sábado, 20 de agosto de 2011

O Patinho Feio do Eurobasket


Percebeu-se pelos comentários que correram durante os jogos da Fase Adicional de Qualificação: as duas últimas selecções a serem apuradas para o Eurobasket 2011 não vão ter a simpatia de ninguém.  Toda a gente olha a Finlândia e Portugal como dois parentes pobres do basquetebol europeu que se juntam à festa dos ricos sem terem sido convidados, e se a Finlândia ainda apresenta algumas caras conhecidas, Portugal e o seu conjunto de velhos lobos liderados pela raposa Mário Palma não farão nada para ganhar o prémio simpatia.

Mário Palma disse-o após o jogo onde o apuramento foi confirmado, na Hungria. “Somos uma das melhores selecções europeias a defender”. Talvez os jogos de Portugal não sejam bonitos de se ver. Filipe da Silva ou Miguel Minhava a marcar um ritmo de jogo necessariamente lento, Carlos Andrade, João Santos e Miguel Miranda a aproveitar todos os pequenos espaços para marcar de três, Élvis Évora a impor o seu peso dentro da área restritiva. Na defesa, todos eles fazem os possíveis e impossíveis para evitar a concretização adversária.

Para além disso, outros nomes terão peso nesta equipa. António Tavares, um base muito criativo e com excelente lançamento exterior, e Paulo Cunha, um extremo muito lutador, causarão problemas a qualquer adversário que não esteja 100% concentrado dentro do campo. Cláudio Fonseca parece ser a melhor alternativa para o lugar de poste, mas não se espantem de ver Portugal jogar sem qualquer referência interior, abrindo o jogo até ao limite, para conseguir encontrar opções exteriores.

Tudo isto não seria possível sem Mário Palma. O experientíssimo treinador recusa os louros e talvez seja o menos entusiasmado do grupo com esta presença no Europeu, preferindo focalizar-se, desde já, no que será necessário ser feito para que Portugal tenha hipóteses de chegar à segunda fase. Não será um objectivo acessível, mas os adversários que se cuidem. Portugal vai querer ser o osso mais duro de roer na grande mesa lituana. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cidades de futebol abandonadas


Que fique, desde já, registado o facto de Antonino Cardinale ter corrido atrás de bola de trapo pelas ruas de Agrigento, durante anos e anos da sua vida, tendo vestido a camisola do Akragas Calcio, equipa local, quando no ano de 1951 esta fez o seu primeiro jogo. Jogou durante os últimos três minutos dessa partida contra os rivais de Caltanissetta, acontecimento que foi aplaudido pelas centenas de pessoas que se juntaram em volta do rectângulo definido para o jogo. No entanto, Tonino nunca foi conhecido como jogador de futebol.
Tonino é uma daquelas figuras que podemos encontrar, sob diferentes moldes, em todas as cidades do mundo. É o homem que toda a gente conhece, que pouco demora a ser encontrado, que tem fortes opiniões sobre todas as coisas da cidade, que ama a cidade com uma entrega e inocência que mais nenhum pode oferecer. Tonino nasceu e viveu, sempre, em Agrigento. Provavelmente, nunca terá saído sequer dos limites da cidade em ocasião que não fosse a de acompanhar a equipa local a terra vizinha onde disputasse um jogo de futebol. Mas, jogador de futebol, Tonino nunca foi.
O Akragas Calcio foi o seu clube de sempre. Tinha ainda na memória o A.S.Agrigento, que durante a sua meninice chegou a andar pela primeira divisão italiana, mesmo em tempo de guerra. Mas dados os costumeiros problemas de pouca liquidez, o futebol cresceu em Agrigento com o nome de Akragas, clube do coração de Tonino, que o fez ser também parte da imagem do clube, convidando-o para envergar a sua camisola em dia de estreia. Isto foi tanto mais marcante que permitiu, nesse jogo, a imposição de uma substituição, quando ainda nem sequer existia essa possibilidade nos livros de regras.
Tonino sofreu imenso junto das quatro linhas em todos os jogos do Akragas. Para mais, a história do seu clube do coração fez-se de constantes altos e baixos, sempre nas mais secundárias divisões do futebol italiano. As camisolas azuis e brancas povoavam os sonhos de Tonino, desejoso de voltar a ter, em Agrigento, uma equipa que pudesse ombrear com as maiores de Itália. Mas a glória da sua cidade tinha ficado na história como cidade grega, sendo que nada indicava que a glória futebolística pudesse, alguma vez,  dar-lhe um pouco da sua atenção.
Pelas fileiras do Akragas passaram nomes famosos do futebol italiano, apesar de, tal como no caso de Tonino, nenhum deles por ser grande futebolista. Tonino viu o famoso futuro dirigente da Juventus, Lucciano Moggi, vestir a camisola azul e branca. Também viu o futuro grande treinador Gigi Maifredi fazer o mesmo. Mas, perante sucessivos falhanços nas contratações chegadas do continente, o Akragas passou a utilizar apenas homens da casa, sicilianos que garantiam uma dedicação e uma lealdade que nenhum rapaz chegado do continente poderia assegurar.
Conta-se que, por isso mesmo, foram recusados, quando ainda eram jovens acabados de sair das escolas de formação, Roberto Baggio e Nicola Berti, para além de Vicenzo Scifo, o belga que, a todo o custo, o pai queria tornar italiano. A história foi madrasta para o Akragas Calcio, tal como para Tonino. Tanta falta de sorte objectiva ia-lhes marcando os dias e as épocas, com resultados cada vez menos lisonjeiros, com o crescimento de outros clubes da ilha a ocuparem, agora, a fome de futebol de primeira às gentes de Agrigento, que se dispunham a ir até Palermo ou Catania para ver os seus heróis.
Tonino é que não deixou, nunca, de ser o mais fiel fã do Akranas Calcio. Fosse na Série C, na Série D ou nos campeonatos regionais, Tonino lá estava, junto às linhas, o décimo segundo jogador desta equipa esquecida por todas as histórias do futebol. Mesmo quando o clube mudou de nome, ficando conhecido por Agrigento/Favara ou Agrigento Hinterland, Tonino lá continuava, como se nada tivesse mudado, gritando pelo Akranas. Mesmo quando, dados os problemas financeiros do costume, a equipa ficou sem competir algumas épocas, Tonino nunca deixou de, mesmo que apenas na sua cabeça, apoiar o seu clube de sempre.
Dedicação como esta, acredito eu, pode bem ser encontrada em todas as cidades do mundo, em todos os clubes, existentes e inexistentes do mundo. Tonino foi talvez o jogador mais importante do Akranas Calcio, porque foi ele a única pessoa que sempre viveu o clube como se vivesse a sua própria vida. Mesmo que nunca tenha marcado um golo, feito uma finta, liderado, sequer, a organização de uma barreira perante um livre directo adversários. Mesmo que tenha apenas jogado por três minutos com a camisola azul e branca, mesmo que apenas num jogo não oficial. Tonino nunca foi jogador de futebol. Mas que interessa isso, perante o que Tonino ainda continua a ser?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Concentração, precisa-se

A selecção nacional perdeu hoje na Finlândia (68-56) ainda que, em termos globais, a equipa adversária não tivesse demonstrado  ser tão superior como os números parecem indicar.

O grande ausente na equipa portuguesa foi a capacidade de manter a concentração durante os quarenta minutos da partida. No primeiro período, Portugal escolheu bem o momento de lançar, obtendo 3 em 4 triplos tentados, e deu pouco espaço de manobra para uns finlandeses altos mas pouco criativos – fechar os espaços e ser agressivo sobre o jogador com bola parecia resultar a favor da equipa lusitana. O jogo terminava empatado nos primeiros dez minutos, mas com Portugal a mostrar confiança para conseguir surpreender em Helsínquia.

No segundo período, começaram os problemas. Com uma rotação de equipa que foi bem sucedida no final do primeiro período, a entrada em campo dos titulares finlandeses mexeu com o equilíbrio do jogo e a equipa portuguesa começou a perder terreno. Com apenas dois pontos nos primeiros cinco minutos, a Finlândia ganhava um ascendente que não mais perderia durante todo o jogo, com os Portugueses a tentarem, cada vez mais, optar por inconsequentes acções rápidas. Ao chegar ao intervalo, o 31-22 no marcador mostrava a tendência do jogo.

A segunda parte não trouxe melhores notícias para os portugueses. Perante o desnível do marcador, Mário Palma tentava convocar a experiência de alguns dos seus jogadores, mas a falta de concentração e a qualidade competitiva dos finlandeses não permitiam que Portugal voltasse ao jogo. A equipa da casa mostrou sempre muita maturidade em todos os momentos do jogo, sendo que depois do equilíbrio do primeiro quarto, não mais denotou falhas em termos defensivos. O ataque português pareceu sempre muito lento e em pânico. Com constantes paragens de drible, os jogadores portugueses viam-se rodeados de finlandeses que não baixavam os braços nas ajudas.

Em resumo, parece-me que Portugal tem condições para jogar olhos nos olhos com a Finlândia. No entanto, os nossos jogadores não estão habituados a enfrentar adversários com tanta maturidade competitiva, nem o nível do nosso campeonato permite a aquisição de um à-vontade como o que foi demonstrado pelo nosso adversário. Ainda assim, a qualidade técnica está lá, sendo que pela forma como os finlandeses anularam o Élvis Évora e perante a má entrada do Marco Gonçalves, fica a dúvida sobre a não utilização do Cláudio Fonseca. É óbvio que a altura dos finlandeses não é uma vantagem a que eles tenham recorrido – preferem um jogo de movimentações rápidas com os postes a subirem até à linha de lance livre -, mas faltou a Portugal conseguir desgastar mais o seu adversário.

António Tavares e Carlos Andrade, com 11 pontos cada, foram os melhores marcadores da equipa portuguesa, onde se deve destacar o papel de Paulo Cunha (6 pontos, 10 ressaltos), pela forma como se sacrifica em prol da equipa. Entre os finlandeses, Shawn Huff (16 pontos,  9 ressaltos) e Tuuka Koti (16 pontos, 7 ressaltos) fizeram a diferença.


Portugal volta a entrar em campo na próxima quinta-feira na Hungria. Uma vitória portuguesa colocará a equipa nacional à beira do apuramento. A derrota fará com que todas as decisões se tomem na última jornada. Uma coisa parece certa. A Finlândia poderá enfrentar os dois jogos que faltam com as certezas de quem está a fazer um trabalho bem feito. Caberá a portugueses e húngaros lutar pela vaga restante no Eurobasket. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Uma nova filosofia - Entrevista a Élvis Évora

Durante o estágio na Suiça, o Planeta Basket chegou à fala com Élvis Évora, o poste da nossa selecção.

Sobre os seus ombros recai a responsabilidade de dominar o jogo interior português nos combates frente a húngaros e finlandeses. Élvis antecipa esses encontros com a concentração que um grande jogador sabe essencial.

O jogador do Benfica aproveitou ainda para analisar o passado e a actualidade da selecção, bem como desvendar o que espera da nova época, onde trabalhará sob as ordens de Carlos Lisboa.

Élvis, este ano tiveste uma época muito difícil, com participação na Eurochallenge e o título a fugir-te das mãos no jogo decisivo, faz-nos um balanço desta época no teu clube.
No meu ponto de vista não faço um balanço negativo da época, mas tenho de reconhecer que ficou um pouco a quem das expectativas.
O campeonato fugiu nos no último jogo das finais dos playoffs e conseguimos ganhar duas taças. Na Eurochallenge, posso dizer que tivemos uma participação positiva, que valeu muito pela experiência internacional a nível de clubes, de que já tinha saudades, mas ficou um sabor amargo, porque tínhamos claras possibilidades de passar à terceira fase e ficar a um passo da final four.

Há dez anos que és uma figura central na equipa nacional, o que significa para ti representar a selecção?
Para mim é uma grande honra representar a selecção nacional, embora tenha de reconhecer que muitas vezes representou um grande sacrifício por várias razões, entre os quais posso destacar o nosso calendário da época desportiva que não se concilia bem com o nosso descanso e os trabalhos da selecção. E outras vezes, a dificuldade advém das lesões que tive que me impediram de dar o melhor contributo. Mas acima de tudo tenho de reconhecer que é com grande orgulho representação nacional.

Fizeste parte do grupo que participou no Eurobasket 2007. Quais foram as sensações que mais te marcaram nessa competição?
Em primeiro lugar, a qualificação em si foi um momento único, fizemos uma campanha excepcional, em que não éramos nem de perto nem de longe os favoritos. O que mais me marcou foi o espírito de grupo e a combatividade que conseguimos impor com atletas vindos de diferentes clubes.
Em segundo lugar, o campeonato de Europa foi simplesmente fantástico,  estar naquele meio e jogar contra as grandes estrelas da Europa e do mundo foi um momento que irei guardar na memória para sempre, mas tenho a ambição de o conseguir repetir de novo este verão.

Agora, tens a oportunidade de trabalhar com o Mário Palma. O que mudou com a chegada dele à selecção?
Ele trouxe à selecção uma nova filosofia e nova forma de estar no basket, talvez bastante diferente daquele que a maior parte dos jogadores estão habituados. Como é óbvio, não vou nem me compete avaliar ou comparar aos anteriores, mas posso dizer que a exigência aumentou especialmente no campo das regras disciplinares dentro e fora das quatro linhas e na concentração e atenção exigida em cada treino.

Fala-nos um pouco acerca do grupo de trabalho e do ambiente no seio da equipa.
Penso que temos um bom grupo, que acima de tudo tem sabido contornar as dificuldades gerada por lesões que tem afectado a selecção. O grupo tem mostrado uma grande entrega e disponibilidade para a assimilar a nova filosofia do novo treinador. O ambiente de trabalho também tem sido de grande cumplicidade entre as diversas partes: técnicos, dirigentes, colaboradores, fisioterapeutas e atletas.  O que mostra uma grande vontade e a ambição da equipa em qualificar para o Europeu da Lituânia.

O que nos podes dizer dos postes da Finlândia e da Hungria? Já os conheces? Quais são os pontos fortes e os fracos que eles têm?
Sim, penso que já os conheço e já joguei no passado contra a maior parte deles. Na equipa da Finlândia tem-se destacado Gerald Lee, que tem feito grandes jogos de preparação, com destaque para a Taça Nórdica, é um jogador forte no ressalto e com uma boa eficácia nos lançamentos de dois pontos. A par dele, os outros postes, como Kotti e Nikkila são muito móveis e combativos, daí ser preciso uma especial atenção no capítulo dos ressaltos. Na equipa da Hungria, o destaque vai para Bader que é o único jogador que conheço que tem os olhos mais fechados que os meus (risos). Já jogou em muitas grandes equipas, esteve ausente durante algum tempo e decidiu voltar agora, o que mostra que eles acreditam que têm uma grande possibilidade de ir ao Europeu. Também destaque para Peter Llorant, que joga em Espanha e fez uma grande época este ano. Por ultimo, Keler, um poste mais jovem muito atlético e explosivo que corre muito bem o campo.

Até agora, as participações das equipas nacionais de formação nas competições europeias tem tido bastante sucesso. Isso é inspirador para a equipa sénior?
Sem dúvida que é com enorme agrado que observamos as boas prestações das selecções mais jovens, tanto a nível feminino como masculino. Aproveito para dar os parabéns a todos, em especial para equipa de sub-20 feminino que teve uma prestação brilhante, com a consequente merecida promoção à divisão A. Obviamente que nos motiva a trabalhar mais para sermos bons exemplos aos futuros séniores.

Para terminar, na próxima temporada vais ter como treinador outra figura mítica do basquetebol nacional, Carlos Lisboa. Quais são as tuas expectativas?
As expectativas são as melhores. Espero que ele consiga transmitir-nos a sua experiência acumulada ao longo dos vários anos como atleta e a sua veia vencedora que marcou a sua carreira desportiva. Bem, não gosto de  falar muito dos treinadores para não parecer que estou a dar graxa para conseguir minutos de jogo(risos).

Um grande Abraço a todos os colaboradores do melhor site de basket português

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Como uma melancia


Toda a gente o apelidava de Sandía, melancia, pois era isso que faziam lembrar as suas atitudes. Era enganador, como a melancia que se promete verde ao nascer da terra e logo a descobrimos vermelha fogo por dentro, como se fosse sangue. No entanto, desse sangue nasce um frescor de água que se derrete mal toca a nossa língua. A ele, chamavam-no Sandía por ser assim, enganador. Adrián Cruz não era homem em que se pudesse confiar. O seu ar um tanto angelical escondia um carácter extraviado, capaz das piores coisas para que se saísse bem numa vida que pouco lhe prometia. Era por isso que lhe chamavam Sandía. Por isso, ou por ser originário de Concepción, uma das zonas de maior produção de melancia do Paraguai.

Adrián Cruz começou a jogar futebol no Deportes Concepción, uma equipa à sua imagem (ou será que foi ele que cresceu à imagem da equipa?), com um grande historial de problemas de violência e de desacatos dentro e fora do campo. Adrián tornou-se profissional de futebol por um daqueles acasos do destino. Desde jovem que fazia parte da equipa do Deportes e tinha dezoito anos quando o extremo-esquerdo titular se lesionou. Como o outro jogador que fazia essa mesma posição na equipa sénior estava castigado, ao treinador não restou outra opção que a de chamar Sandía para um jogo contra a equipa do Antofagasta. Tão bem se saíu Sandía que não mais largou a titularidade, pelo menos naquela época.

Era um jogador impossível de defender. A sua forma de jogar confundia todos, adversários e colegas de equipa. Tremendamente indisciplinado na táctica, Adrián cruzava o campo da direita para a esquerda sempre à procura de fugir aos seus adversários como quem foge da polícia (outra das coisas em que Adrián apostava o seu sucesso), elaborava fintas nunca antes vistas pelas terras onde jogava, rematava dos ângulos mais difíceis de forma a surpreender os guarda-redes. A isso juntava também um inconfudível mau humor e uma enorme garra em vencer, sendo que para tal não hesitava em entrar com os dois pés nas canelas de todo e qualquer adversário que tentasse fugir dele.

No início dos anos oitenta, o Deportes Concepción desceu à segunda divisão, no que seria o início de uma época conturbada para o clube, entre insucessos desportivos e problemas monetários. Adrián Cruz, grande jogador, tinha contra si a lastimosa fama de jogador incontrolável. E assim, não recebendo o seu salário no Deportes e sem encontrar quem pagasse a sua transferência, acabou por ir para o Brasil, para Goiás, onde trabalhava em plantações de melancia brasileira. Era uma função que conhecia dos seus tempos anteriores ao futebol, quando a bola não lhe permitia levar algum dinheiro para ajudar em casa. E como Adrián não tinha mesmo qualquer vergonha na cara, ser jogador de futebol ou colher melancias tanto lhe dava, desde que pudesse ganhar o que comer.

Ainda assim, todos sabemos que nunca um bom jogador de futebol passa incógnito, esteja em que lugar do mundo estiver. A Adrián Cruz aconteceu exactamente o que era esperado: foi descoberto. Num fim-de-semana em que saiu para beber umas cervejas com amigos, acabou a brincar com uma bola, deixando toda a gente espantada com as capacidades do seu pé esquerdo. Logo foi convidado para vestir a camisa do Santa Helena Esporte Clube, equipa goiana que disputava a segunda divisão do estado e nunca havia ganho título algum. Sandía tudo mudou. De repente, a equipa conhecida como “Fantasma do Interior” aterrorizava todos os adversários. Sandía pegava na bola e lançava a confusão à volta da área adversária, marcando e dando a marcar infinitos golos.

O grande jogo dessa 2ª divisão Goiana, em 1986, foi disputado entre o Rioverdense e o Santa Helena, infatigáveis rivais. Vencendo, o Santa Helena ganharia o seu primeiro título, acontecimento que os de Rio Verde tudo fariam para evitar. Talvez não se tenha jogado futebol no Estádio Pedro Romualdo Cabral. Talvez não fosse da bola que os jogadores corriam atrás, mas uns dos outros. Havia pé no pau, pau na cabeça, pedrada para todo o lado, não só no relvado como nas bancadas. Até que ao minuto oitenta, a bola chegou aos pés de Adrián Sandía Cruz, o melancia paraguaia, que, verde e enorme rebolou por entre defesas com punhos e antebraços abrindo o caminho, fez desaparecer a bola entre a promessa de sangue e, num remate poderoso, rasgou as redes do Rioverdense. O Santa Helena foi campeão.

Adrián tornou-se uma lenda em Goiás, como já era no Paraguai, embora não pelas mesmas razões nem com os mesmos efeitos. O futebol não crescia para o profissionalismo no Santa Helena, mas ser o craque da equipa valeu-lhe muitos e bons anos a trabalhar com os maiores produtores de melancia da região. Quando decidiu deixar o futebol, o seu mau feitio era já ignorado, aceite, como uma valência comum aos grandes artistas que povoam as quatro linhas em todas as partes do mundo. Também agora a sua aparência de durão era enganadora. Foi por isso que Sandía entrou na galeria dos mais respeitados jogadores de Goiás. Por fazer aquilo que a maioria nem em sonhos consegue imaginar que é possível: resolver campeonatos.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O pior


Nenhuma outra opção  resta a um jovem jogador de futebol quando nasce na grandiosa pátria futebolística que é o Brasil, ser o maior ou não ser ninguém. No entanto, Eduardo Pereira Barcelos tinha um plano diferente. Nascido em Recife, capital de Pernambuco, Dudinha, assim era conhecido por todos, foi seleccionado para a equipa de jovens do Santa Cruz Futebol Clube. O seu apelido só podia ser brincadeira, pois Dudinha era o maior da sua turma. Um rapaz grande em todas as direcções. Por isso mesmo, jogava como defesa central, e batia, batia muito, em tudo o que mexesse perto da área da sua equipa. Isso tornara-o um jogador mais do que temido, uma lenda do futebol jovem de Pernambuco.
Foi subindo de escalão até ter a oportunidade de jogar na equipa principal do Santa Cruz. No início dos anos setenta, o Terror do Nordeste ganhava campeonato atrás de campeonato estadual. Dudinha, enorme defesa central, cheio de vontade e sem pingo de caridade, era chamado a entrar no relvado sempre que o assunto era pega de caras. Ele entrava, pegava, e a assistência aplaudia extasiada a violência do menino. Ainda assim, Dudinha jogava poucas vezes. Até porque era mais do que normal ver cartões vermelhos, tal a brutalidade com que ele defendia a camisola tricolor. Assim, mesmo que fosse o ídolo de parte da torcida, mesmo que tivesse sido três vezes campeão estadual, foi uma das primeiras vítimas da renovação da equipa.
Parecia então que as opções de Dudinha se tinham estreitado ainda mais. Dispensado do Santa Cruz, impossibilitado de ser o maior (nem que fosse do seu estado), o nosso craque parecia agora dirigir-se para aquele lugar onde não se é ninguém, imenso cemitério de prometedores jogadores de bola, aviadores das áreas, voadores frangos das balizas, incapacitados técnicos de acumuladas derrotas. Era tão triste o seu destino que chegou mesmo a colocar a hipótese, no Verão de 74, de deixar de jogar futebol. Dudinha era grande, era enorme, mas se isso não chegava para honrar a camisola da sua equipa de sempre, teria que servir para qualquer outro emprego. No entanto, a sorte não estava com ele. E durante quatro meses, nem futebol, nem emprego para Dudinha.
Iniciado o Estadual do Pernambuco há já algumas semanas, criou-se a oportunidade para Dudinha voltar aos relvados. O Íbis Sport Clube carecia de um defesa central de qualidade inquestionável para travar a avalanche de golos que sofria em cada partida. Então Dudinha foi lembrado por alguém na bancada, palavra que chegou aos ouvidos de um dos Directores, que questionou o Treinador, e ao fim de alguns momentos todos pareciam estar de acordo que esse era o homem de quem eles precisavam. Assim se fez a apresentação, com direito a jornalistas e tudo, Dudinha deixava o desemprego e vestia uma nova camisola tricolor (em tudo semelhante ao do seu Santa Cruz), com a vantagem de, nesta, não encontrar um número daqueles que sobravam para  se sentar no banco, mas o ilustríssimo número 3, seu número para a vida de titular entre os Gaivotas.
Já nesse tempo o Íbis Sport Clube gozava de um estatuto pouco invejável, o de ser um dos piores clubes do campeonato. Com a chegada de Dudinha, as esperanças de que isso se alterasse não viram, também, a luz da manhã. Na verdade, Dudinha aplicava-se, cada vez mais, no desporto da cerveja e do churrasco, sendo que a sua envergadura futebolística era apenas uma leve pena, se comparada com a monumentalidade do seu peso. Mas, ainda assim, Dudinha entrava em campo e batia no que podia, mesmo quando podia pouco. Felizmente havia intervalo para que ele pudesse beber uma ou duas cervejas geladinhas, restabelecendo assim o equilíbrio de suas pernas e de sua visão de jogo. A cada semana, a derrota apresentava-se como assunto impossível de ultrapassar, mas foi por isso mesmo que, entre todos, jogadores, associados e directores, cresceu a vontade de tornar a sua falta de qualidade no seu principal trunfo.
Quando se joga futebol na grandiosa pátria brasileira, as opções entre ser o melhor ou não existir, encontrava agora uma terceira via: ser, não só, a pior equipa do campeonato, mas, acima de tudo, a pior equipa do mundo. Para isso, Dudinha seria uma peça de alta qualidade no centro da defesa, acompanhado por outra grande lenda do Íbis, Mauro Shampoo, futebolista, cabeleireiro e homem, de quem já muito se escreveu nas mais encantadoras páginas do futebol mundial. A verdade é que, quando a equipa do Íbis deixou de tentar ser menos má, começou realmente a despertar a atenção do mundo inteiro. Jogo após jogo, as derrotas acumulavam-se, cada vez com mais golos contra e menos golos a favor. Este caminho começou em Julho de 1980, quando, depois de uma vitória sobre o Ferroviário, o Íbis só voltou a vencer no dia 17 de Junho de 1984. Mesmo antes dessa vitória, o Íbis já tinha acumulado outras dezanove derrotas.
Durante esses fabulosos anos, o clube marcou apenas 25 golos, tendo sofrido 231. Algumas notas são bem curiosas. Mauro Shampoo, ponta-de-lança durante dez anos, marcou apenas um golo desses vinte e cinco, um golo que o tornou numa lenda apenas comparável ao Rei Pelé. Dudinha, o nosso craque, também marcou um desses golos, numa das complicadas subidas à área adversária, onde depois de vários desencontros com a bola, esta beijou a sua canela e ganhou a direcção do golo. No entanto, Dudinha assegurou também sete golos na sua própria baliza. Uma marca invejável para todos os defesas centrais do mundo. A verdade é que muitos outros tentaram ser tão maus como Dudinha, mas nenhum conseguiu. Dudinha, honrado titular da pior equipa do mundo, foi o seu herói durante anos e anos seguidos. Resiste na memória de todos nós, por ter alcançado aquilo que quis: ser, magistralmente, o pior. 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Queremos inspirar - Entrevista a José Costa

José Costa, base e um dos capitães da Selecção Nacional, falou com o Planeta Basket sobre o campeonato nacional e o regresso à Selecção.

O actual campeão nacional revela uma grande ambição e demonstra a vontade de, ao atingir o objectivo de jogar o Europeu na Lituânia, a equipa portuguesa possa vir a inspirar os jovens praticantes de basquetebol.


Este ano foste campeão nacional pela primeira vez, faz-nos um pequeno balanço desta época no teu clube.
Posso dizer que o objectivo principal foi alcançado, ser campeão nacional, mas pessoalmente fiquei triste por não ter vencido a taça de Portugal, pois nunca tive a felicidade de a conquistar. Fomos a melhor equipa da fase regular, chegamos unidos e confiantes ao Play-off e merecemos ser campeões.

Qual foi a sensação quando soubeste da convocatória para jogares na Selecção Nacional?
Fiquei surpreendido quando o professor Mário Palma falou comigo, depois de um treino no Dragão Caixa, acerca da possibilidade de fazer parte da Selecção Nacional. Esta foi a minha primeira reacção, depois fiquei extremamente feliz e motivado para ajudar a equipa nacional.

Aos 37 anos, o que significa para ti representar a selecção nacional?
Primeiro acho que a idade não conta e como o Prof. Mário Palma e o Moncho Lopez dizem o que interessa é que corresponda dentro do campo às exigências do jogo. Para mim representar o País é tudo, acho que deve ser motivo de orgulho e responsabilidade fazer parte de um grupo tão restrito.

Tens uma longa experiência nas equipas nacionais, o que mudou com a chegada de Mário Palma à Selecção?
Acima de tudo mudaram os conceitos e a forma de jogar. O Prof. Palma tem o seu modelo de jogo que aplica com rigor. No fundo tudo se baseia numa simples ideia “Liberdade com Responsabilidade” e nós jogadores temos tentado adaptar-nos à sua filosofia.

Fala-nos um pouco acerca do grupo de trabalho e do ambiente no seio da equipa.
O ambiente é óptimo, somos uma autêntica família e estamos motivados e confiantes para realizar uma boa campanha.

Quais são, na tua opinião, as principais dificuldades que Portugal irá enfrentar diante de Hungria e Finlândia? Acreditas no apuramento?
Em primeiro lugar se não acreditasse não estaria aqui, confio plenamente neste grupo de trabalho e em Setembro estarei a responder às vossas questões sobre o Europeu. No que diz respeito aos nossos adversários, a Hungria joga muito rápido, nomeadamente com o seu novo reforço naturalizado, Trotter, e com o base Adam Hanga, recente escolhido pelos Spurs . Por sua vez a Finlândia tem sete jogadores que jogam em fortes ligas europeias e conseguiram recuperar Mottola, que jogou algumas épocas na NBA e é um poste fortíssimo.

Até agora, as participações das equipas nacionais de formação nas competições europeias tem tido bastante sucesso. Isso é inspirador para a equipa sénior?
Posso dizer que sim, mas era importante que acontecesse o contrário, ou seja, nós inspirarmos os jovens portugueses.

Para terminar, quais são os teus planos para a nova temporada?
Neste momento estou focalizado com o inicio da fase de qualificação dia 9 de Agosto em Coimbra (espero que todos os leitores do Planeta Basket estejam presentes) e posso revelar que pretendo continuar a jogar, só não sei em que clube.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

As luvas de Mcghee


Franck Mcghee tinha tão interiorizado em si o facto de ser guarda-redes que usava sempre luvas. Os seus colegas achavam curioso que aquela torre australiana tivesse hábitos tão estranhos. Mas ele era o melhor guarda-redes da história do Mohun Bagan AC, a equipa de futebol de Calcutá, também conhecida como os “Marinheiros”. E era isso que lhe perdoava todas as excentricidades. Franck “The Glove” Mcghee defendia como ninguém a baliza do clube que, entre os finais dos anos setenta e o início dos oitenta, dominou o futebol da região de Calcutá e de toda a Índia.
O caminho que este australiano fez até chegar a ser guarda-redes na Índia não é feito de evidências. Franck era descendente de irlandeses, todos eles ligados ao comércio marítimo na cidade de Perth, na costa oeste da Austrália. Dizia-se, em meados do século XX, que em cada esquina do porto de Perth havia um Mcghee. Isso fazia com que o  sentido de pertença ao lugar fosse algo que estava marcado, como ferro em brasa, em cada criança que nascia no clã. O problema de Franck era o facto de, no seu caso, a sua pertença ao clã ser, no mínimo, desconfortável. Fruto de uma relação ocasional entre um Mcghee e uma jovem que trabalhava num dos pub’s do porto, a sua marca provocava-lhe mais comichão do que orgulho.
Talvez fosse por isso que, desde muito novo, Franck sonhou fugir daquela cidade. Como é costume dizer-se, de Perth não se pode fugir por terra, dado o facto da cidade estar próxima do imenso deserto australiano. Daí, a Franck restava apenas a opção marítima. Devia ter treze ou catorze anos quando se apresentou a um capitão de embarcação inglês e se tornou marinheiro. Bem, talvez não marinheiro, mas um moço que ia no barco para fazer todo o tipo de serviços que aparecessem. E Franck, que mesmo jovem era já enorme, com perto de dois metros, não se negava a nenhuma tarefa. Foi assim ganhando o apreço dos ingleses e escoceses que, com ele, partilhavam a vida, sendo também com eles que começou a jogar esse desporto tão estranho à maioria dos australianos. O futebol.
A embarcação passava mais de metade do ano pelo Índico, a transportar bens, sendo que no fim desse período regressava a Inglaterra, onde passava o mês de Dezembro. Para Franck Mcghee tanto lhe fazia se o levavam para trás ou para a frente, coisa que ele não queria era regressar à Austrália. Foi assim conhecendo mundo, ora passando esse mês de férias em Inglaterra, com algum dos seus colegas, ora ficando pela Madeira, Cabo Verde, Angola, África do Sul, gozando de umas férias mais veraneantes do que aquelas que estavam reservados aos restantes, entre familiares e Natal. Por todos os lugares onde passava, Franck, fosse ou não com os seus colegas, não perdia a oportunidade de se exercitar na defesa de redes de balizas de futebol. O seu tamanho convidava-o sempre para essa posição, e a verdade é que, com a bola nos pés, o nosso homem não teria lugar em equipa alguma.
Era duro o trabalho no barco e habituais os acidentes. Para Franck, chegou o dia trágico em que perdeu três dedos da mão direita, presos a uma das cordas que manejava para prender uma série de volumes que se soltavam no meio das ondas do Índico. A maior tragédia prendia-se com o facto de, estando em mar alto, não haver maneira de preservar os dedos, tendo que esperar três dias até aportar em Calcutá para poder tratar e manter o resto da mão em bom estado. Franck sabia que aí acabava a sua carreira de marinheiro – de alguma forma, um tarefeiro sem dedos é algo de pouco préstimo para a tripulação de um barco – o que ele ainda não sabia era que começava aí a possibilidade de ser um futebolista.
Ficou em Calcutá quando o barco partiu, de novo, em direcção a oeste, esperando melhor oportunidade para continuar a sobreviver. E ao fim de poucos dias foi surpreendido por Badru Pal, um dos jogadores do Mohun Bagan, que se lembrava de o ver jogar em vários jogos no porto de Calcutá. Havendo falta de guarda-redes no clube, nem ocorreu a Franck tirar a luva que lhe escondia a falta de dedos, aparecendo ao primeiro treino, defendendo como era seu costume, todas as bolas que almejavam as redes da sua equipa. Foi contratado para a equipa que disputaria, nesse ano de 78, a Taça da Federação. E o sucesso foi tão grande que por lá continuou a dar alegrias aos Indianos.
À taça de 78, juntou as taças de 80, 81 e 82. Também venceu a Liga de Calcutá em 78, 79, 83 e 84. E ainda a IFA Shield, em 78, 79, 81 e 82. Ao todo foram sete anos a defender a baliza do Mohun Bagan AC, anos em que não lhe fizeram falta os dedos para ser considerado o grande guarda-redes da história do clube. Franck “The Glove” Mcghee tornou-se uma lenda em terras indianas. E quando, no fim da sua carreira de futebolista, voltou a Perth, a sua cidade não era mais o reduto dos irlandeses, mas um local cheio de gente de todo o mundo, o lugar onde Franck se sentia bem, por conjugar a terra que era sua, com a variedade de olhares, cheiros e línguas a que se habituara nas viagens pelos mares do mundo.
Nunca, na Índia, único lugar onde foi um futebolista federado, chegaram a saber da falta de dedos na sua mão direita. Franck Mcghee tinha tão interiorizado em si o facto de ser guarda-redes que, por isso, pensavam os seus colegas, usava sempre luvas. Todos  achavam curioso que aquela torre australiana tivesse hábitos tão estranhos. Todos o admiravam pelos seus feitos. Franck Mcghee foi, de facto, um guarda-redes feliz. 

domingo, 10 de julho de 2011

Portuguesas na Eurocup

Conhecidos os adversários das duas equipas portuguesas presentes na Eurocup 2011-12, falamos com os treinadores para saber quais as suas perspectivas para a nova época, no que toca à participação na competição europeia.

Para o actual campeão nacional, José Leite, a principal novidade para a equipa da Quinta dos Lombos, que faz a sua estreia a nível europeu, serão as viagens.  “Temos que apreender rapidamente as particularidades existentes (jogar após longas viagens, jogar contra equipas de perfis físicos diferentes daqueles que estamos habituados) para conseguirmos pôr toda a nossa competitividade em campo.”

Assumindo a participação europeia como uma elevação do basquetebol nacional, o treinador faz a seguinte análise dos adversários:

Dínamo de Moscovo (Rússia) : “uma das equipas mais fortes da europa, tendo ganho esta prova em 2007 e com participações regulares na Euroliga. É um adversário de peso,uma grande motivação para a nossa equipa.”

Botas Spor (Turquia) : “um dos clubes mais consistentes da Turquia, também com um longo historial de participações europeias, conta com imenso apoio do seu público nos jogos em casa.”

Horizon Minsk (Bielorússia) : “tem menos historial europeu que os outros dois adversários, mas é o actual campeão nacional. O ano passado ganhou sete jogos e perdeu apenas um na Eurocup”.


Maior competência

Para Nuno Ferreira, treinador do AD Vagos, a quarta participação consecutiva em competições europeias permite que a equipa se sinta cada vez mais competente nos encontros frente a adversários que impõe dificuldades às quais a equipa não está habituada nas competições nacionais.

Com um conjunto de adversários considerados “difíceis”, a equipa de Vagos terá pela frente equipas de França e Bélgica, só tendo que fazer uma maior deslocação para enfrentar o Optimum Ankara, da Turquia.

Eis a análise feita por Nuno Ferreira:

Nantes (França) : “Será um reencontro, é um adversário muito complicado, como são, tradicionalmente, as equipas francesas”.

Dexia Nemur (Bélgica) : “uma equipa muito experiente, participa nas competições europeias há muitas épocas e costuma reunir um conjunto de jogadoras muito competente”.

Optimum (Turquia) : “é ainda um desconhecido para mim, mas o basquetebol turco é muito forte e esta equipa terá, certamente, recursos  para apresentar um plantel muito forte”.

A Eurocup Feminina começará a disputar-se no início do mês de Novembro. 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Uns minutos na vida



Erik Badu cresceu, na cidade ganesa de Kumasi, com um sonho: ser jogador de futebol. No entanto, os deuses que distribuem os dotes futebolísticos não lhe deram suficiente atenção. Erik, magro e franzino, era sempre o último a ser escolhido para os jogos entre os rapazes do seu bairro, era sempre o gozado por falhar inacreditáveis golos junto a uma das pedras que faziam de baliza na extremidade do descampado onde todos se encontravam,  era dos que tinham que jogar descalços por, na sua família, não haver dinheiro suficiente sequer para uns sapatos novos.  Erik tinha um sonho e uma longa estrada para percorrer até o concretizar.
Cedo a escola foi abandonada pelos biscates num dos armazéns de exportação de flores da cidade. Erik Badu ocupava os seus dias no sensível trabalho de transportar flores e plantas de diversas espécies, sempre na esperança de chegar perto da estação de caminhos-de-ferro de Kumasi, onde ouvia deliciado os relatos de jogos de futebol no estrangeiro, contados por velhos europeus que dominavam, ainda, as rotas daquele comércio no Gana. Foi assim que Erik aprendeu a sonhar com o Leeds United, o Chelsea, o Liverpool e o Manchester United, e foi também assim que Erik acabou por encontrar uma oportunidade para mudar de vida.
Tinha Erik completado dezoito anos e podia dizer-se um especialista em vários tipos de flores e plantas africanas. Foi essa uma das razões pelas quais um holandês de visita a Kumasi o convidou para trabalhar com ele na Europa. E assim se mudou Erik Badu para Roterdão, com papéis legalizados (um luxo), emprego assegurado e uma maior proximidade do seu sonho. O problema é que, sem qualquer passado como jogador de futebol, a não ser alguns treinos no clube Asante Kotoko FC, ficaria difícil encontrar quem o aceitasse até para treinar. Mas acabou por encontrar lugar no VOC Rotterdam, uma equipa amadora, onde durante três épocas disputou uma média de trinta minutos por ano, sendo, em troca, responsável pelo tratamento dos relvados do clube.
Apesar de parecer coisa pouca, entrar em campo com uma camisola de uma equipa de futebol encheu Erik de brios. Começou então a desenhar-se na sua cabeça um plano para subir na vida de futebolista. Para isso precisava de ajuda, e acabou por encontrá-la num agente de futebolistas inglês que, ouvindo as palavras Gana e Holanda, logo se pôs a imaginar as várias possibilidades de lhe encontrar colocação numa equipa britânica. Assim viajou Erik Badu para Inglaterra: como jogador de futebol.  Os seus primeiros meses em Inglaterra seriam difíceis para qualquer um, mas não o foram para ele. Passou-os em consecutivas experiências em clubes como o Port Vale, o Gillingham ou o Bournemouth, acabando sempre por não assinar contrato com nenhum deles. A sua salvação acabou por ser encontrada no Blyth Spartans, uma equipa dos campeonatos regionais, onde pôde finalmente mostrar os seus dotes em jogos oficiais.
Erik Badu tratava muito bem a relva e muito mal a bola. Mas isso não o impedia de ser um dos mais dedicados nos treinos e nos jogos em que lhe era dada a oportunidade de jogar. Na equipa do Blyth chegou até a marcar um golo num dos nove jogos em que participou. Quando chegou o final da época, acabou dispensado. Mas isso não o fez desistir. Convenceu o seu empresário a telefonar a todos os treinadores da primeira liga inglesa, com o intuito de conseguir mais um período de experiência, agora que se sentia em melhor forma, dado os treinos constantes. Perante várias recusas, e durante um telefonema para o treinador do Southampton, já a época começara há algum tempo, o seu agente lembrou-se de dizer que Erik Badu jogara nos escalões de formação da selecção ganesa e era amigo de George Weah, a esse tempo, um dos melhores jogadores do mundo.
Está para explicar como é que o treinador do Southampton caiu na história inventada pelo agente. A verdade é que caiu tão bem que, mais que um período de experiência, ofereceu a Erik Badu um contrato de dois meses, tentando evitar que ele acabasse noutra equipa até ao final da época de transferências. Quando Erik chegou ao clube, o seu rosto era só felicidade. Novembro é um mês de chuva intensa nas ilhas britânicas e a sua estreia pela equipa de reservas acabou por ser adiada, devido ao mau estado do relvado. Nos treinos, Erik surpreendia os seus colegas pelo seu pouco ortodoxo estilo de correr, não tendo sido sem espanto que o viram na lista de convocados para o jogo do seguinte fim-de-semana. A verdade é que, devido a lesões e a uma expulsão no jogo anterior, não sobravam avançados disponíveis no plantel. Erik tinha então a sua oportunidade de ouro de aparecer num jogo da Primeira Liga.
Os deuses que sempre o abandonaram até este dia, quiseram premiar-lhe a perseverança. Por volta da meia-hora de jogo, o avançado do Southampton, Matthew Le Tissier, lesionou-se e Erik Badu foi chamado para o substituir. O público ovacionou aquela contratação misteriosa, tão querida do treinador. A verdade é que o que se seguiu foi uma das páginas mais risíveis da história do futebol inglês. Erik Badu correu como um inocente pelas mais estranhas linhas do campo, não conseguiu controlar uma bola, em suma, denunciou, em poucos minutos, toda a sua falta de jeito para praticar futebol. Na bancada, o público dividia-se entre os risos e os apupos ao treinador, o qual assistia a tudo aterrado e envergonhado.
Foram estes os minutos mais felizes da vida de Erik Badu. Jogou vinte e nove minutos na Liga Inglesa. No dia seguinte, apresentou-se no estádio para ser assistido pelo médico, como se fosse devido a lesão que tudo lhe correra mal no dia do jogo. O seu contrato foi rescindido e nunca mais se viu Erik em Southampton. Na verdade, nessa mesma semana, regressara a Roterdão, retomando a sua posição na empresa do florista holandês. Acabou também por reconquistar o seu lugar como tratador de relva e como ocasional jogador do VOC Rotterdam. A única diferença é que agora, já não era o desconhecido rapaz que pouco jogava. Era o mundialmente famoso Erik Badu, o homem que contra tudo e contra todos, foi profissional em Inglaterra, mesmo que por poucos minutos.

(Com uma especial dedicatória a Graeme Souness e Ali Dia, dois homens que tornaram esta história possível antes mesmo dela ter sido inventada)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Eurobasket – And in the end, Russia won


For those who watched the games, this women's Eurobasket was a real promotion to the women’s game.
During 15 days, we had great games, full of excellent players and unpredictable results. We saw favorites going down to their knees and we learned to respect new powerhouses in the European Basketball.   It was a really exciting competition.
And in the end, Russia won.
Star-divide
Write down this name. Elena Danilochkina. She’s 25 and spent her last two seasons in Vologda-Chevakata, in the Russian League. In the European Competitions, she disputed Eurocup. During the 2010 World Cup, she was Becky Hammon’s substitute, and she was ready to continue like that, if Epiphanny Prince had come to play in Poland. But she didn’t. We heard that Russia would feel their lack of quality in the point guard position.
And then Danilochkina stepped in.