor, por se tratar de um judeu em terras árabes. Mas a verdade é que o seu passaporte chileno e o seu estilo de jogo lutador convenceram uma massa adepta habituada a ver sul-americanos no seu plantel. César Rosh manteve-se durante três épocas no Egipto, onde conquistou um Campeonato Nacional e uma Liga dos Campeões Árabes.
Muito requisitado nos campeonatos europeus, César Rosh transferiu-se então para o Ankaraspor, equipa da capital da Turquia, que se estreou nesse ano nas competições europeias. Era mais uma escolha estranha no seu currículo de jogador, já que a equipa da Ancara nunca conseguiu melhor do que lugares de meio da tabela na Super Lig Turca. Mas César Rosh por ali se manteve durante outras três épocas. O que não passou despercebido aos seus colegas foi o facto de César Rosh ser, talvez, o sul-americano mais reservado da história do futebol. Pouco participava das saídas dos seus colegas, nunca nenhum foi convidado para ir a sua casa e os seus passatempos incluíam coisas tão estranhas e invulgares como coleccionismo de revistas militares turcas e observação de aviões.
No Verão de 2008, César Rosh voltou a Israel onde, depois de ter assinado contrato com o Beitar FC, poucos jogos fez. Durante os primeiros meses, foi notória a sua aproximação a alguns elementos da claque do clube, La Família Ultras, muito ligada à extrema-direita israelita. A verdade é que César nunca perdeu a ligação com o exército israelita enquanto esteve a jogar no estrangeiro ou nas suas viagens para representar a selecção chilena. Muitos desconfiavam da sua ligação aos serviços secretos, outros diziam tratar-se de uma ligação a grupos paramilitares saídos do exército, outros ainda defendiam que César Rosh, sendo um grande futebolista, sofria de alguns distúrbios de personalidade, sempre a imaginar teorias da conspiração em tudo o que se passava à sua volta.
A verdade é que, apesar de ter contrato, César Rosh deixou de comparecer aos treinos do Beitar FC, não mais respondeu a nenhuma convocatória da selecção chilena, nem se dispõe de qualquer registo futebolístico com o seu nome em nenhuma parte do mundo. Em suma, desapareceu sem deixar rasto. Coisa que só alguns espiões dos serviços secretos e uns poucos loucos conseguem na vida. 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Penafiel ganha na lotaria

Na última jornada da LPB, os penafidelenses garantiram um fantástico quinto lugar. O Porto foi o campeão e o Illiabum vai acompanhar o Barreirense na descida à Proliga.

CB Penafiel 
Num confronto entre duas das equipas que lutavam pelo quinto lugar, o CB Penafiel não deixou dúvidas sobre a sua superioridade sobre a Ovarense Dolce Vita, a mostrar uma vez mais ter um plantel demasiado curto para outros voos.  Jeremy Goode (17 pontos, 10 ressaltos, 7 assistências) foi a figura do jogo, enquanto Nuno Cortez (16 pontos, 13 ressaltos) voltou a ser o jogador em maior evidência entre os vareiros. Noutra partida decisiva para a classificação final, o Casino Ginásio viajou até ao Barreiro e, beneficiando da conjugação de resultados, terminar a temporada num honroso sexto lugar. Os “figueirenses” dominaram sempre o marcador e tiveram em Jason Hartford (14 pontos, 8 ressaltos) a figura do jogo.

O Sampaense acabou por ser a equipa que ficou de fora da segunda fase da liga. Perdendo em casa contra a Académica, a equipa de São Paio de Gramaços não pode deixar de estar orgulhosa com o bom campeonato que fez, assegurando a manutenção na principal divisão. Tommie Eddie (20 pontos, 8 ressaltos) foi o MVP desse jogo. Quem fará companhia ao Sampaense é o Lusitânia Expert. A equipa açoriana precisava de uma vitória para não depender de terceiros e foi o que conseguiu, batendo o Vitória de Guimarães que se apresenta agora desfalcado de dois dos seus estrangeiros, dada a rescisão de Kyle Austin e Kevin Martin. Charles Little (19 pontos, 11 ressaltos) foi o jogador em maior evidência entre os açorianos, com Paulo Cunha (12 pontos, 8 ressaltos) a merecer também uma menção.

Nas outras duas partidas, Porto Ferpinta e Benfica cumpriram as suas obrigações, batendo adversários que viram assim logrados os seus objectivos para a última jornada. Na Luz, o Illiabum ainda deu um ar da sua graça no terceiro período, mas os encarnados, muito bem liderados por Greg Jenkins (21 pontos, 9 ressaltos) não permitiram que a equipa de Alexandre Pires se salvasse da descida. No Dragão, foi Carlos Andrade (13 pontos, 8 ressaltos, 5 assistências)  a figura da partida, com o CAB Madeira a não conseguir melhor do que terminar a temporada numa oitava posição que o obriga a reencontrar o Porto Ferpinta na primeira ronda do playoff.

Resultados da Jornada 22

Porto Ferpinta – CAB Madeira 83-71
Benfica – Illiabum 95-78
Sampaense – Académica 73-74
Barreirense – Casino Ginásio 61-72
CB Penafiel – Ovarense Dolce Vita 75-58
Lusitânia Expert – Vitória de Guimarães 76-70

Playoffs (1ª Ronda)

Porto Ferpinta – CAB Madeira
Benfica – Ovarense Dolce Vita
Académica – Casino Ginásio
Vit. Guimarães – CB Penafiel


Descem à Proliga: Illiabum e Barreirense.

A Liga das parcas certezas

As surpreendentes derrotas da Física de Torres e do Guifões marcam a jornada e a classificação final da fase regular.

Nate Bowie
A Física dependia apenas de si para conseguir garantir o segundo lugar na tabela e a vantagem na luta pela subida, mas desperdiçou a oportunidade ao adormecer cedo demais, na segunda parte do seu jogo frente ao Terceira Basket. O que tinha sido uma partida plena de equilíbrio transfigurou-se no último período, quando a equipa da casa, na prática, desistiu de lutar pelo resultado. Com erros, desconcentrações e iniciativas individuais totalmente inadequadas, os homens da Física deram todo o espaço para que a equipa terceirense conseguisse uma larga vantagem, muito graças ao grande jogo ofensivo protagonizado por Nate Bowie (36 pontos, 8 assistências). O grande beneficiado com este resultado acabou por ser o Galitos que, cumprindo o seu dever de bater o CD Póvoa em casa, acaba a fase regular em segundo lugar e parte em vantagem para tornar realidade o seu objectivo: a subida de divisão. António Pires (19 pontos, 3 assistências) esteve em excelente plano num jogo em que a equipa do Barreiro dominou do princípio ao fim.

A luta pela manutenção colhia grandes expectativas, com Algés e Maia Basket a lutarem pela vida na Proliga. O Algés, jogando em casa com o AngraBasket, não foi capaz de se salvar por si só, acabando derrotado pelos açorianos liderados por Terrence Mack (22 pontos, 9 ressaltos), ainda que Sérgio Correia (22 pontos, 14 ressaltos) tenha feito uma boa exibição. O Maia Basket fez o que estava ao seu alcance e bateu o Eléctrico, numa partida muito disputada onde André Dara (17 pontos, 8 ressaltos, 9 assistências) esteve em evidência. Mas, como já prevíamos a semana passada, a chave da manutenção estava nas mãos do Guifões que, sem objectivos nesta última jornada se deslocava até ao Seixal onde uma equipa lutava pela honra de não terminar a temporada sem ganhar qualquer jogo na competição. E a surpresa acabou por acontecer, com Daniel Machado (20 pontos, 5 assistências) a levar a equipa da Margem Sul a uma vitória que acaba por penalizar o Maia Basket com a descida à CNB1.

Destaque final para a exibição de Carlos Fechas (19 pontos, 6 assistências) na vitória do Barcelos sobre o Sangalhos. Agora, começam os playoffs, com os primeiros jogos a realizarem-se no dia 22 de Abril.

Resultados da Jornada 22

Maia Basket – Eléctrico 58-56
BC Barcelos – Sangalhos 73-62
Galitos – CD Póvoa 71-66
Algés – Angra Basket 63-73
Física de Torres – Terceira Basket 79-92
Seixal – Guifões 83-80

Jogos do Playoff – 1ª Ronda

Barcelos – Eléctrico
Galitos – CD Póvoa
AngraBasket – Terceira Basket
Física de Torres - Sangalhos


Descem à CNB1:
Maia Basket e Seixal 

sábado, 9 de abril de 2011

Em Alvalade, tiros nos pés

O Jornal “A Bola” de hoje anuncia Irene Palma, jornalista da TVI, como o novo rosto da comunicação do Sporting Clube de Portugal. Para muitos, este nome pode não dizer muito. Mas, uma pequena pesquisa relembra-nos, de imediato, de quem estamos a falar.

Irene Palma é, nem mais nem menos, a mesma jornalista que há cerca de um ano tinha fontes no balneário do Sporting e acusou Costinha, na altura director desportivo do Sporting, de mentir quanto a declarações que haviam sido feitas no balneário dos leões. Ou seja, a mesma pessoa que há um ano atrás tinha como preocupação encontrar razões para desestabilizar o ambiente no balneário dos leões, agora chega a Alvalade para ser o rosto do clube.

Será um prémio? A quem interessava, há um ano atrás, fazer cair o Sporting? E quantas dessas pessoas estão agora na Direcção do clube, querendo ser vistos como “grandes sportinguistas”, promovendo dentro do clube quem tem no seu currículo sinais tão evidentes de prejudicar o clube?

Quem serão os traidores, agora? Em Alvalade, tiros nos pés, parece ser sina que não muda mesmo. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

"Cepticismo em relação ao futuro" - entrevista a Raul Duarte, treinador do Rec. Libolo

Raul Duarte, treinador do Recreativo de Libolo, conversou com o Planeta Basket sobre o Basquetebol Angolano e os desafios que se lhe colocam no momento actual.

Raul Duarte
O treinador angolano iniciou a sua carreira em 1982, liderando a equipa de Cadetes Femininos do Inter de Luanda. Até ao ano 2000 trabalhou no sector feminino, voltando-se depois para o basquetebol masculino, como treinador do Inter. Passou pelo Petro e pela Selecção, onde foi técnico adjunto de Mário Palma durante quatro anos. Em Setembro de 2008 foi convidado para liderar o projecto basquetebolístico do Libolo, equipa que treina actualmente, com reconhecido sucesso.

Raul, Angola é a principal força do Basquetebol africano. Na tua opinião, quais são as razões desse sucesso?

Creio, Luís, que o sucesso do basquete nacional deve-se a alguns factores:
a) O apoio do estado angolano que, no pós independência, definiu o desporto como um dos principais factores de promoção do país além fronteiras, bem como o aproveitamento desse factor feito por um grupo de jovens de treinadores liderados por Victorino Cunha, num projecto de desenvolvimento da modalidade.
b) Na qualidade do treino feito em Angola, quer em relação ao conteúdo do treino, bem como à incidência, volume e intensidade. Neste aspecto do treino,  refiro os clubes e selecções nacionais  que já fizeram 10 treinos semanais e chegaram a ter volumes na ordem das 30 horas.
c)A grande aposta dos clubes nos seus escalões de formação permitindo que a médio prazo a nossa selecção que participou no 1º campeonato africano (1978) e a que ganhou o primeiro campeonato africano de seniores (1989) fosse completamente diferente.
Recordar que o nosso primeiro triunfo apôs a independência foi o campeonato africano de juniores, treinados por Mário Palma, em 1980.


Sentes que esse sucesso tem acontecido pelo trabalho desenvolvido em Angola ser superior ao dos outros países ou, por, simplesmente, os outros países não apostarem tanto no basquetebol?

Pelos factores descritos e pelo facto do governo de Angola, até 1989, ser de regime monopartidário e assumir a responsabilidade na formação de quadros, quer a nível interno, quer através  da possibilidade de melhoria de conhecimentos no exterior do país. Esse factor fez com que houvesse uma forte competição interna onde os treinadores como Vitorino, Romero, Palma, Tonecas, Beto Portugal e outros "lutassem" para que os seus clubes fossem mais fortes. Essa sã rivalidade acabou por ser muito frutuosa para o basquetebol nacional.
Tivemos muito mérito na supremacia alcançada pois a R. Centro Africana, a Costa do Marfim, o Senegal e o Egipto eram os melhores em África e tinham, como têm até hoje, melhor biótipo para o basquetebol. O que se passa é que deixaram de formar bem os seus formadores e os países vivem problemas organizativos, financeiros e sociais muito graves.



Como está a situação da formação em Angola? Existem condições para manter o elevado nível do basquetebol angolano?

É o grande perigo da nossa modalidade. Problemas com a adulteração das idades, como a falta de cursos para treinadores com a regularidade exigida, com os treinadores nacionais, fruto dos baixos salários, a não terem a possibilidade de se formarem ou melhorarem os seus conhecimentos através de clinic´s ou outras formações similares no exterior do país. O  governo deixou de assumir essa tarefa no desporto, com os clubes e dirigentes na generalidade a não compreenderem que o sucesso foi conseguido através do investimento nesta área. Existe algum cepticismo em relação ao futuro.

Ao nível competitivo, a organização dos campeonatos responde à necessidade de evolução dos jovens angolanos?

O calendário de provas nacionais é muito curto. Existem em Angola poucos clubes. Grande percentagem do número de praticantes está concentrada em Luanda(80%) e, justiça seja feita, somente dois clubes continuam empenhados nesta matéria , apesar de todas as dificuldades que sabemos que existem. Trata-se do 1º de Agosto e Petro.
A Competição interna não tem o nível desejado, nem em termos organizativos, nem competitivos.

Ainda assim, hoje em dia, o poderio financeiro tem permitido às equipas segurar os seus melhores jogadores. Tem-se notado em termos competitivos no BAI Basket?

É um facto. Todos os jogadores da nossa equipa nacional jogam no Bai Basket. As últimas três épocas ilustram esse factor. Há uma dispersão dos melhores jogadores pelos diversos clubes, o que torna o nosso campeonato muito equilibrado, tendo também terminando com a bipolarização Petro-1º de Agosto.

Equipa do Rec. Libolo
Angola poderia beneficiar se tivesse mais jogadores a competir na Europa?

Creio que sim, desde que estes jogadores pudessem jogar em clubes inseridos nas melhores ligas europeias ,bem como nas competições europeias de clubes.

Trabalhaste de perto com o Mário Palma, na Selecção Angolana. Para ti foi uma aprendizagem? Como afectou/alterou a tua visão do jogo e do treino?

Sem dúvida que sim. Sou da geração que não teve a oportunidade de estar regularmente em clinic`s ou de ter  estágios em clubes em outras partes do globo.
Estar com Mário Palma durante quatro anos alterou a minha forma de ver o jogo tacticamente, na observação dos adversários, no pensar na estratégia para o jogo e mesmo em relação à percentagem dedicada à táctica no conteúdo do treino. Outra questão positiva é a disponibilidade permanente do Mário para a conversa sobre o basket, sobre o jogo.

No que toca ao treino, quais são as metodologias mais utilizadas em Angola? Como respondem os jogadores ao treino?

 A cultura do basket angolano assenta em quatro pilares:
a)excelente preparação físico/atlética
b) forte defesa(hábito que vamos perdendo)
c)rápidas transições(lutando pela vantagem numérica).
d)boa selecção do lançamento
A resposta dos atletas ao treino é fantástica.

Existe algum  fórum onde os treinadores angolanos possam acompanhar as evoluções de metodologia de treino? Alguma associação que assegure essa troca de experiências?

A A.N.T.B., cujo novo elenco directivo foi empossada em Fevereiro do ano passado, tem no seu programa de actividades a realização anual de um clinic com prelectores de bom nível. Foi assim que em Outubro do ano passado realizamos o 1º clinic internacional, com a presença de Sérgio Valdeolmillos e Txus Vidorreta, treinadores com experiência ACB.
A Federação tenta neste momento relançar o programa de formação contínua que, desde 1989, não consegue ter a regularidade exigida para um país com tamanho sucesso desportivo.

 No teu currículo, dedicaste muitos anos ao Basquetebol Feminino. Há alguma aposta concreta nessa vertente da modalidade?

Um dos factores que fez com que me afastasse do feminino foi a ausência de objectivos para o sector, desde a programação da competição à sua regularidade.
Hoje a FAB tem objectivos claros para a equipa nacional. Trabalhar para que no curto/médio prazo seja possível estar numa fase final do campeonato africano e consequente apuramento para o campeonato do mundo. Tem também possibilitado uma melhor preparação para que se alcance tal objectivo.

Quais são as principais dificuldades das jovens angolanas no acesso à prática do basquetebol?

Inúmeras. Já foi mais difícil. A principal tem a ver com a questão cultural. É a jovem que cuida da casa, dos irmãos, da roupa, das compras, e de outras tarefas muito próprias de um país sujeito a trinta anos de conflito armado, restando pouco tempo para a pratica desportiva. Outro detalhe é o pouco acompanhamento e reforço positivo da família(pais) para o envolvimento da jovem no desporto.

E quais são as diferenças na liderança de um grupo de masculinos e femininos?

Absolutamente nenhumas.

Acompanhas o Basquetebol Português? Qual a tua opinião sobre o nível das nossas equipas?

De bom nível e com equipas mais equilibradas do ponto de vista competitivo, fruto de recursos financeiros muito próximos, bem diferente da nossa realidade.
Do ponto de vista táctico são muito organizadas, com eficácia no tiro e boa leitura do jogo, fruto dos anos de prática desportiva.

No Planeta Basket temos feito uma aposta na divulgação do basquetebol como filosofia de vida. Qual o significado desta modalidade para um homem como tu?

Amo o Basket desde o primeiro dia em que vi  uma tabela e uma bola, quando tinha onze anos de idade, na escola preparatória. É a minha vida.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Definições no topo da LPB

Os primeiros quatro lugares da tabela classificativa da LPB estão entregues, restando agora saber que outras quatro equipas conseguirão um bilhete para o playoff. Lusitânia e Illiabum: um deles descerá à Proliga.

Fred Gentry
A Académica mantinha ainda algumas esperanças de alcançar o Benfica, mas sabia que para isso teria que vencer por uma grande diferença a equipa encarnada. A primeira parte prometeu essa possibilidade, mas o Benfica esteve à altura dos acontecimentos e conseguiu responder ao melhor trabalho dos estudantes, tanto que quase atingiu a vitória no último minuto da partida. Tommie Eddie (26 pontos, 10 ressaltos) foi o homem do jogo, enquanto Heshimu Evans (19 pontos, 8 ressaltos) foi o melhor entre os visitantes.

Outra equipa que garantiu já a posição na metade de cima da tabela foi o Vitória de Guimarães, apesar do Barreirense ter tentado a surpresa. Continuando Fernando Sá a rodar a sua equipa, oferecendo minutos aos seus habituais suplentes, os vimaramenses acabaram por fazer uma excelente segunda parte e ganhar o encontro. Cláudio Fonseca (9 pontos, 20 ressaltos) fez uma exibição impressionante. A maior surpresa da jornada acabou por ter lugar em Ovar, onde a equipa da casa permitiu a vitória do Sampaense e vê-se agora em maus lençóis, podendo acabar numa posição bastante baixa. Mesmo com Nuno Cortez (18 pontos, 15 ressaltos) num dos seus melhores jogos da temporada, o colectivo vareiro não teve resposta para a maior capacidade do Sampaense, liderado por Riley Luettgerodt (17 pontos, 12 ressaltos).

O Casino Ginásio foi outra das equipas a conseguir um resultado decisivo este fim-de-semana, mantendo-se na luta pelo playoff até à última jornada. A vítima foi o CB Penafiel, que conseguiu levar o encontro para prolongamento, mas não teve capacidade para garantir a vitória. Jason Hartford (14 pontos, 14 ressaltos) foi o melhor jogador em campo, tendo pela frente um Jeremy Goode (17 pontos, 7 ressaltos) em bom plano.

No que toca à descida, Lusitânia e Illiabum perderam as suas partidas e tudo ficou por decidir no último jogo. O Illiabum foi totalmente dominado pela equipa do Porto, que contou com um inspiradíssimo Carlos Andrade (23 pontos, 8 ressaltos). Já os açorianos foram até à Madeira, naquele que foi o jogo que garantiu melhores exibições dos atletas. Fred Gentry (25 pontos, 9 ressaltos) foi o MVP da semana, com Nathan Menefee (28 pontos, 7 assistências) e Rick Cardoso (20 pontos, 15 ressaltos) a garantirem um lugar de destaque na equipa da semana.

Resultados da Jornada 21

Académica – Benfica 89-87
Vitória de Guimarães – Barreirense 75-67
Illiabum – Porto Ferpinta 72-87
Casino Ginásio – CB Penafiel 80-77
Ovarense Dolce Vita – Sampaense 79-80
CAB Madeira – Lusitânia Expert 91-81

Classificação

20-1: Porto Ferpinta
16-5: Benfica
15-6: Académica
12-9: Vit. Guimarães
10-11: CAB Madeira, Ovarense e Penafiel
9-12: Lusitânia Expert e Illiabum
3-18: Barreirense

domingo, 3 de abril de 2011

Playoff decidido na Proliga

Estão encontradas as oito equipas que vão disputar o título na Proliga. Os olhares viram-se agora para o fundo da tabela, onde Guifões, Algés e Maia Basket lutam pela manutenção.

Jason Underwood
O jogo da jornada foi disputado em Torres Vedras, onde a Física venceu o AngraBasket, conquistando a vantagem na luta pelo segundo lugar na fase regular. A Física entrou muito bem no primeiro tempo e chegou a ter 18 pontos de vantagem, o que acabou por ser anulado com uma excelente resposta dos açorianos no início do terceiro quarto. A partida tornou-se então muito equilibrada, com os homens da casa a conseguirem, ainda assim, manter a liderança do marcador. Excelentes exibições de Jason Underwood (16 pontos, 13 ressaltos) e Carlos Dias (17 pontos, 8 ressaltos) na equipa da Física, com Terrence Mack (16 pontos, 11 ressaltos) a ser o melhor na equipa visitante.

Na luta pela manutenção, o Maia Basket conseguiu um fantástico resultado que lhe dá a possibilidade de sonhar na última jornada. Vencendo o Aliança Sangalhos, a equipa maiata deu um poderoso sinal de vida, materializado num terceiro período onde os homens de Rui Silva conseguiram dinamitar a vantagem do Sangalhos. João Diamantino (12 pontos, 14 ressaltos) e Rui Monteiro (17 pontos, 6 ressaltos) estiveram em evidência, com Nuno Bizarro (14 pontos) a ser o melhor da equipa da Bairrada.

O Galitos suou para bater o Guifões, ganhando a dianteira na luta pela terceira posição e ainda ambicionando chegar ao segundo lugar. O jogo foi sempre muito equilibrado e só um esforço no último quarto permitiu garantir a preciosa vitória. Rui Quintino (18 pontos, 12 ressaltos) e Malcolm Thomas (29 pontos, 4 assistências) foram os principais contribuidores para a vitória da equipa do Barreiro, enquanto João David (14 pontos, 7 ressaltos) esteve em evidência nos nortenhos.

Destaque ainda para as exibições de Anthony Oha (27 pontos, 12 ressaltos) na vitória do CD Póvoa no Seixal, de Pedro Silva (16 pontos, 24 ressaltos) na vitória do Barcelos sobre o Eléctrico, e de Durell Nevels (21 pontos, 14 ressaltos) na vitória do Terceira Basket em Algés.
Na última jornada, o Guifões viaja até ao Seixal, o Algés recebe o AngraBasket e o Maia Basket recebe a equipa do Eléctrico. Do que acontecer nestes três jogos, depende a descoberta da segunda equipa a ser despromovida à CNB1. No que toca aos playoff, apenas Barcelos (1º) e Eléctrico (8º) têm as posições garantidas. Todas as outras equipas manterão as dúvidas até à tarde do próximo sábado.

Resultados da 21ª Jornada

Física de Torres – Angra Basket 66-57
Seixal – CD Póvoa 70-86
Galitos – Guifões 81-75
Barcelos – Eléctrico 69-55
Algés – Terceira Basket 74-84
Maia Basket – Sangalhos 57-56

Classificação

17-4: Barcelos
15-6: Física de Torres
14-7: Galitos e AngraBasket
13-8: Sangalhos
12-9: CD Póvoa e Terceira Basket
9-12: Eléctrico
7-14: Guifões e Algés
6-15: Maia Basket
0-21: Seixal


quarta-feira, 30 de março de 2011

Passo de gigante para o Algés

A equipa de Flávio Nascimento venceu em Torres Vedras e tem a permanência praticamente garantida. Já Física terá uma “final” frente ao Angra para decidir o segundo lugar.

Foi um dos piores jogos da temporada dos homens de Ivan Kostourkov, sendo inferiores em todos os capítulos do jogo, frente a um Algés que mostrou argumentos que o deviam colocar numa posição mais elevada da tabela. Os verdes estiveram quase sempre na frente, apenas permitindo uma vantagem momentânea de um ponto à equipa da casa, no terceiro período. Aliás, foi em resposta a essa vantagem que o Algés conseguiu um parcial de 10-0, tomando para si o comando total da partida. Sérgio Correia (19 pontos, 11 ressaltos) e Sylvester Spycer (29 pontos, 5 ressaltos) foram as figuras da equipa vencedora, enquanto Jason Underwood (28 pontos, 6 ressaltos) e Miguel Salvador (17 pontos) estiveram muito sozinhos na tarde de sábado.

No dérbi açoriano, o AngraBasket foi mais forte e voltou a ocupar a segunda posição da tabela classificativa. Dominando a partida do princípio ao fim, a equipa da casa teve dois jogadores com duplos-duplos, Flávio Gomes (15 pontos, 11 ressaltos) e Terrence Mack (20 pontos, 11 ressaltos, para além de contar com uma excelente exibição de João Pereira (21 pontos). Do lado do Terceira, Nate Bowie (32 pontos, 11 ressaltos) voltou a fazer um grande jogo.

O Sangalhos mantém a vantagem na luta pela quarta posição, depois de ter vencido o Eléctrico. Conquistando uma vantagem de 10 pontos logo no primeiro período, a equipa da Bairrada não sentiu dificuldades para gerir o jogo frente a um adversário  que vai cumprindo os serviços mínimos para atingir o playoff. Luís Fonte (18 pontos, 6 ressaltos)foi o homem do jogo, sendo Aylton Medeiros (14 pontos, 7 ressaltos) foi o melhor entre os forasteiros.

Nos restantes jogos da jornada, destaque para as prestações de Nuno Oliveira (20 pontos, 15 ressaltos, 11 assistências) na vitória do Póvoa sobre o Guifões, de João Moreira (27 pontos, 16 ressaltos) na vitória do Barcelos sobre o Maia, e de Tiago Magalhães (11 pontos, 12 ressaltos) em mais uma derrota do Seixal, desta vez frente ao Galitos.

Resultados da 20ª jornada

Aliança Sangalhos – Eléctrico 70-58
Guifões – CD Póvoa/Monte Adriano 82-88
Maia Basket – Barcelos /Hotel Terço 74-83
Angra Basket – Forum Terceira Basket 94-82
Galitos/Tley – Seixal 73-67
Física de Torres – Algés 71-80

Classificação

16-4: BC Barcelos
14-6: Angra Basket e Física de Torres
13-7: Aliança Sangalhos e Galitos
11-9: CD Póvoa e Terceira Basket
9-11: Eléctrico
7-13: Guifões e Algés
5-15: Maia Basket
0-20: Seixal 

terça-feira, 29 de março de 2011

O regresso de José Francisco

Arturo Alvarez

Com o destino traçado na LPB, o Barreirense permitiu a saída de Arturo Alvarez, que voltou a Espanha devido a problemas de saúde. José Francisco lidera a equipa nas últimas jornadas.

Em conversa com o Planeta Basket, Arturo Alvarez revelou as razões da sua saída antecipada do Barreiro. “Estou há muitos meses sem parar e precisava de um tempo com a minha família. Felizmente a direcção do Barreirense compreendeu a minha situação e liberou-me do contrato. Fiz muitos amigos no Barreiro e espero poder voltar para trabalhar com eles”.

Arturo Alvarez é também Seleccionador Nacional do Paraguai e regressará ao trabalho dentro de pouco tempo. “Agora preciso de respirar ar puro e recuperar 100% da minha forma física e mental. Mas é claro que o planeamento do Pré-Olímpico com o Paraguai já está na minha cabeça”.

António Libório, presidente do Barreirense, confirmou José Francisco como o timoneiro da equipa até ao final da temporada. “Para nós, o lado humano está à frente e não podíamos recusar o pedido do Arturo. Assim, regressa o mítico José Francisco ao comando técnico”.

De lembrar que o Barreirense confirmou a sua descida de divisão esta semana, no jogo frente ao Penafiel, onde Arturo Alvarez já não marcou presença.