sábado, 20 de novembro de 2010

A culpa é do balanço


Sempre junto dos seus pais que passavam boa parte do dia num pequeno restaurante que exploravam num barco pelos canais da cidade, Gerald era um rapaz irrequieto. Gerald não parava quieto a correr pelas ruas de Amesterdão com os seus pequenos amigos, a inventar aventuras, perseguições, corridas e jogos. Era o típico puto traquinas, que toda a gente conhecia, por inícios dos anos setenta, nas ruas que eram atravessadas pelos canais.
Gerald era também um dos miúdos da escolas do Ajax. Muito cedo começou a jogar futebol e dava-lhe o jeito para ser uma das pequenas estrelas. Fez toda a sua escola na equipa do Ajax e era com orgulho que vestia a camisola branca atravessada pela faixa vermelha, uma camisola com grande significado para a sua família porque já o seu tio, Dirk Schoenaker, fizera esse percurso até à equipa principal. No entanto, as parecenças não iam além do nome e do agregado familiar. O seu tio Dirk era médio e Gerald um raçudo defesa-direito.
Uma coisa que Gerald nunca pôde fazer foi ajudar os seus pais no barco-restaurante. Desde muito pequeno que os pais o tinham habituado a adormecer no barco, enquanto eles arrumavam e preparavam o restaurante para o dia seguinte. Um rapaz muito irrequieto em terra, Gerald acostumara-se àquele balanço para adormecer. O problema é que crescendo, bastava-lhe pôr o pé em cima do barco para ser levado pelo balanço das águas a um sono profundo e retemperador. Isso não viria a ser problema porque, no dia em que completou dezoito anos, Gerald foi convidado a assinar um contrato de profissional com o Ajax.
Nos primeiros anos de profissional, Gerald era presença assídua na equipa secundária do Ajax, mas era claro para todos os observadores que ele iria chegar à equipa principal. E assim aconteceu, aos vinte e um anos estreou-se pelo Ajax, numa época de glória para o futebol holandês que recuperava o título de Laranja Mecânica e ganhava o Europeu de futebol. Para Gerald, esse facto animava-o ainda mais a lutar pela titularidade no seu clube, na esperança de um dia poder chegar à selecção holandesa. Gerald Schoenaker ganhara algum protagonismo com a saída de Sonny Silooy para o Racing Paris, mas essa aventura só durou um ano meio, ao fim do qual Gerald voltou a ser um defesa na reserva.
Apesar de ser um dos favoritos do seu treinador, Louis Van Gaal, Gerald preferiu sair para jogar mais. E pode dizer-se que não poderia ter escolhido melhor. Ao assinar pelo Feyenoord de Roterdão, Gerald Schoenaker foi duas vezes Campeão Nacional, ganhou uma Taça Uefa, três Taças da Holanda e uma Supertaça. Foram dez anos de sucesso, quase sempre jogando como titular da equipa, fosse como defesa direito, fosse como libero, uma posição onde, com a idade, aprendeu a jogar, valendo-se da sua experiência e influência sobre os companheiros de equipa. Um lugar na selecção é que nunca conseguiu, primeiro tapado por uma geração mais velha que ganhara títulos, depois tapado por uma geração mais jovem que cedo começou a dar cartas.
Ainda assim, com a nomeação de Louis Van Gaal para seleccionador, Gerald Schoenaker viria a ter a sua oportunidade. Sempre como libero, primeiro em alguns jogos de preparação e depois nas qualificações para o Mundial de 2002, Gerald era um defesa experiente e tinha, por isso, o favor de Van Gaal. A qualificação não estava fácil, a Holanda perdera já pontos em casa com os principais adversários e toda a experiência era pouca para os jogos finais da qualificação. O mais importante de todos eles disputou-se no Estádio das Antas, na cidade do Porto, no dia 28 de Março de 2001.
A Holanda não podia ter entrado melhor no jogo, com um penalty conquistado por Jimmy a ser transformado em golo aos dezoito minutos e com Patrick Kluivert a aumentar a vantagem aos quarenta e oito. Aos oitenta minutos, Gerald Schoenaker entrou, para defender o resultado. Toda a gente confiava na sua experiência, mas poucos esperavam o que lhe aconteceu a seguir. Aos oitenta e quatro minutos, perante o forte balanço do jogo português, Gerald sentiu uma leve tontura, como se adormecesse, e Pauleta apareceu sozinho em frente ao guarda-redes para marcar o 1-2. Ninguém queria acreditar. Portugal continuou a utilizar o seu jogo típico, fazendo a bola passear de um lado para o outro, como se fosse um barco que se aproxima, lento, da baliza holandesa. Aos noventa e um minutos, bola na área e Gerald, mais uma vez, cai adormecido sobre Pauleta e é marcado penalty contra a Holanda.
O jogo terminou empatado. Gerald não voltou a ser chamado à selecção, que acabou por ficar de fora do Mundial. Toda a sua raça e experiência ficaram manchadas por aqueles estranho adormecimento. A maior parte dos adeptos culpou a sua idade, o facto de ser já um veterano, de lhe faltar pernas para acompanhar o ritmo de jogo. A verdade é que poucos meses depois, Gerald Schoenaker abandonou o futebol e os seus pais se reformaram da sua actividade, vendendo o barco. Uma coisa, na sua família, não voltou a ser feita. Habituar as crianças a adormecer com o balanço de um barco.  

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Eurochallenge - Jornada 1

Breve resumo da primeira jornada do Eurochallenge no site espanhol BasketMe. Destaque para a estreia do Benfica, para as vitórias das equipas belgas e para o croata Zvonko Buljan, MVP da jornada.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

À força dos triplos - resumo da quarta jornada da LPB

A partir desta semana, vou estar no Planeta Basket a fazer o resumo dos jogos da LPB. O destaque da jornada 4 foi, sem dúvida alguma, a vitória do Porto Ferpinta na recepção ao Benfica.

Depois da derrota no jogo da Supertaça, nada melhor para os pupilos de Moncho Lopez do que ter nova oportunidade para encontrar os actuais campeões. No Dragão Caixa, a equipa azul e branca deu um verdadeiro espectáculo de triplos (19 marcados em 35 tentativas), finalizando o encontro com um aproveitamento de 54% para lá da linha dos 6.75m. Grande partida de Sean Ogirri (de quem se chegou a falar que poderia estar de saída), com 22 pontos e 4 assistências. Gregory Stempin (16 pontos e 7 ressaltos) e João Santos (14 pontos e 4 assistências) também estiveram muito bem ao colaborar na vitória que lhes garante o primeiro lugar na classificação. Do lado da equipa das águias, destaque para Sérgio Ramos (10 pontos, 7 ressaltos e 4 roubos de bola), que continua a ser a principal referência da equipa benfiquista. Os norte-americanos Cordell Henry (saído de uma lesão) e Greg Jenkins continuam sem demonstrar todo o potencial que se lhes reconhece.

O Casino Ginásio viajou até à Madeira como equipa invencível e voltou a casa com mais uma espectacular vitória num pavilhão complicado. O CAB até começou melhor, chegando ao fim do primeiro período com 12 pontos de vantagem. A equipa figueirense não desistiu nunca de lutar pela vitória, enfrentando as dificuldades impostas pelo seu adversário, e acabou por lograr virar o jogo no último período. Richard Oruche (18 pontos), Tomás Barroso (14 pontos e 5 ressaltos) e Jason Hartford (22 pontos e 7 ressaltos) foram as figuras de proa no Ginásio. Do lado do CAB, as boas exibições de Nathan Menefee (28 pontos e 8 assistências) e Fred Gentry (16 pontos e 8 ressaltos) não foram suficientes para garantir a superioridade demonstrada em grande parte do desafio.

Nos Açores, a primeira parte da partida foi de domínio do Lusitânia, mas na segunda parte o Sampaense impôs o seu jogo e garantiu a terceira vitória no campeonato, uma das boas surpresas da LPB. Almaad Jackson (14 pontos, 12 ressaltos e 6 assistências) continua a ser o jogador mais influente da equipa de São Paio de Gramaços, tendo em Riley Luettgerodt (26 pontos e 6 ressaltos) e Jessan Gray (21 pontos e 8 ressaltos) fiéis companheiros. Na equipa açoriana, destaque para Marcel Momplaisir (14 pontos e 9 ressaltos), Kenneth Cooper (12 pontos e 9 ressaltos) e Mohammed Camara (15 pontos).

Surpresa em Ílhavo com a vitória do Illiabum frente à Ovarense. Sem Miguel Barroca (ausente por lesão), foram Ralph Hegamin (19 pontos e 8 ressaltos), Evan Harris (13 pontos e 12 ressaltos) e um inesperado João Balseiro (13 pontos), vindo do banco, os protagonistas da equipa da casa. Para os de Ovar, grandes exibições de Matt Webster (24 pontos e 13 ressaltos) e Nuno Cortez (23 pontos e 10 ressaltos) que, perante os fracos contributos de Ryan Schneider  e Jason Smith, ficaram a apenas dois pontos da vitória.

Em Guimarães vive a equipa com mais altos e baixos da Liga. Recebendo o Penafiel, a equipa vimaranense este muito frágil na primeira parte, permitindo ao adversário uma vantagem de 10 pontos ao intervalo. Na segunda metade tudo foi diferente e a recuperação deveu-se às boas exibições de Brandon Brown (16 pontos e 10 ressaltos) e Kevin Martin (19 pontos e 19 ressaltos). Entre os penafidelenses, boas contribuições do estreante Rob Hines (21 pontos) e de Jeremy Goode (19 pontos).

Em Coimbra, os estudantes demonstraram total superioridade frente aos jovens do Barreirense, a única equipa que continua sem ganhar na LPB. Matt Shaw (22 pontos e 11 ressaltos)e Fernando Sousa (28 pontos e 5 ressaltos) destacaram-se na equipa da Académica, enquanto Pedro Pinto ( 16 pontos e 4 ressaltos) e Jermaine Johnson (19 pontos e 8 ressaltos) foram os únicos barreirenses a mostrarem-se acima da mediania.

Os resultados da quarta jornada da LPB foram os seguintes:
CAB Madeira- Casino Ginásio 77-79
Illiabum – Ovarense Dolce Vita 76-74
Porto Ferpinta – SL Benfica 91-74
Académica – Barreirense 87-64
Vitória Guimarães – Penafiel 64-63
Lusitânia Expert – Sampaense 81-85

Ligas Estrangeiras no Solobasket.com

Tudo sobre os jogos da semana, nas Ligas Estrangeiras do Solobasket.com .

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Planeta Basket - Time out com Titi Papazov

Planeta Basket continua a sua volta à Europa, entrevistando as grandes figuras do basquetebol. Hoje falámos com o treinador búlgaro Konstantin Papazov.
Conhecido por adeptos e amigos como Titi, com apenas 30 anos era Presidente do Slávia de Sófia e ganhou todos os títulos no basquetebol da Bulgária. Três anos depois, voltou a ganhar o campeonato búlgaro, agora como treinador do Levski Sófia. Desde então, Papazov ganhou um lugar entre os mais conceituados treinadores deste país balcânico. Já passou pela selecção nacional, quer liderando, quer como adjunto de  Pini Gershon. A FIBA Assist Magazine reconhece também os seus conhecimentos,  publicando alguns dos seus artigos.
Fora do campo, Titi Papazov é um activista social em diferentes causas, para as quais participa activamente na angariação de fundos. Servindo de exemplo aos seus concidadãos, adoptou uma criança cuja mãe é portadora do vírus da SIDA, chamando a atenção para esse flagelo. É, na realidade, um homem multifunções, com um discurso rápido e incisivo, tendo até já sido, candidato a Presidente da Câmara de Sófia.  No entanto, a sua grande paixão é o basquetebol. Quando nasceu o seu primeiro filho, deu-lhe o nome de Zeljko, como Obradovic, o famoso treinador do Panathinaikos.

Olá Titi, saudações desde Portugal. Diz-me, qual é a tua opinião sobre o basquetebol português?Sei, com certeza, que, em Portugal, o basquetebol não está ao nível do futebol. Mas, sendo  um grande jogo, ainda mais para  um povo temperamental como o português, é normal que tentem desenvolver a modalidade nesse território. Tudo o que sei tem como base os últimos confrontos com a sua selecção e dos treinadores búlgaros que aí trabalham.
Pelo segundo ano consecutivo, estás à frente do Levski de Sofia. Quais as ambições e objectivos para esta época?Trata-se de uma das equipas grandes do basquetebol búlgaro e as ambições são sempre bem altas. Queremos estar  no topo de todas as competições em que participamos.
Porque continuam a participar na Liga Balcânica quando toda a Europa está em crise financeira, e à qual a Bulgária também não escapa?Depois de ganhar o título da Liga Balcânica no ano passado, este ano o objectivo é conseguir repetir esse êxito. Acho que a participação da nossa equipa nas últimas edições da prova foi muito útil e têm permitido que a equipa cresça e consiga melhores resultados no campeonato búlgaro.
Amanhã, o Benfica irá jogar contra o campeão Lukoil Academic. Quais são os pontos fortes da equipa búlgara?O Lukoil é a equipa mais forte da Bulgária, composta por jogadores de muita qualidade e estrangeiros cujos ordenados são muito elevados. Têm por objectivo  chegar à final four do Eurochallenge. Têm muitas boas opções no seu banco, com vários atletas que podem ser chamados ao campo. Ainda assim, acho que o Benfica vai entrar com a sua confiança de campeão e vai jogar para ganhar este encontro. É muito difícil jogar o primeiro jogo em casa e acho que essa será a grande vantagem do Benfica.
Falemos agora do Campeonato Europeu Lituânia 2011. Qual é a tua opinião sobre o alargamento do número de participantes de 16 para 24?Acho que são óptimas notícias para selecções como a búlgara e a portuguesa que vão ter mais oportunidades de participar. Em contraponto,  vai fazer com que os grupos de qualificação sejam de um nível inferior.
E quais as possibilidades de Portugal no próximo torneio de qualificação com as equipas da Finlândia e da Hungria?Na última qualificação disputada no verão passado, Portugal não foi convincente no seu jogo. Jogou mal. Mas cada equipa tem os seus altos e baixos e Portugal vai ter grandes hipóteses, se conseguir juntar todas as suas estrelas debaixo de um mesmo objectivo, representar o país a nível internacional.
Para finalizar, qual o conselho que dás aos jovens leitores do Planeta Basket que queiram ter sucesso enquanto treinadores?Quando trabalhas no  basquetebol, deves saber que cada dia é uma possibilidade para aprenderes, cada contacto com outros treinadores é uma nova oportunidade para ficar a saber mais. Se em algum momento começas a pensar que sabes tudo, estás perdido. O êxito pode e deve fazer-te feliz, porque no dia seguinte terás outra batalha à espera. E isto vai ser sempre assim enquanto continuares a ser um treinador. Ser treinador é muito exigente mais também muito compensador, é uma ocupação à qual te deves dedicar totalmente, logo no plano seguinte à família. O basquetebol tem uma magia que oferece quer  alegria quer  lágrimas, emoções muito fortes. Para mim, é único. Gostaria de desejar êxito ao basquetebol português e a todos os treinadores em Portugal. Espero que o vosso país possa marcar presença na Lituânia 2011.
Entrevista de Ivan Kostourkov - Revisão de Luís Filipe Cristóvão

Olhar o Futuro



Reportagem sobre Ricky Rubio (Barcelona)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

EuroBenfica - os adversários

Um olhar sobre os adversários do Benfica nas competições europeias.

Com o início da fase de grupos do Eurochallenge, hora para o Planeta Basket espreitar os adversários do clube da Luz neste regresso às aventuras europeias.  O primeiro jogo dos encarnados será na próxima terça-feira, 16 de Novembro, em Sófia, contra o Lukoil Academy.

Lukoil Academic  – Bulgária


Todor Stoykov
Os estudantes búlgaros têm a sua sede em Pravets, mas no Eurochallenge, jogarão no Universiada Hall, em Sófia. Ambição é a palavra que melhor define este conjunto, cujos dirigentes esperam que possa atingir as finais da competição. Dominantes na liga doméstica, onde ganharam os últimos oito campeonatos e onde, já este ano, completaram cinco jogos sem conhecer a derrota, a sua principal figura é o búlgaro Todor Stoykov. Aos 33 anos, o mais  respeitado jogadores búlgaros é o guia desta equipa, dentro e fora de campo. Canhoto e muito eficaz da linha dos três pontos, Stoykov é o Carlos Lisboa da Bulgária. Num conjunto com quatro jogadores americanos, o mais mediático é o base Brandon Heath, que passou pelo plantel dos LA Lakers, embora nunca tenha feito nenhum jogo oficial na NBA. 

Brandon Heath
O americano mais influente da equipa tem sido Dominic James, um base de 1.80m que fez um excelente percurso universitário em Marquette, tendo actualmente uma média de 17.8 pontos por jogo. Referência ainda para o letão Kasparis Kambala, poste de 32 anos e 2.06m, com passagens pelo Efes Pilsen, Real Madrid, Unics Kazan e Fenerbahce. O experiente atleta será muito difícil de parar na luta das tabelas, embora actualmente esteja a repartir minutos na posição com o norte-americano Travis Peterson, 25 anos e 2.08m. Na rotação da equipa búlgara patrocinada pelo gigante petrolífero russo Lukoil, surge ainda o jovem base Bozidar Avramov que, passou pela formação do Valência e regressou este ano ao seu país. Os jogos da equipa búlgara serão transmitidos pelo BNT SAT, canal disponível nos pacotes MEO (canal 235) e ZON (canal 239).

Lugano Tigers – Suiça

Plantel dos Lugano Tigers
Nos últimos cinco anos, os Tigers de Lugano ficaram sempre nos três primeiros lugares do campeonato suíço, mas só no último ano conseguiram recuperar um título que lhes fugia desde 2006. Um dos grandes responsáveis desse título continua a vestir a camisola do clube suíço, o norte-americano Mohammed Aboukar, com 25 anos e 2.08m. Na presente época, Aboukar, um versátil extremo, tem conseguindo apresentar ainda melhores números, com 22 pontos de média nas oito vitórias conseguidas pelo clube no campeonato suíço, no mesmo número de jogos. 
Numa equipa com oito jogadores de origem americana (mais um brasileiro, um sérvio e um bósnio), é difícil encontrar características do basquetebol suíço. Até o treinador, Joe Whelton, vem do lado de lá do Atlântico. Outro jogador muito influente tem sido o base com 26 anos e 1.96m,Michael Efevbehra (15 pontos, 3.3 assistências), que também transita da época passada. Esse será o segredo do bom rendimento da equipa do Cantão Italiano da Suíça, os seus jogadores mais influentes já ganharam um título na época passada e vão querer atingir o reconhecimento com uma boa campanha europeia.

Tartu Rock University – Estónia

Janar Talts
A equipa estónia tem vindo a crescer no panorama do basquetebol europeu, com várias participações nas competições dos últimos anos. Dominadora na liga doméstica (três títulos nos últimos quatro anos), o Tartu Rock compete também na Liga Báltica, onde conseguiu, na época passada, o seu melhor resultado de sempre, atingindo os quartos-de-final. Este ano a tendência tem sido mantida e o objectivo é obter resultados que façam esquecer a desilusão do último Eurochallenge (1v-5d). O plantel conta apenas com dois estrangeiros, um norte-americano e um georgiano, e o jogador mais influente da equipa tem sido o poste da selecção estónia Janar Talts. Com 27 anos e 2.05, Talts apresenta-se como um jogador difícil de marcar dado ser muito ágil e rápido no campo. A acompanhá-lo no jogo interior está Callistus Eziukwu, com 2.08 e 25 anos, que ainda se estará a ambientar à equipa, depois de passagens pelas divisões secundárias em França e na Turquia e um ano no México.  Em conjunto, este dois jogadores têm valido 26 pontos e 16 ressaltos por jogo na Liga Báltica. A equipa conta ainda com outra torre estónia, o experiente Vallo Allingu, com 32 anos e 2.06m. Tantos centímetros no jogo interior fazem com que os estónios sejam uma muralha particularmente difícil de ultrapassar. A direcção da equipa está nas mãos do georgiano Georgi Tsintsadze, 24 anos e 1.92m, formado na Academia de Tbilissi e no CSKA Moscovo. É um jogador muito confiante e, para além de um elevado número de assistências, é também uma boa opção de lançamento exterior. 
O futuro do Tartu Rock e, já agora, do basquetebol estónio, está no base lançador Rain Veideman. Chegado dos rivais Rakvere Tarvas (finalistas vencidos da Liga Estónia da época passada), aos 19 anos e com 1.92m, Veideman tem um sólido historial nas selecções jovens do seu país e tem apresentado médias de 11 e 12 pontos na Liga Báltica e na Liga Estónia. O Tartu Rock é uma equipa muito consistente e será um adversário realmente difícil de bater na Eurochallenge.

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domingo, 14 de novembro de 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Enganar Deus


Adrián Guity sempre se lembrou perfeitamente do que ouviu na Igreja de Yuscarán, no distrito de El Paraíso, no sul das Honduras. O padre gritou a meio do sermão “fraco não pode ir para o céu”, coisa que muito impressionou o pequeno Adrián. Podia ter-se entregue ao medo de ser um fraco para o resto da vida, visto que as suas circunstâncias do momento se resumiam a uma vida de dificuldades numa família pobre daquele pequeno distrito hondurenho. Mas, daquele dramático sermão, o pequeno Adrián retirou a vontade de provar que Deus deveria estar errado.
Era essa uma das características de Adrián Guity. Escolher sempre o lado mais difícil. Ou seja, ele poderia ter escolhido não ser um fraco. Mas preferiu provar o erro de Deus. Adrián deixou a cidade de Yuscarán com treze anos e foi para Tegucigalpa fazer pela vida. Foi viver com uma velha tia que há muitos anos já era empregada das limpezas nos escritórios da capital. Adrián andava pelas ruas a ajudá-la. Acompanhava-a até às casas onde ela trabalhava, saía para comprar algum produto que fosse necessário e para fazer todos os recados possíveis e imagináveis.
Ao mesmo tempo que ia sendo moço de recados, Adrián era também muito requisitado pelos jogos de futebol na rua onde vivia. Pequeno como era, com a resistência de quem anda sem parar o dia inteiro, Adrián era capaz de aguentar horas a jogar e a enfrentar rapazes com quase o dobro do seu peso. E assim corria Adrián rua acima e rua abaixo, atrás da bola, como quem se diverte ao mesmo tempo que sonha. Ele queria enganar Deus, o que já sabia não ser fácil, mas era seguro que o facto de ser  capaz de correr bastante poderia, um dia, vir a  ser uma boa ajuda.
A sorte de Adrián parecia estar a mudar quando um dos patrões da sua tia o viu a brincar com uma bola na entrada do prédio, enquanto esperava pelo fim de mais um dia de trabalho. Esse patrão era também um dirigente do Clube Olimpia Deportivo, uma das grandes equipas hondurenhas, onde Adrián acabou por fazer a sua formação futebolística. Rapaz dedicado e determinado a enganar a sua sorte, Adrián continuava a passar o dia a ajudar a sua tia, terminando a tarde a crescer como uma das grandes esperanças do futebol daquele país da América Central.
Adrián Guity continuava a ter toda a aparência de um fraco. Dentro de campo, ele era todo fragilidade enquanto o árbitro não apitava para o início do jogo. Mas quando começava a partida, Adrián transfigurava-se. Era vê-lo correr como um desalmado, disputar cada bola como se o mundo pudesse acabar naquela jogada. Era um jogador tão incansável que nenhum dos seus treinadores hesitava no momento de o colocar em campo mais uma vez, por muitos jogos que disputasse. E a verdade é que ele disputava mesmo muitos jogos, chegando a ser titular na equipa principal e também na equipa B do Olimpia, acontecimento mais do que invulgar mas justificável pelo facto de Adrián só se sentir bem em competição. Jogar às quartas-feiras pela equipa B era, para ele, uma forma de treinar.
Tanta visibilidade valeu-lhe um lugar na selecção, também esse, de forma algo surpreendente. No início do Verão de 2001, a Argentina abdicou da sua participação na Copa América, alegando que a Colômbia, país organizador, estava em guerra. Para o seu lugar foi convidada a selecção das Honduras que, tendo já alguns dos seus jogadores em período de férias, apresentou-se com uma equipa cheia de jovens esperanças. A Adrián Guity coube vestir a camisola 12 e ficar sentado à espera da sua hora. Ele sempre fora um jogador polivalente, capaz de jogar em todos os lados do campo. Sentia que estar ali, na Copa América, era a sua oportunidade de provar a Deus que o poderia mesmo enganar.
A selecção das Honduras disputou a primeira fase da Copa em Medellín. Pouco se esperava deste conjunto de jovens chamados à última hora, mas a verdade é que a história do futebol costuma ser simpática para os bafejados por esta sorte. Depois de perder no primeiro jogo com a Costa Rica, as Honduras surpreenderam com vitórias sobre o Uruguai e a Bolívia, conseguindo o segundo lugar e a classificação para os quartos-de-final. No dia 23 de Julho de 2001, entravam no Estádio de Manizales as equipas do Brasil e das Honduras, num dos mais significativos encontros da história do futebol hondurenho.
As camisolas de riscas verticais azuis e brancas das Honduras dominaram sempre o jogo. Os jogadores do Brasil pareciam meio adormecidos e contrariados por estarem naquela competição. Já os jovens hondurenhos entregavam-se ao jogo, sentido cada um deles que caminhavam na direcção do seu Olimpo pessoal. Assim foi para Saúl Martinez, que rematou para o primeiro golo, confirmado pela falta de jeito de Belleti, e marcou o segundo já nos descontos. Adrián Guity foi chamado para entrar logo a seguir a esse golo. Entrou em campo apenas para ouvir o árbitro apitar para o fim do jogo. Mas na memória de todos está o seu gesto, de joelhos no relvado, a fazer um grande manguito para o céu. Adrián, o fraco, acabara de ganhar o seu lugar no céu do futebol hondurenho. Deus perdera a aposta.  

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Quando o jogo era deles...


Larry Bird e Magic Johnson são hoje duas figuras históricas da NBA, a grande liga mundial de basquetebol. Nos últimos 30 anos percorreram juntos o caminho do estrelato, desde o  liceu até a serem reconhecidos em todos os cantos do mundo. Esse percurso é descrito por Jackie MacMullan com especial detalhe no livro When the game was ours, uma edição da Mariner Books, lançada neste ano.

O livro divide-se em vários capítulos, cada um deles assinalando uma data. Tudo começa a 9 de Abril de 1978, em Lexington, Kentucky, quando os dois jovens se conhecem, fazendo ambos parte de uma equipa de All-Stars Universitários, numa competição internacional. Nesse estágio, ambos percebem a valia do outro, admirando as suas qualidades. De alguma forma, aquilo em que cada um julgava ser único, aparece no jogo do outro. Souberam, nesse dia, quem era o adversário que iriam ter para o resto da vida.

A tensa relação dos dois só ganharia relevo quando se encontraram na final da NCAA. Aí, Magic Johnson e os Spartans de Michigan State bateram Larry Bird e os Indiana State, num jogo que se tornou memorável para a história do basquetebol. Desde esse ano de 1979, ambos lutaram pelos mesmos objectivos, com a agravante de terem sido escolhidos no Draft por duas equipas rivais – os Lakers de Los Angeles e os Celtics de Boston. As disputas entre as duas equipas durante os anos 80, com muitas histórias do que se passou no balneário de cada uma, dá-nos uma imagem muito fiel do que era o basquetebol profissional e da forma como as grandes  equipas se constroem e evoluem.

Também percebemos que, a partir de 1986, os dois se tornam cúmplices, transformando a tensão em admiração profunda pelas qualidades do outro, para além de uma amizade que se vai fomentando com os anos. Bird, três vezes campeão, e Magic, com cinco títulos, só voltaram a jogar na mesma equipa nos Jogos Olímpicos de 2002, em Barcelona, fazendo parte do Dream Team norte-americano, já depois de Magic se ter retirado da NBA (onde ainda haveria de voltar), devido ao vírus do HIV.

Jackie MacMullan, comentadora regular do Boston Globe durante trinta anos e actual colaboradora da ESPN, guia-nos, com uma escrita muito interessante, pelos meandros desta relação, sendo que o resultado é um livro ímpar para quem tem uma verdadeira paixão pelo basquetebol e teve oportunidade de acompanhar as carreiras destes dois ídolos, simplesmente, fantásticos.