Nem sempre uma derrota significa que se
poderia ter feito algo diferente. Esta é uma das verdades que custa
a aceitar, de tão áspera. Portugal entrou frente à Espanha como o
jogo lhe exigiu. Com cuidados defensivos e tentando, durante 90
minutos, colocar a bola na velocidade dos seus extremos. Na defesa,
Portugal teve quase sempre sucesso. Tal como a Espanha, aliás, que
não deu um milímetro a Cristiano Ronaldo e Nani.
No meio-campo, João Moutinho foi
gigantesco a rasgar as tentativas de evolução espanhola e o
tiki-taka como que esteve ausente durante o jogo. Do outro lado,
Busquets e Xabi Alonso sobravam para evitar que qualquer lance de
perigo surgisse da intermediária portuguesa. Foi com este empate
técnico que as duas equipas foram para prolongamento.
Como Paulo Bento bem disse, esperava-se
que Portugal pudesse reagir nos 30 minutos extra. Mas o que se viu
foi que, como bem disseram quase todos os preparadores físicos
presentes na competição, dois dias de descanso a mais pouco
significam. A Espanha revelou, sobretudo, maior frescura mental,
tendo também mais vontade de ganhar o jogo antes de ir para as
grandes penalidades.
Poderia agora dizer-se que se o passe
de Raul Meireles tem saído acertado para o pé esquerdo de Ronaldo,
Portugal estaria na final. Tal como se pode dizer que as duas vezes
que Rui Patrício adivinhou o lado para que foi marcado o penalti
poderiam ter resultado em mais uma defesa. Ou ainda que Moutinho ou
Bruno Alves poderiam ter tido a sorte de não falhar as suas
oportunidades. Mas em nenhum destes casos há um erro, nem uma falha
estratégica. São circunstâncias de um jogo que se joga onze contra
onze e uma bola.
Portugal caiu de pé. A Espanha, sem
encantar em nenhum momento deste Europeu, chega merecidamente à
final. Os deuses do futebol, esses, aguardam pacientemente para
lançar o seu raio final sobre este torneio.
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