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domingo, 24 de agosto de 2014

Sporting - Arouca: Análise rápida

|Luís Cristóvão



Ter uma estrutura em 2-3-1 dá muito mais apoio à presença na área. Se saírem William e Slimani, será essa a melhor opção. No entanto, sem um avançado finalizador (Slimani ou outro), o Sporting fica sempre nas mãos de equipas ultra-defensivas. Das muitas opções para as faixas,Nani é o único que poderá garantir um rendimento fiável. Mas também é ele que pode ser o melhor segundo avançado.

domingo, 17 de agosto de 2014

Carrillo em Coimbra

|Luís Cristóvão



Com boas tomadas de decisão vences, com más tomadas de decisão perdes. André Carrillo continua a dar uma no cravo outra na ferradura.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os fundos e Bruno de Carvalho

|Luís Cristóvão



Depois dos agentes e dos bancos, Bruno de Carvalho continua a "limpeza" com os fundos. Algumas considerações:
1.Alguns dos contratos feitos entre clubes e fundos pareciam lesar enormemente os primeiros. Em tempos de desespero, assinava-se tudo.
2.Se os clubes têm capacidade para valorizar muito os jogadores, a história passa. Ambos os lados acabam por ganhar bem e ficar contentes
3.Para um clube como o Sporting, esta seria sempre uma situação de largo risco - nem é um clube que valoriza jogadores por aí além, nem tem sido capaz de oferecer condições desportivas atrativas para jogadores mais promissores.
4.Ao atacar os fundos, Bruno de Carvalho diz que vai à guerra com as armas que tiver à mão.Parcas, como se vê pelas contratações deste ano
5.Ou seja, recupera Rojo (para já), mas não pode esperar voltar a ver internacionais argentinos a vestir a camisola do Sporting.
6.O Sporting viverá dentro das suas possibilidades.O que me parece uma coisa boa. Até chegar o dia em que os resultados voltarão a importar

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Muitas maneiras de jogar feio






Existem muitas maneiras de jogar feio. Apenas, umas serão mais bonitas do que outras. Ontem, em Alvalade, o União de Leiria e Manuel Cajuda saíram de campo aplaudidos pela crítica que elogia os leirienses por jogarem bom futebol frente a um candidato ao título. Mas há que olhar para lá das evidências.


Perante um Sporting fragilizado por lesões e  numa situação de óbvia ansiedade (não nos esqueçamos que se trata de uma equipa muito jovem – ontem tinha dois juniores e dois seniores de primeiro ano nos dezoito convocado – a ver-se bem perto da liderança do campeonato com dez jogos jogados), Manuel Cajuda foi inteligente na forma de montar a sua equipa.

Basicamente, a estratégia passou por duplicar na zona intermediária o esquema mais recuado da equipa. Olhando para o onze, a uma linha de quatro defesas (Ivo Pinto, Hugo Alcântara, Diego Gaúcho e Maykon) que quase nunca saiu da posição, Cajuda juntou uma linha de cinco jogadores com obrigações também defensivas. Tiago Terroso, André Almeida e Marcos Paulo a povoar o centro do terreno, Patrick, um defesa-esquerdo, a marcar João Pereira e Jô, do lado contrário, basicamente a pressionar o jogador com posse de bola. Na realidade, o único jogador com pensamento ofensivo da equipa era Djaniny, que ia aproveitando as dificuldades do Sporting sair com bola para, no espaço entre linhas (faltava, evidentemente, um Rinaudo ao Sporting), criar perigo.

O que resultou desta táctica? O Sporting sentiu dificuldades crescentes para sair com bola, principalmente quando diminuía a intensidade de jogo (aconteceu a seguir aos dois golos). Schaars e Matías eram engolidos pelo meio-campo povoado do Leiria, João Pereira e Evaldo, muito pressionados, não conseguiam encontrar manobras de progressão e a dupla de centrais ia ficando sobre brasas (Carriço e Ilori são duas opções de recurso que, apesar das extremas dificuldades sentidas, saem com três pontos no bolso).

A pressão leiriense também se fez muito da agressividade dos seus jogadores perante um Sporting macio. Edson, Tiago Terroso e Jô foram os que mais se destacaram na forma de abordar as jogadas, sempre em cima do risco. No entanto, um critério bem largo de Manuel Mota (tão largo que deixou ainda João Pereira escapar-se com uma agressão a Patrick) foi permitindo algum ascendente da parte do Leiria. Ainda assim, esse ascendente não se materializou em mais do que um remate à baliza (um remate = um golo), já que no que toca às restantes oportunidades criadas pelo Leiria nenhuma delas permitiu defesa a Rui Patrício. Já o Sporting fez seis remates à baliza leiriense, muito espaçados entre si, como se percebe claramente pelos minutos dos golos (8’, 50’, 93’).

Em resumo, o que aparentemente pode ser considerado como um bom espectáculo, não passou, na realidade, de uma forma particular de utilizar um esquema defensivo subido. Tratou-se de uma boa leitura de Cajuda mas isso não transforma o União de Leiria numa equipa melhor. Aliás, tanto não o faz que este mesmo esquema, na maioria dos jogos do campeonato, pouco servirá aos leirienses, dado que a maioria dos adversários privilegia um jogo directo e saberão desenvencilhar-se de uma defesa que acaba por dar muito espaço no último reduto (dizer também aqui que a opção por Pereirinha, por Domingos, facilitou bastante a vida de Cajuda na primeira parte). Ou seja, jogando assim, o Leiria continuará a perder. Como perdeu, aliás, este fim-de-semana.

Existem, realmente, muitas maneiras de jogar feio em Portugal.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O caso João Pereira


Terá causado algum espanto a afirmação do seleccionador nacional, Paulo Bento, defendendo João Pereira como a sua primeira opção para o lugar de lateral direito da equipa portuguesa. O percurso deste lisboeta tem tido demasiados altos e baixos para que se aceite, de bom grado, a sua titularidade indiscutível numa equipa onde concorre com Sílvio e Bosingwa. Ainda mais quando as suas prestações no clube, Sporting, tantas vezes estão marcadas por alguma inconsequência.  Por tudo isto, convido-vos a olhar para a forma de jogar de João Pereira.

Combatividade, velocidade, agressividade. Três características que qualquer um associará ao número  47 dos leões. Tudo isto estava já no seu ADN quando, em 2003, apareceu na primeira equipa do Benfica, clube onde se formou. Pereira foi, aliás, dos poucos jogadores que passaram directamente dos escalões de formação à primeira equipa da Luz nos últimos dez anos.

Depois de ter sido aposta com Camacho e Trapattoni, a chegada de Ronald Koeman retirou espaço ao jovem jogador, que acabou por sair para o Gil Vicente. A dificuldade que João Pereira apresentava para manter alguma concentração competitiva (e não se perder em discussões inúteis com árbitros e adversários) não agradava, obviamente, ao técnico holandês.

Em duas épocas, João Pereira passou de campeão nacional para jogador de segunda divisão. Poucos acreditariam na sua recuperação para o futebol de primeira linha, mas as boas exibições ao serviço da equipa de Barcelos valeram-lhe um lugar no Sporting de Braga. A equipa bracarense tem sido, nos últimos anos, lugar de autênticos milagres na recuperação de jogadores. Não foi só o clube que cresceu para lutar pelos primeiros lugares da Liga Portuguesa e até por um título europeu. Fê-lo, muitas vezes, com dispensados e ignorados pelos grandes.

Pereira foi um desses casos. Duas épocas e meia com a camisola “arsenalista” valeram-lhe um contrato com o Sporting. Os seus primeiros meses em Alvalade não foram fáceis. As dúvidas dos adeptos e uma expulsão aos sete minutos de jogo na meia-final da Taça da Liga fizeram crescer as questões quanto às capacidades de Pereira para jogar numa equipa grande. Mas o facto de, na época seguinte, ele ter sido dos poucos jogadores a escapar, mais ou menos incólume, à péssima época da equipa, valeu-lhe o perdão dos adeptos e a braçadeira de capitão.


Onde ter o cérebro e onde ter o pulmão

Mas porque é que a acção de João Pereira parece, tantas vezes, inconsequente, nos jogos do Sporting? A movimentação típica de saída de bola da equipa leonina passa por ter a bola no topo da área, nos pés de um dos defesas centrais. O passe seguinte sai, invariavelmente, para uma das linhas. Em Paços de Ferreira, na primeira parte, o passe saiu quase sempre na direcção de João Pereira, dado que a presença de Ínsua no lado oposto era ainda um corpo estranho à equipa.

Ao receber a bola, João Pereira opta, quase sempre, por correr com ela dominada, pela linha direita ou descaindo, levemente, para o centro. Essa subida acaba, muitas vezes, chocando contra uma primeira linha defensiva adversária, perdendo-se a bola ou causando algum pânico na forma como ela é recuperada por um dos outros jogadores do Sporting. Este fim-de-semana, foi possível ver Pereirinha, muitas vezes, ficar atrás de João Pereira, numa troca de papéis, ou mesmo ficar parado apenas a olhar para a progressão do capitão. O mesmo acontece  com os médios centrais. Rinaudo e Schaars acompanham a velocidade de Pereira com o olhar e sente-se que o corpo de equipa não aproveita aquela progressão em condições.

Ou seja, na equipa do Sporting, por ausência de um cérebro que pense o jogo (Elias poderá resolver essa questão, com o tempo), é o pulmão que puxa a equipa para a frente, com evidente escassez de resultados.

Nos jogos da selecção, quando a bola chega aos pés de Pereira, o cérebro da equipa (tripartido entre Meireles, Moutinho e Micael) move-se para abrir linhas de passe, para além de ter Cristiano Ronaldo na sua frente, opção mais do que fidedigna para absorver a bola no final da progressão de João Pereira. Com uma equipa diferente, sobretudo ao nível da organização em campo, uma mesma acção de Pereira tem resultados perfeitamente distintos. Ou seja, quando o pulmão funciona dirigido por um cérebro, a lógica e os resultados positivos imperam.


O caso João  Pereira – um resumo

João Pereira é, na minha opinião, um caso muito habitual nas faixas laterais. Jogadores com uma técnica aceitável, com velocidade e com uma postura aguerrida, enquanto estão no seu processo de formação, são utilizados como extremos. No entanto, com a chegada ao nível profissional, a sua técnica não é suficiente para fazer a diferença nos terrenos mais avançados – sobretudo nas equipas ditas grandes – e acabam por vir ocupar lugares nas laterais.

A falta de alguma cultura táctica é, quase sempre, substituída pela vontade que apresentam na disputa da bola. No entanto, é necessário um enquadramento dessas características no funcionamento global da equipa. Casos de sucesso são os de Fábio Coentrão no Benfica de Jorge Jesus, ou de Marcelo no Real de Mourinho. No caso de Jorge Jesus, Coentrão é mesmo um jogador acima da média, sendo que as suas subidas no terreno faziam com que um mesmo jogador pudesse ocupar duas posições em campo. A estrutura da equipa estava, aliás, preparada para isso. No caso de José Mourinho, a opção passa por integrar Marcelo na progressão colectiva da bola, sendo por isso que o vemos aparecer tantas vezes em posição de finalização, no centro da área. Marcelo sobe, não como lateral, mas como jogador do meio-campo (Coentrão está a ser treinado para fazer, exactamente, o mesmo).

 A validade da utilização de João Pereira na equipa do Sporting dependerá da forma como Domingos preparar a equipa para o ter como seu lateral. Mas é imprescindível que seja ele a jogar para a equipa e não a equipa a jogar para ele. Na verdade, a anatomia diz-nos que o pulmão tem que obedecer ao cérebro, por muito essencial que a sua função pareça no regular funcionamento da organização. E isso aplica-se, de igual forma, ao corpo humano e a uma equipa de futebol.


sábado, 9 de abril de 2011

Em Alvalade, tiros nos pés

O Jornal “A Bola” de hoje anuncia Irene Palma, jornalista da TVI, como o novo rosto da comunicação do Sporting Clube de Portugal. Para muitos, este nome pode não dizer muito. Mas, uma pequena pesquisa relembra-nos, de imediato, de quem estamos a falar.

Irene Palma é, nem mais nem menos, a mesma jornalista que há cerca de um ano tinha fontes no balneário do Sporting e acusou Costinha, na altura director desportivo do Sporting, de mentir quanto a declarações que haviam sido feitas no balneário dos leões. Ou seja, a mesma pessoa que há um ano atrás tinha como preocupação encontrar razões para desestabilizar o ambiente no balneário dos leões, agora chega a Alvalade para ser o rosto do clube.

Será um prémio? A quem interessava, há um ano atrás, fazer cair o Sporting? E quantas dessas pessoas estão agora na Direcção do clube, querendo ser vistos como “grandes sportinguistas”, promovendo dentro do clube quem tem no seu currículo sinais tão evidentes de prejudicar o clube?

Quem serão os traidores, agora? Em Alvalade, tiros nos pés, parece ser sina que não muda mesmo. 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

E o Nacional saiu do nevoeiro

A equipa madeirense regressou às vitórias frente ao Sporting (1-0) que não teve ritmo nem alegria para quebrar uma série de sete jogos sem ganhar.

Sem rei

Alberto Cabral teve a oportunidade de liderar, por um jogo, a equipa sportinguista, mas a equipa que entrou em campo era ainda aquela que havia sido delineada por Paulo Sérgio. Ao mesmo tempo, o novo treinador, José Couceiro, sentava-se no banco ainda com funções directivas. Confuso? O nevoeiro que marcava presença na Choupana ia distraindo as atenções de mais um caso singular no futebol leonino.

O Sporting entrou em campo com uma atitude demasiado passiva, permitindo muito espaço aos avançados do Nacional, que sendo bastante móveis, conseguiam escapar-se com alguma facilidade às marcações. Corriam apenas 19 minutos quando os nacionalistas se adiantaram no marcador. Diego Barcellos entrou, à vontade, na área leonina e cruzou para Mateus finalizar sem oposição. Apesar da fraca visibilidade permitida pelas condições climatéricas, o internacional angolano parece estar em jogo, dado o posicionamento de João Pereira.

Os leões tentaram responder, conseguindo subir no terreno e ter maior posse de bola, embora as oportunidades não surgissem. No entanto, aos 35 minutos, Hélder Postiga apareceu na área e fui derrubado por João Aurélio. Numa grande penalidade inquestionável, o avançado das Caxinas não aproveitou e permitiu a defesa de Bracalli. No outro lado do campo, aos 42 minutos, Carlos Xistra acabou por fazer vista grossa a um empurrão claro de Torsiglieri sobre Mateus, que mereceria cartão vermelho e castigo máximo. A vantagem do Nacional ao intervalo era inquestionável.

Nem roque

A equipa de Alvalade regressou da segunda parte mantendo o mesmo ritmo, se bem que o Nacional marcava agora, com mais eficácia, Matías Fernandez, figura em maior evidência no primeiro tempo. Ainda assim, eram os madeirenses quem conseguiam a melhor oportunidade, aos 55 minutos, com Anselmo a atirar por cima. O Sporting fez entrar Carlos Saleiro aos 59 minutos, via o Nacional ficar reduzido a dez por expulsão de João Aurélio aos 62 minutos, e o terreno parecia inclinar-se a seu favor.

Mas, mais uma vez, a inconsistência do jogo leonino era evidente. Mesmo em inferioridade numérica, os nacionalistas criavam maior perigo, somando várias aproximações à baliza de Rui Patrício. Mateus e Diego Barcellos, muito velozes, entregavam-se por completo à missão de perturbar a defesa do Sporting, que a partir dos 70 minutos já era composta por apenas três elementos, com a entrada de Maniche. Um deles, Torsiglieri, voltou a ter o beneplácito do árbitro Carlos Xistra, que lhe perdoou o segundo amarelo quando derrubou Mateus num lance de contra-ataque.

Prova de vida

Os últimos quinze minutos foram de total domínio dos leões. Com os nacionalistas a apresentarem sinais de desgaste, o Sporting instalava-se no meio adversário e ia somando oportunidades por Maniche (duas vezes) e Simon Vukcevic. Aos 83 minutos, o Sporting enviou a segunda bola ao poste, em cabeceamento de Hélder Postiga, e o Nacional, na resposta, viu o golo ser negado ao isolado Mateus por uma grande defesa de Rui Patrício. O jogo encaminhou-se para o final sem que os homens de Alberto Cabral conseguissem marcar, acabando o Sporting por somar uma derrota que o deixa ao alcance dos seus perseguidores na luta pelo terceiro lugar.


As figuras

Mateus – a sua fisionomia não deixa adivinhar tanta disponibilidade física da parte do avançado internacional angolano. Mateus foi o mestre da oportunidade. No momento do golo, soube colocar-se no limite do fora-de-jogo para executar o remate letal. Durante o resto do jogo, encontrou por mais do que uma vez, o espaço necessário para criar perigo junto à baliza de Rui Patrício. Foi o homem do jogo no Relvado.

Diego Barcellos – enquanto teve pernas, foi um diabo à solta. Correu, fintou, rematou e passou para o golo do Nacional. O Sporting nunca soube como parar o irrequieto brasileiro. Nos momentos finais, pagou o desgaste de estar a jogar com dez e desapareceu. Mas deixou a sua marca no jogo.

Matías Fernandez – numa equipa como o Sporting, é difícil escolher um jogador que sobressaia. Matías tem futebol nos pés e inteligência para oferecer jogo aos seus colegas, mas hoje não era dia para grandes rasgos. Na segunda parte, faltou-lhe espaço, e acabou por ser Maniche quem se evidenciou mais nos minutos finais. No entanto, a haver uma réstia de futebol em Alvalade este ano, será de esperar vê-lo sair dos pés do chileno. 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Salvação, procura-se

O Sporting joga na Choupana o primeiro encontro sem Paulo Sérgio. A partir de segunda-feira, José Couceiro, o homem que disse que nunca seria treinador desta equipa, fará a sua estreia.

Nunca digas nunca

Serão os adjuntos de Paulo Sérgio, Alberto Cabral, Sérgio Cruz e Nuno Valente a assumir a responsabilidade de liderar os verde e brancos no jogo frente ao Nacional. Num momento de transição para a liderança de José Couceiro, o objectivo de todo o grupo é manter-se de pé, apesar do que não pára de acontecer a este conjunto. Depois de lhe terem sido negados reforços que todos percebiam ser necessários, os jogadores perderam Presidente, Director Desportivo e Treinador, numa sequência de acontecimentos que os colocou fora da Taça de Portugal e da Liga Europa, os mantém no campeonato com vários perseguidores na luta pelo terceiro lugar (objectivo mínimo para um grande) e os levará ao Estádio da Luz para disputar com o seu principal rival a presença na final da Taça da Liga.

Numa semana em que se joga quase tudo do pouco que resta ao Sporting, a Direcção interina liderada por Nobre Guedes, tirou da cartola a surpresa Couceiro. No que poderá ser visto como mais um erro de timing – teria sido muito mais racional anunciar a saída de Paulo Sérgio na passada quinta-feira, depois da eliminação frente ao Glasgow Rangers – a Administração leonina coloca, ainda, em cheque, José Couceiro, que chegou ao Sporting para ser um elo de ligação entre a equipa e os dirigentes, vendo-se agora à frente de um grupo esfarrapado, numa clara antecâmara para mais uma despedida,  sem honra nem glória, do Sporting.

Tempo de assumir

Pelos lados de Alvalade, muitos gostariam de ver passar o mês que falta até às eleições em fast forward. Isto porque, sendo hora de alguém assumir o barco que se vai afundando, ninguém tem reais poderes para o fazer até ao dia 26 de Março. A José Couceiro pede-se, sobretudo, que não deixe os jogadores perderem noção das suas funções. Mesmo que os objectivos pareçam rarear, é fundamental que os atletas continuem a representar o emblema leonino com a categoria e o respeito que este merece.

Dentro de campo, será muito importante encontrar oportunidades para galvanizar o plantel. Pontuar na Choupana é fundamental para respirar fundo e chegar confiante à meia-final da Taça da Liga. Para além disso, todos precisam de uma exibição convincente, para que os próprios jogadores não deixem de acreditar nas suas capacidades.

O regresso de Carriço

Depois de ter ficado afastado dos jogos da passada semana devido a um castigo europeu e a problemas musculares, Daniel Carriço regressa ao centro da defesa leonina na Choupana. A chegada do capitão obrigará à saída de um dos centrais utilizados frente ao Rangers, sendo que o mais provável será ver Torsiglieri fazer companhia ao jogador formado no Sporting.  O boletim clínico dos leões inclui os nomes de Pedro Mendes e Valdés, mas em comparação com o onze utilizado na passada quinta-feira, apenas Maniche é esperado como novidade  do meio-campo para a frente.

Na equipa do Nacional da Madeira, Luís Alberto, Skolnik e Orlando Sá estão às ordens de Jokanovic, depois de terem passado a semana  em recuperação física. A equipa madeirense tem Nuno Pinto castigado e Mihelic e Pedro Oldoni lesionados. Mantendo esperanças em atingir a qualificação europeia, os alvi-negros esperam garantir os três pontos.

Na história dos confrontos entre as duas equipas, o empate tem sido o resultado dominante nas últimas três épocas. Mas desta vez, ambos os conjuntos sabem que só a vitória os coloca mais perto das suas ambições.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Só o Benfica apareceu no jogo de Alvalade

O Benfica venceu o Sporting (0-2) e mantém a ambição na corrida para o título. Os leões nunca mostraram argumentos para fazer frente às águias e lutarão agora para manter um lugar no pódio.

Benfica mais objectivo

Os encarnados entraram melhor no jogo, explorando sobretudo o seu flanco esquerdo, com Fábio Coentrão e, sobretudo, Gaitán, a aproveitarem os espaços que lhe eram concedidos pela defensiva leonina.  Criando muito perigo perante uma linha recuada cheia de novidades (Polga e Torsiglieri no meio, Grimi na esquerda), o Benfica via o Sporting tentar responder em lances rápidos mas inconsequentes.

A vantagem vermelha chegaria logo aos 15 minutos, no seguimento de um pontapé de baliza cobrado por Rui Patrício. Gaitán subiu pela esquerda, centrou tenso para o centro da área, Pedro Mendes não completou o corte e a bola acabaria nos pés de Salvio, que se antecipou a Grimi e empurrou para o fundo da baliza.

O Sporting nunca conseguiu agarrar o jogo. Apesar de conseguir, por várias vezes, responder com contra-ataques às iniciativas encarnadas, quer Yannick quer Cristiano acabavam por perder a bola. Hélder Postiga parecia muito sozinho na frente e Matías Fernandez via os seus rasgos no meio a perderem-se em faltas da defesa das águias.

As duas vezes que a equipa de Alvalade conseguiu chegar com perigo à área do Benfica, a jogada acabou interrompida por fora-de-jogo de Hélder Postiga. Primeiro numa iniciativa individual de João Pereira, quando Postiga nem tocou na bola, mas estorvou a acção de Coentrão, e depois num slalom de Matías, com o avançado leão a dar um toque subtil que permitiu que o chileno empurrasse para a baliza, já sem efeito.

Devido à grande velocidade com que se jogava no relvado, as faltas e os cartões amarelos iam-se acumulando. A principal vítima deste ritmo foi Sidnei, que aos 45 minutos viu o segundo amarelo, numa falta cometida sobre Yannick, depois de ter visto o primeiro cartão cinco minutos antes, por agarrar Postiga.

Inferioridade só no número de jogadores

Jorge Jesus colocou Jardel no lugar de Saviola, manteve o equilíbrio defensivo da sua equipa, mas nunca deixou de criar perigo frente a um Sporting incapaz de reagir com organização. Apostando em demasia num futebol directo, feitos de passes longos à procura de gente nas alas, os leões mantinham-se como presa fácil para a equipa da Luz.

A melhor oportunidade para os verde e brancos surgiu aos 53 minutos, quando a bola sobre para Matías, depois de Cristiano e Jardel terem chocado, com o chileno a conseguir livrar-se da marcação de dois defesas, mas a proporcionar a defesa da noite a Roberto. No ressalto, Yannick acabou por atirar ao lado. O jogo mantinha a mesma toada, com o Benfica a não abdicar de atacar e tentar alargar a sua vantagem. Isso aconteceu aos 63 minutos. Depois de um livre marcado por Carlos Martins, Javi Garcia colocou a bola em Maxi Pereira, com o uruguaio a centrar para a zona da grande penalidade, onde Gaitán desferiu um potente remate, acabando nas redes leoninas, depois de ter tabelado em Polga.

Os encarnados tinham o jogo na mão e Jorge Jesus promoveu a entrada de Airton, para o lugar de Carlos Martins, de forma a fechar a ainda mais os caminhos para a sua baliza. Paulo Sérgio, da bancada, reagiu com a chamada de Carlos Saleiro e, mais tarde, Diogo Salomão, sem nunca conseguir alterar o sentido do jogo, ainda que no último quarto da partida, os leões tivessem beneficiado de mais posse de bola, sem ter alguma oportunidade de golo digna de registo.

As figuras

Gaitán – a primeira meia hora de jogo foi do esquerdino que, cada vez mais, convence os adeptos benfiquistas. Aproveitou o espaço concedido pelas subidas de João Pereira e criou oportunidades até oferecer o primeiro golo. Na segunda metade, estava no sítio certo para responder ao centro de Maxi Pereira e marcou. Foi o melhor homem em campo, esteve presente nos momentos decisivos e sai em grande de Alvalade.

Roberto – Num jogo onde teve pouco trabalho, o espanhol fez uma defesa do outro mundo, ao evitar que Matías Fernandez empatasse a partida no início do segundo tempo. Não tremeu nunca, sabendo orientar a sua equipa, mesmo com a necessidade de defender a vantagem com menos um jogador durante metade do encontro. O Roberto do início da época já não mora aqui.

Matías Fernandez – esteve nos melhores momentos do Sporting, mesmo que a equipa tenha preferido, quase sempre, os passes longos para chegar ao ataque. Com a bola nos pés, o chileno rasgou por três vezes a defesa encarnada e esteve mesmo muito perto de marcar. Num dia em que o Sporting consiga organizar as suas tropas, Matías poderá muito bem ser o craque dos leões. Hoje ficou apenas como o mais vistoso dos sportinguistas. 

O jogo do tudo ou nada

Sporting e Benfica encerram a 20ª jornada com um dérbi onde ambos terão que apresentar todos os argumentos nas disputas que têm em aberto na Liga Zon Sagres.

O quê para quem?

O Benfica ainda só conhece a vitória no ano de 2011, estando numa série de 14 vitórias consecutivas. Ainda assim, os pontos perdidos nas primeiras três jornadas da Liga, fazem-no olhar para a revalidação do título como um objectivo distante. Mesmo vencendo em Alvalade, a equipa encarnada ficará a 8 pontos do FC Porto, algo que não é impossível de alcançar, mas que é muito pouco expectável de um conjunto que, em 20 jogos, ainda só desperdiçou 4 pontos.

Já o Sporting joga para manter a terceira posição. União de Leiria, Braga e, especialmente, o Vitória de Guimarães, mordem os calcanhares dos leões que nunca conseguiram, desde o início da época, somar mais de duas vitórias consecutivas em jogos de campeonato. Manter a vantagem perante os seus adversários directos e, através deste jogo, interromper a cavalgada vitoriosa do seu maior rival são óptimos objectivos para fazerem os verde e brancos correr.

O peso da Europa

O dérbi surge entre os jogos dos 1/16 de final da Liga Europa, que ambos os clubes lisboetas desejam vencer. O Sporting conseguiu um excelente resultado em Glasgow, roubando um empate frente ao Rangers bem perto do final da partida. A exibição positiva dos homens de Alvalade subiu um pouco os níveis de confiança da equipa liderada por Paulo Sérgio, que será um dos ausentes do relvado, devido a castigo federativo.

Jorge Jesus não viu confirmado o medo nos olhos do Estugarda e ofereceu 45 minutos de avanço aos germânicos. No entanto, a segunda parte dessa partida devolveu-nos o grande Benfica que se tem visto nas últimas jornadas. O técnico campeão deverá ter aprendido uma lição que já tantas vezes esqueceu. A sobranceria não é boa conselheira na preparação de um jogo de futebol. Por muito mal que o Sporting lhe pareça, ignorar os perigos que a equipa leonina pode criar, será fatal para a equipa das águias.

Pensar cada peça como num jogo de xadrez

Do lado do Benfica não são esperadas surpresas. Jorge Jesus definiu o seu melhor onze durante o mês de Janeiro, não encontrando razões para o alterar na visita a Alvalade, visto que na equipa leonina não existem individualidades a merecer uma marcação especial. Assim, o Benfica terá na baliza o espanhol Roberto, formando a sua defensiva com Maxi Pereira, Sidnei, Luisão e Fábio Coentrão.

Na zona intermediária, Javi Garcia continuará a desempenhar o papel de pêndulo do jogo encarnado, prevendo-se muito trabalho no confronto com o meio-campo reforçado que Paulo Sérgio tem vindo a apresentar. Salvio, Aimar e Gaitán ficam com as responsabilidades criativas das águias, esperando que Saviola e Cardoso possam ter bolas suficientes para resolver a partida no reduto leonino.

Já no caso do Sporting, a ausência de Evaldo e Valdés obriga a mexidas no onze preferido de Paulo Sérgio. Rui Patrício, que tantas vezes assumiu o papel de salvador da equipa este ano, assumirá a defesa das redes de Alvalade. Na defesa, João Pereira, Daniel Carriço, Anderson Polga e Torsiglieri, parecem os favoritos do técnico. Apesar de Grimi ser um lateral de origem, Torsi apresentará melhores índices defensivos, o que o levará a ter a oportunidade no onze.

No meio-campo, Paulo Sérgio não abdica de um trio que lhe garanta estabilidade. Pedro Mendes, Zapater e André Santos levam a vantagem. Maniche, para além das fracas exibições, tornou-se em mais um caso de indisciplina, algo que tem garantido saídas da equipa titular a quem os comete. Por fim, muitas dúvidas em quem poderá aparecer no apoio a Hélder Postiga. Vukcevic e Yannick parecem estar na pole position, visto oferecerem imprevisibilidade e rapidez às transições ofensivas. Matías Fernandez, que entrou muito bem em Glasgow, poderá também aparecer no onze, embora essa opção obrigasse a outras transformações e tornasse o jogo do Sporting ainda mais lento.

As dúvidas irão durar até perto da hora do jogo, sendo que se espera um Estádio quase lotado, estando já quebrado o recorde de bilheteira desta temporada em Alvalade. Será um grande jogo, de muitas emoções, onde a equipa pior classificada tem, por tradição, melhores resultados. Se do lado leonino, ninguém se quererá fiar em probabilidades, do lado do Benfica, superstições não serão permitidas. Venha a bola.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um intervalo para a Europa

Depois de mais um desaire em Olhão, o Sporting quer aproveitar a Liga Europa para voltar aos resultados positivos. O adversário é um velho conhecido: os escoceses do Glasgow Rangers.

Aprender 2008

Não foi assim há tanto tempo. No dia 10 de Abril de 2008, o Sporting recebia em casa a equipa escocesa, na segunda-mão dos quartos-de-final da anteriormente denominada Taça Uefa. Os verde e brancos vinham de um empate a zero na Escócia e tinham grande confiança no apuramento. No entanto, uma equipa do Rangers muito pouco britânica, soube enlear o Sporting num esquema defensivo e aproveitar as oportunidades de contra-ataque para fazer a diferença. Se há uma coisa que o actual grupo sportinguista pode ganhar com o visionamento do vídeo deste jogo, é que, na Europa, qualquer deslize pode ser fatal. Assim, não será de estranhar que Paulo Sérgio mantenha isso presente na mente dos seus atletas.

Da equipa que defrontou os Rangers nessa noite de há três anos, mantém-se no grupo seis atletas, dos quais só Rui Patrício parece ter a titularidade assegurada para a próxima quinta-feira. Neste momento, o jovem guarda-redes internacional é mesmo a principal referência do Sporting, sendo também o activo mais valioso de um conjunto de promessas que não têm conseguido a sua total afirmação. Ainda assim, na presente temporada, a Liga Europa tem sido sinónimo de acerto para os leões.  O Sporting é uma das melhores equipas nesta competição, conseguindo o apuramento para os 1/16 de final com alguma facilidade.

Objectivos altos

Apesar dos problemas revelados pela equipa na deslocação a Olhão, o Sporting mantém objectivos bem ambiciosos para as competições europeias. Um bom resultado nesta eliminatória frente aos escoceses poderia ajudar a equipa a recuperar o ânimo, mesmo sabendo que entre as duas metades da eliminatória há um dérbi lisboeta frente ao Benfica. Para que isso possa acontecer, o primeiro objectivo é voltar de Glasgow sem golos sofridos. Apesar de Torsiglieri não ter cometido erros frente ao Olhanense, o mais certo é vermos recuperada a dupla Daniel Carriço – Anderson Polga no centro da defesa. João Pereira e Evaldo ocupar-se-ão das alas, estancando-se a zona intermediária com a presença de Pedro Mendes, André Santos e Maniche.

As dúvidas estão assim focadas nos companheiros de ataque de Hélder Postiga, que cimentou a sua importância na era pós-Liedson entre os homens de Alvalade. Vukcevic saiu ao intervalo em Olhão e poderá ter perdido algum crédito junto ao seu técnico. A questão será saber se Paulo Sérgio pode abdicar do montenegrino, já que Valdés ficará de fora por lesão.  Poderá acontecer a estreia na equipa titular do brasileiro Cristiano, ou até mesmo ser Matías Fernandez a merecer uma oportunidade. Fica assim em aberto a possibilidade do Sporting alterar o seu esquema, podendo a equipa assentar o seu meio-campo numa táctica de 2 + 3, deixando Postiga como referência solitária da frente de ataque.

A força dos protestantes

Apesar de estar em segundo lugar na Liga Escocesa, o Rangers deu um espectáculo de ataque frente ao Motherwell no fim-de-semana passado. A principal força da equipa orientada por Walter Smith está na sua linha ofensiva, ainda que Nikola Jelavic, autor de um hattrick neste último jogo, não esteja disponível nos jogos das competições europeias. Assim será de esperar uma dupla composta por El-Hadji Diouf e David Healy, com Vladimir Weiss e Maurice Edu a apresentarem-se como os principais municiadores.

Por outro lado, a equipa escocesa também tem as suas fragilidades. Aquela que melhor poderá ser aproveitada pelos leões é a defesa do adversário, onde Bougherra e David Weir compõem a dupla de centrais mais dura de rins desta competição. Saber como aproveitar os espaços criados entre estes dois esforçados defesas poderá, muito bem, ser a chave do jogo da próxima quinta-feira. 

sábado, 5 de fevereiro de 2011

E depois dele, o caos...

No último jogo de Liedson em Alvalade ficou provado que, sem ele, o Sporting fica bem mais fraco. A Naval aproveitou os erros leoninos e conseguiu um empate (3-3) muito valioso.

Lágrimas na despedida de Liedson
Com uma ovação, durante a qual se viram muitas lágrimas entre os adeptos e o próprio jogador, Liedson despediu-se do Sporting, vincando no seu último jogo a qualidade que o internacional português acrescentou a este plantel. O “levezinho” marcou dois golos, salvando-se da vergonha de ver a sua equipa perder em casa com o último classificado da Liga Zon Sagres.

O Sporting cometeu demasiados erros, durante a maior parte do tempo não mostrou ter ganas de vencer o jogo e, beneficiando do apoio dos seus adeptos, viu as bancadas explodirem em apupos nos minutos finais, quando a cabeça de Paulo Sérgio foi exigida como pagamento pela má exibição leonina. Sem o homem que disputou 313 jogos e marcou 173 golos com a camisola verde e branca, parecem não sobrar opções para uma equipa que fica órfã da sua principal referência.

Isto é um jogo do campeonato?
Os primeiros 25 minutos passaram-se sem que nada denunciasse tratar-se de um jogo a contar para a Liga. A equipa da Figueira da Foz, semi-adormecida, oferecia espaço ao meio-campo do Sporting para tentar marcar, oportunidades que se viram, na maioria dos casos, anuladas em lances de fora-de-jogo. A defesa em linha dos homens treinador por Carlos Mozer permitiam que o Sporting estivesse perto do golo, mas os leões não conseguiam aproveitar.

Quando Paulo Sérgio decidiu alargar a sua frente de ataque com a entrada de Diogo Salomão, deu uma sacudidela no encontro. O miúdo conseguiu soltar-se num lance de contra-ataque, serviu Hélder Postiga que, fintando dois defesas, rematou à baliza, sobrando a bola para Liedson fazer o primeiro golo da noite. O mais difícil parecia estar feito. O Sporting dominava e superiorizava-se no marcador. Mas o incrível estava para acontecer.

Oferecer o ouro ao bandido
A reviravolta inesperada começou com um erro inacreditável de Evaldo, que perdeu a bola na pequena área e agarrou Marinho, cometendo grande penalidade. Fábio Júnior aproveitou para fazer o empate. Já nos minutos de desconto, a defesa do Sporting volta a sofrer um apagão geral, Godeméche apareceu sozinho do lado esquerdo e serviu Michel Simplício. A Naval via-se na frente, beneficiando da oferta do meio-campo que a troca de Paulo Sérgio proporcionou. Mas o treinador não é o único culpado. Com os erros defensivos cometidos pelos seus jogadores, o Sporting não podia aspirar a melhor do que aquilo que tinha no descanso.

No regresso ao jogo, voltou-se a ver uma equipa leonina com vontade de vencer. No entanto, a equipa da Naval conseguia manter-se organizada na defesa. Foi preciso esperar pelo minuto 59 para se ver resultados da ofensiva leonina. Vukcevic viu Camora impedir a sua progressão com a mão e Hélder Postiga concretizou a grande penalidade. Pela segunda vez na noite, esperava-se ver o Sporting avançar para uma vitória tranquila. Mas a história continuava a escrever-se contra as expectativas dos sportinguistas.

Até Patrício falhou
 
Na única vez que Camora avançou pelo terreno sem oposição de Abel, o defesa figueirense centrou para dentro da área leonina e a bola sobrou para Godeméche rematar à baliza. Rui Patrício, que não terá visto a bola partir, lançou-se de forma atabalhoada e a Naval voltava à liderar. A perder a partir dos 66 minutos, Paulo Sérgio demorou dez minutos para trocar André Santos por Matías Fernandez, e vinte para trocar Abel por Cristiano. Faltavam apenas dois minutos para terminar o encontro. As bancadas não aguentavam mais. Foi terrivelmente explícita a mensagem transmitida a quem de direito. Paulo Sérgio já está a mais. Não será o único. Mas a caça às bruxas ocupa as mentes de todos aqueles que rodeiam o Sporting.  Poucos serão os sobreviventes desta época tenebrosa para a equipa verde e branca.

Não fosse o sentido de oportunidade de Liedson, muito pior se passaria a noite em Alvalade. O golo que garantiu o empate e o seu discurso emocionado, serão momentos inesquecíveis para todos os adeptos. O grande pesadelo não é o que se passou até agora. Quando, daqui a uma semana, se depararem com uma equipa ainda mais curta de opções, perceberão que, depois dele, muito provavelmente, só sobrará o caos.

As figuras
Liedson – muitos sportinguistas foram a Alvalade só para se despedir do levezinho. O avançado não se fez rogado. Marcou dois golos e animou a triste noite de sexta-feira. Vai ficar na memória de todos aqueles que gostam de futebol em Portugal. Mas ninguém sentirá mais a sua falta que os adeptos do Sporting.

Paulo Sérgio – é a cara da desorientação que reina em Alvalade. Com as opções a serem-lhe retiradas pela administração, o treinador insiste em experimentar vários desenhos tácticos a cada jogo. Depois da crítica, é a vez das bancadas lhe exigirem satisfações. A sua ambição parece cada vez menos credível. A resistir, será apenas porque ninguém está livre de culpas nos resultados da equipa.

Carlos Mozer – ressuscitou dos mortos a equipa da Naval. Salin mostra confiança entre os postes, João Real acertou sempre durante os 90 minutos, Manuel Curto está um senhor trinco e Fábio Júnior voltou a ser um avançado letal. A única explicação desta transformação é o treinador brasileiro, que desde que chegou à Figueira da Foz, só perdeu uma vez, na casa do FC Porto. Com Mozer, os figueirenses acreditam na manutenção. 

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sporting: Contra toda a evidência

Numa semana em que Alvalade ameaça ser consumida pelas chamas de mais uma péssima actuação da sua equipa directiva no mercado de Janeiro, Liedson quer despedir-se com golos.

A sério, Couceiro?

A Conferência de Imprensa dada por José Couceiro esta semana na Academia de Alcochete pode entrar para o topo do Ranking das Conferências que pior fizeram ao Sporting Clube de Portugal. Para começar, Couceiro desviou para Alcochete a apresentação do reforço Cristiano, evento que, normalmente, ocorreria no Estádio de Alvalade, onde mais sócios podem marcar presença. Em segundo lugar, o dirigente sportinguista teve a arte de tentar apagar com gasolina, um fogo que estava a iniciar-se à volta da transferência de Liedson para o Corinthians. Ao dizer que o “Sporting fez tudo ao seu alcance para segurar” o internacional português, Couceiro abriu a porta para todo o tipo de especulações.

A verdade é que a transferência de Liedson, ainda que seja uma boa medida empresarial (o jogador tem 33 anos e tinha um peso exagerado na folha de salários da equipa), vem na pior altura, já que o Sporting prepara-se para enfrentar uma fase decisiva da época, com jogos importantes para a Liga, a Bwin Cup e a Liga Europa. Pior que tudo é a inépcia destes dirigentes que, deixando sair um dos jogadores mais importantes do plantel, não conseguem, em tempo útil, encontrar um substituto, sendo que o já frágil grupo à disposição de Paulo Sérgio acaba por ficar irremediavelmente debilitado.

Quem chega?

O único reforço de Janeiro foi Cristiano. O jogador brasileiro conhece o nosso campeonato, dado ter cumprido quatro temporadas com a camisola do Paços de Ferreira, mas nunca demonstrou valor suficiente para poder ser reforço de um grande. Para mais, o seu passado recente não augura nada de bom, já que o atleta saiu da Capital do Móvel com fama de indisciplinado e a sua passagem pela Grécia não lhe valeu nem muitos minutos jogados, nem qualquer reconhecimento, acabando por ser dispensado pelo PAOK.

Paulo Sérgio terá a difícil tarefa de aguentar este plantel até ao final da temporada. Desde o início do ano, o treinador perdeu dois avançados, sem ver chegar nenhum reforço numa posição para a qual ele próprio anunciou carências. No encontro frente à Naval, o técnico ainda contará com Liedson, mas depois sobrarão apenas Hélder Postiga e Carlos Saleiro para disputar as três competições em causa. Vai ser curto, muito curto.

Mais problemas

Não será só isto a preocupar o treinador dos leões. Para o confronto desta semana, Tiago, João Pereira e Jaime Valdés estão castigados. Maniche passou toda a semana sem treinar e dificilmente será opção. Yannick Djaló também não está ainda disponível. O mais provável é que, com Rui Patrício na baliza, a defesa seja constituída por Abel, Daniel Carriço, Anderson Polga e Evaldo. No meio-campo, regressará a fórmula do Funchal, com Pedro Mendes na base de um triângulo que inclui André Santos e Zapater. Vukcevic parece ter garantido o corredor direito do ataque, bem como Liedson, que terá tempo para marcar o último golo com a camisola verde e branca. A única dúvida prende-se com a utilização de Diogo Salomão ou Hélder Postiga no lado esquerdo. A opção pelo internacional português permitiria maior pressão sobre a zona central navalista, enquanto o jovem extremo-esquerdo poderá abrir mais a frente de ataque leonina.

Novo ânimo

Da Figueira da Foz chega uma equipa que encontrou um novo ânimo sob a liderança de Carlos Mozer. O treinador brasileiro promoveu algumas alterações no onze habitual  e poderá, até, vir a utilizar algum dos seus novos reforços. O guarda-redes Diego (ex-Vizela), o defesa Tiago Rosa (ex-Oriental) e o avançado Bruno Moraes (ex-Gloria Bistrita) chegam com vontade de ajudar o Naval a obter a manutenção, objectivo que poderá encontrar em Alvalade um primeiro passo, caso a equipa consiga roubar pontos ao Sporting.

Será um jogo de emoções fortes, onde os adeptos do Sporting terão um papel fundamental: lutar, com os jogadores, por uma vitória ou, em alternativa, atacar os dirigentes, facilitando a tarefa dos visitantes.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Porta 10A só se abre para saídas

A mítica Porta 10A foi, durante anos, o local de romaria para todos os sportinguistas que queriam saber as novidades do clube ou cruzar-se com as estrelas que davam espectáculo no relvado de Alvalade. Durante anos, foi motivo de orgulho e vaidade para quem seguia o Sporting. No entanto, desde a construção do novo estádio, dessa porta restou apenas a memória, perpetuada numa das paredes da actual casa sportinguista.

Lembrar esta porta no dia de hoje tem um significado. Pela segunda vez esta época, o Sporting desfez-se de um atacante do seu plantel, sem ter anteriormente garantido um substituto. No início da época, a história passou-se com Sinama-Pongole, que estando insatisfeito em Alvalade, rumou para Saragoça, vendo-se Paulo Sérgio com menos uma opção para a frente de ataque. O mercado de Janeiro foi pródigo em promessas, mas as notícias do último dia de transferências só podem mesmo envergonhar qualquer sportinguista.

Depois de anunciada a saída de Liedson (o que é uma boa opção, dada a idade e a performance deste jogador, ainda para mais pelo valor oferecido pelo Corinthians), a actual estrutura directiva do Sporting concentrou-se em dois alvos: Kléber e Djalma. O primeiro, por tudo aquilo que se passou nesta temporada, está mais do que comprometido com o FC Porto, sendo que o segundo acabou por recusar negociar com o Sporting, muito provavelmente pela mesma razão. Qual é o sentido de concentrar esforços em dois alvos que estão comprometidos com um rival? Nenhum. Aliás, roça à estupidez, tendo em conta que esse rival tem muito maior poderia financeiro e desportivo.

Assim, e fazendo o balanço de entradas e saídas do plantel, o Sporting manteve os problemas (Caneira sem treinar, Izmailov sem sequer falar, embora neste segundo caso ainda possa sair para a Rússia, que tem um calendário de inscrições diferente), perdeu um dos jogadores mais carismáticos do plantel (Liedson) e contratou um jogador que tem como currículo passagens pelo Paços de Ferreira e pelo PAOK (esta segunda  praticamente sem utilização, culminando numa dispensa), para mais numa posição onde tem Diogo Salomão (um jogador que todos acreditam que devia jogar mais, excepto o treinador). 

Paulo Sérgio pode queixar-se que o seu plantel ficou mais fraco. Mas não pode queixar-se de, em ambos os momentos, ter pedido jogadores para posições onde o Sporting tem alternativas mais jovens e com muito maior potencial de valorização futura (em Setembro, Hildebrand veio fazer sombra a Rui Patrício e agora Cristiano vem pôr na sombra Diogo Salomão). Costinha e Couceiro poderão queixar-se que, sem ovos, não se podem fazer omeletes, mas a verdade é que o Sporting tem vários médios e avançados emprestados a outros clubes, em vários casos com tanta ou menor utilização do que teriam se regressassem a casa. Os sócios vão continuar a assobiar. Os resultados vão demorar mais a aparecer. No que resta para jogar nesta temporada, o Sporting voltará a fazer uma via dolorosa, com apenas uma ténue promessa de que no próximo ano tudo correrá melhor. 

Os sinais que nos chegam dizem todos para que não acreditemos nisso. 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Machadadas na mediocridade

O Sporting não mostrou, no Estoril, capacidade para obter um resultado positivo(1-2), mas Cosme Machado acabou por ser a figura do jogo.

Viu bem, senhor árbitro?

Paulo Sérgio queixou-se da exibição do juiz de Braga e a razão assiste-lhe. Cosme Machado quis ser a figura do jogo, pela negativa, assinalando uma penalidade inexistente na área do Sporting, com apenas oito minutos de jogo, e sentenciando a partida numa outra que deixa bastantes dúvidas, corria o minuto setenta e sete. O Estoril Praia viu-se assim vencedor de um jogo onde nada fez para merecer a vitória, tendo optado por entregar toda a iniciativa de jogo aos leões, arriscando muito pouco. Ganhou o jogo porque, para além da terrível exibição da equipa de arbitragem, o Sporting cometeu erros atrás de erros, tornou-se displicente com o decorrer do jogo e acabou apático, com menos um em campo e perfeitamente entregue à mediocridade que reinou no Campo da Amoreira.

Assim sim, Abel

O início do jogo, no entanto, fazia prever todo o contrário. Com uma equipa cheia de jogadores que têm exigido uma oportunidade de mostrar o seu valor, o Sporting entrou no jogo a vencer. Com apenas três minutos de jogo, Abel soltou-se do lado direito e, fora da área, disparou forte ao ângulo contrário da baliza de Vágner, que nada podia fazer para suster a bola. Um grande golo que prometia muito. Na resposta, o Estoril criou um lance de perigo para a baliza de Tiago com um remate de longe e, logo a seguir, Cosme Machado entendeu assinalar grande penalidade numa disputa de bola entre Alex Afonso e Nuno André Coelho.  O brasileiro não desperdiçou a oportunidade e empatou de novo a contenda.

A partir daqui, a equipa da Linha remeteu-se ao seu meio-campo e esperou. O Sporting, por seu lado, com tanta bola e tanto espaço para desenhar a sua ofensiva, parecia satisfeito com o resultado e apenas desentorpecia as pernas. Um ou outro rasgo de Diogo Salomão, uma ou outra arrancada de Matías Fernandez, mas pouco ou nenhum perigo criado pelos homens de Alvalade. Só aos trinta e sete minutos Saleiro teve oportunidade de colocar à prova o guarda-redes Vágner, que respondeu com uma excelente defesa.

E depois do descanso, mais descanso

Regressados do balneário, os jogadores não trouxeram qualquer novidade para o terreno de jogo. As equipas pareciam divertir-se com a troca de bola entre si, chegando-se muito pouco às balizas adversárias. O público, que não era muito, ia adormecendo com o ritmo de jogo, que só foi alterado, uma vez mais, por uma oportunidade de Saleiro, que aproveitou deslize da defensiva estorilista para cabecear à baliza de Vágner. O brasileiro, uma vez mais, fez defesa do outro mundo, evitando a vantagem verde e branca e dando algum motivo de interesse ao cinzentismo do jogo.

Paulo Sérgio, por seu lado, parecia pouco satisfeito com o correr do jogo e operou substituição ofensiva, retirando de campo Matías Fernandez e Abel para fazer entrar Simon Vukcevic e Hélder Postiga. O treinador ribatejano pretendia, assim, povoar mais a sua frente de ataque, na esperança de conseguir despertar a fome de golos nos seus jogadores.  Mas o árbitro Cosme Machado não esteve pelos ajustes. Num lance onde Grimi demonstrou a sua incapacidade para se coordenar com os movimentos defensivos do Sporting, Luís Leal isolou-se e, perante a saída de Tiago, ofereceu-se ao choque com o veterano guarda-redes. O árbitro não soube mais do que apitar para nova grande penalidade, num gesto onde o árbitro auxiliar divide culpas, por não ter tido atenção para o mergulho de Luís Leal.

Sem reacção

Com o Estoril Praia em vantagem e pouco mais de dez minutos para jogar, o Sporting já não teve forças para tentar a reviravolta.  As notícias que chegavam da outra partida (vitória da Naval no terreno do Penafiel) garantiam a passagem dos leões às meias-finais da Taça da Liga, a equipa dividia-se entre o cansaço e a falta de ritmo de grande parte dos jogadores em campo, nada fazia com que os sportinguistas arriscassem no tempo que restava.  O jogo terminou assim ingloriamente, animando as hostes estorilistas que bem precisam de confiança para enfrentar a segunda volta da Liga Orangina, sem outra consequência para a equipa de Alvalade sem ser o castigo que será aplicado a Tiago pela sua expulsão no lance da segunda grande penalidade.

As figuras

Abel – sempre que joga, o experiente lateral-direito mostra raça e vontade de merecer a aposta. Marcou um grande golo que, certamente, ficará entre os melhores desta competição.

Vágner – Grande exibição do habitual guarda-redes suplente do Estoril. Por duas vezes evitou o golo de Saleiro, garantindo a manutenção de um resultado que viria a permitir a vitória da sua equipa. Merece mais  oportunidades.